segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Sempre é tempo de ser criança


Outubro é mês repensar a criança que está dentro da gente e pedir-lhe perdão por tantas vezes que a abandonamos e subjugamos com compromissos inadiáveis e fidelidade cega ao mundo louco da "gente grande"! 
Oxalá essa gente grande pudesse se permitir, por algum tempo, ouvir sua voz, seus desejos e anseios e se deixar conduzir por um prazer e uma alegria há muito experienciada! 
Um dia sem sol se transformava num monte de bichinhos no céu; um ter que esperar virava uma brincadeira a mais, que podia ser uma adedonha ou forquinha; uma manguinha caída do pé virava vaquinha quando se encontrava com alguns galhinhos; o subir no pé de árvore e o banho de rio era um empoderar-se de natureza; pique-esconde, pular elástico, bola de gude, boneca de milho, teatrinho, desfile de modas; sem falar daqueles lençóis da mamãe, branquinhos pelo anil, que insistiam em passar correndo e ser carimbados pelas nossas bolas de meia; ai que saudade dos tombos de patins e skate, dos panos amarrados na linha que a gente dependurava na árvore a abaixava de uma vez para assustar quem passava, da bicicleta monareta que nos levava a lugares inimagináveis aos olhos de nossos pais! 
E a alegria de esperar mamãe fazendo aquele bolo de aniversário, os natais com papai vestido de Papai Noel e o sonho de valsa ganhado na páscoa! E aquela maçã embrulhada no papel azul que mamãe dividia em quatro pedaços para render mais? 
Tinha a minha irmã que me dava banho e punha prá dormir na cama debaixo... e a outra irmã que era a contadora de histórias: me mostrava o mundo contando das coisas que lia... toda noite era uma viagem diferente na minha imaginação a partir de seus relatos... e meu irmão que me chamava de Nega do Nel, que deixava montar cavalinho nele, que jogava robamonte e malmal... e que tinha uma criação de preás no quintal... era uma aventura brincar com o Forte Apache do outro irmão enquanto ele estava na escola, esse mesmo irmão que comprou um periquito (o Chiquito!), teve um aquário cheio de peixinhos lindos (me lembro de passar horas olhando para eles!) e que gostava muito do picolé de milho verde que a mami fazia (mesmo nos dias frios, vestia paletó e dá-lhe picolé!). 
Ao cair da tarde apreciava as voltas no quarteirão com mami e os passeios na Vemaguete marron com papi: ele ia com a gente prá saída de Trindade prá "ver Goiânia" (que vista linda!) E tinha ainda a Ave Maria cantada ao longe, lá na Catedral, contanto que já era hora do banho! E havia ainda a arte da jaboticaba chupada no pé depois de ter caído a chuva (ela era mais gostosa, ficava geladinha...). 
Tem coisa mais fantástica que a fruta surrupiada do quintal do vizinho? A manga que a gente amassava e chupava, deixando o caldo escorrer aos cotovelos, o jambo, o caju... E aquelas cabaninhas construídas prá ser o Clube da Luluzinha, onde menino não podia entrar? E o cabo de guerra, o chicotinho queimado, a cobra cega, o vizinho me dá seu cantinho, a corrente que pega gente, o bet, a bolha de sabão, o carrinho de rolimã, a pipa, o peão, a bolinha de gude, o guizadinho? Minha irmã era campeã de finca! A outra, campeã de queimada! E eu, avoada que era, sempre fui campeã de imaginar! Acho que fui campeã de ser criança!
Absorta nessas boas recordações, me ponho a pensar onde foi que esse arquétipo de criança que brinca se meteu? Os ipad, ipod, iphone, videogame, tv, internet, zapzap esconderam tudo isso! Onde foi parar o contato com a natureza e o humano? Não que eu faça aqui uma apologia contrária à tecnologia, apenas quero evocar um prazer vivido e jamais esquecido, com a certeza de que as crianças de hoje estão ficando cada vez mais carentes disso, querendo sempre mais: o mais novo modelo de videogame, ipod, a boneca mais moderna, que fala e ri. 
Minha preocupação é: até que ponto essa estimulação exagerada do hemisfério esquerdo (o responsável pela racionalidade) em detrimento da estimulação do hemisfério cerebral direito (o que se encarrega do afeto, da criatividade e da intuição e que é estimulado por todas essas brincadeiras prazerosas que citei anteriormente) não vai afetar o desenvolvimento natural da criança? Que tal a gente aproveitar esse dia para repensar nosso papel de "gente grande" e tomarmos consciência de nossa responsabilidade por um desenvolvimento infantil mais ecológico e humano no sentido afetivo, cultural e social. É hora de aprendermos a respeitar a sabedoria das crianças para resolver seus próprios problemas e ampará-las naquilo que se sentirem inseguras. É hora de lutarmos por crianças mais saudáveis! 
Hoje é um ótimo dia para que, além dos presentes, possamos convocar nossa criança interna e honrá-la com a profundidade e o respeito que ela merece. Afinal, essa criança permanece viva dentro de nós! É ela que devemos buscar quando estivermos em dúvida quanto ao caminho que nos levará ao prazer real. 
Experimente! Basta fechar o olhos e lá estará ela! Pergunte-lhe! Ela, com certeza, saberá o caminho do prazer do vivo! Sawabona à sua criança! Sawabona quer dizer: eu te respeito, eu te valorizo, você é importante para mim! Sawabona à sua criança! 
Agradeço muito à criança de meus filhos Adriano Sousa e Luiza Sousa que 
trouxeram-me a possibilidade do re-encontro com a minha!!!!!

