terça-feira, 31 de maio de 2011

O melhor e o bom


Estamos obcecados com "o melhor". Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor". Tem que ter o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho.

Bom não basta. O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor".

Isso até que outro "melhor" apareça - e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer.  Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.

O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego. Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter.

Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos. Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários. Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis.

Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente.

Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência? Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa? E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto? O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"? Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro? O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?

Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos.

A casa que é pequena, mas nos acolhe. O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria. A TV que está velha, mas nunca deu defeito. O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos". As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo. O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem. O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.

Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso?  Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" e a gente nem percebeu?

(Texto de Leila Ferreira)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Suspiro de felicidade



Se fosse dar um nome para esse momento, essa manhã ou esse dia, eu daria o nome de Suspiro de Felicidade.

Suspiro. Um pequeno momento, um instante rápido e passageiro. Mas algo que se sente de verdade, que existe, que fluidifica, que limpa.

Felicidade. Sentimento mais procurado por todos e, talvez, o menos encontrado porque as pessoas costumam procurar em lugar longe quando ela habita dentro de cada um. Sensação de plenitude, de paz.

Meu pai sempre usa esse termo quando estamos reunidos em família, naquele cenário bem patriarcal: ele e minha mãe, sentados numa mesa grande, rodeados pelos filhos, noras, genro, netos e netas (que sentam e levantam inúmeras vezes, acompanhando o movimento da idade), comendo, bebendo, rindo e conversando. Nesses momentos, depois de horas passadas ele suspira e diz: “Sabe o que é isso pra mim? Suspiro de felicidade.”

E é esse suspiro de felicidade que me acompanha hoje. Se perguntar o motivo, não saberia te responder. Eu diria que não há motivo nenhum. Ou talvez diria que serão vários os motivos: por estar na minha cidade, pelo céu estar tão azul, pela música que toca no som do meu carro me motivar, por me sentir disposta, por voltar a malhar, por ser feliz, por ser grata à vida, por ter uma família maravilhosa que, por mais percalços que existam, não trocaria por nenhuma... tantos motivos.

Então começo a me observar. Minha roupa hoje é jeans bem azul e uma camisa rosa Pink, que se vê de longe. Azul = tranqüilidade (alma leve, suspiros aliviados). Rosa Pink = muito amor (gratidão, sorriso no rosto, “coração bobo, coração bola, coração balão, coração São João”).

Ontem eu não estava assim. Estava bem, mas com muita ansiedade, muitas resoluções, reuniões de trabalho e rezei muito pra que tudo pudesse dar certo. E deu! Não foi como eu gostaria, foi bem diferente, inclusive. Num primeiro momento, até fiquei chateada, mas depois entendi que eu não tenho controle sobre as coisas e que o melhor acontece pra todos. Aconteceu pra mim, tenho certeza!

Hoje me sinto tão leve, tão solta, tão feliz, tão em paz que resolvi me propor a coisas novas, resolvi me entregar mais à vida, agradecer a ela todos os seus chamados, os quais, em muitos deles, recuo, recuso. Por medo, por proteção a mim mesma!... Hoje não. Quero mais é me jogar, como quem pula de um avião de braços abertos, solto no céu, sem medo da queda, porque sabe que o paraquedas vai se abrir quando você precisar.

A vida tem que ser leve ou nós temos é que dar a leveza necessária. Confiar que tudo sempre dá certo, que as coisas só acontecem porque é bom pra gente, porque de lá virão novos aprendizados que vão te fazer crescer como pessoa, que te promoverão um bem estar futuramente.

Gostaria muito que você, que me lê agora, sentisse esse suspiro de felicidade, que mesmo que dure somente o instante do suspiro, vai te fazer um bem enorme, esvaziar a cabeça, dar leveza à mente e encher o coração de alegria e amor. É tudo que desejo hoje! 

