quinta-feira, 30 de junho de 2011

Tenha idade, mas não seja velho


Poupe um pouco para sempre ser independente financeiramente. Não precisa ser muito, não comprometa o prazer que o dinheiro pode lhe dar em razão  de um tempo maior de velhice, que pode até não acontecer, se você morrer breve. 

Além disso, um idoso não consome muito além do plano de saúde e dos remédios.  Provavelmente, você já tem tudo e mais coisas só lhe darão trabalho.

Pare também de se preocupar com a situação financeira de filhos e netos, não se sinta culpado em gastar consigo mesmo o que é seu de direito. 

Provavelmente, você já lhes ofereceu o que foi possível na infância e juventude, assim como uma boa educação. 

Portanto, a responsabilidade agora é deles. 

Não seja arrimo de família, seja um pouco egoísta, mas não usurário. 

Tenha uma vida saudável, sem grandes esforços físicos. Faça ginástica moderada,  alimente-se bem,  mas sem exagero. 

Tenha a sua própria condução, até quando não houver perigo.

Nada de estresse por pouca coisa. Na vida tudo passa, sejam os bons momentos que devem ser curtidos, sejam os ruins que devem ser rapidamente esquecidos. 

Namore sempre, independente da idade, com sua "velha" companheira de caminhada. O amor verdadeiro rejuvenesce. As "Maria-gasolina" estão por aí e, um idoso, mesmo da classe média, é sempre uma garantia de futuro para as espertalhonas.

Esteja sempre limpo, um banho diário pelo menos,  seja vaidoso, frequente barbeiro, pedicure, manicure, dermatologista, dentista, use perfumes e cremes com moderação e por que não uma plástica? 

Já que você não é mais bonito, seja pelo menos bem cuidado. Nada de ser muito moderno, tente ser eterno. Leia livros e jornais, ouça rádio, veja bons programas na TV, acesse a internet, mande e responda e-mails,  ligue para os amigos.  Mantenha-se sempre atualizado sobre tudo.

Respeite a opinião dos jovens, eles podem até estar errados, mas devem ser respeitados. 

Não use jamais a expressão "no meu tempo", pois o seu tempo é hoje.

Seja o dono da sua casa por mais simples que ela possa ser, pelo menos lá você é quem manda. Não caia na besteira de morar com filhos, netos, ou seja lá o que for. 

Não seja hóspede, só tome esta decisão quando não der mais e o fim estiver bem próximo.

Você está no período do ronco e da flatulência. 

Um bom asilo também não deve ser descartado e pode até ser bem divertido, e você irá conviver com a turma da sua geração e não dará trabalho a ninguém. 

Cultive um "hobby", seja caminhar, cozinhar, pescar, dançar, criar gato, cachorro, cuidar de plantas,  jogar baralho, golfe, velejar ou colecionar algo. 

Faça o que gosta e os seus recursos permitam. 

Viaje sempre que possível, de preferência, vá de excursão, pois além de mais acessível, pode ser financiada e é uma ótima oportunidade para se conhecer novas pessoas. 

Aceite todos os convites de  batizado, formatura, casamento, missa de sétimo dia, o importante é sair de casa. 

Fale pouco e ouça mais, a sua vida e o seu passado só interessam a você mesmo. Se alguém lhe perguntar sobre  esses assuntos, seja sucinto e procure falar coisas boas e engraçadas.  Jamais se lamente de algo.

Fale baixo, seja gentil e educado, não critique nada, aceite a  situação como ela é. 

As dores e as doenças estarão sempre presentes; não as torne mais  problemáticas do que são falando sobre elas. Tente sublimá-las, afinal, elas afetam somente a você e são problemas seus e dos seus médicos. 

Não fique se apegando em religião, depois de velho, rezando e implorando o tempo todo como um  fanático.  O bom é que, em breve, seus pedidos poderão ser feitos pessoalmente a ele. 

Ria, ria muito, ria de tudo, você é um felizardo, você teve uma vida, uma vida longa, e a morte será somente uma nova etapa incerta, assim como foi incerta toda a sua vida. 