(Texto da Profa. Ms. Tereza Cristina Rezende de Carvalho - PUC/GO)

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

E assim a vida segue...



Depois de tantos tombos e recomeços, eu sacudi a poeira da alma e passei a valorizar os pequenos momentos felizes, lembrando sempre de todas as sortes que eu tenho... 
A sorte de poder enxergar as cores do mundo, de conseguir me curar de todas as dores em que tenho tropeçado. 
E de ter a certeza de que as alegrias pesam muito mais do que os momentos ruins. 
Volta e meia dou uma limpa no coração e varro de lá as mágoas, as lembranças que pesam, as tristezas que teimam em cutucar minha felicidade. 
"Não foi porque não era pra ser" é quase um mantra. 
"E o que tiver que ser, virá" é uma certeza. 
Quem magoa e supervaloriza seus defeitos, não tem mesmo que ficar. 
Quem agride, mente e julga, nem merece ser ouvido. 
A gente tem que parar com a mania de se contentar com pouco, por medo do nada. 
Porque o bonito da vida, é ter sorrisos pra contar...

(Texto de Karla Tabalipa)

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Justiça da vida


Só deseja ter um dia sossegado, quem tem a intensidade à flor da pele, quem acorda suspirando a vida, devorando o dia, se lambuzando de tudo sem conseguir tocar nas coisas com a ponta dos dedos.
Só deseja constantemente a companhia das palavras quem escreve. Para estas, o silêncio nunca é mudo, é sempre uma possibilidade. A escrita ensina a esperar, a escutar a letra da música e depois a melodia, juntas e separadas. A escutar a história do Outro sem fazer intervenções antes da conclusão. A compreender que os espertinhos são aqueles que sempre vão terminar levando uma rasteira da própria ingenuidade, porque perderam a inocência.
Só consegue vislumbrar a paz quem se investiga, quem tem Consciência do que deseja e pode ou não obter, quem aprendeu a lidar com o imediatismo.
Só consegue acordar para a vida, quem viveu solitário e insone dentro de uma noite interminável e caminhou sonolento pelo resto do dia porque perdeu o sol.
Só julga acidamente os Outros o tempo todo quem é recalcado. Quem se aprisionou na ideia do que é ridículo e não consegue suportar um ser autêntico. 
Só consegue ser irônico, quem é inteligente. 
Só consegue ser doce, quem já foi ferido e curado pela espiritualidade.
Só consegue o que quer os que têm desejos justos. E acreditam.


(Texto de Marla de Queiroz)

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Celebrações


Meus dias têm sido de celebração... 
Celebro a ação de me pôr em movimento ao encontro daquilo que almejo.
Celebro a ação de me causar bem-estar estando com as pessoas que me amam e em lugares que amo.
Celebro a ação de ser grata por ter todas as minhas faculdades perfeitas e um bocado de loucura para ousar nas mudanças que preciso e crescer por dentro. 
Celebro, diariamente, a ação de ter criatividade, de criar atividades que me tirem da estagnação espiritual, emocional, pessoal. 
Celebro a ação de renovar meus valores para que eles sejam justos. 
Celebro a ação de não ocupar meu coração com desesperança e preconceitos ou coisas que aprisionem minha alma na limitAÇÃO. 
Celebro a ação de me importar primeiro com as pessoas, depois com as coisas. 
Celebro a ação de ser profunda nos meus devaneios, celebro a ação de ser superficial em alguns desejos e poder me permitir ou rir deles. 
Celebro a ação de mudar de ideia, de certeza, de narrativa, de estado de espírito, de aparência, de preferências, de vida!
CelebrAÇÃO não é lamentAÇÃO, por isso, celebro!

(Texto de Marla de Queiroz)

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Aprendizados


Aprendi a seguir em frente, mesmo com todos os motivos para estacionar. 
Aprendi a me respeitar, inclusive quando os outros não fazem o mesmo comigo. 
Aprendi que confiança não se compra, que o Amor é gratuito e que nem tudo que reluz é Ouro. 
Aprendi a ler nas entrelinhas e a ouvir a voz do meu Coração, mesmo quando os fatos apontam o oposto. 
Aprendi a Amar com toda minha alma, mesmo tendo que assumir todos os riscos. 
Aprendi a cair, a levantar e o melhor, aprendi a me erguer mais forte após cada tombo. 
Aprendi que palavras belas podem estar vazias de sentimentos e que todas as palavras não bastam quando o que quero expressar é impossível verbalizar. 
Aprendi, acima de tudo, a olhar para mim com um Amor maior e jogar esse amor no Universo todos os dias para colher os melhores frutos, sempre.