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sobre homens, árvores e amores


Vejo a maioria das minhas amigas, solteiras ou não, insatisfeitas com o “comportamento masculino”. Utilizando-se de frases que tem virado clichês, “os homens andam tão estranhos”, “não sabem o que querem”, “não querem nada sério”, e por aí desenrola uma ladainha de lamentações, seguidas de conselhos, tão clichês quanto as próprias, indiferente do tempo, das situação ou das pessoas envolvidas. “Ele não ligou? Não mandou mensagem? Não te pediu em casamento? Não te salvou da torre do dragão e não te colocou no lombo do cavalo branco? ELE SIMPLESMENTE NÃO ESTÁ Á FIM DE VOCÊ. Será?

Será que todo amor tem que ser avassalador, arrebatador e instantâneo? Será que em dois olhares, uma saída e uma conversa, você tem que saber que aquela pessoa é o “amor da sua vida”?

Que tipo de relação funciona assim? Que tipo de relação de sucesso se constrói assim? Você faz amizades assim? Decide onde quer viver para o resto da sua vida assim? Eu não...

Eu quero acreditar, e principalmente aprender, que relações são construídas, sejam elas amizades, romances, sociedades, amores... E não impostas, me ame agora ou suma, esteja pronto ou desapareça. 

O que é isso minha gente? Onde vamos chegar com tanta desconfiança e agressividade? Eu respondo, exatamente onde já estamos agora, todos sozinhos, perdidos, loucos por alguém, mas sem conseguir RELACIONAR-SE...

Começo a pensar que a maioria das mulheres não querem efetivamente amar, querem ser salvas, tomadas e levadas para o reino do “so so far away” bem longe da vista do dragão (que talvez seja tudo aquilo que a gente nem quer ver... Mas que fazem parte da nossa vida...). Algo como “vamos fugir para outro lugar... Onde a gente escorregue...” Ou seja, busca-se um companheiro de FUGA e não alguém para dividir a vida, CONviver, com dragões, jacarés e bruxas? 

Dessa forma colocamos os homens no papel de réu, prestes a serem julgados, cobrados, e riscados da “listinha de possíveis pretendentes”, caso ele não se enCAIXE, no papel de príncipe que alguém um dia determinou que ele deveria cumprir. Ser, humano, deixou de ser direito, e passou a ser defeito.

Esse homem, não pode ter medos, angustias, dúvidas, sequer tempo, para te conhecer, ele tem que rapidamente, simplesmente e decididamente te olhar e a partir daquele momento doar a sua vida, seu trabalho, sua família e sua herança toda em seu nome, porque você TEM QUE SER, a mulher da vida dele. Ele tem que se jogar na relação como alguém que salta no abismo escuro, sem medo ou dúvida e não tem direito sequer a uma lanterna, que dirá uma corda...

Então é disso que vocês falam quando falam de amor? De um salto no vazio? Esse amor quero não hein...

Espero mais do que alguém com a cara quebrada no chão, áspero e duro que muitas vezes é a minha vida...

Eu quero me dar ao direito de mostrar que além do vazio, e além de toda a dureza, há também no repertório do meu existir, jardins e pomares, e que, na época certa, se bem cuidados, estão sempre a florescer e frutificar, mas que para isso enfrentam chuvas fortes, cortes, secas, estiagens, como a natureza perfeitamente ordena e funciona...

Eu espero que o amor seja um plantio em solo arado, preparado, cultivado, cuidado, molhado, respeitado, para NA HORA CERTA, colher os frutos ou perfumar o ar com suas flores... “eu quero a sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida...” sabe???
As pessoas se esqueceram desse tempo, do tempo em que a fruta foi apenas uma semente, uma possibilidade, um talvez, uma aposta, mas que em união com um solo fértil e mais um montão de coisas, como chuva, nutrientes, vento, passarinhos, abelhas, acabou dando certo... Assim NATURALMENTE...

Vejo todos saindo por aí em busca de uma árvore pronta, já crescida, com fruta fresca, de preferencia orgânica, adequada ao seu solo, que sequer tiveram o cuidado de preparar... Querem simplesmente que a árvore SIRVA... Não basta mais ter a mesma filosofia de vida, ter alguns gostos em comum, uma vontade de conversar, de estar junto e fazer amor gostoso... Não, longe disso, é preciso gostar, assim como você, do sushi de barbatana de tubarão branco dos mares da Austrália, senão NÃO SERVE. Não basta gostar de esportes, tem que gostar de arco e flecha praticado nos campos da Irlanda, senão NÃO SERVE. Oi? E a gente vai ser siamês então né? Isso é o “combinar” que vocês falam?

