segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Um dia por vez - 27/01/11 - Criatividade


Hoje me surpreendi com uma cena que me despertou o quanto é importante para o ser humano ser criativo e original. Se “o mundo é dos experts”, tenho certeza que os experts são os mais criativos.

Estava eu carregando meu carro com as compras de supermercado quando, de repente, ouço uma música muito alta, dessas que a gente escuta de carro de som e a letra era muito chamativa, por ser tão divertida. Era um tipo de forró nordestino que dizia pra pessoa ir tomar no ... . Isso mesmo! Desse nível.

Olhei em volta e nada vi, mas percebi que o som ia se aproximando. Perguntei para o homem que me ajudava, já rindo da letra da música, de onde vinha aquela pérola, quando ele me aponta para um carrinho de catador de papel.

Então, ele me contou a história dele, disse que era meio louco da cabeça (se ele não me dissesse, eu não teria percebido), que todo mundo o ajudava ali nas redondezas porque é uma pessoa boa. Adora seus animais: a égua que puxa seu carrinho e o seu cachorro companheiro. Contou-me que é melhor mexer com ele do que com os bichos, se não, quem vira bicho é ele.

O carro dele é no formato original de todos os carros de catadores de papel: uma carrocinha, com algumas grades de ferro em volta para assentar toda a papelada e, na frente, a barra onde a pessoa puxa o carrinho. O dele tem, na frente, quase uma boléia de caminhão na frente, coberto, com banquinho almofadado. Atrás, parte do carrinho é cheia daquelas caixas de som e a outra parte para os papéis.

Achei aquilo tudo o máximo, claro. Achei muito criativo, chamativo e engraçado.

Mais tarde, recebo um e-mail com uma música que está fazendo o maior sucesso no nordeste. Um primo que chegou do Piauí a pouco tempo tentou cantá-la pra mim num churrasco, indignado porque eu não conhecia a tal música, afinal, já era um sucesso total. Tanto, que até saiu uma reportagem no Fantástico no último domingo a respeito.

A cena do catador de papel não tenho como compartilhar, mas a música eu posso. É só acessar esse link: http://www.youtube.com/watch?v=euTxXL4MQTU . A coisa é tão criativa que prega na gente. Você ouve uma única vez e ela não sai da sua cabeça pelo resto do dia. É igual pequi ou jingle político. Eu, particularmente, não gosto nem de uma coisa, nem de outra, mas gosto não se discute.

No fim do dia fiquei pensando o que esse catador de papel não faria numa empresa de publicidade, por exemplo. Fiquei me perguntando por que ele não usa aquela inteligência ali desperdiçada pra melhorar de vida. Constatei também que não basta ser criativo, é preciso ter sorte ou feeling.

Seja lá como for, é bom poder ter alguém pra nos fazer rir num dia qualquer. E, por mais que a intenção não seja a de crescer na vida ou se superar todos os dias, se for a de fazer alguém feliz, nem que seja por um só momento, sua obra já terá valido a pena.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O linguajar das goianas

Recebi esse texto de uma amiga ontem à noite e achei muito divertido e verdadeiro. É inegável: as goianas têm mesmo um charme no seu linguajar. Fiquei ainda mais apaixonada por minha terra, minha naturalidade e, claro, meu "jeitin" de falar. Espero que, ao fim do texto, também possam concordar comigo. Vamos a ele...
 

Certa vez, quase propus casamento a uma goiana que me ligou por engano.

Elas têm um ódio mortal das palavras completas, preferem, sabe-se lá porque, abandoná-las no meio do caminho.

Os não-goianos, ignorantes nas coisas de Goiás, supõem, precipitada e levianamente, que os goianos vivem apenas de uais, trens e sôs. Mas vai além disso!

Goiana não fala que o sujeito é competente, ele é 'bom de serviço'.

Nunca usam o famosíssimo 'tudo bem'. Sempre perguntam 'Ce tá boa?' (pra mim, isso é pleonasmo, perguntar se uma goiana ta boa é desnecessário).

O verbo 'mexer', para as goianas tem amplos significados, quer dizer por exemplo, 'trabalhar'. Se lhe perguntarem: 'Com o que q o ce mexe?', querem saber o seu oficio.

Goianas não dizem 'apaixonado por'. Dizem, sabe-se lá por que, 'sou doida com ele' (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas 'com' alguma coisa. 

Também não gostam do verbo 'conseguir', aqui você nunca consegue nada, você não 'dá conta'.

Que goianas nunca acabam as palavras todo mundo sabe. É um tal de 'bunitim, fechadim, pititim'.

Não caia na besteira de esperar um 'vamos' completo de uma goiana, vc não ouvirá nunca. É um tal de 'vamo', 'bora'.

Preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a goiana. Aqui certas regras não entram.

O supermercado nunca tá lotado, sempre tá 'cheio de gente', não faz muitas compras, compra um 'tanto de coisa'. Se, saindo do supermercado, a goianinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará: 'Ai, gente, que dó'. 

É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas goianas. 

Goiano não arruma briga, 'caça confusão'. 

Capaz... Se você propõe algo e ela diz: capaz!! Vocês já ouviram esse 'capaz'? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer 'cê acha que eu faço isso'? com algumas toneladas de ironia... 

E o 'nem', já ouviu?? Completo ele fica: 'Ahhh nemmmm!' Significa, amigo, que a goiana não vai fazer o que você propôs de jeito nenhum.

Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das goianas. 

Goiana não pergunta, 'você não vai?' A pergunta goianamente falando e: 'Ce não anima de ir?'.