(Texto de E. Tozzo)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Sigo meu caminho


O que me importa é não ferir alguém que não mereça,
mas sinto muito se não me entenderem.
Se ficarem magoados pela minha maneira de ser.
Infelizmente, não existe ainda quem a todos agrade,
e eu não quero ser a exceção,
nem faço questão.

Vivo cada dia como se realmente fosse um presente.
Tendo a chance de transformar situações,
rumo a certeza de que posso ser feliz.
Por isso sigo, persisto e não me detenho.
É a minha intuição me guiando mais uma vez
Não desejo nada de ninguém, nem invejo.

Apenas sigo meu caminho, do meu jeitinho.
Para muitos, um carinho,
para outros, um adeus.
Pra mim, sempre a certeza de que não ando só,
tenho comigo, a companhia de Deus.

Desejo o melhor, porque o melhor está chegando pra mim.
E eu só posso pensar assim…


(Texto de Paulo R.)

terça-feira, 9 de setembro de 2014

A dança dos opostos


Para chegar ao objetivo,
É preciso iniciar a caminhada.
Para deixar o novo surgir,
É preciso descartar o velho.
Para se adquirir mais conhecimento,
É necessário admitir que algo não se sabe.
Para se aprender a nadar,
É preciso mergulhar.
Para se aprender a vencer,
É preciso passar pela derrota.
Para se aprender a sentir prazer,
É necessário sentir dor.
Para se aprender o valor da liberdade,
É preciso ficar preso.
Para se aprender a ganhar,
É preciso perder.
Para se entender o valor da caridade,
É preciso perder nossas posses.
Para ver e estar na luz,
É necessário passar pela escuridão.
Para ver um dia de sol raiar no horizonte,
É necessário atravessar a friagem da madrugada.
Para se aprender a viver,
É preciso passar pela morte.
A vida é a dança dos contrários,
É no paradoxo da existência onde reside,
O fértil terreno do nosso despertar.

(Desconheço a autoria.)

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Um dia por vez - 04/09/2014 - A vida precisa de pausas



Hoje está sendo um dia bastante atípico! Mas um atípico bom, diferente, prazeroso.
Sim, porque ontem também um dia atípico, mas foi arrastado, penoso, difícil. Prefiro o hoje!!!
Ontem, meu filho número 2 disse que não teria aula. Logo pensei que também não levaria o número 3, já que os dois estudam na mesma escola. Daí pensei que iríamos só eu e o número 1. Mas aí pensei: “Pôxa, se eu disser ao número 1 que amanhã ele não vai à aula porque eu defini assim, isso vai deixá-lo feliz! E daí, não levando-os, eu não vou também!” E foi exatamente assim.
Hoje os despertadores foram desligados e todos acordamos a hora que queríamos. E passamos a manhã juntos, em casa. Um no joguinho, outro no violão, outro no celular, mas juntos... no mesmo ambiente, de pijama, conversando, trocando figurinhas e nos divertindo. Ah, como eu amo isso! Tomamos café todos juntos, coisa que só acontece raramente aos finais de semana e jamais durante a semana, por causa dos afazeres diários, sempre cheios de horários marcados. Por isso, faço questão de estarmos no almoço todos juntos. Acho importante esse momento.
Mas então! Voltando ao dia atípico... Meu Deus, e agora??? Os meninos perderam aula em pleno setembro, eu não vou almoçar em casa hoje (vou sair com amigas), o tempo que eu tinha para render as coisas da faculdade (textos pra ler, trabalhos pra concluir, resenhas pra fazer...) usei conversando fiado com meus filhos. Tudo bem que ainda fui assistir uma aula na faculdade, mas só porque tinha feito um compromisso e é preciso estar atento se nossos momentos de “aparente loucura” não vão prejudicar ninguém, pois a palavra de ordem continua sendo respeito.
Às vezes gosto dessas pausas! Esses momentos de jogar tudo pro alto e me permitir um pouco mais, permitir-me deixar um pouco as obrigações diárias e poder fazer um dia mais feliz. Creio que momentos assim é que valem a vida valer o que é e dias assim, momentos compartilhados com as pessoas que amo, me reabastecem imensamente.
Claro que não dá pra fazer isso todos os dias. São atrevimentos para “de vez em quando”. Mas são muito preciosos.
No fim do dia, ainda teremos outro encontro, mais uma vez com meus filhos juntos, pra encontrar pessoas também muito amadas: os familiares. Tenho certeza que será também de grande valia, mais momentos prazerosos, mais um “sair da rotina” e mais momentos para serem gravados no caderninho da alegria e satisfação.
Pois é! Estamos em plena quinta-feira. Amanhã ainda é preto na folhinha. E nesse semestre meu sábado também está sendo dia útil. O bom é pensar que hoje já é véspera de fim de semana e que a sexta e o sábado serão mais leves, pois estou cheia de boa energia.
Acho que, embora não pareça, tive mesmo uma boa ideia. Afinal, a vida precisa de pausas.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Minhas entregas



