quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Renascer


E se hoje eu fizesse um convite para nascer de novo? 

E se fosse hoje o dia de recomeçar uma nova vida? 

Não pense que você está velho demais, vivido demais, que é tarde demais. Velho não é quem tem muita idade, mas quem pensa velho, quem não quer mudar, quem se acomoda. Quem pensa que nasceu assim e vai morrer assim. Podemos ser velhos com pouca idade, com a alma enrugada.

Às vezes é necessário se despir da velha carcaça e vestir roupa nova. Se dar novas oportunidades. Uma nova chance. Isso pode ser tremendamente dolorido. Porém é um alívio imenso quando conseguimos! Carregamos durante tantos anos nossos conceitos, idéias e preconceitos, que isso se molda ao nosso corpo. E quando precisamos nos liberar, é impossível que uma parte da gente não saia junto, é impossível não doer e não sangrar. 

Jesus disse que deveríamos nascer de novo. Mas Ele não acrescentou que seria fácil. Nascer de novo não quer dizer voltar a ser pequeno, mas voltar a ter a humildade e simplicidade de uma criança para se ter mais fé, mais confiança, mais coragem. É voltar a acreditar no que o mundo acabou nos roubando com tanto materialismo. 

Nascer de novo quer dizer recomeçar, reaprender a andar, vacilante, talvez, no início, mas cada vez mais firme e seguro até que nossas pernas suportem nosso corpo e nos dêem equilíbrio. É cair e se levantar cada vez com paciência e perseverança. 

Nascer de novo quer dizer "se dar uma nova chance." Dar-se um presente a si mesmo. Tentar, pelo menos uma vez na vida, ser realmente feliz. Tudo isso não é utopia, é uma realidade. Mas uma realidade para aqueles que acreditam. 

"Eu posso, porque a bíblia diz que eu posso." Jesus nunca mentiu. Se Ele disse: "necessário vos é nascer de novo" é porque não só é necessário, mas possível. É possível sermos pessoas melhores. Não sozinhos, mas nunca estamos sozinhos se temos Deus ao nosso lado. 

Então, hoje, quando o dia amanhecer, amanheça com ele. E quando o sol se pôr, se ponha com ele. 

Renasça cada dia um pouquinho mais. Libere-se do que te faz mal e aproveite mais das coisas que te dão felicidade. Seja jovem no seu coração e vista uma roupa nova. Olhe-se no espelho. 

Se todo mundo decidisse mudar, o mundo mudaria também. Comece fazendo a sua parte. Quando as pessoas notarem coisas positivas acontecendo na sua vida, vão sentir vontade de mudar também. E quem sabe não será você o primeiro elo de uma grande corrente que vai tornar a humanidade mais feliz? 

(Texto de Letícia Thompson)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Pequenos gestos


É curioso observar como a vida nos oferece resposta aos mais variados questionamentos do cotidiano. 

Vejamos...

A mais longa caminhada só é possível passo a passo.

O mais belo livro do mundo foi escrito letra por letra. 

Os milênios se sucedem, segundo a segundo. 

As mais violentas cachoeiras se formam de pequenas fontes. 

A imponência do pinheiro e a beleza do ipê começaram ambas na simplicidade das sementes. 

Não fosse a gota e não haveriam chuvas. 

O mais singelo ninho se fez de pequenos gravetos e a mais bela construção não se teria efetuado senão a partir do primeiro tijolo. 

As imensas dunas se compõem de minúsculos grãos de areia. 

Como já refere o adágio popular, nos menores frascos se guardam as melhores fragrâncias. 

É quase incrível imaginar que apenas sete notas musicais tenham dado vida à "Ave Maria", de Bach, e à "Aleluia", de Hendel. 

O brilhantismo de Einstein e a ternura de Madre Tereza de Calcutá tiveram que estagiar no período fetal e nem mesmo Jesus, expressão maior de Amor, dispensou a fragilidade do berço.

Assim também o mundo de paz, de harmonia e de amor com que tanto sonhamos só será construído a partir de pequenos gestos de compreensão, solidariedade, respeito, ternura, fraternidade, benevolência, indulgência e perdão, dia a dia. 