Se alguém disser que você nunca fez nada de importante, não ligue. O mais importante já foi feito: Você!


(Desconheço a autoria)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Como é bom...


Se apaixonar pela pessoa certa e ser correspondido.

Rir a ponto de não agüentar mais. 

Um banho quente num dia de muito frio. 

Sem limites em um supermercado. 

Aquela encarada de fazer tremer.

Receber e-mail de alguém de quem você gosta.

Escutar sua música favorita tocada no rádio. 

Uma ligação de alguém que está distante. 

Um banho de espuma. 

Uma boa conversa. 

Rir de você mesmo(a).

Ligações depois da meia-noite que duram horas. 

Ter alguém pra dizer o quanto você é linda(o). 

Rir de algo que acabou de lembrar. 

Amigos. 

Acidentalmente ouvir alguém falando bem de você.

Acordar e descobrir que ainda pode dormir por mais algumas horas.

O primeiro beijo.

Ter alguém mexendo no seu cabelo. 

Sonhar com coisas boas. 

Realizar um sonho antigo. 

Chocolate quente, numa noite fria.

Viajar com quem você gosta. 

Fazer bolo de chocolate e depois lamber a calda que ficou na panela. 

Segurar na mão de alguém que você realmente gosta. 

A Praia. 

Olhar o nascer do sol. 

Ver o por do sol no verão. 

Conseguir enxergar essas pequenas coisas boas da vida e saber dar muito valor a isso. 

Ter sorte.

Acordar toda manhã e agradecer a Deus por mais um lindo dia, mesmo que esteja chovendo. 


(Desconheço a autoria)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Preste atenção!!!


Então, não perca seu tempo comigo.

Eu não sou um corpo que você achou na noite. 

Eu não sou uma boca que precisa ser beijada por outra qualquer. 

Eu não preciso do seu dinheiro. 

Muito menos do seu carro. 

Mas, talvez, eu precise dos seus braços fortes. 

Das suas mãos quentes. 

Do seu colo pra eu me deitar. 

Do seu conselho quando meu lado menina não souber o que fazer do meu futuro. 

Eu não vou te pedir nada. 

Não vou te cobrar aquilo que você não pode me dar. 

Mas uma coisa, eu exijo. 

Quando estiver comigo, seja todo você. 

Corpo e alma. 

Às vezes, mais alma. Às vezes, mais corpo. 

Mas, por favor, não me apareça pela metade. 

Não me venha com falsas promessas. 

Eu não me iludo com presentes caros. 

Não, eu não estou à venda. 

Eu não quero saber onde você mora. 

Desde que você saiba o caminho da minha casa. 

Eu não quero saber quanto você ganha. 

Quero saber se ganha o dia quando está comigo. 

(Texto de Caio F. Abreu)


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Por que resistimos às mudanças?


"Não continue a viver sempre do mesmo jeito antigo. Trabalhe a sua mente para que alguma coisa seja feita para melhorar sua vida, e então faça. Mudar sua consciência; é tudo o que é necessário fazer".

A grande maioria de nós, seres humanos, tem medo das mudanças, quer sejam positivas ou negativas. Mas, enquanto não aceitarmos a transitoriedade da vida, não conseguiremos um estado de paz e tranqüilidade.

Viveremos em segredo controlando cada passo, cada gesto, para que, quem sabe, agindo corretamente, fazendo tudo o que a cartilha nos manda, construiremos uma vida eternamente equilibrada e imutável.

Faremos um castelo e ninguém e nada poderá derrubá-lo, nada de mal poderá destruí-lo. É nessa ilusão que vivemos, sem enfrentar a realidade da transitoriedade de tudo e de todos nós.

A impermanência e a morte pertencem à vida e é perda de tempo negá-las. Somos apegados a tudo que construímos e conquistamos, sejam pessoas ou coisas, não conseguimos compreender que tudo passa. Por mais agradável que seja nossa experiência, ela passará.

Acredito que a impermanência seja a grande bênção que temos em nossa vida, pois através dela temos o direito de crescer e de nos aliarmos ao tempo e também, por que não, esquecer nossas dores, frustrações e cicatrizes.

