quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Só tinha de ser com você - Tom Jobim



É, só eu sei 
Quanto amor eu guardei
 
Sem saber que era só prá você

É, só tinha de ser com você 
Havia de ser prá você
 
Senão era mais uma dor
 
Senão não seria o amor
 
Aquele que a gente não vê
 
O amor que chegou para dar
 
O que ninguém deu pra você

É, você que é feita de azul 
Me deixa morar nesse azul
 
Me deixa encontrar minha paz
 
Você que é bonita demais
 

Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você 
Você sempre foi só de mim
Que eu sempre fui só de você 
Você sempre foi só de mim

Essa música é muito especial. Sua letra e melodia saltitam num compasso gostoso, do amor de verdade. Aquele que só acontece uma vez na vida e que nada nem ninguém é capaz de tirar. Aquele que só pertence a você e ao seu amor. Intocável. Sagrado. O amor em sua mais verdadeira essência. Esquecendo as posses, ultrapassando os obstáculos, vencendo limites que o tempo insiste em nos impor.

De repente, se percebe que durante toda uma vida, esse amor não compartilhado por desvios do destino, nunca morreu. A distância e o tempo são incapazes de separar um coração que está sintonizado com o outro por algo maior.

É como a chave que só encaixa naquela fechadura, é como o segredo do cofre. Quando essa porta se abre, existe um mar de emoções fortes, inabaláveis, que embora pareçam águas calmas, onde as ondas nem estouram, por baixo, por dentro, existe algo maior, uma sucção interna que nos apreende por toda a vida.

Podemos viver vários relacionamentos, gostar, ser gratos, compartilhar uma vida a dois, mas nada disso é tão forte a esse amor que fica guardado dentro de nós para, um dia, quem sabe, ser revivido, ser desembocado num lugar certeiro, que sempre existiu e sempre vai existir.

Uma lacuna aberta no coração esperando a hora do amor maior ou, pelas circunstâncias, simplesmente aceitar que o que foi vivido está eternizado dentro de você e do outro, e esse sentimento apenas aos dois pertence, apenas pelos dois é sentido, numa conexão mágica que só quem vive é capaz de entender.

E se você puder ter a oportunidade do reencontro, você vai se sentir realmente em casa, com uma plenitude de paz jamais sentida, na certeza que o amor é um sentimento sublime, enorme apesar de simples, que é impossível de se explicar, mas maravilhoso de se sentir.

Você sabe, dentro de você, que esse amor jamais vai poder ser dividido com outra pessoa. Não que você não possa viver com alguém algo intenso. Pode-se. Mas é besteira enganar-se. Um grande amor só se vive uma vez e, uma vez vivido, nunca mais termina, faz parte de você, por mais que as vidas se separem.

Insano? Louco? Fantasiador demais? Pode ser. Mas eu vivi um grande amor e sei do que estou falando. Se você ainda não viveu, procure, porque com toda certeza esse amor também está à sua espera. E é só seu, de mais ninguém.

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