quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Solidão estranha



Alguns dias eu acordo com uma solidão tão grande, tão grande, que é como se eu mesma me abandonasse. Uma sensação de desolação tão dolorida que me corta por dentro com navalha afiada. Neste momento, tudo que posso fazer é esperar passar, porque nesse momento sou frágil, pequena, indefesa.

Logo eu, que valorizo tanto a vida, que celebro a alegria, que me apaixono pelo mísero sinal de beleza, de arte, de movimento... quando esse sentimento vem, me trava por dentro, me judia, me mói o coração, me sucumbe a alma, me trai, me agonia, me entristece profundamente.

Por mais que eu vista a carapuça do “ser feliz é uma escolha” (isso é muito real pra mim e essa foi mesmo a escolha que eu fiz), nesses dias me sinto traída por mim mesma, me enfraqueço e me dá uma sede de alguém, de qualquer coisa, agora... na verdade, tudo que eu preciso nesse momento é de colo, como a criança que chora pelo algodão doce que sumiu do saquinho.

A dor que me traz é fina, funda e quase despercebida atravessa minha mente, meu coração, minha pessoa em todo o ser. E eu, covarde que sou, não tenho o ímpeto nem de chorar. Até tenho vontade, mas não consigo. Fico com esse nó no peito, como um processo inflamatório que vai tomando conta do seu corpo, sorrateiramente, esperando o momento certo de se manifestar.

Nem sempre se manifesta. Às vezes, simplesmente recua, se esconde em algum lugar dentro de mim onde eu não possa ver, tão bem camuflado que chego a pensar que tristeza e solidão nem existem, que a vida é sempre cor-de-rosa e que é inadmissível o menor sinal de infelicidade no ser humano.

Mas existe sim e aparece de repente, muitas vezes não sabemos nem de onde vem e nem o porquê (só tenho certeza que é momentâneo, mesmo sem saber quanto tempo vai durar), e vai te conduzindo a um processo de introspecção, na busca pelo motivo real, pela certeza de que há algo dentro de você a se resolver, pela necessidade de uma mudança... não sei.

Hoje é isso! Texto em preto e branco e alma estraçalhada...

Solidão estranha.

“Deixa a minha insanidade... é tudo que me resta...” (Oswaldo Montenegro)

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