O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Se vc em conversa falar 'Fui lá comprar umas coisas.', a goiana retrucara: 'Ques coisa?' O plural dá um pulo, sai das coisas e vai para o que.

A fórmula goiana é sintética. E diz tudo. Até o 'tchau' em Goiás é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: 'tchau procê', 'tchau procês'. É útil deixar claro o destinatário do tchau.

A conjugação dos verbos em Goiás têm lá seus mistérios.... LINDOS mistérios! E é por essas e outras que eu sou apaixonado pelas goianas, ainda não inventaram mulheres mais lindas e charmosas.

É isso ai gente, tchau procês!!!

(Desconheço a autoria)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Homossexualidade


Tenho uma amiga passando por um momento muito delicado em sua vida, pois o filho está querendo assumir sua homossexualidade. Nem preciso dizer que ela está em estado de choque, sem saber o que fazer.

Então ela me procurou pra conversarmos sobre o assunto, alegando que tenho a cabeça mais aberta e, de repente, posso dar a orientação que ela precisa nesse momento. Quanta responsabilidade, heim? Ainda mais pra mim que nunca passei por nada parecido na vida.

De qualquer forma, jamais deixaria uma amiga desolada. Não dei soluções, não julguei, não critiquei, até porque só a gente sabe o que é melhor pra gente. Além do mais, ando numa fase da vida tão enojada com nossa sociedade e os valores que ela nos tem imposto, que talvez eu tivesse mesmo a luz que ela precisava.

Apesar de ser totalmente heterossexual, não tenho o menor preconceito em relação à homossexualidade. Inclusive conheço e sou amiga de pessoas gays. E... posso dizer??? São pessoas excepcionais, com cabeça livre, maior amplitude de visão do ser humano e cheias de tantas outras virtudes.

E se fosse comigo? E se fosse em minha casa? Foram essas as perguntas que fiz, antes de responder aos anseios dessa minha amiga. Tentei me colocar na pele dela, antes de mais nada.

Na pele de mãe, acho que a única coisa que penso é na felicidade do meu filho. Qualquer ser humano pra ser feliz precisa assumir quem ele é, gostar do que é (auto estima), conhecer suas potencialidades e diferenças, reconhecer-se no meio e definir-se. Uma pessoa perdida em relação a si mesma vive insegura e infeliz.

Então, pra fazer o papel de mãe bem feito, é preciso orientar e apoiar a escolha do seu filho. Estar com ele quando a sociedade lhe apontar o dedo, colocá-lo no colo, tentar mostrar os prós e contras do caminho escolhido e, acima de tudo, respeitá-lo.

Sei que queremos o melhor pros nossos filhos. Almejamos uma vida dentro da normalidade, dentro dos padrões sociais, achando ser o melhor. Porém, venhamos e convenhamos, esses padrões estão bastante ultrapassados, cheios de dogmas, trazendo dores e infelicidades a tantos, baseados num suposto belo que só existe na nata pois, por baixo, o leite está tão podre que fede.

O que seria o melhor? O melhor pra quem?

Nada mais certo do que respeitar o normal de cada um, sem muitas regras a serem seguidas, sem muitos sofrimentos, sem preconceitos, sem conceitos mal formados.

A turma religiosa vai achar isso tudo que estou escrevendo um verdadeiro absurdo. A esses, digo que comecem hoje a pedir a Deus pra livrar essa passagem dentro de seus lares, se quiserem manter o pensamento atual. Ou então, estejam preparados para deserdar um filho.

O que dizer então dos inúmeros homens casados que vivem fazendo festinha com várias mulheres ao mesmo tempo? Seria mais digno, mais limpo ou mais aceitável?

A sexualidade é de cada um. Cada um, seja homo, hetero ou bi, sabe o que lhe dá prazer, o que lhe faz bem, o que não lhe agride. Geralmente é constatada em momentos muito íntimos, dentro de quatro paredes. O grande problema, em qualquer dos grupos, é querer induzir outras pessoas a serem iguais.

Escolhas existem para serem feitas. Religião, time... por que não a sexualidade?

Sendo algo que não vai fazer mal à saúde ou mal a alguém, tudo que pedi a ela é que respeite essa opção de seu filho e que seja amorosa, sendo apoio quando precisar, porque serão muitos os percalços que ele vai enfrentar a partir do momento em que se assumir e, nesse momento, tudo que ele vai precisar é de um bom, caloroso e confiável colo.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Mais uma de aeroporto


Adoro escrever enquanto espero a chamada do vôo. Essa é a única hora que torço para que o vôo atrase. Acho que já entro em espírito viajante desde já e começo viajando pelos meus pensamentos. Em seguida, começo a viajar no ambiente, observando as pessoas e o cenário à minha volta e, claro, imaginando a vida das pessoas que, de alguma forma, me chamam a atenção.

Hoje escrevo do aeroporto de Goiânia. Uma vergonha!!! A começar pela estrutura que é mil vezes pior que a Rodoviária. Pequeno, feio, sujo, despreparado. O estacionamento não cabe os carros e quem acaba faturando são as empresas de aluguel de veículos em volta que oferecem vagas cobertas ou não, porém mais caras. Dentro, filas enormes, desordem no atendimento, na parede uma porção de televisores quebrados, os quais deviam servir para informar alguma coisa e, assim, ajudar a organizar.

Lembro-me do quanto era chique viajar de avião há muito pouco tempo atrás. Não sei se é porque eu era mais nova, mas existia todo um “glamour” que permeava as viagens de avião. As passagens eram bem mais caras, o que selecionava bastante o público, o qual viajava super arrumado. Era um disparate viajar de calça jeans e camiseta.

