quinta-feira, 28 de junho de 2012

Deixem-me...



Deixem-me sonhar no meu cantinho
deixem-me esquecer que 
eu existo
e que sinto
e que escrevo o que sinto
e que sorvo as palavras com uma fome danada

Deixem-me assim na imensidão de mim
Talvez eu adormeça
e por momentos esqueça
porque escrevo
porque rabisco
porque me emociono com a vida
e com a morte
porque quis Deus me dar tal sorte
sentir desta maneira
tudo aquilo que observo
e me desespera
me encanta e me faz chorar
ora de dor ora de pura emoção

Deixem-me assim pequenina adormecer
na imensidão das palavras
quem sabe eu acorde
e na vida descubro outras formas de olhar
Talvez eu até deixe de rabiscar
talvez...
mas a vida é tão curtinha
e é apenas uma passagem
para algum outro lugar
e quando nos damos conta
nem estamos mais aqui...mas além...
..do outro lado da vida...
onde as palavras não entram...
...só os sentimentos e o que resta dos nossos olhos...

(Texto de São Reis)

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Velhice?


Saí com uns amigos nesse final de semana e estava comentando com eles o quanto acho que estou ficando velha.
A velhice nos parece assim: a pessoa fica mais impaciente, mais assertiva, mais dona de si, sem se importar muito com os outros, pois agora a preocupação é somente consigo mesmo. Talvez por isso muitos levem fama de ranzinza, por não se importar com que o outro pensa, fala... vive.
Estou nessa fase. Um tanto precoce? Pode ser. Mas, desta forma, a vida tem se tornado cada vez mais leve, mais gostosa, bem mais prática, menos hipócrita, portanto, mais limpa. Um tanto egoísta, né? Também acho. Mas nem isso me importa mais. Já estou achando ótimo esse meu lado!
Meu amigo me disse que não estou ficando velha, e sim sábia. Segundo ele, chegamos num ponto da vida em que aceitamos mais quem nós somos, estamos mais atentos a nós mesmos, ao que trouxemos da vida, sabemos avaliar melhor o que é realmente bom e o que devemos mudar. Mudar, não porque o outro acha que é preciso, mas por uma conclusão própria, baseada em você e suas experiências. Nesse momento, a única peneira que tem validade é a sua.
A grande verdade é que passamos a nos respeitar mais e aos outros também. Em consequência, você passa também a ser respeitado. Reconhecemos que o processo é de cada um, passamos a ter mais compaixão pelo outro, entendemos o processo dele sem deixar que isso te afete. E se afeta, você sabe se trabalhar, refletir e promover a mudança necessária.
O fato é que, velhice ou sabedoria, é assim que me sinto nesse momento da minha vida. Entendendo e respeitando o "cada um no seu quadrado" e buscando gastar minha energia com o que realmente vale gastar.
E o que realmente vale? Você mesmo. Hoje, ontem, amanhã... e sempre. Porque só você é o grande responsável pela sua vida e de mais ninguém. E mais ninguém é responsável pela sua vida. Nem de nossos filhos, pois eles têm seu próprio caminho e o máximo que podemos fazer é ser apoio.
Se não fizermos algo por nós, se não estivermos focados em nosso crescimento e bem estar, quem o fará?
Velha ou sábia, ou mesmo caminhando para isso, é essencial que fiquemos atentos, pois a plenitude se constrói quando o alvo somos nós. E assim será! 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O amor


O amor não morre. 
Ele se cansa muitas vezes. 
Ele se refugia em algum recanto da alma tentando se esconder do tédio que mata os relacionamentos.
Não é preciso confundir fadiga com desamor. 
O amor ama. 
Quem ama, ama sempre. 
O que desaparece é a musicalidade do sentimento. 
A causa? O cotidiano, o fazer as mesmas coisas, o fato de não haver mais mistérios, de não haver mais como surpreender o outro.
São as mesmices: mesmos carinhos, mesmas palavras, mesmas horas... o outro já sabe! 
Falta magia. 
Falta o inesperado. 
O fato de não se ter mais nada a conquistar mostra o fim do caminho. 
Nada mais a fazer.
Muitas pessoas se acomodam e tentam se concentrar em outras coisas, atividades que muitas vezes não têm nada a ver com relacionamentos. 
Outras procuram aventuras. 
Elas querem, a todo custo, se redescobrir vivas; querem reencontrar o que julgam perdido: o prazer da paixão, o susto do coração batendo apressado diante de alguém, o sono perdido em sonhos intermináveis e desejos infindos. 
Não é possível uma vida sem amor.
Ou com amor adormecido. 
Se você ama alguém, desperte o amor que dorme! 
Vez ou outra, faça algo extraordinário. 
Faça loucuras, compre flores, ofereça um jantar, ponha um novo perfume...
Não permita que o amor durma enquanto você está acordado sem saber o que fazer da vida. 
Reconquiste!
Acredite: reconquistar é uma tarefa muito mais árdua do que conquistar, pois vai exigir um esforço muito maior. 
Mas... sabe de uma coisa?
Vale a pena! Vale muito a pena!...


(Texto de Letícia Thompson)

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Bom e ruim


Quer saber de uma coisa?
Tudo pode ser bom, ruim e principalmente assim assim.
Tudo ao mesmo tempo ou não, e não necessariamente nessa ordem.
Bom é chegar na praia à tardinha, anuncio de por de Sol, a água de ondas mansinhas.
Jogar bola na espuma e sob o céu encaixa como se fora Tafaréu.
É bom também quando começa a chover e as gotas fazem cócegas na superfície do mar.
Como se um cardume infinito prometesse matar a fome de todo o Vidigal, Rocinha, Cidade de Deus e Vigário Geral.
Ruim é lembrar daquele amigo que de prancha na mão morreu de um beijo roubado de um raio, da lembrança a correria.
O medo... o medo... medo é bom, ruim é o medo de ter medo!
Bom voltar trocar chuva por chopp e passar atrás da pelada.
A bola vai pra fora e como na crônica de Rubem Braga sobra pra você.
Que mata no peito faz embaixadinha e devolve redondo...
Num chute perfeito.
Ruim é a fisgada na coxa sair mancando disfarçadamente...
A vergonha de ta decadente não é ruim, ruim é o orgulho que se nega a reconhecer a decadência.
É bom a cidade estranha em que você nunca esteve e sabe que nunca mais vai voltar.
E nesse lugar você tem uma obrigação sem graça que cumpre com estilo e precisão traçando um dia perfeito no arco do tempo.
Quando cai a noite é bom tomar um banho e sob o chuveiro é bom sentir saudade, ruim é não ter saudade, e como é bom sair sem direção pelas ruas da cidade pensando no que você fez da sua vida e no que a vida fez em você.
Bom é sonhar, realizar não é tão bom, mas ruim mesmo é não realizar.
O fim de um grande amor é muito, muito ruim, um grande amor não tem fim!
Bom é amar, ruim é amar...
Bom é encarar a vida com fantasia.
Quando um poeta desaparece é bom colocar chapéu de Bogar que tudo pode solucionar...
Ruim é encontrar o precipício, morrer não deve ser tão ruim assim...
E pode ser bom falar sobre bom e ruim, e pode ser pior assim assim... Bom!

(Desconheço a autoria)