terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Encruzilhada


Chega um momento na vida em que a vida nos chama pra acordar e seguir. Você passa uma vida inteira fazendo planos, sonhando com o amanhã, acreditando em um monte de coisas que a sociedade, a mente coletiva te passam e que você acredita piamente ser a coisa certa a se fazer. De repente, a vida te diz: “Não é só isso! Há muito mais e você pode chegar lá.”

Todo esse processo do despertar começa serenamente dentro de você. Um dia, você abre os olhos e tudo à sua volta mudou, ganhou uma nova cor ou um novo brilho, deu um contraste maior. É nítido e está na sua frente. Diria mais: esse novo cenário está envolvendo você, como a criança que brinca correndo em volta do adulto. É quando você percebe que a criança é você.

O novo está ali, ao alcance de suas mãos. Mas você tem medo no novo. A mudança nos causa arrepios na alma. O que fazer com aquela coisa toda que você acreditou durante a vida? Abandonar? Dói muito, pois é como abandonar a si mesmo, sua estrutura, sua formação. Como pode o belo aos olhos de tantos e até mesmo para você durante tanto tempo, de repente parecer tão defeituoso e sem nexo?

Mas, de alguma forma, você começa a tomar gosto por aquilo que vê, porque você sente dentro de si que nesse novo momento existem verdades imutáveis e uma clareza óbvia, inegável. Como pode você não ter percebido tudo isso antes? Quanto tempo perdido!

Então você entende que todo aquele passado, todas aquelas coisas que um dia você achou que eram tão importantes, essenciais, vitais, já não têm mais a mesma força. E não existe revolta porque se entende também que toda aquela caminhada foi necessária para que você pudesse amadurecer, tirar conclusões próprias de fatos, como se fosse uma ponte, uma preparação, para que você atravessasse para o outro lado do rio, esse que agora está bem pertinho de você.

Basta um passo, basta uma atitude, basta coragem. Aquela voz pode estar certa e querendo o melhor pra você. É um renascer para a vida, quebrando a casca do ovo em que você se encontrava até então. Seus temores te traem e, mesmo ouvindo tão claramente, você acha que é loucura da sua cabeça, afinal, seria ousado demais dar um passo a frente, ainda mais um passo que parece tão largo para pernas que você não reconhece serem tão grandes.

É chegada a hora de abandonar as coisas que te prendem ao passado, os medos que sempre te bloquearam pela vida afora, talvez abandonar a teoria e experimentar a prática, esquecer a ansiedade pelo futuro desconhecido e avançar agora, no presente, na certeza de ser feliz.

Fácil não é. Mas é totalmente possível e evidentemente necessário, se não, a vida não teria te escolhido e não estaria chamando você, aos berros.

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