As minhas entregas são definitivas no agora para sempre hoje. 
Eu me entorno no que faço, viro a coisa inteira, não tomo a atitude, me torno a própria. 
Eu não escolhi a minha intensidade, ela veio com muita personalidade e uma quase autonomia. 
Não pretendo o gozo, busco o Nirvana. 
Sou flexível ou radical por uma questão de experiência. 
Eu sobrevivo às frustrações e me responsabilizo pelas minhas desistências. 
A minha adaptabilidade foi conquistada através de uma profunda reflexão, o que não quer dizer que eu haja por conveniência se não estiver em consonância com a minha essência. 
Pode parecer arrogância: tantas coisas se parecem com o que não são. 
Não abrevio minhas emoções, não interrompo meus desejos, sou objetiva nas minhas querências. 
Não banalizo minhas angústias e sofro como qualquer ser humano por questões tão corriqueiras como rejeição e todas estas coisas que nos fazem olhar para a vida, por um instante, com certo cansaço e desânimo. 

Mas corro os riscos e banco a minha história, pois a escrevo e reescrevo quantas vezes for preciso.

Por isso, antes de me julgar, faça as pazes contigo!!!


(Texto de Marla de Queiroz)

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Relacionamentos


Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
- Ah,terminei o namoro...
- Nossa,quanto tempo?
... - Cinco anos... Mas não deu certo...acabou
- É... não deu...???
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes, você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.
Tudo nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico; que é uma delícia.
E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona.
Acho que o beijo é importante... e se o beijo bate... se joga... se não bate... "Mais um Martini, por favor!"... e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer.

Não lute, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvida... problema dela! Cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama!
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família?
O legal é alguém que está com você por você.
E vice versa.
Não fique com alguém por dó também.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria compania?
Gostar dói.
Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte.
Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo
E nem sempre as coisas saem como você quer.
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
E nem todo sexo bom é para namorar,

Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar,
Nem todo beijo é para romancear,
Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar.
Enfim... quem disse que ser adulto é fácil?


(Texto de Arnaldo Jabor)

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O que me interessa no amor...


O que me interessa no amor, não é apenas o que ele me dá, mas principalmente, o que ele tira de mim: a carência, a ilusão de autossuficiência, a solidão maciça, a boemia exacerbada para suprir vazios.
Ele me tira essa disponibilidade eterna para qualquer um, para qualquer coisa, a qualquer hora.
Ele apazigua o meu peito com uma lista breve de prós e contras. Mas me dá escolhas.
Eu me percebo transformada pelo que o amor tirou de mim por precisar de espaço amplo e bem cuidado para se instalar. 
O amor tira de mim a armadura, pois não consigo controlar a vulnerabilidade que vem com ele; tira também a intransigência.
O amor me ensina a negociar os prazos, a superar etapas, a confiar nos fatos.
O amor tira de mim a vontade de desistir com facilidade, de ir embora antes de sentir vontade, de abandonar sem saber por quê.
E é por isso que o amor me assombra tanto quanto delicia.
Porque não posso virar as costas pra uma mania quando ela vem de uma pessoa inteira.
Porque eu não posso fingir que quero estar sozinha quando o meu ser transborda companhia.
O amor me tira coisas que eu não gosto, coisas que eu talvez gostasse, mas me dá em dobro o que nunca tive: um namoramento por ele mesmo.
O amor me tira aquilo que não serve mais e que me compunha antes.
O amor tirou de mim tudo que era falta.


(Texto de Marla de Queiroz)

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sobre a morte...


A morte por si só é uma piada pronta.
Morrer é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário.
Tem planos para semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório...
Colocar gasolina no carro e no meio da tarde...
MORRE.
Como assim?
E os e-mails que você ainda não abriu?
O livro que ficou pela metade?
O telefonema que você prometeu dar a tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia: MORRER.
A troco de que?
Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviram para nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente.
Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego. Mas, não desistiu.
Passou madrugadas sem dormir para estudar para o vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida.
Mas era hora de decidir, então decidiu e, mais uma vez, foi em frente.
De uma hora para outra, tudo isso termina.
Numa colisão na freeway...
Numa artéria entupida...
Num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis...
Qual é?
Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.
Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas.
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas...
A apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você que dizia: "Das minhas coisas, cuido EU."
Que pegadinha macabra!!! Você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã.
Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito.
Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de 100 anos de idade... Vá lá! O sono eterno pode ser bem vindo. Já não há muito mesmo a fazer, o corpo não acompanha a mente e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. OK, hora de descansar em paz.
Mas, antes, viver tudo, certo?
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas.
Morrer é um exagero.
E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.
Só que esta não tem graça.
Por isso viva tudo que há para viver!
Não se apegue às coisas pequenas e inúteis da vida!
Perdoe!
Sempre...