No avião, serviam lanches fartos, gostosos e quentinhos. A aeromoça era sempre linda, uma miss. Toda garota queria ser aeromoça, porque eram bonitas, arrumadas e super educadas.

O tempo foi passando e hoje, com a concorrência entre as companhias, a passagem está bem barata. O público já n ao é mais o mesmo. Em Goiânia então, é aquela morenada desarrumada ou então os arrumadinhos que insistem em usar o jeito e a forma de falar de um peão de fazenda.

O semblante das pessoas também mudou bastante. Antigamente, os rostos eram sempre iluminados, as pessoas sorrindo ou sentados com toda classe na sala de embarque. Agora, as pessoas têm cara de cansados, impacientes e nervosos com os atrasos constantes que são tão comuns. Alguns, mais conformados, ligam o som do celular, coloca os fones de ouvido e dormem, ou observam, cada qual no seu canto.

Outros, como eu, escolhem um lugar perto de tomada e abrem o notebook pra matar o tempo. Uns trabalham, outros escrevem desesperadamente como eu, outros acessam seus e-mails ou suas redes sociais. Enfim, algo é preciso fazer para esquecer o tempo de espera ou, pelo menos, fazê-lo passar mais depressa.

Nesse momento, estou no fundo da sala de embarque. Do meu lado esquerdo, um senhor de cabelos grisalhos trabalha em uma planilha. E está muito trabalhosa, porque ele mexe, mexe, mexe, pára um pouco pra pensar e escreve de novo. De repente, ele apaga tudo e recomeça. Que tipo de planilha será essa? Queria saber! Não estou fazendo nada mesmo, então ficamos imaginando o que ocorre na vida do outro. A planilha é bem simples: do Excel e tem uma linha cheia de escritinhos e na coluna da frente só números pequenos, de uma casa apenas. Acho que estou precisando usar óculos, porque estou a duas cadeiras dele e não consigo ler o que dizem aquelas várias linhas com letrinhas.

Do meu lado direito, tem um menino, um rapazinho de uns 23 anos, talvez. Ele me olha o tempo todo de rabo de olho. Deve também estar pensando que estou escrevendo algo muito útil ou que estou ocupadíssima com esse “projeto” que me faz escrever tanto. Daí ele abre uma planilha e me olha, depois abre o Orkut e me olha de novo. Agora que viu que olhei mais vezes pra ele, ele virou o notebook pro lado. Já percebeu que sou curiosa e quer me matar com a unha! Tudo bem. Mudemos o foco.

Na minha frente está passando um homem de uns 40 e poucos anos, muito bem arrumado, até bonito, mas que não tira o telefone celular da orelha desde a hora que entrei aqui. E ele já deve ter andando quilômetros, porque ele vai e vem, vai e vem. Encosta no café, continua falando e faz de novo o mesmo trajeto. Deve ser a amante. Se fosse a esposa, ele já tinha desligado. Chamou um vôo pra Guarulhos. Ele acelerou o passo de volta ao café. Deve ser o vôo dele ou então a pessoa do outro lado da linha passou alguma informação pra ele anotar. Está agora sentado na mesinha.

Nas cadeiras do outro lado, perto da porta tem uma senhorinha que me lembra minha tia avó que se chamava Edelvira, mas que eu chamava carinhosamente de tia Dêrva. Ela era bem velhinha, com a pele bem enrugadinha e tossia muito por conta dos inúmeros cigarros que fumou durante toda a vida. Só que essa velhinha na minha frente é espevitada e parece ser nova essa experiência de andar de avião. Tem uma neta morena com ela, de uns 20 anos, mais ou menos. É ela que cuida da avó: pega café, água, acompanha até a cadeira onde vai colocá-la sentada. A cada chamada de vôo a velhinha se levanta e diz bem alto “Agora é esse!”. A neta responde carinhosamente “Ainda não, vó!” e sorri para todos nós que estamos olhando, por conta da altura da voz e do jeito espevitado da velhinha.

E os telefones? Não param de tocar. Quando um toca, um monte de gente averigua bolsas e bolsos pra saber se não é o seu. Até o orelhão tocou a pouco. Aí, levantou-se um rapaz do outro lado da sala e atendeu. Será que era pra ele!? Pra mim, eu sei que não era.

Agora não tenho mais nada a dizer. Ainda vou aproveitar o tempo pra ler alguns e-mails, entrar nas minhas redes sociais e continuar observando. A conexão sem fio da Vex é lenta, mas pode ser que surja algum novo tema a se escrever.

Pois é! Esse é o cenário do nosso aeroporto. Pessoas feias e mal arrumadas que vão e que vêem, sem a correria dos aeroportos paulistas, nem o jeito despojado do aeroporto do Rio de Janeiro. Mas todos com um destino certo.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

E se eu não fosse Águia...


O meu conceito de Deus está vinculado à explicação do que é inexplicável.

Hoje Deus se fez presente.

Findo os trabalhos... todos ali, estáticos se entreolham incrédulos. Almas lavadas. No coração, aquela sensação de êxtase, a crença na capacidade do homem ser grande e puro.
Homens maduros sorriem, trocam beijos respeitosos e abraços sinceros; são agradecimentos mútuos por tudo aquilo que tinham acabado de vivenciar. A ritualística perfeita que organiza as energias e potencializa nossos corações; o verbo que flui límpido com sabedoria, fraternidade e pureza. Aos poucos a riqueza do Simbolismo e a decorrente certeza do aprendizado se estabelecem em Loja nos permitindo vivenciar plenamente a grandeza de uma Sessão Maçônica.

