segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Inteligência faz a diferença


Sempre fui fã de Vinícius de Morais, desde muito pequena. Adoro a forma como ele escreve, as coisa que compôs, a história de sua vida e seus amores  e até mesmo sua voz que, apesar de não ser tão bonita, soa puro sentimento. Seu timbre dá o tom necessário para que possamos entender o que ele sentia naquele momento da composição.

Costumo dizer que um sonho frustrado que tenho é não ter sido aquele mosquitinho pousado na mesa do bar enquanto ele se reunia com os amigos da boemia nas noites cariocas para seus momentos musicais de muito prazer. Mesmo assim, continuo sonhando através de suas letras e melodias, as quais sempre gostei.

Esses dias recebi um e-mail de um amigo com a história de uma música que canto muito ou falo muito quando a pessoa comete um daqueles enganos ferozes, os quais chamamos de "rata" na gíria popular. Porém jamais imaginava o seu significado. Ao ler, fiquei rindo sozinha e mais admirada ainda da inteligência do poeta, o qual também deve ter rido da cara de muitos e, mesmo agora, de onde se encontra, deve continuar se deliciando com sua arte.

Claro que essa história não poderia deixar de vir pro blog e eu poder ter o gostinho de dividir com meus amigos leitores pra ilustrar que a inteligência é que faz toda a diferença. A pessoa, quando tem sabedoria e bom humor vai mais longe e chega onde quer, sem causar danos a si e a ninguém. Portanto, caro Vinícius, você merece mais uma vez os meus aplausos.

Vamos à história...

"Para o pessoal da antiga, que conhece a música, e para o pessoal mais novo conhecer um pouco de história. Jóia de informação sobre o significado da expressão "na tonga da mironga do cabuletê".
Bem próprio do Vinicius de Morais. Eles devem ter rido muito cantando isso!
1970, Vinícius e Toquinho voltam da Itália onde tinham acabado de inaugurar a parceria com o disco “A Arca de Noé”, fruto de um velho livro que o poetinha fizera para seu filho Pedro, quando este ainda era menino.
Encontram o Brasil em pleno “milagre econômico” da ditadura militar.
A censura em alta, a Bossa em baixa.
Opositores ao regime pagando com a liberdade e a vida o preço de seus ideais.
O poeta é visto como comunista pela cegueira militar, e ultrapassado pela intelectualidade militante que, pejorativa e injustamente, classifica sua música de "easy music". No teatro Castro Alves, em Salvador, é apresentada ao Brasil a nova parceria.
Vinícius está casado com a atriz baiana Gesse Gessy, uma das maiores paixões de sua vida, que o aproximaria do candomblé, apresentando-o à Mãe Menininha do Gantois.
Sentindo a angústia do companheiro, Gesse o diverte, ensinando-lhe xingamentos em Nagô, entre eles “tonga da mironga do cabuletê”, que significa “o pêlo do cu da mãe”.
O mote anal e seu sentimento em relação aos homens de verde-oliva inspiram o poeta.
Com Toquinho, Vinícius compõe a canção para apresentá-la num show no Teatro Castro Alves. Era a oportunidade de xingar os militares sem que eles compreendessem a ofensa.
E o poeta ainda se divertia com tudo isso: “Te garanto que na Escola Superior de Guerra não tem um milico que saiba falar nagô”.

Fonte: Vinicius de Moraes: o Poeta da Paixão; uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 1994."
Pra quem não sabe que música é, acesse o link do vídeo da música: http://www.youtube.com/watch?v=C7g9D5VApxE

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