Ninguém pode mudar o mundo, mas podemos mudar uma pequena parcela dele: esta parcela que chamamos de "Eu". 

Não é fácil nem rápido, mas vale tentar!

(Desconheço a autoria)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Revolução da alma



Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue sua alegria, sua paz, sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém.

Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja.

Se você anda repetindo muito “eu preciso tanto de você" ou "você é a razão da minha vida", cuide-se. Remova essas palavras e, principalmente, a ação dessas palavras da sua vida, pois fazem muito mal ao seu "eu" interior. 

A razão da sua vida é você mesmo. 

A Sua paz interior é a Sua meta de vida, quando sentir um vazio na alma, quando acreditar que ainda está faltando algo, mesmo tendo tudo, remeta seu pensamento para os seus desejos mais íntimos e busque a divindade que existe em você. 

Pare de colocar sua felicidade cada dia mais distante de você. Não coloque objetivos longes demais de suas mãos, abrace os que estão ao seu alcance hoje. 

Se você anda desesperado por problemas financeiros, amorosos ou de relacionamentos familiares, busque em seu interior a resposta para acalmar-lhe, você é reflexo do que pensa diariamente. Pare de pensar mal de você mesmo, e seja seu melhor amigo sempre.

Sorrir significa aprovar, aceitar, felicitar. Então abra um sorriso para aprovar o mundo que lhe quer oferecer o melhor. Com um sorriso no rosto as pessoas terão as melhores impressões de você, e você estará afirmando para você mesmo, que está "pronto” para ser feliz. 

Trabalhe, trabalhe muito a seu favor. Pare de esperar a felicidade sem esforços. Pare de exigir das pessoas aquilo que nem você conquistou ainda. Critique menos, trabalhe mais. 

E, não se esqueça nunca de agradecer. Quando você agradece, Deus recebe seu coração. Agradeça tudo que está em sua vida nesse momento, inclusive a dor. 

Nossa compreensão do universo, ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja na nossa vida. 

Por fim, acredite que não estamos sozinhos um instante sequer. Você pode, através de uma oração simples e de coração buscar Aquele que é maior que quaisquer problemas.

Unir-se a DEUS nos momentos de alegria, garante uma facilidade maior de contato nos momentos menos alegres. 

(Texto de Paulo Roberto Gaefke)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Derramando pétalas


Dirijam vossas vidas, seja nas tristezas,seja nas alegrias, sempre derramando pétalas, assim como as flores.As flores, seja dia, seja noite, haja chuva, haja sol, enviam para o ar que respiramos todo o perfume que contém, lembrando aos homens que a vida perfumada segue mais além. Espalhemos nossas essências de amor, perfumando a vida daqueles que nem sequer sabem admirar uma flor, ou nunca pararam para apreciar a beleza gratuita feita pelo nosso Pai com amor, para que os homens se inspirassem na simplicidade e beleza de uma simples flor. Se colhida e dedicada a alguém significa amor. Sejamos apenas simplesmente uma flor, atuemos em estado de graça, espalhemos beleza onde existe tristeza, colhamos as dores alheias e nos transformemos em buquê de flores, para oferecermos o nosso amor a todos, com a mesma graça beleza e cor. Apenas uma flor. O exemplo da flor bastará para uma transformação de muito amor. Não importa, jasmim, rosa, cravo, não importa a flor, o importante é que espalhemos as pétalas de nosso amor. Sejamos Flor!!! Sejamos Amor!!! (Cora Maria)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Janelas da vida


Abre a janela do teu coração e deixa a alma arejar!
Sabes, aquele cheiro de mofo de sonhos que envelheceu e tu nem te deste conta? Deixa que o vento leve para longe...
Livra-te também de toda a mágoa e o rancor, faze uma boa limpeza na vidraça da janela do coração.
Garanto que enxergarás melhor a vida lá fora...
Deixa a luz inundar tudo, apagar as marcas das decepções, as tristezas das derrotas, o vicio de sofrer por sofrer e, acima de tudo, permite que o sol derreta o gelo da solidão...
Apaixona- te por um sorriso e sorri junto, ilumina as janelas dos olhos, atrai beija-flores, borboletas, vaga-lumes ...
Ama a pessoa que o espelho reflete todas as manhãs...
Escancara a janela dos desejos e esbanja sonhos!
Ninguém sonha em vão, e também não é verdade que os sonhos fogem, as pessoas é que desistem, e eles morrem...
Alicerça teus desejos com bases sólidas e constrói, dia a dia, degraus para chegares até a tua meta.
Depois, aplaude-te porque conseguiste ! Nisso reside o prazer...