A Sessão acabou, mas nossos corações ainda vibram em harmonia fraterna consoante com a universalidade divina. Aos poucos me percebo só, os últimos Irmãos se afastam lentamente, aos pares, como se ainda quisessem partilhar a harmonia íntima que certamente levariam para os seus lares.

À porta do Templo vazio, a escuridão e o silêncio me seduzem... adentro e a luz tênue me permite visualizar as Colunas do Norte e do Sul, também o Oriente. Sem romper o silencio, dirijo-me ao meu lugar em Loja; volto-me para a luz que desta feita vem do Ocidente. No silencio ouço as falas que ainda ecoam em minha mente. No Templo fisicamente vazio a Loja ainda está reunida, sinto a energia vibrar em meu coração.

Quanto aprendizado oriundo da grandeza de homens simples que sabem que a felicidade está na forma como se caminha o caminho. O destino é Deus; o caminho é aquele traçado humildemente pelo bem servir.

Mais uma vez sinto-me atraído... desta feita pela força que equilibra o Altar. Contemplo a Loja cuja união e o servir transformam a sabedoria em úteis realizações. Violar aquele espaço sagrado seria minha heresia; declino, reconheço então minha pequenez. Ajoelhado ao primeiro degrau do Altar, fronte baixa em oração, referencio e agradeço a Deus todo o aprendizado a mim proporcionado. Esta noite mais uma vez tinha vivenciado a humildade forjando grandes homens, o servir nos fazendo necessários e a união nos tornando fortes.

Pensei em tudo que já vivi ali... e com o coração em lágrimas agradeci novamente a Deus por um dia ter sido acolhido no ninho de minha Loja.

Se hoje eu não fosse Águia, seria algo diferente, mas jamais seria o que sou hoje.


(Texto de Fernando Dutra)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A Unidade


Sempre tive muita curiosidade a respeito do que é e como funciona uma Maçonaria. Acho que é por existir todos esses códigos, símbolos e todo esse mistério que o envolve. Gosto desses grupos organizados onde as pessoas se encontram para se melhorarem como pessoas e ajudarem o próximo. Então, um amigo me mandou esse texto, o que dá uma ilustrada no que vem a ser Maçonaria e amenizar um pouco a alma dos curiosos como eu.

"O mundo é Unidade e o homem é uma replica deste mundo.
Conhecer-te a ti mesmo é conhecer as coisas do GADU”.
Ir:. João Francisco Guimarães

Introdução:

Unidade: qualidade do que é um ou único; união; ação coletiva tendente a um único fim; uniformidade; quantidade convencional que se toma para termo de comparação entre grandezas de mesma espécie, unidade de referência.
A Unidade requer esforço e perseverança em sua busca.
Homem, ser uno, único e singular.
Deus, o universo, a fonte criadora, o conjunto de tudo que existe, a Unidade.
Progredindo em busca de ser uno, integral e feliz, o ser humano inexoravelmente reconhecerá a presença de Deus no seu íntimo, bem como no Universo. A conexão destas duas realidades o intuirá a idéia da unidade universal. Somos todos parte de uma só realidade, uma Unidade.

O Ser Humano em Busca de sua Felicidade – Um Ser Uno:

A busca da felicidade é inerente à condição humana; todo ser humano busca viver melhor. Esta busca, inicialmente focada em aspectos externos ao ser (bens materiais, status, paixões) – a felicidade que vem de fora, com o amadurecimento se voltará para o Eu Interior, reconhecerá suas limitações e buscará desenvolver virtudes (tolerância, amor fraterno, disciplina, perseverança e equilíbrio).
Ao consumir continuamente energias em busca da felicidade no exterior, sem obter os resultados esperados, o homem reconhece que a falha está em sua atitude, pois o Estado de Felicidade é intrínseco ao seu Eu, independente de fatores externos aos quais fomos condicionados a associar a felicidade.
É a manutenção de um estado de espírito adequado - o equilíbrio interior e sua postura mental - que dará ao ser humano a condição de ser feliz em sua caminhada terrena. Felicidade e equilíbrio caminham juntos, se retroalimentam e nos estimulam a nos mantermos no caminho da Luz.
O ser humano é uma entidade multifaciada, o reconhecimento desta realidade é condição básica para o desenvolvimento do equilíbrio pessoal. Os aspectos físico, mental, emocional e espiritual são facetas identificadas de um mesmo ser, o Homem.
O desenvolvimento não se dará por meio de um destes aspectos isoladamente, desenvolvê-los harmonicamente é a chave para o crescimento constante e equilibrado. Ao entender esta realidade o Homem adquirirá a consciência da Unidade do seu ser, um ser holístico em busca do exercício do seu múltiplo potencial.

