terça-feira, 9 de agosto de 2016

O ato de pedir perdão


O que tenho pra discorrer hoje é um assunto muito comum e está na moda. Pessoas perdidas se refugiam dentro de igrejas sem coragem de enfrentar causas próprias e aprendem lá normas e convenções sociais, tentando alcançar assim algum tipo de santidade ou limpeza espiritual através da liberação do perdão. Cada vez mais leio sobre isso, vejo situações retratadas no dia a dia e fico sabendo de histórias parecidas que acontecem insistentemente por aí.
Atrevo-me então a dizer que pedir perdão nunca foi um ato cristão, ao contrário, é o ato mais egoísta e hipócrita que conheço.
Chegar nesse ponto de posicionamento, implicou passar pela experiência diversas vezes com pessoas diferentes, algumas vezes partindo de mim e também de outras pessoas se reportando a mim. E não é que aconteceu comigo de novo no último domingo?
A todo momento pastores, padres e reuniões das mais diversas religiões ou seitas impõem a necessidade de perdoar o outro, como um ato sublime de um ser humano de um entendimento maior e alma nobre. Isso dá um status maravilhoso, de gente do bem, de coração bom. Parece algo que você vai fazer para o outro, na intenção de que ele fique bem.
Porém, quando a pessoa pede perdão, ela está apenas liberando de si mesma uma culpa que ela carrega em relação a um fato ou alguém. Ela está, nesse momento, favorecendo a si mesma apenas. O outro? “Ah, esse que se dane! Eu fiz a minha parte. Cada um com seus problemas, não é mesmo?” Então, me vem o questionamento: a quem devemos perdoar de fato? Como perdoar verdadeiramente?
O perdão deveria ser advindo do coração, mas é um processo mental que tenta eliminar algum ressentimento, raiva ou rancor próprios. Sabe aquela história “ódio é aquilo que você bebe achando que vai matar o outro”? É exatamente isso, a pessoa está bebendo do próprio veneno, até que não consegue conviver com aquilo e resolve pedir perdão. Quando, na verdade, a pessoa que pede perdão deveria ter ali o sentido de se redimir diante do mal que causou, pelo outro e não por uma causa que é inteiramente sua. Até porque pode acontecer que para o outro, o ocorrido que tanto incomodou você, não tenha para o outro o menor peso ou valor.
Acredito que se o ato de pedir perdão viesse do coração, o comportamento seria completamente diferente. A começar, isso não precisaria ser ensinado em sinagogas, viria de dentro de cada um, da necessidade intrínseca de respeito e amor que se deve ter pelo outro. A pessoa deveria sentir no âmago do seu ser um incômodo por ter prejudicado outra pessoa e mudar sua atitude diante daquela pessoa e também a postura diante da vida.
Não há nada mais fácil que pedir perdão e, logo em seguida, fazer de novo ou parecido com a situação anterior e com a mesma pessoa. Acho essa posição até muito confortável! Por isso, o sentido de hipocrisia. A pessoa que tem essa conduta costumeira, com toda certeza (pode averiguar!), pede o perdão e sai contando pra mundos e fundos o seu belo ato de bondade, o que já deixa evidente sua intenção recheada de vaidade.
Pedir perdão deveria ser um ato de amor independente de, de amor incondicional. Aquele insight que você tem na vida e que te transforma, transforma o outro e vai mudando também o mundo à sua volta, sem necessidade de palavras, mas com obrigatoriedade de uma postura diferente que venha recheada de verdade.
Pensando sobre tudo isso, principalmente no que aconteceu no último domingo, sabendo exatamente o objetivo por trás do pedido de perdão que recebi, venho pedir-lhes que, se algo existe a ser perdoado entre nós, eu e você (sim, você, meu leitor desse momento), não venha falar comigo e me pedir perdão. Se quiser fazer em sinônimo de um desabafo, será aceito de coração aberto e muita acolhida. Porém, procure analisar os fatos, perdoe-se por ser quem você é, mude sua atitude comigo e diante da vida e mostre que, realmente aquilo não foi legal assumindo nova postura sendo firme e verdadeiro.

E se você não gostou do texto, não concorda com o que escrevi e prefere continuar na sua condição de ser humano hipócrita... Perdão, heim? :)  

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