(Texto de Pedro Bial)

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

"Cada um faz o que quer"



"Cada um faz o que quer."

Nunca ouvi tanto essa frase como agora. Só que se todo mundo só fizer o que é de vontade própria, ninguém mais ajuda o outro, considera o outro, trabalha a preocupação de se tirar de cena para fazer algo em prol do sorriso alheio.

Quem só faz o que quer está preparado para receber alguém que possa lhe dedicar os mais nobres sentimentos? A vida não vai nos tratar bem em todas as ocasiões, nem com as princesas da Disney é assim, e note que no lúdico tudo é possível.

Não cuidar das coisas dos outros como se fossem nossas, não ter paciência para fazer tentativas, enaltecer os defeitos, esquecer de fazer elogios (ou pior – achar que isso não é preciso). Que capítulo da responsabilidade com os sentimentos alheios nós perdemos? Como vamos fazer para adquirir destreza com as adversidades da vida?

As pessoas não se amam mais, elas se consomem. Um erro e está decretado o afastamento. Ela usa estampa selvagem. Ele não come japonês. Ele não tem carro. Ela mora com os pais. Ela não gosta de Game of Thrones. Não quero mais. Volto para o Tinder, o catálogo digital das relações sexo-afetivas efêmeras.

Eu preciso do outro para alguns momentos, não para todos.

Não pedimos mais desculpas, não sentimos a necessidade de dar uma satisfação. Dormimos juntos. Acordamos separados. Nunca mais vamos nos encontrar. Postamos no Instagram a frase “mais amor por favor”, mas não exercemos essa condição.

O egoísmo condiciona nossas fraquezas. Os sentimentos negativos existem para nos treinar. Precisamos todos sair do centro do nosso bem-estar. Não tome uma pílula para diminuir a tristeza, experimente colocá-la pra fora. Não engula seu luto, não sofra a conta-gotas. Experimente viver com decência e coragem todas as sensações da falta de alegria. Nada é tão ruim quanto parece. Os desapontamentos têm função decretada em nossas vidas.

São múltiplas as exigências para atender o ego. Como seria se você dedicasse sua vaidade ao exercício da sua inteligência, da sua simpatia? Nosso orgulho não pode durar uma encarnação e meia, mas nossa capacidade de nos tornarmos pessoas melhores pode ser eterna. A barreira narcisista com passagem só de ida é um desrespeito com a felicidade. Com a dos outros e com a sua. Não se iluda!

As pessoas malham, ingerem orgânicos, vestem grifes, aplicam botox, viajam de primeira classe em 10 x no cartão, mas o sedentarismo intelectual é notável. Gritante. Desesperador.

Seu consumo cultural e emocional é você mesmo? Volte dez casas no tabuleiro e vamos começar tudo de novo, precisamos de gente de verdade.


(Texto de Denise Molinaro)

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Otimismo X Pessimismo



Ocasionalmente eu reflito sobre o que leva uma pessoa a ser pessimista. Penso que talvez seja uma posição confortável, por mais aflita que me pareça. Esperar o pior porque “se acontecer o melhor será lucro”, é a justificativa de muitos. 
Eu escolhi o otimismo e nunca fui desamparada por ele. Mas ser otimista dá trabalho pra caramba. Todo dia você atrai gente de luz, experiências divinas e uma rasteira. Todo dia um abraço amoroso e um tombo de gente que nem se esperava. O otimista nunca espera pelo pior e, quando ele vem, ele respira fundo, retoma o fiapinho de força que sobrou daquela frustração e entrega pro Universo. 
Só que ele não pode ser imediatista, não pode ter pressa, tem que trabalhar arduamente a ansiedade e entregar, confiar. Ser otimista é uma canseira infinita: deslocar o pensamento magoado para esperança de uma circunstância favorável que resgate a confiança no Mundo, na Vida, na Humanidade.
Enquanto isso, o pessimista assiste, confortavelmente, esta batalha alheia: e se sente superior porque já espera conformado que tudo dê errado “porque isto é ser realista”. (Para o pessimista, o otimista não passa de um ser ingênuo fadado ao sofrimento).
Quanto a mim, vivo uma verdadeira aeróbica mental, espiritual. Crio diariamente mantras de evolução e tentava, incansavelmente, colocar ação nas minhas palavras, ser coerente com o meu posicionamento otimista até que isto virou um hábito e foi introjetado. Mas, palavra de otimista: dá trabalho pra caramba ser uma pessoa melhor quando tanta gente tenta tirar proveito disso.
A sorte é que deu sorte ser assim. Até hoje pelo menos.

