sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Pedaços


Um pedaço de mim reclama tempo para viver, outro assume a responsabilidade e quer apenas trabalhar.

Um pedaço de mim quer viver um grande amor, e entrega-se sem medidas, o outro tem medo, já sofreu decepções e por ele, nunca mais me apaixonaria.

Um pedaço de mim é brincalhão e vive rindo, outro é triste, tem momentos de puro isolamento.

Um pedaço de mim quer vencer, é pura euforia. Outro quer apenas viver, deixar a vida me levar...

Um pedaço de mim sofre com a dor dos outros, outro quer que eu cuide apenas das minhas dores, que não são poucas, já que vivo em conflito... 

Entre o que eu sou e o que eu gostaria de ser, entre o que tenho e aquilo que gostaria de ter, e, se um pedaço de mim sente-se satisfeito, o outro grita por novidades, por consumo, por gente, por beijos e amores inconstantes.

Nesse turbilhão, acordo todos os dias, tentando unir esses dois lados que coexistem em mim, e que por mais diferentes que sejam, ainda assim, só querem mesmo, o melhor para mim.

Hoje eu junto o ser e o querer, o que fui e o que desejo ser, para cumprimentar a vida, abraçar meus sonhos e pedir passagem simplesmente para ser feliz.


(Texto de Paulo Roberto Gaefke)

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O amanhã não nos pertence


Viver o dia-a-dia é a mais natural e a mais difícil de todas as coisas. Contentar-se do presente, do aqui e do agora exige de nós um grande auto-controle dos sentimentos e emoções.

As coisas que nos fizeram vibrar no passado vibram ainda hoje, mas de maneira menos intensa, com gosto de saudosismo. Passou e ficou de forma leve, como as lembranças das férias ou das primei
ras batidas incontroláveis do coração.

As coisas futuras podem nos alegrar (uma felicidade esperada) ou nos fazer sofrer intensamente, antes mesmo que o esperado chegue, se chegar.

Não controlamos o que passou, porque aconteceu e não sabemos voltar atrás e não controlamos o futuro, apesar de tentarmos escolher minuciosamente os bons caminhos.

O ontem faz parte definitivamente das nossas vidas, nossa história e nossas entranhas e não podemos negá-lo, mas o amanhã não nos pertence. Ele é apenas uma possibilidade, um sonho ou um pesadelo, uma nuvem que se aproxima mas que pode, com um sopro do vento, ir em outras direções.

O hoje sim é o que temos de real e nos pertence de todo.

Antecipar alegrias e vitórias faz-nos bem, se mantemos os pés firmes no chão; antecipar perdas e partidas provoca-nos dores inúteis e frequentemente maiores ainda que o que seriam, pois já pela antecipação se multiplicam.

Devemos aprender a acolher o hoje e fazer dele o melhor que podemos, com todos os meios que tivermos. Sermos felizes, fazermos outros felizes, nos bastando de cada segundo oferto como um presente Divino que não se oferecerá uma segunda vez.

(Texto de Letícia Thompson )

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A vida é uma escolha



Muitas pessoas reclamam da correria de suas vidas. Acham que têm compromissos demais e culpam a complexidade do mundo moderno. Entretanto, inúmeras delas multiplicam as tarefas sem real necessidade.

Viver com simplicidade é uma opção que se faz. 

Muitas das coisas consideradas imprescindíveis à vida, na realidade, são supérfluas. A rigor, enquanto buscam coisas, as criaturas se esquecem da vida em si. Angustiadas por múltiplos compromissos, não refletem sobre sua realidade íntima. Olvidam do que gostam, não pensam no que lhes traz paz, enquanto se sufocam em buscas vãs.

De que adianta ganhar o mundo e perder-se a si próprio?

Se a criatura não tomar cuidado, ter e parecer podem tomar o lugar do ser. 

É possível reduzir a própria agitação, conter o consumismo e redescobrir a simplicidade. 

O simples é aquele que não simula ser o que não é, que não dá demasiada importância à sua imagem, ao que os outros dizem ou pensam dele.

A pessoa simples não calcula os resultados de cada gesto, não tem artimanhas e nem segundas intenções. Ela experimenta a alegria de ser, apenas. 