Não permite que nenhuma sombra pesada cubra o sol, que nenhuma parede aprisione o vento e cale o som da vida.
Jamais te transformes em órfão da luz...
Desenha um horizonte além da tua janela, exagera nas cores e entremeia alegria entre folhas.
Floresce todos os campos que tua vista alcança e, depois, vai além muito além...
Expõe na janela toda a alegria de viver, mostra ao mundo um rosto luminoso, uma face sem rugas de preocupações, prontinha para ser acariciada e admirada.

Amplia a essência da ternura, semeia um gesto, uma frase doce ou um suspiro. Seguramente alguma alma comovida escutará e devolverá o eco da tua voz...
Desvia teu olhar das coisas tristes e infelizes, transforma em oásis toda a aridez que aparecer, joga venturas e aventuras em abundância, através da tua janela...
Espalha poeira dourada de sonhos além da janela, planta flores e colhe encantamento. Permite que as sementes da felicidade se espalhem e contaminem toda a terra...

Refaze tuas crenças, redime equívocos, culpas, regenera erros e falhas, distribui perdão. Valoriza o melhor de cada pessoa e, principalmente, o melhor que existe em ti...
Abre a janela da vida e sê pleno em cada coisa, ainda que pareça pequena.
Vive a forma adulta de ser criança, debruça-te na janela e não olhes, simplesmente, a vida passar através dela...
Viva!

(Texto de Lady Foppa)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Você é...


Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora.

Você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas. 

Você é o que você chora.

Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta. 

Você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo.

Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar. 

Você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá.

Você é aquele que rema, que cansado não desiste. 

Você é a indignação com o lixo jogado do carro.

Você não é só o que come e o que veste. 

Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. 

Você é o que ninguém vê.

(Texto de Martha Medeiros)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Por onde anda a felicidade?


O tempo passa, e nós mudamos tanto...
Ficamos tão sérios, tão preocupados, e sempre tão sem tempo pra coisa alguma. De repente, alguém disse que para sermos felizes, o que precisamos é ter um bom emprego, uma bela casa, o carro do ano, os aparelhos e as roupas da moda e, claro, termos muito dinheiro na conta. E nós, bobos, seguimos atrás destas coisas cegamente, aficcionadamente, entregando-nos a uma vida afogada em trabalho, estudos, metas, e uma constante insatisfação.

Mas se olharmos para trás, ainda poderemos lembrar de um tempo em que era até engraçado não ter dinheiro e fazer vaquinha pra pagar a conta da lanchonete com nossos melhores amigos. Se não conseguíamos ir todos juntos para a festa ou para o show da hora, fazíamos nossa festa na casa de alguém, ou na rua, mesmo, por que nossa verdadeira festa era estarmos juntos, sorrindo uns com os outros.

Mas... para onde foi esse tempo? Para onde foram os amigos? Para onde estamos indo nós?Nós nascemos muito felizes. Crescemos naquilo que pode ser a expressão mais tangível da felicidade possível, mas aos poucos vamos trocando isso por outros valores, como sucesso profissional e sucesso financeiro...

Bem aventurado é aquele que consegue acordar a tempo de perceber que melhor do que fazer horas extras no trabalho ou perder noites de sono em algum projeto ou pesquisa, é sempre reservar um tempo para preservar suas amizades, dedicando-se às pessoas que você ama, à sua família. A felicidade está conosco o tempo todo: nós é que muitas vezes não damos a menor bola pra ela...

(Texto de Augusto Branco)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O BBB e a crônica das belas adormecidas


Não vejo BBB. Não por metimento intelectual, pois sou capaz de ver coisas bem mais trash na tv. É que não gosto e pril, e pronto. Da repercussão, porém, é impossível se livrar.

Amigas me chamaram a atenção para a cena de sexo com uma mulher desacordada. 