O Homem Social – A Unidade Ampliada:

Mas, o Homem não vive só. O Homem vive em sociedades: família, empresa, igreja, grupo de amigos e associações.
O Homem auto-consciente, convivendo em sociedade, constata que seu objetivo de vida – ser feliz - é compartilhado pelos demais; o que os difere é a maneira de buscar este objetivo, a busca pela auto-realização. Enquanto uns ainda estão na fase da busca da felicidade no mundo exterior frívolo e passageiro, outros trilham diferentes caminhos em busca do “conhecer-te a ti mesmo”.
Se a realização é um processo interior e todos, de fato, buscamos este mesmo objetivo, na realidade não existe competição entre os seres humanos. A competição humana, decorrente da busca externa da felicidade, é uma ilusão daqueles homens que ainda não identificaram seu caminho, ainda não reconheceram sua porção divina. É uma questão de tempo; a sucessão de experiências e o emprego da energia necessária ao efetivo aprendizado e à evolução nos levarão à consciência podemos caminhar juntos, lado a lado, como Irmãos, repletos de amor fraterno e cientes que todos realizaremos nosso destino: o pleno exercício de nosso potencial divino.
Conscientes disto, seremos uma Unidade. Nós, seres humanos, somos viajantes de uma mesma viagem, um mesmo caminho, uma mesma nave: a Humanidade, a Unidade de todos os Homens.

Deus – O Universo Uno:

Deus, o universo, a fonte criadora, o conjunto de tudo que existe.
O exercício da Unidade nos coloca em contato com o Divino que existe em cada um de nós; ainda imperfeitos, podemos reconhecer a porção divina existente em cada semelhante. Somos espelhos inacabados de Deus, carentes de uma longa caminhada em busca da elevação.
Mas somos parte de um mesmo todo, o Universo, a Criação Divina.
Deus está presente em toda sua obra, e ao reconhecermos isto vislumbramos a Unidade do Universo, fato impossível de ser vivenciado pelo Homem seccionado, segmentado e preso às paixões mundanas e distante do seu Eu Divino.
Irmãos, que nós estejamos atentos, pois a ciência caminha rapidamente para a comprovação, via física quântica, do que a fé nos faz crer de maneira inata: a interdependência de toda a Criação. No dia que a ciência comprovar a fé. a humanidade terá dado um enorme salto em direção à consciência Divina e Universal.

A Unidade na Maçonaria:

“Ó! Quão Bom e Quão Suave É Viverem Unidos os Irmãos”.
A Loja cujos Irmãos recebem estas palavras sagradas em seus corações e as praticam é verdadeiramente uma Loja Maçônica, pois é formada por Maçons genuínos.
A maçonaria, como instituição essencialmente iniciática, filosófica, progressista e evolucionista, que proclama a prevalência do espírito sobre a matéria, que oferece a seus iniciados os ensinamentos necessários ao exercício das virtudes, coloca a Unidade em permanente destaque  entre os seus ideais.
A Maçonaria exige dos seus candidatos ao ingressar à Ordem a crença em um Ser Supremo, o G:.A:.D:.U:., que é Deus, e possibilita ao profano, durante a cerimônia de sua Iniciação refletir sobre a unicidade de Deus e da sua obra..
A Maçonaria oferece de pronto ao neófito a noção da Unidade no criador, o G:.A:.D:.U:., o ser uno e presente na consciência inata do homem. Ao analisar nossos rituais, resta claro ao maçom atento que a Maçonaria busca desenvolver a Unidade de seus iniciados e apregoa o exercício constante do conceito mais amplo de Unidade, a fraternidade Universal.

Conclusão:

Somos seres unos, integrais, com potencial Divino, parte integrante de uma Obra Divina maior - o Universo; buscamos por caminhos diversos e em ritmo próprio o mesmo objetivo: a evolução. Irrefutável é reconhecer a Unidade da Criação.
Sofremos, e fazemos sofrer, por nossas imperfeições. Longa e árdua é a caminhada que ainda nos resta. Mas temos os instrumentos para cumprimo-la em triunfo. Nossa Ordem nos ensina: trabalho, perseverança e Unidade, instrumentos eficazes para o atingimento de nossos objetivos.
O querido Ir:. João Francisco Guimarães nos ensina: “Tem que haver amor para conquistarmos a Unidade”. Concordo e reitero, tem que haver muito amor para construir a Unidade, pois somente o amor nos permite a pratica do respeito, da tolerância e da caridade moral necessária para reconhecer o Ser Divino existente por trás das imperfeições de cada Irmão, maçom ou não.

(Ir:. Fernando Dutra, Sessão Ordinária de Grau 01 - 31.10.2005)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Amor de gente grande


Amor de corpo inteiro. Um amor que transcende, transpira, transborda.
Amor com mãos e pés. Com dedos, braços, pernas, barriga, pele e abraços.
Um amor que surpreende, sem nada inventar, sem precisar exagerar, sem ter que sempre entender. Simplesmente ser... preencher, existir!
Amor que não investiga, que não desconfia, que não acusa.
Amor de palavras, mas também de silêncio. Um silêncio que aquieta o coração, que acaricia a alma e alivia as dores!
Amor que esvazia, que abre espaço, que permite.
Amor sem regras, sem pressões, sem chantagens. Amor que faz crescer.
Amor de gente grande, de coração gigante, de alma transparente.
Amor que permanece. De mim para mim, de mim para você, de você para mim.
Amor que invade respeitando, que adentra acariciando, que ocupa com leveza. Amor sem ego. Que acolhe, perdoa, reconhece.
Amor que desconhece para conhecer, que nunca lembra porque não esquece!
Amor que é... assim, sem mais nem menos, sem eira nem beira, sem quê nem porquê.
Simplesmente simples, despretensioso, descontraído, desmedido.
De uma simplicidade tão óbvia que arrasta, que envolve, que derrete.
De uma fluidez tão líquida que escorre, desliza, que não endurece.
Amor que não se pede, que não se dá, porque já é! Para nunca precisar procurar, para nunca correr o risco de encontrar, porque já está!!!
E o que quer que ainda possa surgir... bobagem! Apenas crescimento e aprendizagem...
Volta para casa, não se vá!
Fique, permita-se, entregue-se, comprometa-se!
Simplesmente amor... Você consegue?!?

