quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Silêncio


De repente, um silêncio tão bem dito que não entendi mais nada. Ao contrário de outros, alguns silêncios apagam a luz. 
Bendita seja a claridade das palavras também quando permitem que dúvidas sejam dissolvidas. Que equívocos não sejam alimentados. Que distâncias não cresçam. Que a confiança prevaleça. Que o afeto não se torne encabulado.
Bendita seja a claridade das palavras também quando ficamos no escuro da incompreensão, tateando as paredes deste cômodo pouco ventilado à procura de um interruptor qualquer que acenda o nosso entendimento. 
Bendita seja a claridade das palavras também quando aproximam, em vez de afastar. Quando nos possibilitam o conforto da verdade, mesmo que ela desconforte. Quando simplesmente queremos saber o que está acontecendo com as pessoas que amamos simplesmente porque amamos. 
Bendita seja a claridade das palavras quando ditas com o coração. Ele sabe como acender a luz. 
(Texto de Ana Jácomo)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Contato consigo mesmo



Fui assistir ao filme "Um Novo Despertar", o que me levou a muitas reflexões a respeito da forma como levamos a nossa vida, nossas fases, nossas negações, nossos repúdios e tantos outros temas que, a cada nova cena, me faziam despertar para coisas da minha própria vida.

O filme conta a história de um homem em depressão que perde sua familía, vai mal no trabalho e pensa até em suicídio. Ao sair de casa pára numa loja e sai com uma caixa cheia de bebidas alcóolicas. Ao tentar guardá-la no porta malas de seu carro, cheio de quinquilharias, encontra o fantoche de um castor que, aparentemente o salva de si mesmo. A partir de então, o castor começa a ser o dirigente da sua vida, dando-lhe conselhos, dizendo o que ele tinha que fazer, porém num contexto bem doentio, onde o homem não mais se expressa ou convive sem a presença de seu suposto amigo. A presença desse fantoche o faz guinar na vida em todos os seguimentos até que ele sente a necessidade de ficar sem ele, o que torna a situação desesperadora em seu sentir, humanamente impossível.

Claro que eu não vou ficar contando aqui os detalhes e o desencadear de toda a história, mas fiz só uma explanação para me fazer entender, pegar o fio da meada de todos os meus pensamentos, de minhas reflexões.

Um ponto forte do filme é que não adianta assumirmos qualquer personagem para termos o real controle de nossa vida. Lá era o caso de um fantoche de castor, mas vemos todos os dias, infinitas vezes, pessoas imitando umas às outras ou se apegando de certa forma que cria uma dependência doentia ou ainda se deixando levar por modismos que nada tem a ver consigo mesmo para se enquadrar no meio, como se a ausência do outro impossibilitasse o seguimento da própria vida.

Sabemos que o ser humanno não vive sozinho, que ele precisa estar inserido num contexto social para ter uma qualidade de vida melhor. Porém, nem por isso precisamos sair por aí imitando os outros ou copiando suas atitudes. Conheço pessoas que forçam ser o que não é, até começam a fazer coisas erradas porque o outro faz, como uma forma de só ter o seu valor assim. Nessas condições, as pessoas vendem a alma, fazem qualquer tipo de coisa para que a sociedade a aceite, nem que isso vá contra o que pensa e acredita ser o melhor caminho para o bem viver.

Muitas vezes, as cadeias internas que a prendem são tão fortes que tudo que a pessoa quer é ser como o outro. Bonito como outro, inteligente como o outro, esperto como o outro, divertido como o outro. Tudo isso com a forte intenção de se fazer aceito. Ledo engano! Na verdade, você só vai ser aceito (e mais: respeitado) quando assumir realmente quem você é de fato, com todas as suas imperfeições, medos, dúvidas e questionamentos. Por outro lado, mesmo que você não perceba, você vai estar levando também sua bagagem de vida, sua história, seus porquês, sua essência verdadeira, o que unicamente mostrará o seu grande valor. Essa é a construção ideal para a vida.

Hoje em dia, impomo-nos diversas atitudes que não condizem com o nosso jeito de ser e até mesmo novos valores, os quais nem sempre são os mais honrosos. E isso causa, na verdade, um enorme sofrimento e uma imagem digna de piedade. Portanto, não abra mão de você mesmo. Não se negue, não se isole, não se culpe. A vida está aí pra ser vivida tal como é, sem muitas complicações. Existimos para nos descobrirmos a cada dia e, a cada nova descoberta, o mundo vai ficando mais colorido, podemos pintar nas cores que a gente quer.

