sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O amor...


O amor não morre. Ele se cansa muitas vezes. Ele se refugia em algum recanto da alma tentando se esconder do tédio que mata os relacionamentos.Não é preciso confundir fadiga com desamor.

O amor ama. Quem ama, ama sempre. O que desaparece é a musicalidade do sentimento. A causa? O cotidiano, o fazer as mesmas coisas, o fato de não haver mais mistérios, de não haver mais como surpreender o outro.

São as mesmices: mesmos carinhos, mesmas palavras, mesmas horas... o outro já sabe! Falta magia. Falta o inesperado. O fato de não se ter mais nada a conquistar mostra o fim do caminho. Nada mais a fazer. Muitas pessoas se acomodam e tentam se concentrar em outras coisas, atividades que muitas vezes não têm nada a ver com relacionamentos. Outras procuram aventuras.

Elas querem, a todo custo, se redescobrir vivas; querem reencontrar o que julgam perdido: o prazer da paixão, o susto do coração batendo apressado diante de alguém, o sono perdido em sonhos intermináveis e desejos infindos. Não é possível uma vida sem amor.

Ou com amor adormecido. Se você ama alguém, desperte o amor que dorme! Vez ou outra, faça algo extraordinário. Faça loucuras, compre flores, ofereça um jantar, ponha um novo perfume...

Não permita que o amor durma enquanto você está acordado sem saber o que fazer da vida. Reconquiste! Acredite: reconquistar é uma tarefa muito mais árdua do que conquistar, pois vai exigir um esforço muito maior. Mas... sabe de uma coisa? Vale a pena! Vale muito a pena!

(Texto de Letícia Thompson)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Quero voltar a confiar!


Fui criado com princípios morais comuns:
Quando eu era pequeno, mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades dignas de respeito e consideração.
Quanto mais próximos ou mais velhos, mais afeto.
Inimaginável responder de forma mal educada aos mais velhos, professores ou autoridades…
Confiávamos nos adultos porque todos eram pais, mães ou familiares das crianças da nossa rua, do bairro, ou da cidade…
Tínhamos medo apenas do escuro, dos sapos, dos filmes de terror…
Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo aquilo que perdemos.
Por tudo o que meus netos um dia enfrentarão.
Pelo medo no olhar das crianças, dos jovens, dos velhos e dos adultos.
Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos.
Não levar vantagem em tudo significa
ser idiota.
Pagar dívidas em dia é ser tonto… Anistia para corruptos e sonegadores…
O que aconteceu conosco?
Professores maltratados nas salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas e portas.
Que valores são esses?
Automóveis que valem mais que abraços,
Filhas querendo uma cirurgia como presente por passar de ano.
Celulares nas mochilas de crianças.
O que vais querer em troca de um abraço?
A diversão vale mais que um diploma.
Uma tela gigante vale mais que uma boa conversa.
Mais vale uma maquiagem que um sorvete.
Mais vale parecer do que ser…
Quando foi que tudo desapareceu ou se tornou ridículo?
Quero arrancar as grades da minha janela para
poder tocar as flores!
Quero me sentar na varanda e dormir com a porta aberta nas noites de verão!
Quero a honestidade como motivo de orgulho.
Quero a vergonha na cara e a solidariedade
Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olhar olho-no-olho.
Quero a esperança, a alegria, a confiança!
Quero a esperança, a alegria, a confiança!
Quero calar a boca de quem diz:
“ temos que estar ao nível de…”,
ao falar de uma pessoa.
Abaixo o “TER”, viva o “SER”
E viva o retorno da verdadeira vida, simples como a chuva, limpa como um céu de primavera,
leve como a brisa da manhã!
E definitivamente bela, como cada amanhecer.
Quero ter de volta o meu mundo simples e comum.
Onde existam amor, solidariedade e fraternidade como bases.
Vamos voltar a ser “gente”
Construir um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas.
Utopia?
Quem sabe?...
Precisamos tentar…
Quem sabe comecemos a caminhar transmitindo essa mensagem…
Nossos filhos merecem e nossos netos certamente nos agradecerão!
(Autor Desconhecido)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Entre em 2012 leve

