terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O segredo de um olhar



Já disseram por aí que os olhos são a janela da alma. É um dos ditos populares mais verdadeiros, por ser o olhar tão transparente e facil de se traduzir nos mais diversos tipos de olhares que observamos por todos os lados. Os olhos podem ser castanhos, azuis, verdes, grandes, pequenos, amendoados, puxados... mas cada um deles, carrega em si a verdade de cada ser, a verdade da alma que muitas vezes insiste em se esconder, mas que inconscientemente se entrega em um simples olhar.

Na ausência de palavras, na falta de um gesto, só nos resta a magnitude de um olhar, um declarar abertamente o que muitas vezes nos falta coragem de dizer. É pelo olhar que podemos observar claramente no outro o sentir de seu coração naquele momento. E por mais que as palavras possam contradizer o que diz o olhar, de nada vai adiantar se o olhar carrega a verdade nua e crua em si.

Disfarçar é impossível, porque a força do disfarce será desvendado. Tudo que se pode fazer então é optar por, simplesmente, desviar o olhar e tentar não olhar. Não olhando, você não corre o risco de ser descoberto intimamente, principalmente se for uma troca de olhares. É possível “dialogar” quando olhamos no fundo dos olhos de uma pessoa.

Muitas vezes fazemos elogios que, de acordo com a entonação da voz e o gesticular do corpo parecem mostrar algum tipo de admiração sim, mas só é possível conhecer de fato a verdade, se olharmos diretamente dentro dos olhos do outro e, então, fazermos a leitura certa do que, de fato, as palavras e os gestos tentam dizer.

Um amigo me disse a poucos dias: “Cuidado com os olhares!”. Isso ficou martelando na minha mente. Pude, então, entender que eles falam mais do que gostaríamos, eles nos despem de alma e acabamos por sermos descobertos. E ele, ao me olhar, devido à minha “nova roupagem”, me mostrou um descontrole (nítido e só percebido em seu olhar), o qual eu jamais esperava de ninguém, muito menos dele, que me conhece em total profundidade de alma.

No outro dia, novo encontro, ele me disse que eu estava "desejável", desta vez com mais serenidade. Pude então denominar o que foi exatamente o olhar dele pra mim no dia anterior, um impulso inesperado por ele, muito menos por mim, mas que fez um bem enorme ao meu ego (se é que ego é uma coisa boa), principalmente por vindo desse homem que tanto admiro e tenho um carinho muito especial. É dessas pessoas que você gostaria de ter sempre a um olhar, bem pertinho, a qualquer momento a seu alcance, porque tudo o que vem dele eu aproveito de alguma forma e gosto.

O olhar... esse que julga, que revela, que nos despe, que seduz, que nos entrega... a verdadeira janela da alma, ao mesmo tempo que te surpreende, te consola, te abrange e te enaltece.

Me faz lembrar uma música de Tom Jobim que eu adoro e que conta um pouco do que acontece quando olhares se encontram, se envolvem, se entendem e se definem.

“Esse seu olhar,
Quando encontra o meu,
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar.
Doce é sonhar... é pensar que você
Gosta de mim como eu de você...
Mas a ilusão,
Quando se desfaz,
Dói no coração
De quem sonhou, sonhou demais...
Ah, se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos...!!!”



Espero que a transparência dos olhares sejam marcantes e enaltecedores em nossas vidas, trazendo sempre uma boa nova, um alento e muitas verdades incontidas.

2 comentários:

  1. A partir desta crônica do cotidiano descobri que os olhos podem falar com pessoas.Sempre pensei que era preciso uma sonoridade ou gestos para que o ser humano pudesse formular uma idéia clara do sentimento do outro,agora sei a possibilidade de comunicar que os olhos têem.Acho que só os olhos dos homens podem falar,pois são diretos e as mulheres podem decifrá_los,já os olhares das mulheres são um grande enigma.Após hoje,acho melhor os homens usarem óculos escuros.

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  2. Taiza achei super interessante sua experiência,acredito que o seu interlocutor da narração, deve ter expressado algum sentimento contido, através de seu olhar sincero,deixando escapar muito mais que uma simples observação,mas algo que mantém prêso a sete chaves dentro dele mesmo.Num outro momento tentou se retratar de forma elegante,mas já era tarde,ele tinha se revelado.Coitado do mesmo.

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