A culpa só estraga as coisas. Ela pesa, faz com que nossa boa energia fique disperdiçada onde não compensa. Faz com que nos afastemos de nós mesmos e foquemos no outro, nas situações desagradáveis, nos cenários mais doloridos. Entenda que as coisas só acontecem quando e da forma que têm que ser e que tudo vem para o nosso melhor.

Acho de extrema importância fazer, sempre que possível, uma auto-análise, fazer questionamentos sobre nossos pensamentos, atitudes, sem nos preocupar muito com o que o outro faz ou pensa, mas impreterivelmente perceber se nossas ações estão promovendo algum bem. E só valerá se estiver fazendo bem a nós mesmo, porque fazer sem sentir-se de certa forma realizado, perde totalmente o sentido.

Chamo isso de limpeza. Gosto de pessoas de cara limpa, que observam com transparência, que aceitam-se tal como são. É óbvio que elas erram também, mas por conta própria, e por isso aprendem mais. Melhor ainda se tiverem humildade para perceberem o erro e pedir desculpa e, claro, mudar de atitude, o que é mais importante.

Se as pessoas continuarem olhando o outro sempre esperando que o outro o veja, serão grandes as decepções pela vida. Aja com hombridade e perceba se o bem que você faz, se a palavra que sai da sua boca, está fazendo algum bem a outrem. Tenho certeza que ninguém se sentirá melhor que você se isso for feito de coração.

Sua vida é um presente e tudo o que se passa nela, desde as situações que te ocorrem até as pessoas que você encontra pela vida, não lhe vem por acaso. São essas coisas que lhe trarão aprendizados, que construirão o seu ser. Então, viva a vida com alegria e não perca contato consigo mesmo, apesar de vier em sociedade. Você é o ser mais especial e merece ser tratado por você mesmo com zelo e atenção. Se você não faz isso, quem o fará?

terça-feira, 22 de novembro de 2011

E assim foi o MEU DIA...



Só agora tive tempo de parar pra escrever sobre meu aniversário.

Esse ano não vou falar sobre a Taiza Renata, até porque quem me conhece sabe muito bem como sou e quem lê o que eu escrevo tem um verdadeiro raio X da minha pessoa.

Falar que eu amo meu aniversário, que é a minha data preferida do ano, que é o momento de refletir o passado no presente com o intuito de melhorar o futuro, que fico em estado de graça no dia e nos dias que circundam, que é um momento de gratidão aflorada... creio que já andei falando e até escrevendo por aí.

Vou escrever como aconteceu esse ano, com todos os prós e contras.

A previsão para esse ano seria uma festa a fantasia, com direito a jantarzinho de primeira oferecido pela mamãe e DJ pra dançar até raiar o dia. A festa seria no sábado, dia 19, já que dia 17 cairia numa quinta-feira. A lista de convidados estava pronta. Haveriam pessoas dos quatro cantos do Brasil, com exceção do Oeste, que por lá não conheço ninguém.

A fantasia já estava na cabeça. Não encontraria pronta, teria que mandar fazer, já que foi algo que inventei, que tem tudo a ver comigo. Mas não vou poder contar, porque essa festa ainda vai sair e, se eu não mudar de idéia, estarei usando-a. Se não sair, eu conto depois, tá?

Então, a roda da vida girou e as coisas mudaram. Mudaram para melhor, porém não me senti segura pra gastar tanto dinheiro com festa, quando o momento é de segurar as pontas, as barras e tudo o que tenho direito.

Além do mais, no dia 19 haveria uma apresentação dos alunos da APAE (Associaçõ de Pais e Amigos dos Excepcionais) que eu não perderia por nada, nem pra comemorar meu aniversário, porque é uma lição de luta e superação.

Mas passar sem fazer absolutamente nada, é um desaforo. Comigo e com Deus, que escolheu esse dia, pra colocar no mundo essa pessoa que é a que mais amo na face da Terra. Aprendi a amar com o tempo, porque antes, eu era a última da lista. Mas a sábia Vida me ensinou muito e hoje eu gosto de me olhar e perceber a pessoa que me tornei. É dia de celebração sim.

Você deve estar se perguntando: “Quanto egocentrismo! E os defeitos???” Pois posso lhe responder que tenho um monte deles, oportunidades diárias que tenho de me tornar sempre uma pessoa melhor. E, apesar desse meu jeitinho, só me coloco no centro pra exaltar as pessoas à minha volta, se não, não haveria o menor sentido nisso.