Tenho um desejo para 2012. Chegar nele leve. Não falo de peso. Eu me refiro à bagagem que acumulamos com o tempo: os nossos pertences. É hora de abrir os armários, doar livros, roupas e sapatos. Fazer uma limpeza geral e dar um destino melhor ao que aparentemente poderia ficar guardado por anos sem uso. E daí que é bolsa de marca? Ótimo. Alguém ganhará uma ótima bolsa de marca. Custou muito e você não usa? Dê! Perto de você deve ter alguma pessoa capaz de valorizar ainda mais seu presente há muito inútil. Aquele vestido de madrinha encomendado há dez anos? Fala sério, se te convidarem para madrinha daqui a dois anos você vai usar novamente? Se você respondeu sim, que vai reciclar e tal, parabéns. Caso contrário, tente um brechó. Você pode vendê-lo em consignação. E os livros? Já leu todos? Passe adiante, pelo menos alguns deles. Quer guardar para os filhos? Leve em conta, por favor, que a reforma ortográfica fará com que algumas palavras soem como pharmarcia com ph para os futuros leitores.
Meias estão se acumulando nas gavetas? Vê se não tem uma com fio puxado para jogar no lixo. E meias sem par? Tem coisa mais inútil? Contas de telefone velhas, extratos, canhotos de cheques, canetas falhando, relógios quebrados. Conserte ou jogue tudo fora,vai.
Casa com duas crianças pequenas tende a acumular brinquedos, que perdem o encanto, as peças, a graça. Vamos doar um monte? Lá foi a mais velha feliz da vida separar Barbies com cara de novas. Até eu fiquei espantada. Mas deixei passar. O mesmo não posso dizer da  baixinha de 2 anos que não gostou nada nada de ver uma sacola cheia de brinquedos indo embora. “MEUS BINQUEDOS!!!!!”, disse, antes de abrir um choro de dor e revolta, que logo passou.
E o computador antigo que você guardou não sabe para quê? Doe para uma escola. Tem sempre uma precisando. Já reparou se está de fato usando todas as panelas guardadas na cozinha? E os potinhos de plástico? O lixo reciclável também é um bom destino para muitas das tralhas que acumulamos em casa. Tem duas vassouras piaçaba? Você usa as duas ao mesmo tempo? Leve logo aquele aparelho celular desativado para a reciclagem. E se comprar um vestido novo para o Natal, tire outro do armário antes que ele fique tão surrado a ponto de ninguém querer usar.
Casas entulhadas me dão nervoso. Parece que uma nuvem de energia pesada paira no ambiente. Armários abarrotados então…nada mais deselegante. Li isso num ótimo manual sobre elegância e etiqueta, by Gloria Khalil. E elegância, não me entendam mal, não tem a ver com grana, nem com sua capacidade de comprar um super-closet. Doar artigos em bom estado é uma atitude elegante e sempre será.
Questionar a utilidade de tudo em casa é uma ótima resolução de ano novo. Melhor do que aderir a uma nova dieta e mais fácil do que atacar de frente aquele seu defeito insuportável é abrir mão de coisas. Libera energia, e faz um bem enorme à consciência ver que tem gente aproveitando o que você desprezou. Sentir-se leve é um ótimo primeiro passo para um ano realmente novo. Leves, caminhamos com mais facilidade e sonhamos com mais liberdade, sem falar que gavetas vazias dão ótima arrumação.

(Texto de Isabel Clemente)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

15 anos - Ana Vitória



Fiquei lisonjeada pelo convite carinhoso de escrever e poder falar da Ana Vitória. E hoje, quando comemoramos suas 15 primaveras, eu vim falar de flores.

“Olhai os lírios do campo, como eles crescem...”, cita a Bíblia. E como cresceu!!! Lembro-me bem daquela bebê, linda, tão pequena, de narizinho arrebitado, de uma delicadeza tão grande que nos deixa a todos inebriados. Vinda de uma família que é exemplo de união, cumplicidade, respeito e bondade, foi nesse seio familiar que Deus escolheu para fazer brotar essa menina.

Com a delicadeza de uma orquídea rara, ela foi se desenvolvendo com a luz do amor a ela dedicado, nutrindo-se da dedicação oferecida por seus pais e irmão.

Seu jeitinho serelepe e sua cor morena, muito se assemelham com a flor beijinho que, com sua origem africana (não temos como negar), é multicor. A alegria que ela emana mais parece um arco íris e com suas cores fortes e vibrantes vai colorindo tudo à sua volta, pintando em nossas vidas a mais bela obra prima.

Assim como a rosa, tem uma beleza única. E quando cito a beleza, não falo apenas dessa morena de cabelos viçosos, olhos grandes e sorriso largo no rosto. Falo também de sua meiguice inigualável, seu jeito carinhoso e atencioso de ser, que enaltece ainda mais a sua doçura.

Seu comportamento diante da vida, é como o da tulipa, que cresce retamente, usando de suas verdades para vencer o mundo e conquistar o seu espaço, sempre atenta à direção que quer alcançar, reconhecendo que seu limite é o próprio céu.

E de tanto falar de flores, fico pensando se não é a Ana Vitória a flor mais bela de todas as flores. Falar da Ana Vitória citando apenas as flores, é simplista demais, pois ela é a grama verde que nos reabastece de energia, o calor do sol que aquece a vida da gente, o orvalho quase imperceptível que torna nossa vida mais bela e o cantar dos passarinhos que nos encanta todas as manhãs.

Certa vez, Vanderic escreveu para ela:

"O sol está encantado com o brilho desses olhos mesmo sem saber o quão longe eles enxergam.
As folhas curvam-se para tocar a suavidade e o viço desses cabelos.
Invejosa, a flor vira-se para não ver alguém muito mais bonita que ela.
Fascinada, a abelha pára no ar ao perceber o cheiro de pele brejeira.
Enquanto o pássaro vai cantar longe a formosura de Ana Vitória.”

