sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Proibido para a família


Estava pensando o quanto o que escrevo me revela. É muito! Digamos que meus textos são muito mais do que uma foto colorida tirada de uma máquina de altíssima resolução. É um raio X, porque me revela por dentro. Não. É uma densiometria, tomografia ou qualquer outro desses exames que me mostre por inteiro, com todas as cores, espaços e pensamentos bem definidos, mas que, na grande maioria das vezes, ninguém sabe.

Fiquei pensando na minha família. Eles nunca lêem as coisas que eu escrevo e durante um tempo isso me incomodava bastante. Como assim? Todo mundo lia, comentava, mandava e-mails e eles... nada? Logo eles, meu porto seguro? Daí, os textos que me interessavam (claro!) eu comecei a ler em casa. Era um aqui e outro acolá. Afinal, me ler é uma forma bem fácil de me conhecer.

Hoje não me importo mais. Pelo contrário, até prefiro que seja assim. Com o tempo, estou ficando cada vez mais transparente, me percebendo mais, e meus textos têm colocações polêmicas, as quais qualquer cônjuge ou pais ficariam incomodados, pra não dizer chateados.

Somos seres mutantes e eu, intensa que sou, mudei muito, mudo constantemente e, talvez, eu não seja mais aquela menininha controlável do passado, que aceitava tudo sem se importar consigo mesma, ou a birrenta que fazia o maior “Bummm” diante de uma dificuldade, ou a carente, apegada e ciumenta. É... mudei bastante! Ufa! Ainda bem. Com toda certeza, mudei pra melhor, pois passei a existir de fato.

Mas as pessoas estranham mudanças, principalmente se são tão drásticas quanto as minhas, e os de casa acabam se assustando bastante quando se deparam com a nova realidade, já que estiveram por perto durante a jornada. Eles devem se perguntar: “Que parte eu perdi?”

Então, é bom que eles não me leiam. Assim, eles se surpreendem apenas com algumas reações ou posicionamentos meus, vez ou outra. Enquanto isso, mantêm viva dentro deles a doce menina.

Acho que me sinto como as atrizes de novela, que vivem dando entrevistas dizendo que combinam com a família (marido e filhos) para não assistirem a novela na qual ela está atuando, pois deve ser muito difícil o marido assistir a mulher beijando outro cara na boca. E mais... em rede nacional! Haja sangue frio. Eu mesma não suportaria.

O mesmo acontece comigo e meus textos. Ver-me exposta, tão nua e crua, diante de quem quiser ler, não deve ser tarefa fácil para os meus. Devaneios, confissões, histórias, vivências... que muitas vezes não são só o beijo na boca da novela, mas o sexo explícito do filme pornográfico.

Mas essa é a Taiza Renata. Já me acostumei também a ser mal interpretada por tantos, escandalizar as pessoas e passar por cima de tantos julgamentos que, para mim, não têm o menor valor. Sou o que sou e quem me conhece de verdade, sabe bem quais valores e defeitos me conjugam.

Esses dias ouvi uma frase que diz “quem se define, se limita”. Concordo, portanto, deixo a definição “a quem interessar possa”. Então, apenas me mostro como sou, escrevo a minha essência, pois não sei me definir. Apenas sei que sou um ser em constante reflexão, o que me permite estar me percebendo, me modelando e impulsionando transformações sempre.

E aí, é isso. Meus textos estão proibidos para a minha família. E pra você, que está aqui agora, até mais ler.

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