Estupro? Será? Talvez. Triste. 

A propósito das mulheres que dormem, republico, a pedidos, uma crônica sobre o assunto:

“Amar, além de muitas outras coisas, quer dizer deleitar-se na contemplação e na observação da pessoa amada”, sopra o velho escritor Alberto Moravia, sempre aqui na minha cabeceira.

Uma das melhores coisas da vida é observar uma mulher quando dorme, entregue, para além dos pesadelos diários.

Como bem disse Antônio Maria, um homem e uma mulher jamais deveriam dormir ao mesmo tempo, embora invariavelmente juntos, para que não perdessem, um no outro, o primeiro carinho de que desperta.

Experimente você também, estimada leitora, vê o seu homem quando dorme. Há uma beleza nessa vigília que os tempos corridos de hoje não percebem.

Amar é... vê-lo(a) dormindo.

Cada mexidinha, cada gesto. O que sonha nesse exato momento? Tomara que seja comigo, você pensa, pois o amor também é egoísmo.

Gaste pelo menos meia hora por semana nesse privilegiado observatório.

Psiuuuuu!

Ela dorme.

Mãozinha no ar, como se apanhasse pássaros, que coisa mais linda. Uns 23 minutos assim, mirei no rádio-relógio.

A mão desce ao colchão, quase dormente, formigamentos. Coça o nariz. Põe a mãozinha direita entre as coxas. Agora vira de lado, como os antigos LPs quando gastavam as seis músicas do A. E me abraça como nunca fosse partir, corpos viciados, almas em busca de um acerto.

Dorme, meu anjo.

Ela obedece.

Vigio o sono dela como um soldado zapatista.

Como um cão zela o sangue do dono.

Como se fosse um homem-exército e pronto.

Amar, no início era o verbo intransitivo da alemã professora de amor de Mario de Andrade. O idílio tem sobrevida, não como gênero, mas como vício, vício de amar. Amar de muito.

A mão desce agora sobre o meu peito, como se medisse meus batimentos.

A mão direita volta para a arte de apanhar pássaros, que beleza, que diabos!

O ideal é que você, amiga leitora, durma do lado esquerdo da cama, o do coração, sempre.

Mãozinha no ar catando pássaros. Até se acalmar de vez.

Calmaria danada de horas, sem coreografias ou narrativas. Sonha, sonha, sonha, minha menina.

Como é lindo a vigília ao sono dela.

Coça o nariz. Sussurra umas onomatopeiazinhas lindas de sonhos de besouros.

Ela arruma os cabelos como algas, entorpeço num mergulho.

Observar o sono do(a) amado(a) é a melhor maneira de mapear a sua beleza.

É a melhor maneira de conhecer o homem ou a mulher com quem dormimos.

E como são lindas aquelas marquinhas deixadas pelos lençóis no corpo dela. Um mapa de delírios! Melhor é lê-las como quem adivinha os sonhos e o futuro no fundo da xícara árabe ou no tarô das cartas.

(Texto de Xico Sá)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

De tudo... sou...


De tudo que amei. De tudo que represei. De tudo que calei. De tudo que gritei. De tudo que desejei.

De tudo que abortei. De tudo que acreditei. De tudo que questionei. De tudo que quis. De tudo que fiz. De tudo que dei. De tudo que me foi roubado.

De tudo que comprei sem ter experimentado. De tudo que não gostei sem sequer ter provado. De todas minhas dúvidas e certezas. De todos os meus não-saberes. De todos os meus medos ocultados.

De todas minhas feridas rasgadas. De todas minhas cicatrizes que o seu olho não vê. De toda parte de mim que ainda não me foi revelada. De tudo que há por fora e por dentro. De tudo que em mim é movimento.

De tudo que não vai nunca a lugar algum. De tudo que julguei ser verdade e era mentira. De todas as vezes que me enganei. De todas as vezes que falei por não saber dizer. De cada momento que calei para você poder me ouvir.

De todas as coisas que não sei e jamais saberei. De tudo que penso saber e, na verdade, não sei. De todas as dúvidas que virarão certezas. De todas as certezas que se transformarão em poeira.