O tempo é nosso grande aliado na vida, pois através dele essa grande lei atua perpetuamente. Imaginem a impossibilidade de transformar um hábito negativo, de esquecer um amor que nos faz ou fez sofrer, ou a perda de um ente querido?

O nascimento é a grande benção, mas a morte deve seguir seu destino. Não apenas a morte definitiva de nosso corpo físico, mas a morte de pequenas ou grandes coisas que vivemos diariamente.

Sem perder de vista que não existe morte que não seja seguida de renascimento. Apesar de a impermanência ser um dos aspectos mais positivos da vida, por que sofremos tanto com as mudanças?

O budismo chama a esse sentimento de sofrimento da mudança. Sabemos, por experiência, que tudo o que fica parado, apodrece, e que ausência de movimento é sinal de morte.

Nosso corpo físico, quando morremos, endurece, paralisa, vira uma pedra pela falta de movimento, de pulsação. A vida é caracterizada pelo movimento, portanto, a permanência das coisas é sinal de não vida, senão de morte. Pulsar é viver em constante movimento, em constante atividade.

Vida é transformação constante, não tem como mudar essa lei. É a lei da vida, movimento e transformação. De nada adianta querermos impor a perpetuação, a imutabilidade das coisas.

Nada é permanente, perene, tudo é passível de mudanças, tudo é passageiro. Enquanto não aceitarmos essa irrevogabilidade, não conseguiremos ser felizes. O apego às coisas, à própria rotina, nos impede de abrir espaços para o novo.

Nos queixamos constantemente dessa mesma rotina, e também de que nada acontece em nossas vidas. Mas perpetuamos as mesmas lamentações, as mesmas frustrações que fizeram parte de nossas vidas, muitas vezes, há muitos anos atrás.

Parece que gostamos de ficar apegados ao passado, com as mesmas queixas, que impedem nosso crescimento e avanço para diante. Quando algo começa a incomodar, a crise começa a se instalar, uma voz muito aguda e às vezes assustadora grita em nossos ouvidos: hora de mudar!

Nesse momento, o melhor que temos a fazer é um balanço consciente do que está errado, do que não está dando certo, do que não está mais pulsando, e, com coragem e determinação, promover consciente e objetivamente a própria mudança, antes que a vida, a Providência Divina, nosso inconsciente ou destino, chame você do que quiser chamar, se encarregue de fazer essa mudança por nós.

E, com certeza, quando a vida resolve agir em nosso lugar, é porque ainda estamos persistindo no caminho antigo, nos recusando, assustados a mudar. Existem pessoas que simplesmente se recusam a mudar, ficam atreladas a um passado longínquo, cultivando emoções muitas vezes sofridas ou ocasionadas por situações que, obsessivamente se recusa a deixar passar, ir embora, se dissolver no éter do tempo.

Devemos fazer como os budistas, contemplar a transitoriedade, aceitar a inevitabilidade, assumir um papel mais pró ativo em relação aos acontecimentos da vida. Quando aceitamos essa realidade e ficamos atentos à inevitabilidade das mudanças, conseguimos relaxar, pois saímos do controle, entramos em sintonia com a energia da fé e da continuidade natural do fluxo vivo e pulsante deste Universo.

(Texto de Eunice Ferrari)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O que é um amigo pra você?


O amigo é uma benção que nos cabe cultivar no clima da gratidão.   

Quem diz que ama e não procura compreender e nem auxiliar, nem amparar e nem servir, não saiu de si mesmo ao encontro do amor em alguém.   

A amizade verdadeira não é cega, mas se enxerga defeitos nos corações amigos, sabe amá-los e entendê-los mesmo assim.   

A ventura real da amizade é o bem dos entes queridos.   

Em qualquer dificuldade com as relações afetivas, é preciso lembrar que toda criatura humana é um ser inteligente em transformação incessante, e, por vezes, a mudança das pessoas que amamos não se verifica na direção de nossas próprias escolhas.   

