terça-feira, 9 de março de 2010

Um dia por vez - 08/03/2010 - A dança da vida


Hoje recebi um e-mail de um amigo que se chama “Tango Vertical” que inspirou meu texto de hoje. Trata-se de um vídeo onde um casal dança lindamente numa mistura de tango e pole dance (aquela dança ao redor do cano, feita por stripers). Então, assistindo, pude entender que a vida é uma bela dança, talvez essa que recebi.

Dali me vieram várias lições, a começar pela notoriedade de que a vida é sempre mais bela se passamos na companhia de alguém, afinal ninguém vive sozinho. De preferência, alguém que saiba compartilhar o seu ritmo, que possa te seduzir ao mesmo tempo que é seduzido, que sabe exatamente a hora de parar (mesmo que essa pausa seja necessária para o equilíbrio perfeito).

Alguém que você tenha a total confiança de se jogar nos braços na certeza que vai estar em segurança porque, haja o que houver, ele (ou ela) vai estar sempre ali. É preciso respeito, entendimento entre as partes para que a dança tenha harmonia. Tropeços acontecem. Pode ser que aconteçam sempre, mas a percepção do outro tem que estar em foco para que os erros dos passos não sejam tão bruscos, a ponto de quebrar alguma parte do parceiro(a), que será obrigado a abandonar a tal dança.

O que não quer dizer que você não possa dançar sozinho, inventar, inovar e mesmo assim se sentir leve e feliz, como a bailarina que usa de toda sua delicadeza para rodar em torno de si mesma com total maestria e altivez. Mas penso que dançar acompanhado é sempre muito mais interessante.

Percebo a vida como se ela ecoasse uma música que encanta, que fascina, que envolve. E ela te atiça pra dançar, de forma leve, suave, por mais que os movimentos muitas vezes sejam mais firmes ou agressivos. São assim para dar a graça ideal para o próximo passo que é delicado, bonito e certeiro.

O cenário é requintado, pois a vida é cara. A diferença é que a apresentação de dança exige ensaios, enquanto a vida não. Muitas pessoas estão ali pra assistirem o seu movimento e, nestes, se emocionam, choram, sorriem, aplaudem... é a forma que encontraram de interagir com você e seu par, pois a vida é de cada um. Ou porque não têm a coragem necessária para subir ao palco e se colocarem a dançar.

O salão parece escuro, pois apresenta-se numa penumbra. Mas em volta de quem dança, as luzes se acendem e ali ficam iluminando o ambiente e a alma de todos ali presentes. E não é necessário nenhum painel fazendo de conta, supondo algum tipo de paisagem porque o que vale, o que vai estar em foco será sua dança, seus passos, seu movimento.

Ora nos encontramos por cima, ora por baixo. Mas a hora é sempre a certa e combina exatamente com a nota musical esperada (ou não) para aquele momento. É preciso muita sabedoria, equilíbrio e respeito para que você não se machuque ou machuque alguém. Mas pelo treino, vamos praticando, dia-a-dia, passo a passo, até que consigamos nos aproximar da perfeição que as entrelinhas divinas nos reservaram.

Tem uma música da Sandra de Sá chamada “Soul de Verão” que gosto muito e que, enquanto escrevo, me vem à mente insistentemente. Ela diz assim...

“Tudo vai mudar
Quando essa luz se acender
Você vai me conhecer
Vai me ver de um jeito que nunca viu

Tenho sede de som
Eu tenho fome de luz
Tenho a força, tenho o dom
Don't you know quem eu sou?
Remember my name

Vem, vem pro meu lado forever
Vem pra bem dentro de mim
Vem, vem que eu vou longe e vou fundo
Vem que eu te faço feliz
Vem, vou te contar meus segredos
Você vai rir e chorar
Vem, vou te mostrar o meu mundo
Vou te tirar pra dançar

Eu sou o carnaval
Eu sou o charme e o soul
Sou o samba e o rock and roll
Sou o som da festa, eu sou verão

Eu já sei cantar
Vou aprender a voar
Vou on-line digital
Etcetera e tal
Remeber my name”

É isso! A gente tem que ter a sensibilidade e a coragem para se jogar na vida e dançar, muito, sempre. Quem sabe ritmos ou pessoas diferentes. Ou até mesmo sozinho. O importante é não parar de dançar. E sempre que possível, tirar alguém pra dançar, aprender e ensinar os passos, descobrir a perfeita sintonia para que o show valha a pena de ser criado e assistido.

Na dança da vida, com um tanto de paciência e temperança, vamos inventando passos, mudando o ritmo, brincando de dançarinos, trocando experiências e aprendendo muito. É importante estarmos atentos a todos os movimentos e, assim, fazer da nossa história muito mais leve e prazeirosa.

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