P.S.: Certa vez li esse trecho (não lembro o autor) que repito mentalmente todas as vezes em que a minha crença no ser humano fica abalada:“Ninguém está contra você: todos estão a favor de si mesmos.”

(Texto de Marla de Queiroz)

quinta-feira, 26 de junho de 2014

É vida que segue...


Hoje acordei sem tem o que fazer e resolvi mexer nos álbuns de fotografias que tenho. E aí... Já viu, né? Nostalgia na certa. Será?
Fiquei vendo as fotos de tantos momentos felizes, de pessoas tão especiais, alguns que faleceram, outros que se foram por vontade própria, outros que a vida se encarregou de afastar, outros que foram e que voltaram, outros que nunca estiveram distantes.
No dicionário, nostalgia é definida como tristeza causada pela saudade de sua terra ou de sua pátria; melancolia. 
Saudade do passado, de um lugar etc. 
Disfunções comportamentais causadas pela separação ou isolamento do país natal, pela ausência da família e pela vontade exacerbada de regressar à pátria. 
Saudade de alguma coisa, de uma circunstância já passada ou de uma condição que deixou de possuir.
 Condição melancólica causada pelo anseio de ter os sonhos realizados. Condição daquele que é triste sem motivos explícitos.
Olhando aqueles álbuns senti tanta saudade de tempos felizes, mas não senti nostalgia, não senti dor. Ao contrário, senti uma paz tão imensa, uma felicidade tão grande e uma gratidão eterna por ter vividos momentos tão ricos e marcantes, que meu estado preguiçoso ao acordar de manhã se transformou em euforia.
Não quero voltar pra lugar nenhum! Recordar já é reviver e pra mim já está de bom tamanho. Estou no meu lugar, tenho minha família, meus amigos e tenho imenso respeito pela forma com que as coisas se organizam na vida. O que foi uma vez possuído, é meu eternamente, está gravado em mim. Os sonhos que não realizei, ainda posso realizá-los, como posso também mudar de sonhos. Sou um ser de novas possibilidades. É nisso que acredito.
Uma amiga me ligou perguntando se estava tudo bem comigo. Respondi que, apesar das fotos antiiiiigggaaassss que estava postando, eu não estava triste. Definitivamente, não estou em nostalgia. Estou feliz!!! Eu era feliz e sabia. Soube aproveitar os momentos que vivi e amar as pessoas que comigo estiveram.
Graças a Deus, continuo feliz. É claro que muita coisa mudou. Eu mudei, minhas crenças mudaram, as pessoas à minha volta... É claro também que passei por momentos difíceis, mas esses a gente nunca fotografa e nem tenho o costume de comentar. É como na lei de Lavoisier: “nada se perde, tudo se transforma”. E fico feliz com o resultado transformado. É vida que segue...
A conclusão dessa manhã de fotografias é que sou uma pessoa muito abençoada e sou grata a Deus e a todos que estiveram e estão comigo no meu processo de crescimento e nesse ciclo que chamamos de Vida. Espero poder ainda tirar muitas e muitas fotos para, daqui há alguns anos, possa sentar para olhar as fotos de hoje em dia e ter o mesmo sentimento. Sentimento de que tudo valeu, apesar de alguns erros e na certeza que foram mais acertos.
Dizem que os primeiros quarenta anos da vida são os mais difíceis. Digamos que comecei muito bem! E que venham meus 80 e 120 anos. Depois, posso ir com muita alegria no coração, muitas recordações e a sensação de dever cumprido.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Emocionalmente saudável



Eu me torno emocionalmente saudável quando consigo desconstruir todas as tolices sobre amores salva-vidas e jogar a ideia surreal do príncipe encantado no lixo. 
Eu me torno emocionalmente saudável quando acredito que namorar deve ser leve mesmo quando intenso, e divertido mesmo quando há um sério comprometimento. 
Eu me torno emocionalmente saudável quando o que me ocupa é a minha vida e não a reação que tenho ao comportamento alheio. 
Eu me torno emocionalmente saudável quando percebo que determinada história não me abrange, me deixa inadequada, fere a minha autoestima e sinto que isto é o suficiente para eu tentar ser feliz e me abrir para outras possibilidades. 
Eu me torno emocionalmente saudável quando escolho os meus parceiros pelo que me agregam de luz e crescimento, não pelo desafio que me trazem quando se mostram emocionalmente indisponíveis ou abertos para viverem outras relações que não a nossa. 
Eu me torno emocionalmente saudável quando me permito ficar sozinha até atrair um alguém que esteja disposto a trocar, desbravar paisagens juntos, que esteja inteiro no lugar que escolheu. 
Eu me torno emocionalmente saudável quando, estar ou não estar com alguém sexo-afetivamente, não se torna a prioridade da minha vida, mas somente um dos meus desejos. 
Eu me torno emocionalmente saudável quando aprendo a dar nome aos meus sentimentos: e não confundo posse com excitação, dependência com paixão, rejeição com confusão alheia... 

