quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Um dia por vez - 02/02/10 - A roda que gira

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...

Refrão:
Roda mundo roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...

Refrão

A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata 
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá

Refrão

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá...

Refrão

Engraçado! Essa música está insistindo na minha cabeça desde cedo. Daí, pensei em escrever sobre ela, mas não me veio a inspiração, porque o meu espírito está diferente. É como se a roda viva não conseguisse levar o há agora, o que existe e o que estou vivendo.

Não sei se foi a virada do ano, se foi minha auto-estima que melhorou, se foi o fato de traçar metas e me comprometer a cumpri-las desde o meu aniversário... não sei. Só sei que há algo mágico no ar. As portas parecem estar se abrindo pra mim em todas as áreas da minha vida, de forma nova e inesperada.

Talvez seja tempo de colheita, talvez porque 2010 é o ano do Tigre no horóscopo chinês (ou seja, meu ano), talvez eu tenha visualizado tantas coisas boas na minha vida com tal intensidade que o pensamento começa a se materializar enfim, talvez eu não tenha percebido que sou merecedora... Meus questionamentos vão divagando, tentando encontrar uma resposta.

Lendo a letra dessa música, me encontro nela em vários versos, menos quando ela diz que roda viva vira e nos impede de fazer o que tanto almejamos. Sinto-me mesmo como quem morreu, não com toda a dor ou sofrimento que a morte traz, mas como o renascimento que a morte é. Morre em mim tantos apegos, tantos paradigmas, tantos conceitos mal concebidos e nasce o que há de novo, de melhor, de mais promissor. Nascem novos planos, novas idéias, novas oportunidades, fazendo florescer a força que em mim desconheço, colocada pra fora, como o “rugido” incendiador de um dragão.

Hoje sei que eu sou a única pessoa que manda no meu destino, que abre os caminhos, que tem em si o potencial da mudança, me abrindo em alma, corpo e coração para o que há de mais mágico na vida. Esse sentimento me renova, me enobrece, fazendo com que eu enxergue o que, há muito, estava a um palmo do meu nariz e eu não via. É preciso sim ter voz ativa e ter ação, juntamente com sabedoria e complacência consigo mesmo e com seu próximo. É fazer tudo sempre em nome do amor.

O mais interessante de tudo é aquela velha história, que conhecemos tão bem, mas insistimos em teimar com a própria natureza: o que tiver que ser, será. Muitas vezes nadamos contra a corrente para forçar a coisa acontecer, nos esforçamos ao máximo, usamos toda nossa ginga e energia, na ilusão de sermos capazes de aproximar ou afastar o que já estava escrito, em algum lugar, quem sabe nas estrelas. Pode ser até que consigamos algum movimento, mas “o que é do homem, o bicho não come”.

E nessas voltas que tentamos dar, esquecemos, nos desfocamos do que chamamos de Principal. O que realmente importa fica esquecido, até que nos damos conta que, como num passe de mágico, o que era de fato importante ficou ali, protegido por algo, talvez Deus, quem sabe o Universo... mas o fundamental nunca se perde.

No fim, entendemos que tudo foi como deveria ter sido, que a te o esforço “desperdiçado” tinha uma razão de ser, porque o movimento que fizemos foi importante. E, ouvindo a música, tem-se a certeza que a roda da vida é mesmo gigante, mas gira numa sincronia perfeita, que gira todas as coisas até que voltem ao seu lugar exato, porque a vida é cíclica. E o tempo também roda com a vida e faz rodopiar coisas inesquecíveis que marcam o coração.

Um comentário:

  1. Cada vez mais a D. Vida me mostra que como já dizia minha avó, somos nós que temos o "leme do nosso barco", mas por alguns lugares, não tem jeito, temos obrigatoriamente que passar...."o que é do homem, não adianta, o bicho não come"!
    Um beijo.

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