E nisso se baseia uma séria de relacionamentos na filosofia do “time is Money”, fast-food, consumo, consumo, consumo... Seja o “combo” que eu preciso, “BIG”, que preencha e transborde todo esse meu vazio e rápido, e AGORA, pelo preço que posso pagar, o mínimo. Sirva-me agora ou te descarto... Te odeio e te ceifo sem o menor toque de compreensão, paciência ou respeito.

Depois se perguntam porque um após outro, não encontram ninguém que “queira um relacionamento”... Sem o menor senso de auto-análise se perguntam: “o que está acontecendo com AS PESSOAS?” “O que está acontecendo com O MUNDO?”. Eu devolvo a pergunta com todo o carinho e humildade: O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM VOCÊ, MINHA FILHA?

Você já parou para pensar como estão eles? Os homens? Depois de tudo o que “conquistamos”, em uma sociedade onde a mulher faz questão de gritar e esgoelar: EU NÃO PRECISO DE HOMEM, eu me basto! Eu posso tudo! (E antes que as discípulas de Bouivoir me chicoteiem em praça pública, digo, PODEMOS MESMO. Inclusive retomar o lugar que nos é natural de mulher, feminina, sem com isso perder nossa principal conquista, o poder de escolha.)

Voltando...

Você espera que ele esteja PRONTO, simples assim, como em gondolas de exposição, de preferencia em liquidação, pra você, independente que é, ir lá e “adquirir”, testar e descartar em caso de defeito “de fabrica”? Como você pode esperar isso, se nem você está pronta? Ou está? Não né... Ainda bem, porque uma pessoa pronta, na minha opinião, é uma pessoa acabada, chegou ao fim, evoluiu tudo, não precisa mais de ninguém, ou seja, já pode morrer... será que o amor só existe no paraíso??

Aí nessa loucura de gente se procurando sem se encontrar, criam-se “regras” modernas na tentativa, falida, de simular um modelo perdido da princesa no castelo cercado por fossos quase intransponíveis, só acessado pelo príncipe mais forte, mais lindo, mais rico, mais tudo do reino. Coisas do tipo: “mulher tem que ser difícil” (leia-se impossível); se ele realmente quiser, ele vai te ligar, te achar, te raptar, te salvar”. Você está proibida de ligar, mandar email, dizer que gosta, que tem saudades, ou seja, tranque-se na torre da calada e espere que se ele for “O CARA” ele vai dar um jeito...

Ah pára, né, gente! Já passamos dessa fase, já conquistamos o direito de nos expressar, de dizer: - Ei, vamos devagarzinho, vamos nos conhecer, vamos ver as luas... Você tem medo? Eu também, mas tá tudo bem... vamos tentar... Enquanto isso a vida segue, a minha, a sua, e a gente vai compartilhando o que der, o que for possível, o que der vontade...” Sem deixar de lado o espaço das outras “coisas” da vida da gente, os outros amores, a começar pelo “próprio”, o amor da família, a realização no trabalho, o amor dos amigos e por aí vai...” é tanto amor e possibilidades de alegrias e vida na vida da gente. Porque raios, alguém achou que uma pessoa, um único SER humano seria capaz, e principalmente, necessário para preencher isso tudo? Porque mesmo?

Eu estou abrindo mão aqui e agora de um amor “avassalador”, dramático e arrebatador... Quero não viu “Brésil”... Quero um amor semente fértil pro meu solo, para crescermos juntos, tentando, ajustando, ciclando, conforme as luas e as estações... Enquanto isso, vou cuidando do meu solo, tomando meus cuidados, cerquinha branca em volta, porteira aberta, mas com “mata burro”, claro...