(Texto de Rosana Braga)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Nota de Falecimento


Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida...

Um dia, quando os funcionários chegaram para trabalhar, encontraram na portaria um cartaz enorme, no qual estava escrito:

"Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida na Empresa. Você está convidado para o velório na quadra de esportes".

No início, todos se entristeceram com a morte de alguém, mas depois de algum tempo, ficaram curiosos para saber quem estava atrapalhando sua vida e bloqueando seu crescimento na empresa. A agitação na quadra de esportes era tão grande, que foi preciso chamar os seguranças para organizar a fila do velório. Conforme as pessoas iam se aproximando do caixão, a excitação aumentava:

- Quem será que estava atrapalhando o meu progresso ?

- Ainda bem que esse infeliz morreu !

Um a um, os funcionários, agitados, se aproximavam do caixão, olhavam pelo visor do caixão a fim de reconhecer o defunto, engoliam em seco e saiam de cabeça abaixada, sem nada falar uns com os outros. Ficavam no mais absoluto silêncio, como se tivessem sido atingidos no fundo da alma e dirigiam-se para suas salas. Todos, muito curiosos mantinham-se na fila até chegar a sua vez de verificar quem estava no caixão e que tinha atrapalhado tanto a cada um deles.

A pergunta ecoava na mente de todos: "Quem está nesse caixão"?

No visor do caixão havia um espelho e cada um via a si mesmo... Só existe uma pessoa capaz de limitar seu crescimento: VOCÊ MESMO! Você é a única pessoa que pode fazer a revolução de sua vida. Você é a única pessoa que pode prejudicar a sua vida. Você é a única pessoa que pode ajudar a si mesmo. "SUA VIDA NÃO MUDA QUANDO SEU CHEFE MUDA, QUANDO SUA EMPRESA MUDA, QUANDO SEUS PAIS MUDAM, QUANDO SEU(SUA) NAMORADO(A) MUDA. SUA VIDA MUDA... QUANDO VOCÊ MUDA! VOCÊ É O ÚNICO RESPONSÁVEL POR ELA."

O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos e seus atos. A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença. A vida muda, quando "você muda".

(Texto de Luis Fernando Veríssimo)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Ser ou não ser de ninguém?


Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, levanta os braços, sorri e dispara: "eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também". No entanto, passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração "tribalista" se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo para reclamar de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição. A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu.

Beijar na boca é bom? Claro que é! Manter-se sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas animadíssimas é legal? Evidente que sim. Mas por que reclamam depois? Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio, de que "toda ação tem uma reação"? Agir como tribalista tem conseqüências, boas e ruins, como tudo na vida. Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc.

Embora já saibam namorar, "os tribalistas" não namoram. Ficar também é coisa do passado. A palavra de ordem hoje é "namorix". A pessoa pode ter um, dois e até três namorix ao mesmo tempo. Dificilmente está apaixonada por seus namorix, mas gosta da companhia do outro e de cultivar a ilusão de que não está sozinho. Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada. Caso uma das partes se ausente durante uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu - afinal, não estão namorando. Aliás, quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança?

A nova geração prega liberdade, mas acaba tendo visões unilaterais. Assim como só deseja "a cereja do bolo tribal", enxerga apenas o lado negativo das relações mais sólidas. Desconhece a delícia de assistir um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, carinho e amor. Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer boa noite, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter alguém para amar.

Já dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade que "amar se aprende amando" e se seguirmos seu raciocínio, esbarraremos na lição que nos foi transmitida nas décadas passadas: relação é sinônimo de desilusão. O número avassalador de divórcios nos últimos tempos, só veio confirmar essa tese e aqueles que se divorciaram (pais e mães dos adeptos do tribalismo) vendem (na maioria das vezes) a idéia de que casar é um péssimo negócio e que uma relação sólida é sinônimo de frustrações futuras. Talvez seja por isso que pronunciar a palavra "namoro" traga tanto medo e rejeição. No entanto, vivemos em uma época muito diferente daquela em que nossos pais viveram. Hoje podemos optar com maior liberdade e não somos mais obrigados a "comer sal junto até morrer". Não se trata de responsabilizar pais e mães, ou atribuir um significado latente aos acontecimentos vividos e assimilados na infância, pois somos responsáveis por nossas escolhas, assim como o que fazemos com as lições que nos chegam. A questão não é causal, mas quem sabe correlacional.

Podemos aprender amar se relacionando. Trocando experiências, afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optar. E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento... É arriscar, pagar para ver e correr atrás da felicidade. É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins.

Ser de todo mundo, não ser de ninguém é o mesmo que não ter ninguém também... É não ser livre para trocar e crescer... É estar fadado ao fracasso emocional e à tão temida solidão.