Então, pessoa prática que sou, reservei espaço numa pizzaria, chamei os familiares e amigos mais chegados e nos reunimos para momento delicioso de descontração ao fim da tarde. Quando digo chegados, quero dizer, chegados do coração. Não convidei ninguém porque “tinha que convidar”, apenas pessoas que me dariam imenso prazer de estar comemorando essa data comigo. Faltaram alguns, mas eles me disseram logo no convite que não poderiam estar presentes por motivos de peso.

E a noite foi pra lá de agradável!!! Muita gente nova chegando, meus grandes e antigos amigos presentes, nossos filhos se encontrando, comida boa, gente do bem reunida e muita, muita conversa fiada e gargalhada. Gente de alto astral, coração leve e alma boa. Gente de palavras, olhares e atitudes sinceras. Gente que considero de verdade. O maior de todos os presentes pra mim. Uma prima veio no bate e volta de Brasília pra estar comigo e uma amiga de longa data veio de Palmas? Tem maior tesouro que isso?

E por falar em presentes... acho que da última vez que ganhei tanto presente foi nos meus 15 anos. Nossa!!! Quanto presente!!! Isso, sem contar o que era kit e pessoas que me deram mais de um presente, que contei como um presente só. Em cada um que abria, sentia o carinho da pessoa. Que delícia!

Depois de uma noite com amigos excelentes, pizza boa, conversa melhor ainda, muitas gargalhadas e mais de 400 fotos tiradas para registrar esse momento, cheguei em casa por volta da meia noite. Então, fui abrir todos os presentes, tentar identificar o que ganhei de quem e, após essa etapa, fui para o computador.

Muitas e muitas mensagens no Facebook, e-mails e um video editado especialmente pra mim. Se quiser ver, o endereço é http://www.youtube.com/watch?v=CW2bHRV28R8. Foram mais de 200 no total. Sem contar os telefonemas e mensagens que recebi por telefone. Eu, que mudei meu telefone e achei que meu telefone mal tocaria, passei o dia todo pendurado, mais parecia um brinco. Risos. Por fim, fui dormir às 3:30 hs da manhã me deliciando e curtindo cada segundo do meu aniversário.

Como eu gosto de me sentir paparicada por pessoas que são tão importantes na minha vida! Será carência? Talvez! Quem não é, né? Mas quanto mais me mimam, mais sou grata a Deus por essas pessoas que me cercam, que somam na minha vida, que me ensinam, que fazem parte da minha história. Uma a uma, cada qual com sua generosa contribuição me ajudando a construir a pessoa que sou hoje.
Foi assim que comecei esse novo ano, esse novo ciclo. Melhor impossível! E tudo o que tenho a fazer é agradecer, mais e mais, pela família maravilhosa que tenho, pelos amigos fiéis e, principalmente a Deus, por todas essas dádivas que ele manda todos os dias pra me fazer feliz.


domingo, 20 de novembro de 2011

"Pior seria se pior fosse..."




Há pouco tempo ouvi essa expressão e achei muito engraçada. De tão óbvia, chega a ser banal. Eu, como adoro as idiotices que a vida me apresenta, porque sei que por detrás da idiotice vive uma certa liberdade de expressão e também que tudo tem uma razão de ser (até as bobagens), costumo usar com frequência agora.

O fato é que as coisas ou situações e até mesmo pessoas, por mais que nos intriguem por sua obscuridade, ainda podem ser piores.

As decepções são frutos de nossas expectativas ilusórias e, quando nos frustramos, quando o cenário imaginado não é como esperávamos, pensamos ser ali o fundo do poço, a tela mais feia, a destruição mais perfeita. Então, como forma de consolo, pensamos que poderia ser pior.

E sabe que poderia mesmo?

Cometemos o grande erro de olhar para uma pessoa de forma carinhosa, respeitamos, acreditamos que ela seja uma pessoa dentro dos padrões de conduta esperado, aprendemos a gostar e, por mais que a própria pessoa nos dê milhares de sinais de alerta mostrando que não é como pensamos, insistimos em acreditar em nossas ilusões...

Muitas vezes, vivemos situações que nos prendem, nos incomodam, nos sufocam e, mesmo assim, achamos ser a situação ideal, seja porque nos prendemos aos valores do senso comum, seja porque estamos sempre esperando melhoras, mas continuamos a nos permitir situações inusitadas...