E, depois de tanta filosofia, me deu vontade de ir ali, abraçar uma árvore, afinal como já disse aquele “filósofo do you tube” “as árvores somos nozes”...

(Texto de Carol Morais)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Você e seu leão



Em vez de matar um leão por dia, aprenda a amar o seu.

Outro dia, tive o privilégio de fazer algo que adoro: fui almoçar com um amigo, hoje chegando perto de seus 70 anos. Gosto disso. São raras as chances que temos de escutar suas histórias e absorver um pouco de sabedoria das pessoas que já passaram por grandes experiências nesta vida.

Depois de uma almoço longo, no qual falamos bem pouco de negócios mas muito sobre a vida, ele me perguntou sobre meus negócios. Contei um pouco do que estava fazendo e, meio sem querer, disse a ele: "Pois é. Empresário, hoje,
tem de matar um leão por dia". Sua resposta, rápida e afiada, foi: "Não mate seu leão. Você deveria mesmo era cuidar dele".

Fiquei surpreso com a resposta e ele provavelmente deve ter notado minha supresa, pois me disse: "Deixe-me lhe contar uma história que quero compartilhar com você". 
Segue mais ou menos o que consegui lembrar da conversa: 

"Pierre, existe um ditado popular antigo que diz que temos de "matar um leão por dia". E por muitos anos, eu acreditei nisso, e acordava todos os dias querendo encontrar o tal leão. A vida foi passando e muitas vezes me vi repetindo essa frase.

Quando cheguei aos 50 anos, meus negócios já tinham crescido e precisava trabalhar um pouco menos, mas sempre me lembrava do tal leão. Afinal, quem
não se preocupa quando tem de matar um deles por dia?

Pois bem. Cheguei aos meus 60 e decidi que era hora de meus filhos começarem a tocar a firma. Mas qual não foi minha surpresa ao ver que nenhum dos três estava preparado! A cada desafio que enfrentavam, parecia que iam desmoronar emocionalmente. Para minha tristeza, tive de voltar à frente dos negócios, até conseguir contratar o Paulo, que hoje é nosso diretor geral.

Este "fracasso" me fez pensar muito. O que fiz de errado no meu plano de sucessão? Hoje, do alto dos meus quase 70 anos, eu tenho uma suspeita: a culpa foi do leão". Novamente, eu fiz cara de surpreso. O que o leão tinha
a ver com a história? 
Ele, olhando para o horizonte, como que tentando buscar um passado distante, me disse: "É. Pode ser que a culpa não seja cem por cento do leão, mas fica mais fácil justificar dessa forma. Porque, desde quando meus filhos eram pequenos, dei tudo para eles. Uma educação excelente, oportunidade de morar no exterior, estágio em empresas de amigos. Mas, ao dar tudo a eles, esqueci de dar um leão para cada, que era o mais importante.

Meu jovem, aprendi que somos o resultado de nossos desafios. Com grandes desafios, nos tornamos grandes. Com pequenos desafios, nos tornamos pequenos. Aprendi que, quanto mais bravo o leão, mais gratos temos de ser. Por isso, aprendi a não só respeitar o leão, mas a admirá-lo e a gostar dele. 

Que a metáfora é importante, mas errônea: não devemos matar um leão por dia, mas sim cuidar do nosso. Porque o dia em que o leão, em nossas vidas morre, começamos a morrer junto com ele.."

Depois daquele dia, decidi aprender a amar o meu leão. E o que eram desafios se tornaram oportunidades. Para crescer, ser mais forte, e "me virar" nesta selva em que vivemos.


(Texto de Pierre Schurmann)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Atalhos



Quanto tempo a gente perde na vida?

Se somarmos todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros. Depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, aí mais tarde demora pra entender certas coisas, demora pra dar o braço a torcer. Viramos adolescentes teimosos e dramáticos. Levamos um século para aceitar o fim de uma relação, e outro século para abrir a guarda para um novo amor, e já adultos demoramos para dizer a alguém o que sentimos, demoramos para perdoar um amigo, demoramos para tomar uma decisão. Até que um dia a gente faz aniversário. 37 anos. Ou 41. Talvez 48. Uma idade qualquer que esteja no meio do trajeto.