Se Jesus nos recomendou Amar os inimigos, imaginemos com que imenso Amor nos compete Amar aqueles que nos oferecem o coração.   

Quanto mais amizade você der, mais amizade receberá.

(Texto de Guilherme Calafiori)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Porta dos fundos


Não faz muito tempo, uma amiga me disse que não tem estrutura para sentir dor com a intensidade com que geralmente sinto quando a dor resolve dar as caras. Ao escutar o barulho da porta que anuncia a chegada da dita-cuja, que sabe jeitos de abrir todo tipo de tranca, ela foge, contou-me rindo da costumeira estratégia. Irmanada também pelas artimanhas que inventamos pelo caminho, às vezes apenas para sobreviver às ameaças dos nossos próprios dramas, eu lhe perguntei como poderia escapar se a dor, ardilosa, espaçosa, já estava dentro de casa.

“Ah, querida, mas tem a porta dos fundos!...”

Tem mesmo.

Rindo ali com ela, cada uma experimentando a própria encrenca emocional da vez, com o roteiro da vez, com o cenário da vez, com o elenco da vez, eu me lembrei de um monte de situações em que tentei fugir da mesma maneira, pela porta dos fundos. Eu me lembrei de vezes em que, de fato, fugi, toda prosa por acreditar ter conseguido. Eu me lembrei que fugir, às vezes, é necessário para recuperar o fôlego. Para restaurar a força. Para retomar o contato.

Não é que eu tenha estrutura para sentir dor. A propósito, eu acredito que bravura mesmo é ter estrutura para sentir felicidade. Na verdade, toda vez que as dores abissais me visitam e mergulho no oceano nada pacífico do seu breu é trabalhoso demais emergir para o lugar onde eu já consiga ver pelo menos um bocadinho de sol. Na verdade, o que eu acho é que não tenho escolha que não seja invocar a coragem para ficar comigo e tentar transformar o que precisa ser transformado, mesmo doendo à beça, mesmo tremendo de medo. Aprendi com o tempo das fugas que quando a dor atravessa a porta é inútil correr. Na verdade, o que eu tenho, agora, simplesmente por memória, é alguma lucidez e um bocado de preguiça.

Toda porta dos fundos nos leva para um lugar fora da gente. Uma hora, mais cedo ou mais tarde, querendo ou não querendo, fazendo birra, tentando desconversar, precisamos voltar pra casa se não quisermos passar o resto da vida longe de nós mesmos. E aí tanto faz por qual porta nós voltamos, se pela da frente, se pela dos fundos: a dor está lá, empoeirada que seja. Cheirando a mofo, quem sabe. Esta lá, com uma cara ou com outras, paciente, a nossa espera. E maior, bem maior, que fuga costuma ser fermento. Ela não vai embora só porque a gente fugiu. Quem dera pudesse.

Aprendi com o tempo das fugas e com o resultado de cada uma delas que podemos adiar o encontro do nosso olhar com os olhos perturbadores da dor, mas não tem jeito: em algum quarteirão da vida, eles vão se encontrar. Por isso, agora, toda vez que acontece, escolho ficar em casa. Escolho encarar de uma vez. Mergulho inteirinha, protegida com o escafandro da fé e do amor que me habitam.

Dor adiada é dor acumulada, apenas isso, é o que aprendi comigo. É o que aprendi com as dores. E a vida é tão mágica que, lá no fundo mais fundo do oceano nada pacífico de cada uma delas, lá no instante ou quase em que a pilha da lanterna acaba, a gente descobre um jeito novo, muito lindo, muito nosso, comovente muitas vezes, para conseguir emergir e transformar o que parecia impossível de transformação. E não é exagero dizer que geralmente emergimos mais corajosos. Mais ternos. Mais bondosos. Mais nós mesmos. Mais conscientes do que, de verdade, nos importa. Com mais urgência de nos sentirmos felizes na nossa própria pele.