Quantos relacionamentos são sonhados, imaginados, pintados com tinta cor de rosa, por mais que não nos sintamos felizes, por mais que seja notória a presença da infelicidade e exige um esforço imenso para que as pessoas ao redor possam olhar tudo com os olhos do relacionamento que esperamos...

Chega um momento que o caldo entorna, que o saco enche e que é preciso dar o grito de liberdade, tirar as amarras que nós mesmos impomos a nós próprios. É preciso muita coragem para fazê-lo porque dói, dilacera e, muitas vezes, sangra. E tudo se transforma em escuridão. Parece então não haver mais nada, nem situação, nem pessoa, nem sentido.
De repente, o tempo vai passando, a vida nos levando e, lá ao longe enxergamos uma pequena luz. E como uma corda salvadora que nos é jogada no buraco escuro, ouvimos e pensamos coisas do tipo: “poderia ser pior se...” e damos uma desculpa.

A verdade é que sempre pode ser pior. Algumas pessoas, por piores que se mostrem, podem se muito piores; as situações, por mais que aflijam, podem ser enlouquecedoras; os relacionamentos, por mais penosos, podem ser fatais.

Mas a luz sempre existe, só basta a coragem de enxergar a vida como ela realmente é.

Se aquela pessoa não é do seu agrado, converse. Se continuar, se afaste por um tempo. Na insistência da perversão, suma de vez. Ela nada há de somar para a sua vida.

Se aquela situação não muda, mude você e tudo em volta começa a se transformar também. Se não for possível, existem milhares de situações muito melhores à sua espera em outro lugar. Tá esperando o que pra tomar posse do que te faz feliz?

Se um relacionamento está defasado, converse. Se as coisas continuam piorando, lute por ele com todas as suas forças. Mas, se nem assim, a coisa andar, seja grato aos aprendizados e parta pra outra de cara limpa e coração vazio, apto por ser preenchido novamente por alguém que mereça o seu amor e dedicação.

E, acima de tudo, respeite a lei da vida que nunca erra, nunca falha, nunca nos coloca em lugares, situação ou contato com pessoas que não vão nos ajudar de alguma forma. A vida é um constante aprendizado e tudo que nos vem, vem por alguma razão melhor.

Então, sugiro uma outra expressão que acabo de inventar, tão boba como a “pior seria se pior fosse”, mas muito mais positiva e, portanto, prefiro muito mais: “melhor será o que melhor já é”.

sábado, 19 de novembro de 2011

19 de novembro - Dia do Homem



"Quem faz jus ao título de "grande homem"? Não sei...


O homem inteligente? Não basta ter inteligência para ser grande...


O homem poderoso? Há poderosos mesquinhos...


O homem religioso? Não basta qualquer forma de religião...


Podem todos esses homens possuir muita inteligência, muito poder, e muita religiosidade - e nem por isso são grandes homens.


Pode ser que lhes falte certo vigor e largueza, certa profundidade e plenitude, indispensáveis à verdadeira grandeza.


Podem os inteligentes, os poderosos, os virtuosos não ter a verdadeira liberdade de espírito...


Pode ser que as suas boas qualidades não tenham essa vasta e leve espontaneidade que caracteriza todas as coisas grandes.


Pode ser que a sua perfeição venha mesclada de um quê de acanhado e tímido, com algo de teatral e violento.


O grande homem é silenciosamente bom...


É genial - mas não exibe gênio...


É poderoso - mas não ostenta poder...


Socorre a todos - sem precipitação...


É puro - mas não vocifera contra os impuros...


Adora o que é sagrado - mas sem fanatismo...


Carrega fardos pesados - com leveza e sem gemido...


Domina - mas sem insolência...


É humilde - mas sem servilismo...


Fala a grandes distâncias - sem gritar...


Ama - sem se oferecer...


Faz bem a todos - antes que se perceba...


"Não quebra a cana fendida, nem apaga a mecha fumegante - nem se ouve o seuclamor nas ruas..."


Rasga caminhos novos - sem esmagar ninguém...


Abre largos espaços - sem arrombar portas...


Entra no coração humano - sem saber como...


Tudo isso faz o grande homem, porque é como o Sol - esse astro assaz poderoso para sustentar um sistema planetário, e assaz delicado para beijar uma pétala de flor...




(Texto de Huberto Rohden)

Talento



"Quando a gente ouve falar em talento pensa logo em artista, em gente famosa...

Talentoso não é só quem aparece em jornais, revistas e tv...