De toda dor que, um dia, será alegria. De toda alegria que se findará em pranto. De tudo que não cabe num papel. De tudo que caneta não sabe escrever. De tudo que os livros não explicam. De tudo que não possui lógica.

De tudo que em seu maior paradoxo é coerente. De tudo que todas as palavras jamais poderão transcrever. De tudo isso e mais um tanto. De muito, pouco, raso, fundo, frio, quente, azul e nublado. De todas as cores, de todos os tons, de todos os sons.

Da música e do silêncio. Do divino que há no humano e do humano que há no divino. Sou o que o ontem fez de mim. Sou o que sou hoje. Amanhã, sou folha em branco.

(Texto de Carolina Braga)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Felicidade - Luiz Tatit


Não sei porque eu tô tão feliz
Não há motivo algum pra ter tanta felicidade
Não sei o que que foi que eu fiz
Se eu fui perdendo o senso de realidade
Um sentimento indefinido
Foi me tomando ao cair da tarde
Infelizmente era felicidade
Claro que é muito gostoso
Claro que eu não acredito
Felicidade assim sem mais nem menos é muito esquisito


Não sei porque eu tô tão feliz
Preciso refletir um pouco e sair do barato
Não posso continuar assim feliz
Como se fosse um sentimento inato
Sem ter o menor motivo
Sem uma razão de fato
Ser feliz assim é meio chato
E as coisas nem vão muito bem
Perdi o dinheiro que eu tinha guardado
E pra completar depois disso
Eu fui despedido e estou desempregado
Amor que sempre foi meu forte
Não tenho tido muita sorte
Estou sozinho, sem saída, sem dinheiro e sem comida
E feliz da vida!!!


Não sei porque eu tô tão feliz
Vai ver que é pra esconder no fundo uma infelicidade
Pensei que fosse por aí, fiz todas terapias que tem na cidade
A conclusão veio depressa e sem nenhuma novidade
O meu problema era felicidade
Não fiquei desesperado, não, fui até bem razoável
Felicidade quando é no começo ainda é controlável
Não sei o que foi que eu fiz
Pra merecer estar radiante de felicidade
Mais fácil ver o que não fiz
Fiz muito pouca aqui pra minha idade
Não me dediquei a nada
Tudo eu fiz pela metade, porque então tanta felicidade
E dizem que eu só penso em mim, que sou muito centrado
Que eu sou egoísta
Tem gente que põe meus defeitos em ordem alfabética
E faz uma lista
Por isso não se justifica tanto privilégio de felicidade
Independente dos deslizes dentre todos os felizes
Sou o mais feliz


Não sei porque eu tô tão feliz
E já nem sei se é necessário ter um bom motivo
A busca de uma razão me deu dor de cabeça, acabou comigo
Enfim, eu já tentei de tudo, enfim eu quis ser conseqüente
Mas desisti, vou ser feliz pra sempre
Peço a todos com licença, vamos liberar o pedaço
Felicidade assim desse tamanho
Só com muito espaço!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O recomeço


Quando começamos um novo relacionamento, ainda mais quando em vias de desapego de um relacionamento anterior, é difícil esquecer as recentes mágoas e decepções, são cicatrizes ainda abertas e profundas. Fica difícil acreditar quando alguém se aproxima e diz estar gostando de você. Não podemos ou não queremos acreditar, acha...ndo que não estamos a altura ou não merecemos, ou é pura revo...lta mesmo, atingindo com um egoísmo equivocado alguém que simplesmente quer entrar na sua vida disposto a mudar esta trajetória de sofrimento.

Às vezes blasfemamos contra Deus, querendo entender o porquê de tanto sofrimento. Perguntamos o motivo de passar por tudo isso. A resposta é simples: Amadurecimento! Precisamos amadurecer para poder compreender e crescer afetivamente. E passado um determinado tempo, lembramos até com graça o motivo de tanta tristeza, depois tão insignificante para nós. É um caminho àrduo, mas necessário a um crescimento interior.