No fundo mais fundo, não é raro nos sentirmos sozinhos. Estamos doendo tanto que, pra começo de conversa, a nossa própria presença nos falta, isto que é a mais perigosa solidão. Mas é um engano temporário, comum nos tempos em que os nossos olhos estão embaçados demais pelo medo: tanto faz o aparente e transitório tamanho da solidão, não estamos sozinhos nunca. E não estamos mesmo.

O amor, não importa de que forma se manifeste, encontrará maneiras para nos tirar lá desse lugar com recursos às vezes inimagináveis. Podemos estar tão cansados do breu que não conseguimos perceber num primeiro momento, nem num oitavo, nem num trigésimo, o convite da luz. Mas, de um jeito ou de outro, o amor que nos habita não cansará de tentar. Ele não foge pela porta dos fundos.

(Texto de Ana Jácomo)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Prece pra quem ama


Desejo que a sua vida inteira seja abençoada, cada pequenino trecho dela, em toda a sua extensão. Que cada bênção abrace também as pessoas que ama e seja tão vasta que leve abraço a outros tantos seres, sobretudo àqueles que mais sofrem, seja lá por que sofrem. Desejo que os nós que apertam o seu coração sejam gentilmente desatados e que os sentimentos que os formaram se transformem na abertura capaz de criar belos laços de afeto. Desejo que o seu melhor sorriso, esse aí tão lindo, aconteça incontáveis vezes pelo caminho. Que cada um deles crie mais espaço em você. Que cada um deles cure um pouco mais o que ainda lhe dói. Que cada um deles cante uma luz que, mesmo que ninguém perceba, amacie um bocadinho as durezas do mundo.

Desejo que volte para o seu mar quantas vezes forem necessárias até encontrar o seu tesouro. Que quando encontrá-lo, não seja avarento. Que descubra maneiras para compartilhar a sua felicidade, o jeito mais gostoso para se expandir a riqueza. Desejo que quando os ventos da mudança ventarem mais forte, e sentir medo de ser carregado junto com tudo o que parecerem arrastar, você já conheça o lugar onde nada pode arrastá-lo. Que já saiba maneiras de respirar mais macio, quando as circunstâncias lhe encurtarem o fôlego. Que, com o passar do tempo, a sua alma se torne cada vez mais maleável, mas que seja firme o bastante para nunca desistir de você.

Desejo que tudo o que mais lhe importa floresça. Que cada florescimento seja tão risonho e amoroso que atraia os pássaros com o seu canto, as borboletas com as suas cores, o toque do sol com seu calor mais terno, e a chuva que derrama de nuvens infladas de paz. Desejo que, mais vezes, além de molhar só os pés, você possa entrar na praia da poesia da vida com o coração inteiro e brincar com a ideia que cada onda diz. Que, ao experimentar um caixote ou outro, não se arrependa por ter entrado na água, nem desista de brincar. Todo mundo experimenta um caixote ou outro, às vezes um monte deles, quando se arrisca a viver. O outro jeito é estar morto. O outro jeito é não sentir.

Desejo que não tenha tanta pressa que esqueça de colher estrelas com os olhos, nas noites em que o céu vira jardim, e levar para plantar no seu coração as mudas daquelas mais luzentes. Que tenha sabedoria para encontrar descanso e alimento nas coisas mais simples da vida. Que a cada manhã a sua coragem acorde bem juntinho de você, sorria pra você, e o convide para viverem uma história toda nova, apesar do cenário aparentemente costumeiro. Que tenha saúde no corpo, saúde na alma, saúde à beça.

Desejo que encontre maneiras para ser feliz no intervalo entre o instante em que cada dia acorda e o instante em que ele se deita pra dormir, porque a verdade é que a gente não sabe se tem outro dia. Que quanto mais passar a sua alma a limpo, mais descubra, mais desnude, mais partilhe, com medo cada vez menor, a beleza que desde sempre você é. Que se sinta livre e louco o bastante pra deixar a sua essência florir.

Não importa quanto tempo passe, não importa onde eu esteja, não importa onde esteja você, abra os olhos pra dentro e ouça: o meu coração estará dizendo esta mesma prece de amor para o seu. Amor incondicional, exatamente como neste instante. Não importa o quanto a gente mude, o quanto a distância aparente nos afastar, isto que sinto por você, eu sei, não muda nunca mais.