Talento é como impressão digital... Cada um tem o seu e nunca é igual ao do outro.

Muita gente fala que não tem Talento pra nada.

Se a gente achar que só os gênios ou os ganhadores do Oscar tem talento, fica difícil ver talento em nós mesmos.

Talento não tem que ser notícia, nem recorde, nem Ibope. Talento é aquela coisa que a gente faz com naturalidade e faz bem feito!

Tem gente que nasceu pra cuidar de casa. Você acha pouco? Administrar uma família exige talento...

Tem gente que passa a vida feliz, só consertando carros. Mexer num motor exige talento...

Eu vejo talento nas mínimas coisas...

O sorriso de um balconista, por exemplo, me chama a atenção pra um talento raro hoje em dia - o talento de ser gentil e atencioso.

Eu conheço gente que não tem habilidade nenhuma na cozinha, mas que tem um talento enorme pra reunir pessoas em volta de uma mesa. Aí os jantares ficam inesquecíveis.

Eu valorizo muito o talento, por menos visível que ele seja.

Você não precisa subir num palco pra mostrar que tem talento. Por trás de um grande espetáculo, tem muito talento em jogo, do diretor ao funcionário encarregado de abrir e fechar as cortinas.

Tenha orgulho do seu talento, mesmo que ele não vire notícia. Mesmo que ele pareça tolo aos olhos dos outros. Você é único no que faz. Principalmente se faz com dedicação e humildade.


(Desconheço a autoria)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Pedido de demissão



Venho por meio deste, apresentar oficialmente meu pedido de demissão da categoria dos adultos.

Resolvi que quero voltar a ter as responsabilidades e as idéias de uma criança de oito anos no máximo.

Quero acreditar que o mundo é justo e que todas as pessoas são honestas e boas. 

Quero acreditar que tudo é possível. 

Quero que as complexidades da vida passem desapercebidas por mim e quero ficar encantada com as pequenas maravilhas deste mundo. 

Quero de volta uma vida simples e sem complicações. 

Cansei dos dias cheios de computadores que falham, montanha de papeladas, notícias deprimentes, contas a pagar, fofocas, doenças e necessidade de atribuir um valor monetário a tudo o que existe. 

Não quero mais ter que inventar jeitos para fazer o dinheiro chegar até o dia do próximo pagamento.

Não quero mais ser obrigada a dizer adeus às pessoas queridas e, com elas, à uma parte da minha vida.

Quero ter a certeza de que Deus está no céu e de que, por isso, tudo está direitinho nesse mundo. 

Quero viajar ao redor do mundo no barquinho de papel, que vou navegar numa poça deixada pela chuva. 

Quero jogar pedrinhas na água e ter tempo para olhar as ondas que elas formam. 

Quero achar que as moedas de chocolate são melhores do que as de verdade, porque podemos comê-las e ficar com a cara toda lambuzada. 

Quero ficar feliz quando amadurecer o primeiro caju, a primeira manga ou quando a jabuticabeira ficar pretinha de frutas. 

Quero poder passar as tardes de verão à sombra de uma árvore, construindo castelos no ar e dividindo-os com meus amigos. 

Quero voltar a achar que chicletes e picolés são as melhores coisas da vida. 

Quero que as maiores competições em que eu tenha de entrar sejam um jogo de bola de gude ou uma pelada. 

Quero voltar ao tempo em que tudo o que eu sabia era o nome das cores, a tabuada, as cantigas de roda, a "Batatinha quando nasce..." e a "Ave Maria" e que isso não me incomodava nadinha, porque eu não tinha a menor idéia de quantas coisas eu ainda não sabia. 

Quero voltar ao tempo em que se é feliz, simplesmente porque se vive na bendita ignorância da existência de coisas que podem nos preocupar ou aborrecer. 

Quero acreditar no poder dos sorrisos, dos abraços, dos agrados, das palavras gentis, da verdade, da justiça, da paz, dos sonhos, da imaginação, dos castelos no ar e na areia. 

Quero estar convencida de que tudo isso... vale muito mais do que o dinheiro! 

 A partir de hoje, isso é com vocês, porque eu estou me demitindo da vida de adulto. 


(Texto de Conceição Trucon)

Vocabulário da vida





Pequeno dicionário para se entender mais profundamente o significado de algumas palavras muito importantes na vida de qualquer pessoa, explicado com o sentimento, sem a formalidade das regras gramaticais ou amarras filosóficas. 

Amigo: É alguém que fica para ajudar quando todo mundo se afasta. 