Existe uma grande ausência de referências e valores, em uma época que o ser humano, de uma maneira geral, resume-se ao que tem e ao que pode oferecer. As pessoas estão se tornando tão descartáveis quanto aos bens de consumo. Basta um botãozinho a mais (sempre dispensável e desnecessário) e vamos lá, já descartamos aquele objeto aparentemente obsoleto. Infelizmente essas pessoas esquecem que seres humanos não são objetos descartáveis.

Esquecem também que vão envelhecer, cientes tardiamente do desperdício de oportunidades. E depois declamarão aos incautos o quanto foram desmerecidos pela sorte, sempre culpando aos outros pelo próprio egocentrismo e fracasso.

Uma vida disperdiçada, pois quantos realmente tem a oportunidade de serem amados verdadeiramente, de serem agraciados por um amor verdadeiro, cristalino e incondicional, e não ao egoísta e possessivo?

Portanto, preste atenção: A qualquer momento um anjo pode bater a sua porta, disposto a mudar esta esta rotina de sofrimento e depressão. Esteja de coração aberto, e não ignore sua intuiçao. Esteja aberto a essa nova possibilidade, de amar, ser amado.

Mude de opinião, permita-se. Queira loucamente, acredite! Volte a sonhar, use a imaginação! Lute para que dê certo. Ore e peça a Deus que ilumine esta nova relação.

Conte a seus (verdadeiros) amigos. Harmonize-se e descarte a opinião dos outros. Faça aquilo que mais teme e seja generoso. Ria e beije muito. Enfim, permita-se...
e viva loucamente este NOVO AMOR!!!


(Texto de Gabriel Abdala)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Cometa bobagens



Cometa bobagens. 
Não pense demais porque o pensamento já mudou assim que se pensou. 
O que acontece normalmente, encaixado, sem arestas, não é lembrado. 

Ninguém lembra do que foi normal. 
Lembramos do porre, do fora, do desaforo, dos enganos, das cenas patéticas em que nos declaramos em público. 

Cometa bobagens. 
Dispute uma corrida com o silêncio. 
Não há anjo a salvar os ouvidos, não há semideus a cerrar a boca para que o seu futuro do passado não seja ressentimento. 

Demita o guarda-chuva, desafie a timidez, converse mais do que o permitido, coma melancia e vá tomar banho de rio. 
Mexa as chaves no bolso para despertar uma porta. 

Cometa bobagens. 
Não compre manual para criar os filhos, para prender o gozo, para despistar os fantasmas. 

Não existe manual que ensine a cometer bobagens. 
Não seja sério; a seriedade é duvidosa; seja alegre; a alegria é interrogativa. 

Quem ri não devolve o ar que respira. 
Não atravesse o corpo na faixa de segurança. 
Grite para o vizinho que você não suporta mais não ser incomodado. 

Use roupas com alguma lembrança. 
Use a memória das roupas mais do que as próprias roupas. 

Desista da agenda, dos papéis amarelos, de qualquer informação que não seja um bilhete de trem. 
Procure falar o que não vem à cabeça. 
Cantarolar uma música ainda sem letra. 

Deixe varrerem seus pés, case sem namorar, namore sem casar. 
Seja imprudente porque, quando se anda em linha reta, não há histórias para contar. 

Leve uma árvore para passear. 
Chore nos filmes babacas, durma nos filmes sérios. 

Não espere as segundas intenções para chegar às primeiras. 
Não diga “eu sei, eu sei”, quando nem ouviu direito. 

Almoce sozinho para sentir saudades do que não foi servido em sua vida. 
Ligue sem motivo para o amigo, leia o livro sem procurar coerência, ame sem pedir contrato, esqueça de ser o que os outros esperam para ser os outros em você. 

Transforme o sapato em um barco, ponha-o na água com a sua foto dentro. 
Não arrume a casa na segunda-feira. 
Não sofra com o fim do domingo. 

Alterne a respiração com um beijo. 
Volte tarde. 
Dispense o casaco para se gripar. 

Solte palavrão para valorizar depois cada palavra de afeto. 
Complique o que é muito simples. 
Conte uma piada sem rir antes. 
Não chore para chantagear. 

Cometa bobagens. 
Ninguém lembra do que foi normal. 
Que as suas lembranças não sejam o que ficou por dizer. 

É preferível a coragem da mentira à covardia da verdade.

(Texto de Fabrício Carpinejar)