(Texto de Ana Jácomo)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Já parou pra pensar no seu tamanho?


Não falo de estatura, aquela que se define em baixa, alta ou mediana. Estou falando do seu tamanho de alma, da sua grandeza, da sua nobreza de espírito, do seu caráter. Estou falando daquilo que te faz gente de verdade. Claro que a espécie de gente é escolha de cada um.

No caminho do escritório, ouvindo Maria Gadu, um pedaço me chamou muita atenção: “se quer tamanho, eu vou cuspir a alma”. Esse é o meu espírito hoje: cuspir a alma e afogar a calma. Algo me diz que hoje estou mais impulsiva, mais corajosa, mais pró ativa. Risos.

Não tenho medo de mostrar o meu tamanho, mesmo sabendo que não sou nenhuma gigante. Ao contrário, estou longe disso. Mas tenho transparência nas minhas atitudes e sou franca até demais. Nas palavras não, confesso. Sou mais despreocupada e vivo brincando com elas. Há quem diga que preciso tomar cuidado com isso. Adoro uma polêmica, falar besteira, falar o que não faço. Pelo menos, sou o que sou. E sei que atitudes valem mais que palavras. Então, quem me conhece de verdade, sabe exatamente qual é o meu tamanho.

As pessoas definem o tamanho do outro baseado em seus próprios valores. Assim, alguns acham que grande é aquele homem (ou mulher) rico, que anda de carrão, mora numa mansão, tem um ótimo emprego que lhe dê um bom salário e um status social, anda sempre usando as grandes marcas, faz viagens constantes, freqüenta os melhores lugares. Na nossa sociedade, sem a menor sombra de dúvidas, a pessoa endinheirada faz-se respeitar pelo que paga.

Para mim, o grande homem tem que começar tendo coragem. Coragem de assumir quem realmente é, ter compaixão pelas pessoas, agir sempre em prol do bem, ser humilde acima de qualquer coisa, ser verdadeiro consigo e com as pessoas que convive.

Não é uma tarefa fácil, mas só o fato da pessoa querer melhorar a cada dia, só de perceber seus defeitos, já dá um grande passo para aumentar o seu tamanho. Reconhecer-se de fato! Não burlando as coisas ou tentando enganar aos outros porque, quando isso acontece, estamos nos enganando acima de tudo.

Hoje li uma frase que achei perfeita: “A sabedoria camuflada é a burrice estampada”. Nossa! Conheço pessoas que tentam passar uma imagem de sabedoria, ações de sabedoria, palavras de sabedoria, mas são completamente fracos, pois é apenas uma fachada. A fraqueza de caráter não combina e não comunga com a sabedoria. A sabedoria é coisa pra fortes. Mas não confundam fortaleza com impulsividade. Tem que ser muito sábio pra saber a hora de ser impulsivo, o que mostra a mim mesma o quanto preciso aumentar tanto o meu tamanho nesse quesito.

Tem uma música da Zélia Duncan chamada “Alma” que diz: “deixa eu ver sua alma... deixa eu tocar sua alma... fique sim livre, fique bem com razão ou não, aterrise”. Aterrisar em nós mesmos, nos conhecermos, tentarmos aumentar o nosso tamanho, nos tornarmos pessoas melhores, ter a coragem de sermos nós mesmos, de assumir nossos erros, de ter a humildade de pedir perdão, agir com o coração cheio de amor...

São tantas as maneiras de aumentar nosso tamanho! E como ainda sou tão pequena. Quanto maior penso que sou, mais entendo que tenho tanto a crescer. Pelo menos, não tenho mais o tamanho de uma formiga, de uma ervilha, muito menos de um rato. Disso tenho certeza. Sinto estar no caminho certo, tomando atitudes necessárias para o meu crescimento como pessoa, em prol do bem e das pessoas que comigo estão nessa caminhada, mesmo que temporariamente, pois sei também que tudo é transitório.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A morte devagar



Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.

Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.

Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. 

Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.

(Texto de Martha Medeiros)