E a gente descobre que o tempo não pode continuar sendo desperdiçado. Fazendo uma analogia com o futebol, é como se a gente estivesse com o jogo empatado no segundo tempo e ainda se desse ao luxo de atrasar a bola pro goleiro ou fazer tabelas desnecessárias. Que esbanjamento. Não falta muito pro jogo acabar. É preciso encontrar logo o caminho do gol.

Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito discurso. Tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, é ir direto ao assunto. Excetuando-se no sexo, onde a rapidez não é louvada, pra todo o resto é melhor atalhar. E isso a gente só alcança com alguma vivência e maturidade.

Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando, não esperam sentados, não ficam dando voltas e voltas, não necessitam percorrer todos os estágios. Queimam etapas. Não desperdiçam mais nada.

Uma pessoa é sempre bruta com você? Não é obrigatório conviver com ela.

O cara está enrolando muito? Beije-o primeiro.

A resposta do emprego ainda não veio? Procure outro enquanto espera.

Paciência só para o que importa de verdade. Paciência para ver a tarde cair. Paciência para sorver um cálice de vinho. Paciência para a música e para os livros. Paciência para escutar um amigo. Paciência para aquilo que vale nossa dedicação.

Pra enrolação...atalho.

(Texto de Martha Medeiros)

terça-feira, 24 de maio de 2011

Despedida do trema



Estou indo embora. Não há mais lugar para mim. Eu sou o trema. 

Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali, na Anhangüera, nos aqüíferos, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüentas anos.
 
Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica e eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre do dicionário. Seus ingratos! Isso é uma delinqüência de lingüistas grandiloqüentes!... 

O resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio. A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela. Os dois pontos disse que eu sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele fica em pé. 

Até o cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C cagão que fica se passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra. E também tem aquele obeso do O e o anoréxico do I. 

Desesperado, tentei chamar o ponto final pra trabalharmos juntos, fazendo um bico de reticências, mas ele negou, sempre encerrando logo todas as discussões. 

Será que se deixar um topete moicano posso me passar por aspas?... 

A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são os estrangeiros, é o K e o W, "Kkk" pra cá, "www" pra lá. 

Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que aliás, deveria se chamar TÜITER. 

Chega de argüição, mas estejam certos, seus moderninhos: haverá conseqüências! Chega de piadinhas dizendo que estou "tremendo" de medo. 

Tudo bem, vou-me embora da língua portuguesa. Foi bom enquanto durou. Vou para o alemão, lá eles adoram os tremas. 

E um dia vocês sentirão saudades. E não vão agüentar!... 

Nós nos veremos nos livros antigos. Saio da língua para entrar na história. 

Adeus, 
Trema.

(Desconheço a autoria)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Saudavel com personalidade



De todos os fatores de risco para as centenas doenças que nos bombardeiam todos os dias, frequentemente esquecemos de levar em conta um dos mais importantes: nós mesmos. O jeito como você é – sua maneira individual de encarar a vida – pode aumentar seu risco para depressão, distúrbios da ansiedade, síndrome do pânico, insônia, enxaqueca, gastrite, doenças inflamatórias intestinais, obesidade, hipertensão arterial, infarto, derrame e até mesmo câncer.

Para facilitar seu trabalho, enumerei os cinco padrões de personalidade de risco que considero os mais importantes:

- Os certinhos
Eles sentem orgulho quando são chamados de perfeccionistas e não aceitam se esforçar para fazer apenas o melhor que podem: devem fazer tudo mais-que-perfeito, e vivem no limite do esgotamento nervoso.
Exemplo: você fica tão aterrorizado com a possibilidade de errar que foge de qualquer mudança em sua rotina. Tudo que é diferente significa uma nova chance de insucesso.
A saída: você pode ser excelente, mas será sempre mais um ser humano. Aprenda a perdoar e conviver com isso.

