sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Um dia por vez - 11/08/16 - Punição



Sexta-feira sugere diversão, alegria, descontração e uma porção de sentimentos bons que nos acompanham em momentos felizes de encontro com amigos ou familiares, ou ainda um momento nosso de colocar o pé no freio e descansar de uma semana que pode ter sido árdua.
Meu caçula passou a semana planejando encontro com um amigo de escola para hoje na minha casa. O coleguinha sempre me pareceu uma criança ativa, esperta, prestativa, carinhosa, comunicativa... uma graça de menino! Todos os dias, ao chegar na escola para buscar meu filho, logo ele vem: "Tia, o Pedro Henrique está em tal lugar!", "Tia, tudo bem? Eu vou procurá-lo pra senhora!", "Tia, hoje eu não sei onde o Pedro Henrique está!". 
Nas vezes que nos encontramos essa semana era assim: "Tia, a senhora sabia que vou pra sua casa na sexta?", "Tia, eu já falei com a minha mãe e ela deixou". A ansiedade de ambos era grande por esse momento. Num desses dias, eu falei com a irmã dele, a qual me contou que ele estava autorizado a ir e que a mãe achou até bom, pois está com um bebê recém-nascido em casa. 
Ontem, ao chegar na escola, foi tristemente diferente:
- Oi, tia! Eu não vou mais para a sua casa, viu?
- Ué? Está tudo combinadinho! O que aconteceu?
- É que eu dei uma vassourada no meu padrasto e minha mãe me colocou de castigo.
Eu, assustada, pois ele nunca tinha me demonstrado esse lado agressivo, ainda soltei uma risadinha tentando disfarçar:
- Como assim? 
- É! Eu dei uma vassourada no meu padrasto. Daí minha mãe brigou comigo e agora eu não posso mais ir. Eu não posso fazer mais nada essa semana.
Mais confusa ainda com essa situação, no impulso de ter uma conversa educativa com ele, aproveitando essa brecha, perguntei:
- Mas que coisa chata, heim? Por que você fez isso?
- Porque ele estava batendo na minha mãe e eu bati nele com a vassoura e ele desmaiou.
Respiração parada. Coração trincado. Sentimento de injustiça e compaixão me inundaram. Só respondi:
- Tudo bem, meu querido. Na semana que vem a gente combina de novo, tá? Fica tranquilo. 
Em milésimos de segundos me veio na cabeça todo o cenário: uma mãe de três filhos, sendo um recém-nascido, apanhando do parceiro e o outro filho, na ânsia de defender a mãe, violenta o padrasto e é colocado em xeque. De caçador, virou a caça. Quem nessa história merece punição?
Eu sei que não devemos julgar nada nem ninguém, mas situações como esta me colocam em contato com o meu papel de mãe na vida dos meus filhos. Fiquei tentando imaginar o que levou essa mãe a agir com o menino desta maneira. E pior: o que a leva a continuar com um homem assim, a ponto de punir um filho que tentou defendê-la de uma situação caótica. 
Será que foi o primeiro ocorrido ou será um acontecimento recorrente dentro daquele lar? Será que essas crianças vivem em situação de risco? O que fazer por esse menino valente com cara de anjo e alma leve? Denuncio? Como? Não estava presente, não vi, não ouvi, não conheço a família... apenas tenho o relato triste de uma criança que me conta com uma carinha inocente, como se tivesse comido escondido a torta que estava na geladeira há muito tempo.
Até que me coloquei no meu lugar, entendi que essa é a história dele. Cada um está no lugar que precisa estar, no melhor lugar nesse momento. Só peço a Deus que o mantenha um ser saudável diante da realidade que o circunda e que essas experiências o levem a ser um homem de bem, mantendo seu jeito alegre de ser.

Um comentário:

  1. Interessante vc focar neste tema! Se pensa que não fez nada? Engano seu, este texto levantou uma execelente reflexão e manifestou uma forma de energia que irá em direção desta criança pois, cada uma de nós mães ou não estaremos em oração e pensamento positivo para que esta questão se resolva da melhor forma possível!

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