Não se trata de levar uma vida inconsciente, mas de reencontrar a própria essência e com virtude.

A simplicidade não ignora, apenas aprendeu a valorizar o essencial. 

Os pequenos prazeres da vida, uma conversa interessante, olhar as estrelas, andar de mãos dadas, tomar sorvete... Tudo isso compõe a simplicidade do existir. É difícil ter felicidade sem tempo para fazer o que se gosta.

É bom e importante trabalhar, estudar e aperfeiçoar-se. Progredir sempre foi uma necessidade humana. Mas isso não implica viver angustiado, enquanto se tenta dar cabo de infinitas atividades. Se o preço do sucesso for ausência de paz, talvez ele não valha a pena.

As coisas sempre ficam para trás, mais cedo ou mais tarde. Mas há tesouros imateriais que jamais se esgotam. As amizades genuínas, um amor cultivado, a serenidade e a paz de espírito são alguns deles.

Preste atenção em como você gasta seu tempo. Analise as coisas que valoriza e veja se muitas delas não são apenas um peso desnecessário em sua existência.

Experimente desapegar-se dos excessos. Pense nisso.

(Desconheço a autoria) 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Saudade




Saudade é solidão acompanhada, 
é quando o amor ainda não foi embora, 
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

(Pablo Neruda)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Solte-se!



Estamos vivendo dias em que as pessoas tem medo de se envolver. 

Diante de uma situação, quanto menos envolvidas elas estiverem melhor. 

Trocam verdades por frases decoradas, sentimentos verdadeiros por jogos de sedução.

E em lugar de se envolverem preferem ficar jogando umas com as outras, preferem esconder, dissimular e falar muito pouco o que realmente sentem. Não entendo isso. 

Alguém some durante 
um fim de semana inteiro, só porque acha que ligar pra você dizendo que tem saudades de alguma forma vai fazer com que você perca o interesse nela. Penso o contrário sabe? Gosto de gente que cuida, que se preocupa, que liga, que presta atenção em detalhes e não tem vergonha nenhuma em admitir quando está com saudades, quando gosta ou sente falta.

Gosto de gente de verdade. Que encara a vida sem armações. Gente que é puro sentimento assim como eu! Que não precisa ficar pensando ou calculando demais uma ação.

Às vezes penso comigo mesma que gostaria de ser assim também: não demonstrar sentimentos, nem dar tudo de mim. 

Mas isso não faz parte de mim. Eu gosto é de entrega. Gosto da sensação de ser toda de uma pessoa e sentir que a pessoa é toda minha também. Não tem melhor coisa que você saber que a pessoa esta ali pra você de verdade. E não só porque ela te disse isso, mas porque ela mostrou também. 
Porque falar é fácil, as atitudes é que confirmam. 

De hoje em diante, se entregue, ligue, fale que ama, dance, chore, ouça, faça tudo que quiser fazer. A gente nunca sabe se o amanhã irá chegar. 

Porque não viver uma vida de verdade?

(Desconheço a autoria)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Começar e continuar...


Muita gente acha que é difícil começar uma caminhada. Pessoalmente penso diferente. Para mim, mas difícil que iniciar é continuar... 

De começos o mundo está cheio: os que começam um casamento, os que começam a abandonar um vício, os que iniciam o aprendizado de uma língua e por ai vai. 

Ir em frente é mais complicado. Exige persistência e muita força de vontade. Requer que nós olhemos para trás com
 sentimento de satisfação pela experiência adquirida e não com remorso ou sensação de arrependimento. 

Que nós tenhamos sonhos, mas que não vivamos de sonhos. 
Que choremos, mas não deixemos as lágrimas turvarem nossa visão. Que escutemos os outros, mas que não desistamos de fazer o que julguemos certo, por causa deles. Tudo isso de tão simples parece coisa de criança. E é mesmo! 

Antes de aprendermos a andar precisamos: cair muitas vezes, nos machucar, chorar, ser motivo de riso, e nem por isso tudo desistimos ou deixamos de levantar. 