Eu me torno emocionalmente saudável quando dou amor, não carência.

Livrai-me do que desbota a minha lucidez e da alienação de achar que a felicidade está no Outro e não em mim.

Que seja assim.



(Texto de Marla de Queiroz)

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Sobre o abandono


Frequenta o abandono quem vive um quase namoro, fantasia reciprocidade, aceita abraço frouxo, conversa sem olho no olho, ausência de carícia.

Frequenta o abandono quem chama a rejeição de saudade, implora por qualquer fiapo de atenção, enfeita sua própria desvantagem. 

Frequenta o abandono quem vê na recusa uma possibilidade de mudança ignorando os sinais óbvios da distância.

Frequenta o abandono quem não reconhece que ser bem tratada não é um mérito, mas uma condição e segue chamando migalhas de banquete.

Frequenta o abandono com assiduidade quem se contenta com tão pouco que o Outro para mantê-la descobre que pode dar cada vez menos.

Frequenta o abandono quem não está disponível pra viver um romance porque namora um drama.


(Texto de Marla de Queiroz)

terça-feira, 3 de junho de 2014

Sementes de boas vibrações



Agora a pouco recebi um telefonema de alguém muito próximo e que eu amo muito dizendo sobre minhas mensagens do Facebook. Segundo ele, as minhas mensagens são como as da Ana Maria Braga: só coisas positivas, pra cima, com boa energia. “Impossível sair de casa sem antes dar uma olhadinha.” Quem me dera!!! Bons eram aqueles tempos em que eu podia assistir as boas vibrações do programa Mais Você!
Não é a primeira pessoa que me diz isso. Muita gente que encontro, muitas vezes depois de muitos anos, me reencontram e logo falam do meu Facebook, dizem que estão sempre me acompanhando e que adoram minhas postagens. Fico feliz por isso!
Pra falar bem a verdade, eu também. Penso que se tocamos a vida de alguém, deve ser sempre um toque de carinho, amor e dedicação. É aquela velha história: “Ou soma ou some!” Se você não tem nada de bom a dizer, fique calado. Tanto melhor!
Se tem algo que não gosto é de ver essas postagens baixo astral. Não curto, não comento, não compartilho e passo direto. Aquelas indiretas de gente mal amada então... Nossa!!! Perdoem-me os autores, mas me divirto com tanta ridicularidade exposta. Tem umas que você lê e sabe que todo mundo viu e faz de conta que não viu. Vergonha alheia! Poupe os seus amigos dos barracos que você enfrenta na vida, por favor! A vida de todo mundo tem seus percalços. Saibamos, cada um de nós, resolver no nosso cantinho, pelo amor de Deus! Aliás, um dos meus próximos textos são sas convenções sobre o bom uso das redes sociais. Afinal, não está escrito em lugar nenhum, mas algumas coisas devem ser respeitadas.
Eu me exponho muito por ser tão transparente. Recebo muita crítica por isso. Mas pode ter certeza que ainda há tanta coisa guardada, que se eu externasse... (Risos!) Iternação na certa.
O fato é que fico muito feliz por estar plantando diariamente sementes de carinho, motivação e boas vibrações nas pessoas. Podem continuar contanto com doses virtuais de amor de minha parte, pois isso faz mais bem a mim do que a vocês.
A todos, meu enorme apreço.
Ass.: Taiza Renata Braga. (Risos... Muitos risos!)

A tão perseguidora infelicidade



Andando pelos corredores da faculdade, uma amiga me disse: “Estou me sentindo tão infeliz! Taiza, o que você faz pra não sentir infelicidade? Você está sempre feliz, de bem com a vida...”
A tão perseguidora infelicidade está inversamente proporcional à tão sonhada felicidade. Sinceramente? Enquanto humanos oscilamos entre felicidade e infelicidade. Nenhuma dessas duas instâncias são constantes em nossas vidas e é preciso entender e aceitar isso.
Estamos sempre em busca da tão sonhada felicidade, como se ela fosse constante, como se fosse um destino, como se caminhássemos por uma estrada na certeza que o final dela é o “ser feliz”. Porém, vira e mexe nos deparamos com a árdua e perseguidora infelicidade.
Isso acontece porque a vida é dual. Sempre vamos ter os dois lados. E que bom que é assim!!! Já pensou se tivéssemos apenas um dos lados? A vida, com certeza, seria muito sem graça e monótona. Ai, credo! Gosto não. Rsrs...
E o tanto que crescemos nesses momentos de infelicidade? É nessas horas que paramos para avaliar muitas coisas em nossas vidas que precisam de uma revisão e, posteriormente, uma mudança. A insatisfação tem seus ganhos sim.
Quando nos damos conta de que as coisas são assim, fica até mais fácil acordar e sentir infelicidade. Porque, mesmo com ela nos atormentando, a gente tem a escolha do que fazer com isso. Aceitar e escolher nos motivar com outras coisas mesmo assim ou lamentar e deixar que a vida nos leve como ela quiser.
Minha resposta para a minha amiga foi essa... Dizer que todos os dias, antes de me levantar da minha cama, converso com Deus, agradeço por tudo, peço pra que Ele me acompanhe no decorrer do dia e que me dê a sabedoria e paciência necessárias para lidar com situações que eu não posso mudar. E assim... serei feliz... bem feliz!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Delícias...