(Texto de Mônica Montone)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Servir a uma mulher


É da natureza do homem servir à mulher.
Para servir a uma mulher é preciso que o homem lhe conceda autoridade. Para isso é preciso que ela se diferencie.
Uma mulher pode se diferenciar, entre outras formas, por seu carinho, por sua cumplicidade, pela capacidade de entrega ou, analogamente, pelo prazer que tem em servir ao seu homem.
A mulher que se entrega e aprende a ter prazer em servir tem maior potencial para oferecer ao homem uma relação extremamente intensa e prazerosa. A ela um homem serve feliz por toda uma vida, exercendo plenamente a sua essência. É o tipo de mulher que para tê-la um homem faz qualquer coisa.
Autoridade, diferenciação e serviço têm aqui significado bem mais sutil.
A autoridade aqui é concedida, jamais imposta. O homem apenas reconhece que há autoridade na mulher e a concede conscientemente por meio de suas atitudes. Não há imposição, hierarquia ou recusa na relação.
Na diferenciação não há competição. A mulher simplesmente é o que é e o oferece ao homem naturalmente. Não se compara a nenhuma outra mulher pois sabe o valor que tem.
Assim o homem assume o prazer de servir e passa a exercer naturalmente sua essência. Fazer sua mulher feliz e se perpetuar como seu homem é o objetivo que o move e o realiza.
Homens e mulheres têm naturezas diferentes e complementares. Um é o caminho pelo qual a vida do outro segue. Para se viver esta relação tem que se reconhecer e conceder mutua e espontaneamente a autoridade identificada a partir do livre exercício de cada um ser exatamente o que é.
(Texto de Fernando Dutra)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Síntese da Felicidade


Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E o carinho meu.

(Texto de Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Use o poder da sua mente


É você que cria o seu próprio mundo.
Talvez a maior descoberta da história da humanidade seja o poder da nossa mente de criar praticamente qualquer aspecto da nossa vida.
Tudo o que você vê ao seu redor, no mundo criado pelo homem, começou como uma idéia ou um pensamento na mente de algum indivíduo para, em seguida, ser concretizado na realidade.
Tudo na sua própria vida começou como um pensamento, um desejo, uma esperança ou um sonho, na sua mente ou na de alguém.
Os seus pensamentos são criativos; eles formam e modelam o seu mundo e tudo que lhe acontece.
O princípio essencial de todas as religiões e filosofias, da metafísica e da psicologia, assim como do sucesso, é o mesmo: Você transforma-se naquilo em que pensa a maior parte do tempo.
O seu mundo externo torna-se um reflexo do seu mundo interno, reflectindo de volta aquilo em que você pensa.
Tudo aquilo em que você pensa com frequência manifesta-se na sua realidade.
Milhares de pessoas de sucesso têm sido convidadas a dizer em que costumam pensar a maior parte do tempo. A resposta mais comum é que elas pensam muito sobre o que querem  e como consegui-lo.
As pessoas infelizes e sem sucesso estão a maior parte do tempo pensando e falando sobre o que não querem.
Quase sempre estão falando dos seus problemas e preocupações e tentando atribuir culpas. Já as pessoas de sucesso mantêm os seus pensamentos e as suas conversas voltados para temas associados às suas metas mais intensamente desejadas.
A maior parte do tempo pensam e falam sobre aquilo que querem.
Viver sem metas claras é como dirigir numa neblina densa.
Por mais potente e bem concebido que seja o seu carro, você dirige lenta e hesitantemente, avançando pouco, mesmo em estradas de excelentes condições.
Tomar decisões a respeito das suas metas é algo que dissipa imediatamente a neblina, permitido que você focalize e canalize as suas energias e a sua capacidade.
O estabelecimento de metas claras permite-lhe pisar no acelerador da sua vida e correr velozmente para a realização de um maior número de objectivos.
Imagine-se fazendo a seguinte experiência: você tira um pombo-correio do seu pombal, aprisiona-o numa gaiola, cobre-a com um cobertor, coloca-a dentro de uma caixa e dentro de um caminhão fechado. Em seguida, dirige o caminhão por mil quilómetros em qualquer direção. Se, em seguida, você abrir a cabine do caminhão, retirar a caixa, descobrir a gaiola e libertar o pombo-correio, verá que ele voa três vezes em círculo e, em seguida, parte sem hesitação de volta a seu pombal, a mil quilômetros de distância.
Nenhum outro ser vivo na face da Terra é dotado dessa incrível função cibernética de busca de metas, excepto o homem.
Você dispõe da mesma capacidade de realização de metas que o pombo-correio, só que com um maravilhoso acréscimo. Quando tem absoluta clareza a respeito da sua meta, nem precisa saber onde ela fica ou como alcançá-la. Pelo simples fato de decidir exatamente o que quer, você começará a mover-se infalivelmente em direção à sua meta, e ela começará a mover-se infalivelmente na sua direção. Ambos haverão de encontrar-se no momento certo e no lugar exato.
Devido a este incrível mecanismo cibernético localizado bem no fundo da sua mente, você quase sempre alcança as suas metas, quaisquer que sejam.
Se o seu objetivo é chegar em casa à noite e ver televisão, é quase certo que o alcançará. Se o seu objetivo é criar uma vida maravilhosa, cheia de riqueza, felicidade e prosperidade, também o alcançará.
Como um computador, o seu mecanismo de busca de metas não tem critérios. Funciona automática e continuamente para lhe trazer o que você quer, independentemente da programação estabelecida para ele.
A natureza não se importa com o tamanho das suas metas. Se você estabelecer metas humildes, o seu mecanismo automático de consecução de metas haverá de permitir-lhe alcançar metas humildes. Se fixar metas ambiciosas, esta capacidade natural permitirá que alcance metas ambiciosas.
O tamanho, o alcance e os detalhes das metas sobre as quais decide pensar a maior parte do tempo dependem totalmente de si.

Texto extraído do livro " Metas" , de Brian Tracy

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Todo aquele amor que eu tinha



E se um dia você me perguntar,
onde esta todo aquele amor que eu tinha?
Possivelmente deverei responder, não sei!!...
Não sei, mas imagino que tenha ficado, em alguns pedaços,
consumidos nas noites intermináveis de solidão e saudade...
em uma dor, que somente nos dois conhecemos...
eu antes e você agora...


