sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O linguajar das goianas

Recebi esse texto de uma amiga ontem à noite e achei muito divertido e verdadeiro. É inegável: as goianas têm mesmo um charme no seu linguajar. Fiquei ainda mais apaixonada por minha terra, minha naturalidade e, claro, meu "jeitin" de falar. Espero que, ao fim do texto, também possam concordar comigo. Vamos a ele...
 

Certa vez, quase propus casamento a uma goiana que me ligou por engano.

Elas têm um ódio mortal das palavras completas, preferem, sabe-se lá porque, abandoná-las no meio do caminho.

Os não-goianos, ignorantes nas coisas de Goiás, supõem, precipitada e levianamente, que os goianos vivem apenas de uais, trens e sôs. Mas vai além disso!

Goiana não fala que o sujeito é competente, ele é 'bom de serviço'.

Nunca usam o famosíssimo 'tudo bem'. Sempre perguntam 'Ce tá boa?' (pra mim, isso é pleonasmo, perguntar se uma goiana ta boa é desnecessário).

O verbo 'mexer', para as goianas tem amplos significados, quer dizer por exemplo, 'trabalhar'. Se lhe perguntarem: 'Com o que q o ce mexe?', querem saber o seu oficio.

Goianas não dizem 'apaixonado por'. Dizem, sabe-se lá por que, 'sou doida com ele' (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas 'com' alguma coisa. 

Também não gostam do verbo 'conseguir', aqui você nunca consegue nada, você não 'dá conta'.

Que goianas nunca acabam as palavras todo mundo sabe. É um tal de 'bunitim, fechadim, pititim'.

Não caia na besteira de esperar um 'vamos' completo de uma goiana, vc não ouvirá nunca. É um tal de 'vamo', 'bora'.

Preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a goiana. Aqui certas regras não entram.

O supermercado nunca tá lotado, sempre tá 'cheio de gente', não faz muitas compras, compra um 'tanto de coisa'. Se, saindo do supermercado, a goianinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará: 'Ai, gente, que dó'. 

É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas goianas. 

Goiano não arruma briga, 'caça confusão'. 

Capaz... Se você propõe algo e ela diz: capaz!! Vocês já ouviram esse 'capaz'? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer 'cê acha que eu faço isso'? com algumas toneladas de ironia... 

E o 'nem', já ouviu?? Completo ele fica: 'Ahhh nemmmm!' Significa, amigo, que a goiana não vai fazer o que você propôs de jeito nenhum.

Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das goianas. 

Goiana não pergunta, 'você não vai?' A pergunta goianamente falando e: 'Ce não anima de ir?'.

O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Se vc em conversa falar 'Fui lá comprar umas coisas.', a goiana retrucara: 'Ques coisa?' O plural dá um pulo, sai das coisas e vai para o que.

A fórmula goiana é sintética. E diz tudo. Até o 'tchau' em Goiás é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: 'tchau procê', 'tchau procês'. É útil deixar claro o destinatário do tchau.

A conjugação dos verbos em Goiás têm lá seus mistérios.... LINDOS mistérios! E é por essas e outras que eu sou apaixonado pelas goianas, ainda não inventaram mulheres mais lindas e charmosas.

É isso ai gente, tchau procês!!!

(Desconheço a autoria)

2 comentários:

  1. É DESSE TIPIM MESMO AMIGA... ADOREI! BEIJO PROCÊ TAMÉM

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  2. Faltava pouco para eu me apaixonar por uma goiana. Agora não falta nada, aliás, sobrou um tantin...é assim que fala?
    Adorei voltar aqui, estava com saudades.
    Um beijo enorme minha querida Taiza Renata.

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