Delícia de fim de semana que tive...
Delícia de pessoas que reencontrei. Pessoas que fizeram parte da minha vida durante um bom tempo, mas que a vida se encarregou de afastar. E agora trouxe de volta, tímida e brevemente, mas que acalentaram minha alma por alguns poucos minutos.
Delícia de passeios. Pude viver coisas novas, em lugares que nunca fui e que talvez jamais volte, mas valeu cada momento vivido ali.
Delícia de dia. Estava lindo! Um céu azul sem igual e um sol maravilhoso lá em cima trazendo o calor que umidece a pele e que energiza o coração.
Delícia de pensamentos. Adoro pegar estrada e me encontrar comigo mesma, relembrar momentos, questionar situações e concluir que tudo é passageiro, por isso é necessário aproveitar cada momentinho, mas com serenidade e plenitude.
Delícia de amigos. Como é bom poder ter bons amigos para compartilhar momentos de alegria, estar conosco, trocar experiências e vivências. Amigos novos, amigos das antigas... não importa o tempo, mas a amizade dedicada um ao outro.
Delícia de família. Sinto-me uma pessoa abençoada, pois tenho filhos maravilhosos que são meus amigos e companheiros, que me ensinam todos os dias e me ajudam a me tornar uma pessoa melhor com suas necessidades e verdades.
E a vida é assim... recheada de delícias tão simples, coisas que nos são dadas de graça... Momentos, sentimentos, pessoas, energias que nos fazem agradecer a todo instante a dádiva de estarmos vivos.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Dizem que...


Dizem: quando nasce um bebê, nasce uma mãe também. E um polvo. Um restaurante delivery. Uma máquina de chocolate prontinho. Uma mecânica de carrinhos de controle remoto. Uma médica de bonecas. Uma professora-terapeuta-cozinheira de carreira medíocre. Nasce uma fábrica de cafuné, um chafariz de soro fisiológico, um robô que desperta ao som de choro. E principalmente: nasce a fada do beijo.
Quando nasce um bebê, nasce também o medo da morte – mães não se conformam em deixar o mundo sem encaminhar devidamente um filho.
Não pense você que ao se tornar mãe uma mulher abandona todas as mulheres que já foi um dia. Bobagem. Ganha mais mulheres em si mesma. Com seus desejos aumentam sua audácia, sua garra, seus poderes. Se já era impossível, cuidado: ela vira muitas. Também não me venha imaginar mães como seres delicados e frágeis. Mães são fogo, ninguém segura. Se antes eram incapazes de matar um mosquito, adquirem uma fúria inédita. Montam guarda ao lado de suas crias, capazes de matar tudo o que zumbir perto delas: pernilongos, lagartas, leões, gente.
Mães não têm tempo para o ensaio: estreiam a peça no susto. Aprendem a pilotar o avião em pleno voo. E dão o exemplo, mesmo que nunca tenham sido exemplo. Cobrem seus filhos com o cobertor que lhes falta. E, não raro, depois de fazerem o impossível, acreditam que poderiam ter feito melhor. Nunca estarão prontas para a tarefa gigantesca que é criar um filho – alguém está?
Mente quem diz que mãe sente menos dor – pelo contrário! Ela apenas aprende a deixar sua dor para outra hora. Atira o seu choro no chão para ir acalentar o do filho. Nas horas vagas, dorme. Abastece a casa. Trabalha. Encontra os amigos. Lê – ou adormece com um livro no rosto. E, quando tem tempo pra chorar – cadê? -, passou. A mãe então aproveita que a casa está calma e vai recolher os brinquedos da sala. “Como esse menino cresceu”, ela pensa, a caminho do quarto do filho. Termina o dia exausta, sentada no chão da sala, acompanhada de um sorriso besta.
Já os filhos, ah… Filhos fazem a mãe voltar os olhos para coisas que não importavam antes. O índice de umidade do ar. Os ingredientes do suco de caixinha. O nível de sódio do macarrão sem glúten. Onde fica a Guiné-Bissau. Os rumos da agricultura orgânica. As alternativas contra o aquecimento global. Política. E até sua própria saúde. Mães são mulheres ressuscitadas. Filhos as rejuvenescem, tornando a vida delas mais perigosa – e mais urgente.
Quando nasce um bebê, nasce uma empreiteira. Capaz de cavar a estrada quando não há caminho, só para poder indicar: “É por ali, filho, naquela direção”.
(Desconheço a autoria)