Talvez, todo aquele amor que eu tinha,
Tenha sido dividido e espalhado em partes,
Quando quebrado (foi) o meu coração... (one more brocken hart).
pode ser também, que tenha ficado,
nos tristes momentos de cansada busca, para tentar em vão,
entender, o por que de tudo isso???


É como se cada fisgada daquela dor,
levasse um pouco do meu peito e da minha alma,
destruindo sempre e cada vez mais,
todo aquele amor que eu tinha...
Talvez tenha sido dividido, cortado,
Esquartejado e em praça publica exposto, sem piedade...
E no meio da multidão, sangrado a minha dor...
por todo aquele amor que eu tinha,
Não por ter sido desprezado,
Mas apenas, não correspondido...


Agora! Uma certeza tenho,
que cada pedaço, uma grande parte,
E um pouco mais, ainda,
de todo aquele amor que eu tinha,
Foram consumidos nas horas de negra solidão,
em que sonhei e desejei sozinho, em nossa cama,
aquela somente nossa, emoção e fantasia,
que no momento me eram negados...


hoje talvez, não exista mais,
todo aquele amor que eu tinha,
mas ainda existe em cada sorriso seu,
em cada brilho furtivo, que ainda recebo de seus olhos,
a maravilhosa certeza que existiu e ainda existe sim,
UMA ÚNICA MULHER,
que me faz sempre querer lhe dar,
Todo esse amor que EU TENHO...



Diomar Naves
(Palmas 30 de dezembro de 2010).


Era uma vez... um coração.

Aparentemente era como os outros: vermelho, no mesmo formato, parecia bater as mesmas compassadas dos outros corações. Na verdade, esse coração não se inundava em sangue, muito menos se atentava às suas batidas. Ele se inundava em sentimentos nobres e borbulhantes, e o que mudava seu compasso eram as emoções desregradas que vivia quando encontrava outro coração.

Era incansável em busca de um grande amor, de uma mulher que o completasse por inteiro, que pudesse fazê-lo sentir todo o amor que ele dedicou a tantos outros corações por toda a vida, em vão. Às vezes, sem a menor pretensão de nada, apenas pelo prazer de amar. Mas outras vezes amava com toda sua força, na esperança que aquele coração fosse a outra parte de seu próprio ser, e que seus compassos, embora batessem em ritmo diferente, quando juntos formavam uma harmonia musical inigualável.

Um dia, ele se cansou de tanto procurar. Olhou para si mesmo e questionou o porquê de tantas faltas, tantas ausências, tantas dores, tantos desencontros. O que fazer com tanto sentimento represado em si? Para que serve toda aquela essência tão especial? Perguntou-se até mesmo se ainda sabia o que é o amor ou se amar ainda valia à pena, já que todos os seus encontros terminavam em desamor.

Sentia-se machucado, esfolado por todos os lados, partido, totalmente desolado. A solidão lhe chicoteava por longas noites, doloridas madrugadas, enquanto a saudade chegava de mansinho e se instalava, ia tomando conta de todo o seu corpo, adentrando cada esperança e transformando tudo em desilusão. Nesse constante caminhar adiava sonhos, como se o sol pudesse adiar a manhã.

Mas algo dentro do peito, incansável, insistia na certeza que a vida só vale se for por amor, porque se não for assim, perde-se o sentido do bem viver. Ainda é cedo para tirar conclusões. Ainda é tempo de se dar uma nova chance. Deixar de lado a imaturidade de querer encontrar perfeitos corações ou transformar corações para que se encaixem na forma perfeita de amar, entendendo que o amor não é forma concreta, não é previsível. Apenas pode ser sonhado, sentido dentro de si como uma luz que brilha dentro de nós e que não há noite escura capaz de ocultar.

No fundo, esse coração sabe que todo aquele amor que tinha, ainda existe, branco, intenso e forte dentro dele, independente de todo e qualquer tempo ou contratempo. Ele reconhece que a espera terá sua recompensa, como a criança que debruça na janela para ver no céu o rastro dourado do trenó do Papai Noel e que, quando olha pro lado, como num passe de mágica, surpreende-se com os inúmeros presentes que estão ao pé da Árvore de Natal, bem a seu alcance, prontos a serem abertos.

Presentes que se revelam numa cumplicidade gostosa, num carinho mútuo, numa troca de olhares, em sorrisos (ora tímidos, ora escancarados), em momentos íntimos a dois, num gozo de prazer, no cuidado e respeito um com o outro, atitudes que só existem quando dois corações se amam verdadeiramente.

Esse coração sabe que o que é seu está guardado a sete chaves e lhe será dado no momento certo. Momento que cessará toda dor, toda solidão, toda desilusão, todo desamor e, dali em diante, ele descobrirá um amor ainda maior que aquele que ele reconhece existir. E aí, todas as peças irão se encaixar, todas as perguntas serão respondidas, todos os sonhos realizados e o amor que existe será imenso, pois como alguém já disse, o amor contraria todas as leis da Matemática, pois é a única coisa que, quando dividida, torna-se ainda maior.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Medo de amar


Medo de amar? Parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da inadimplência, e a não menos temida solidão, que é o que nos faz buscar relacionamentos. Mas absurdo ou não, o medo de amar se instala entre as nossas vértebras e a gente sabe por quê.

O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba. Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável. Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade.

E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro.

Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos.

Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo.

(Texto de Martha Medeiros)