- Os negativos
O mundo é um animal ameaçador com uma mandíbula em cada esquina, apenas esperando sua felicidade atravessar rua.
Exemplo: as coisas dão errado e você ataca com o consagrado “Eu disse, eu avisei, eu sabia…”. Em contrapartida, quando as coisas dão certo, você tira do bolso a variável “Eu estou avisando, depois não venham me dizer que não sabiam…”.
A saída: o primeiro passo é reconhecer esta nuvem que você mesmo plantou sobre sua cabeça. A partir daí, contraponha qualquer pensamento negativo com uma certeza positiva – e siga religiosamente a rotina de pensar sempre no melhor.

- Os desiludidos
Eles simplesmente não acreditam mais no rumo que deram para a própria vida.
Exemplo: acabou o papel da máquina copiadora no meio do seu trabalho. Você se senta no chão e pensa em chorar.
A saída: não chute a máquina nem coma o papel que saiu dela. O excesso de estresse pode significar que você não se identifica mais com o propósito daquela atividade e deve procurar novos rumos. Porém, antes de desistir de tudo, veja apenas se você não é um Deslocado que pensa que é um Desiludido.

- Os deslocados
Saber trabalhar dentro das próprias limitações é essencial para reduzir as repercussões do estresse sobre sua saúde. Infelizmente, algumas pessoas estabelecem padrões muito além de suas capacidades, criando uma dissonância entre o que devem e o que de fato são capazes de fazer. Terminam o dia sentido como se estivessem no local errado a maior parte do tempo.
Exemplo: você gosta de ajudar os outros, mas não suporta ver sangue. Mesmo assim insiste em trabalhar como assistente de uma ambulância de resgate médico, e termina passando mais tempo na maca que os próprios pacientes.
A saída: aceite o fato de que talvez você não tenha feito a opção correta. Acontece. Errar é humano, só não seja mais humano que os outros. Informe-se e escolha com mais consciência da próxima vez.

- Os animadinhos
Costumam serem rotulados de “otimistas”, mas basta uma pequena frustração para que a expectativa de realização seja substituída por um comportamento hostil ao extremo.
Exemplo: qualquer pessoa que acha que trabalhar em grupo é “eu falo, vocês obedecem”. E cospe fogo se você não obedece no mesmo segundo que ele fala.
A saída: a natureza possui um ritmo próprio, que independe da sua busca apressada por eficiência. Mas, se você deseja fazer as coisas acontecerem apenas segundo sua vontade, veja se o cargo de Deus está vago.

(Texto do Dr. Alessandro Loiola)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O corpo fala



O resfriado escorre quando o corpo não chora.
A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.
O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.
O diabetes invade quando a solidão dói.
O corpo engorda quando a insatisfação aperta.
A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam.
O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.
As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.
O peito aperta quando o orgulho escraviza
O coração enfarta quando chega a ingratidão.
A pressão sobe quando o medo aprisiona.
As neuroses paralisam quando a"criança interna" tiraniza.
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.
Preste atenção!
O plantio é livre, a colheita, obrigatória ... Preste atenção no que você esta plantando, pois será a mesma coisa que irá colher!!!

(Desconheço a autoria)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Pudim


Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir Pudim de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente um pedacinho minúscula do meu pudim preferido. Uma só.

Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa.

Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um pudim bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.

O PUDIM é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.

A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade. A gente sai pra jantar, mas come pouco. Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons. Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil'). Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta. Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo. Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar. E por aí vai.

Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...

Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...

Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'. Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.

Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções.

Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: 'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...

Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar vários pedaços de pudim, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo. Um dia. Não tem que ser agora.

Por isso, garçom, por favor, me traga: um pudim inteiro, um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order', uma caixa de trufas bem macias e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente. OK? Não necessariamente nessa ordem.

Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago.