Adeus: É quando o coração que parte deixa a metade com quem fica. 

Amor ao próximo: É quando o estranho passa a ser o amigo que ainda não abraçamos. 

Caridade: É quando a gente está com fome, só tem uma bolacha e reparte. 

Carinho: É quando a gente não encontra nenhuma palavra para expressar o que sente e fala com as mãos, colocando o afago em cada dedo. 

Ciúme: É quando o coração fica apertado porque não confia em si mesmo. 

Doutrinação: É quando a gente conversa com o Espírito colocando o coração em cada palavra.

Cordialidade: É quando amamos muito uma pessoa e tratamos todo mundo da maneira que a tratamos.

Evangelho: É um livro que só se lê bem com o coração. 

Evolução: É quando a gente está lá na frente e sente vontade de buscar quem ficou para trás. 

Filhos: É quando Deus entrega uma jóia em nossas mãos e recomenda cuidá-la. 

Fé: É quando a gente diz que vai escalar um Everest e o coração já o considera feito. 

Fome: É quando o estômago manda um pedido para a boca e ela silencia. 

Entendimento: É quando um velhinho caminha devagar na nossa frente e a gente, estando apressado, não reclama. 

Inveja: É quando a gente ainda não descobriu que pode ser mais e melhor do que o outro. 

Inimizade: É quando a gente empurra a linha do afeto para bem distante. 

Lealdade: É quando a gente prefere morrer que trair a quem ama. 

Lágrima: É quando o coração pede aos olhos que falem por ele. 

Mágoa: É um espinho que a gente coloca no coração e se esquece de retirar. 

Maldade: É quando arrancamos as asas do anjo que deveríamos ser. 

Morte: Quer dizer viagem, transferência ou qualquer coisa com cheiro de eternidade. 

Perfume: É quando mesmo de olhos fechados a gente reconhece quem nos faz feliz. 

Netos: É quando Deus tem pena dos avós e manda anjos para alegrá-los. 

Orgulho: É quando a gente é uma formiga e quer convencer os outros de que é um elefante. 

Ódio: É quando plantamos trigo o ano todo e estando os pendões maduros a gente queima tudo em um dia. 

Perdão: É uma alegria que a gente dá e que pensava que jamais a teria. 

Paz: É o prêmio de quem cumpre honestamente o dever. 

Obsessor: É quando o Espírito adoece, manda embora a compaixão e convida a vingança para morar com ele. 

Pessimismo: É quando a gente perde a capacidade de ver em cores. 

Raiva: É quando colocamos uma muralha no caminho da paz. 

Preguiça: É quando entra vírus na coragem e ela adoece. 

Simplicidade: É o comportamento de quem começa a ser sábio. 

Sexo: É quando a gente ama tanto que tem vontade de morar dentro do outro. 

Saudade: É estando longe, sentir vontade de voar; e estando perto, querer parar o tempo. 

Supérfluo: É quando a nossa sede precisa de um gole de água e a gente pede um rio inteiro. 

Solidão: É quando estamos cercados por pessoas, mas o coração não vê ninguém por perto. 

Ternura: É quando alguém nos olha e os olhos brilham como duas estrelas. 

Sinceridade: É quando nos expressamos como se o outro estivesse do outro lado do espelho. 

Vaidade: É quando a gente abdica da nossa essência por outra; geralmente pior. 


(Texto de Luiz Gonzaga Pinheiro)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Há braços no abraço


Há braços, que indicam direções.
Há braços, que suportam pesos.
Há braços, que se mantêm presos.
Há braços, que embalam canções.

Abraços, sempre aquecem emoções.
Abraços, sempre são surpresas.
Abraços, sempre são sutilezas.
Abraços, sempre têm suas razões.

Há braços, que se apertam feito nós.
Há braços, que se abrem em espanto.
Há braços, que são iguais a um manto.
Há braços, que, sendo dois, nunca estão sós.

Abraços, sempre lembram um cós.
Abraços, sempre poderão ser fraternos.
Abraços, sempre poderão ser eternos.
Abraços, sempre poderão substituir a voz.

Há braços, que se omitem.
Há braços, que se estendem.
Há braços, que nos ofendem.
Há braços, que nos permitem.

Abraços, sempre guardam lembranças.
Abraços, sempre marcam com seu carinho.
Abraços, sempre haverá pelo caminho.
Abraços, sempre renovarão as esperanças.





(Texto de Paulo Eduardo da Rocha)