Nisso temos muito que aprender com as crianças. Elas "sabem" que antes de dar os primeiros passos, é preciso ficar de pé, e antes disso é preciso engatinhar. Que precisamos das pessoas para servir de apoio, mas, que elas não são bengalas e nós não somos aleijados. Se todas as pessoas soubessem disso teríamos bem menos fracassados no mundo. Gente que poderia atingir grandes coisas, mas que desiste no meio do caminho. 

Diante disso só temos a agradecer a predisposição para certos aprendizados na infância. Se fosse o contrário, muita gente hoje estaria numa cadeira de rodas.

(Vera Lúcia Fernandes Miceno)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Mulheres de cabelos curtos



Não existe alguém totalmente louco. Nem Nero. 

Todo mundo que é louco não passa de “meio louco”. Explico: metade do tempo o indivíduo está louco e a outra metade está se aproveitando da sua condição de louco. Mesmo Nero, no ápice da sua sandice, sabia o que devia respeitar. 

Mulheres de cabelos curtos exigem sobriedade, inclusive dos loucos. 

Uma mulher de cabelo curto é o seguinte: ela tem uma informação para te dar; e ela não pergunta se você quer ser informado. Mulher de cabelo curto, simplesmente, informa. O resto que se dane. 

Mulher de cabelo curto diz o seguinte: eu tenho minha autoestima no lugar e não preciso de nada que venha de você. A mulher de cabelo comprido precisa de algum artefato histórico para se manter próxima da sua feminilidade. Algo como um tipo de identidade socialmente especial. Parece um advogado que conheci no século passado. Quando era parado por uma blitz de trânsito o cara apresentava a carteirinha da OAB, no lugar da CNH. 

Mulher de cabelo curto não precisa de atestado protocolado em cartório para ser mulher. Ela não precisa daquela sensação pré-civilizatória de ser puxada pelos cabelos por um hominídeo com tacape na mão. Toda velha sensata se torna uma mulher de cabelo curto. Toda velha biruta mantém as crinas compridas, enormes, atrasando o processo darwinista de evolução da espécie. Quanto mais velho melhor. 

A comparação entre a idade das pessoas e dos vinhos é parcialmente verídica. Como qualquer coisa parcialmente verdadeira também é parcialmente falsa, sugiro que possamos aprimorar a endoxa. Mulheres são como os vinhos. As boas, quanto mais velhas, melhores. As ruins, com o tempo, viram vinagre. Idênticas aos vinhos. 

Mulher de cabelo curto é bebida fina. É pinot noir 2008. É a diferença entre uísque e scotch! É preciso ter qualidade de puro malte para o processo de maturação se adiantar ao envelhecimento pelo calendário gregoriano. Já viu mulher de cabelo curto preocupada com o calendário gregoriano? Convenções e engendramentos sociais? Bem capaz! A mulher de cabelo curto é um scotch 12 anos com maturação de 18.Vinhos, scotchs e mulheres de cabelos curtos. Eis aquilo que separa os homens das codornas. 

A loira gelada, e geralmente cabeluda, é o melhor que um menino pode querer. Um dia, todo mundo se acostuma com o que pode vir a ter na vida. Meninos acham mulheres cabeludas o máximo. São codornas. Não foram apresentadas aos scoths e a uma mulher de cabelo curto. Mulher de cabelo curto não serve para publicitário fazer roteiro de propaganda de cerveja.

A mulher de cabelo curto entra em qualquer lugar como se ela fosse dona. Mulher de cabelo comprido precisa virar o pescoço para olhar com atenção. Mulher de cabelo curto só precisa mover os olhos. Mulher de cabelo comprido precisa ter atenção. 

Mulher de cabelo curto chama atenção por onde passa. Não há nada para atrapalhar uma mulher de cabelo curto. Nem loiras geladas. Nem codornas mimadas.

A personalidade da mulher de cabelo curto é como um tipo especial de olho azul: ou nasce com, ou vive uma vida toda admirando no rosto dos outros. 

Mulher de cabelo curto não escolhe cortar o cabelo. Seria como colocar lentes de contato e pagar o preço do papel ridículo. 

A nós, homens, resta o esforço de procurar mulheres com personalidade. E a sorte para encontrar uma mulher de cabelo curto.