(Texto de Martha Medeiros)


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Gente fina



Gente fina é aquela que é tão especial que a gente nem percebe se é gorda, magra, velha, moça, loira, morena, alta ou baixa.
Ela é gente fina, ou seja, está acima de qualquer classificação.
Todos a querem por perto. Tem um astral leve, mas sabe aprofundar as questões quando necessário.
É simpática, mas não bobalhona.
É uma pessoa direita, mas não escravizada pelos certos e errados: sabe transgredir sem agredir.
Gente fina é aquela que é generosa, mas não banana. Te ajuda, mas permite que você cresça sozinho.
Gente fina diz mais sim do que não, e faz isso naturalmente, não é para agradar.
Gente fina se sente confortável em qualquer ambiente: num boteco de beira de estrada e num castelo no interior da Escócia.
Gente fina não julga ninguém - tem opinião, apenas.
Um novo começo de era, com gente fina, elegante e sincera.
O que mais se pode querer? Gente fina não esnoba, não humilha, não trapaceia, não compete e, como o próprio nome diz, não engrossa.
Não veio ao mundo pra colocar areia no projeto dos outros.
Ela não pesa, mesmo sendo gorda, e não é leviana, mesmo sendo magra.

Gente fina é que tinha que virar tendência. Porque, colocando na balança, é quem faz a diferença!

(Texto de Martha Medeiros)


terça-feira, 17 de maio de 2011

Todo dia é dia de ser feliz



Cada dia que começa traz consigo muitas oportunidades de você ser feliz de verdade. Tudo o que você precisa é acreditar que a felicidade é possível para você também e começar a mudar regras do jogo.

Aqui a dica é procurar ver a felicidade onde ela realmente está. E, acredite, ela está muito mais perto do que você imagina e, para alcançá-la não é preciso nem mesmo sair de casa.

A felicidade bate á sua porta todos os dias, mas você nunca está em casa para recebê-la. Você está sempre muito ocupado procurando pela felicidade onde ela não está.

Todo o dia é dia de ser feliz e a felicidade está a sua procura em cada momento de sua vida. Você só tem que estar disponível para ela.

Existem três passos que você pode dar no sentido de colaborar com a sua felicidade:

(1) GOSTE DO QUE TEM!
Para realmente ser feliz é preciso que você goste, ame, aprecie as coisas que já estão em sua vida. Tenha sonhos e metas sim. Mas não deixe para ser feliz apenas quando os realizar. O agora é o seu momento de glória. Só ele contém a sua possibilidade real de ser feliz. Seja feliz agora, valorizando o que já conquistou, celebrando e desfrutando de tudo que você já tem.

(2) DEIXE NAS MÃOS DE DEUS!
Para realmente ser feliz é imprescindível que você tenha fé verdadeira e deixe que o Criador cuide do seu amanhã e das soluções de suas dificuldades. Mas, veja bem: não se trata de cruzar os braços e esperar que Deus resolva tudo. O que é preciso é entregar nas mãos de Deus tudo aquilo que está fora do seu alcance resolver. E, dessa maneira, relaxar e se entregar aquilo que está ao seu alcance fazer, com tranquilidade e confiança. As preocupações roubam a felicidade, por isto são inadequadas. A sua ocupação, amparadas na fé, tem o poder de torná-lo mais feliz.

(3) COMA OS MORANGOS DA VIDA!
Para realmente ser feliz é imprescindível que você reserve um espaço em sua vida para apreciar as coisas simples que existem ao seu redor, como se deliciar com um simples prato de suculentos morangos. Se você ficar esperando que as dificuldades acabem para começar a ser feliz, sua vida vai passar sem que você a tenha desfrutado. É preciso entender e aceitar que as dificuldades da vida existem e sempre existirão. Elas na verdade são os desafios que vem para a sua vida para que você possa crescer. Mas não são impedimentos para a felicidade.

ENFIM, ao seguir esses três passos você vai exercitar basicamente essas três formas de encarar a vida e produzir felicidade. Aprendendo a gostar do que já tem, você vai saborear cada momento com mais intensidade, habituando-se a deixar o controle nas mãos de Deus, você se sentirá mais livre para viver, sem aquela angústia de querer resolver coisas que estão fora do seu alcance, e, procurando comer os morangos da vida, sem se preocupar com os ursos e as onças que estão â sua espreita, você dará a si mesmo o presente diário de viver mais plenamente e portanto de ser feliz a cada dia.

(Texto de Gilberto Cabeggi)