(Texto de Everton Maciel)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Não espere


Não espere um sorriso para ser gentil;
Não espere ser amado para amar;
Não espere ficar sozinho para reconhecer o valor de quem está ao seu lado;
Não espere ficar de luto para reconhecer quem hoje é importante em sua vida;
Não espere o melhor emprego para começar a trabalhar;
Não espere a queda para lembrar-se do conselho;
Não espere ...


Não espere a enfermidade para perceber o quanto é frágil a vida;
Não espere pessoas perfeitas para então se apaixonar;
Não espere a mágoa para pedir perdão;
Não espere a separação para buscar reconciliação;
Não espere a dor para acreditar em oração;
Não espere elogios para acreditar em si mesmo;
Não espere ...


Não espere que o outro tome a iniciativa se você foi o culpado;
Não espere o eu te amo,para dizer eu também;
Não espere o dia da sua morte para começar a amar a vida;


E então, o que você está esperando?


(Desconheço a autoria)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Envelhecimento



Passou uma matéria do Fantástico mostrando o que as pessoas andam fazendo pra se manterem jovens. E a moda agora é tomar zilhões de pílulas de hormônio. Pessoas que tomam 74 cápsulas por dia, sem dó nem piedade. Eu não condeno, respeito. Mas, particularmente, não sei se embarcaria numa viagem dessas.

Percebo que entre as mulheres, essa preocupação é ainda maior. E com isso, os esteticistas estão lucrando, com cirurgias plásticas, aplicação de botox, colágeno e todas essas técnicas milagrosas que o mercado oferece cada vez mais.

Quem é que não gosta de ficar bonita? Quem é que não quer se sentir bem? Todos almejam isso.

Porém, com essa minha cabeça ainda um tanto antiquada, embora insistam em me chamar de “mulher moderna”, ainda acho que o que nos deixa jovem é a alegria de viver. É poder ser você mesmo, acima de qualquer coisa. Saber se assumir, se importar menos com o que os outros pensam de você e admitir que você é um ser humano e é passível de erros. É simples questão de aceitação. Aceitar a si mesmo, aceitar o fluxo da vida e respeitá-lo, acima de tudo.

E daí se você errar? Ninguém tem nada com isso. Para o erro, existe o perdão. Não o perdão alheio, mas perdoar a si mesmo e ter a coragem de recomeçar. Sempre!

Tive uma professora que dizia que gostava de ficar velha. Porque só não envelhece quem morre. Concordo com ela. E como é bom a gente poder ir envelhecendo, amadurecendo, construindo histórias, participando da vida de outras pessoas e fazendo a vida valer o que vale. Vale muito!!!

Penso que saber envelhecer é até uma questão de humildade, de fé. Já conheci várias senhoras enrugadinhas por fora, mas com um sorriso que ilumina anos luz de distância. Senhoras que passaram épocas de grande preconceito feminino, que atravessaram os tempos a trancos e barrancos e que agora podem olhar pra trás e ter orgulho de tudo o que realizaram.

Quando assisto reportagens como essa do Fantástico, confesso ficar um pouco assustada! Adianta chegar aos 60 anos com cara e corpo de 45, sendo que vai morrer anos antes? Sim, porque ninguém sabe, a longo prazo, os efeitos desses medicamentos. O “pouco” que se sabe até o momento é que estimula o câncer.

Por essas e outras, vou preferindo levar a vida mais leve, aceitando-me como sou e gostando de mim assim, sem me importar muito com o que pensam a meu respeito, porque da vida de cada um, só quem sabe é esse um. E manter a alegria, o bem estar é fundamental para uma velhice mais colorida e cheia de vida de verdade.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Quando me amei de verdade


Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.


Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é...Autenticidade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. 
Hoje chamo isso de... Amadurecimento. 

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. 
Hoje sei que o nome disso é... Respeito. 

Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. 
De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo. 
Hoje sei que se chama... Amor-próprio. 

Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. 
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. 
Hoje sei que isso é... Simplicidade. 

Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes. 
Hoje descobri a... Humildade. 

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. 
Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. 
Hoje vivo um dia de cada vez. 
Isso é... Plenitude. 

Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. 
Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. 
Tudo isso é... Saber viver! 


(Charles Chaplin)