É, Vanderic! Tenho que concordar. A natureza, criação mais perfeita de Deus, sente-se pequena perto da grandeza dessa menina...

Por essas e tantas outras, quero hoje, Aninha, desejar o que houver de melhor para você, pois é o mínimo que você merece. Deus ilumine todos os seus caminhos, suas conquistas e continue fazendo de você esse ser tão especial e único.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Então, é Natal!



Não quero neste natal,
Escrever - dizer o que é comum...
Mas também não devo esquecer
A razão desta data:
O nascimento do Deus–menino,
Que veio ensinar o amor
E para tal passou por tanta dor...
Assim imagino...
Porque tanta dor...
Para ensinar e aprender amor!

Não quero, neste natal,
Fazer o que todos fazem: Ceias, pacotes, pés e mãos cansados...
De tanto buscar o não essencialmente, Essencial... Presentes, ofertas...
Enrolados em papéis e laços brilhantes, Igual diamantes...

Não quero, neste natal,
Que tudo o que escrevi,
Deixe de acontecer...
Que seja assim... Sim!
Mas de forma diferente...
O amor, como presente!

Quero, neste natal, jogar sobre você
O seu cobertor de sonhos...
Confeccionado com todos os tipos de tecidos,
Retratos e retalhos da sua vida...

Que igual ao tecelão,
Com suas escolhas, formas,
Cheiros e sabores,
Foi tecendo passo a passo...
Refletindo... Construindo... Aprendendo... Reformulando... Mudando...

Quero, neste natal,
Jogar sobre você...
O meu cobertor de estrelas,
Tecido como foi o seu também...

Apenas acrescentei algo mais de mim... Bordei nele um céu cheio de luzes,
No centro a estrela maior...
Representando amor-criança...
O amor-amigo... O amor perfeito,
Sem defeito!

Ah! Este amor que vem comigo... Aconchegando em meu coração a emoção... O desejo de rezar.... Desejar... Amor, Saúde, Paz, Harmonia, Prosperidade...

Porque assim é natal... Porque então é natal, afinal...
Então... É natal...

(Texto de Eliane Volpato)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O que desejo pra você...


Desejo primeiro que você ame, 
E que amando, também seja amado. 
E que se não for, seja breve em esquecer. 
E que esquecendo, não guarde mágoa. 
Desejo, pois, que não seja assim, 
Mas se for, saiba ser sem desesperar. 
Desejo também que tenha amigos, 
Que mesmo maus e inconseqüentes, 
Sejam corajosos e fiéis, 
E que pelo menos num deles Você possa confiar sem duvidar. 
E porque a vida é assim, 
Desejo ainda que você tenha inimigos. 
Nem muitos, nem poucos, 
Mas na medida exata para que, algumas vezes, 
Você se interpele a respeito 
De suas próprias certezas. 
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo, 
Para que você não se sinta demasiado seguro. 
Desejo depois que você seja útil, 
Mas não insubstituível. 
E que nos maus momentos, 
Quando não restar mais nada, 
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé. 
Desejo ainda que você seja tolerante, 
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil, 
Mas com os que erram muito e irremediavelmente, 
E que fazendo bom uso dessa tolerância, 
Você sirva de exemplo aos outros. 
Desejo que você, sendo jovem, 
Não amadureça depressa demais, 
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer 
E que sendo velho, não se dedique ao desespero. 
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e 
É preciso deixar que eles escorram por entre nós. 
Desejo por sinal que você seja triste, 
Não o ano todo, mas apenas um dia. 
Mas que nesse dia descubra 
Que o riso diário é bom, 
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano. 
Desejo que você descubra, 
Com o máximo de urgência, 
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos, 
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta. 
Desejo ainda que você afague um gato, 
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro 
Erguer triunfante o seu canto matinal 
Porque, assim, você se sentirá bem por nada. 
Desejo também que você plante uma semente, 
Por mais minúscula que seja, 
E acompanhe o seu crescimento, 
Para que você saiba de quantas 
Muitas vidas é feita uma árvore. 
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, 
Porque é preciso ser prático. 
E que pelo menos uma vez por ano 
Coloque um pouco dele Na sua frente e diga "Isso é meu", 
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem. 
Desejo também que nenhum de seus afetos morra, 
Por ele e por você, 
Mas que se morrer, você possa chorar 
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar. 
Desejo por fim que você sendo homem, 
Tenha uma boa mulher, 
E que sendo mulher, 
Tenha um bom homem 
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes, 
E quando estiverem exaustos e sorridentes, 
Ainda haja amor para recomeçar. 
E se tudo isso acontecer, 
Não tenho nada mais a te desejar.

(Texto de Vinícius de Morais)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Mensagem de Natal


A solidariedade e a caridade fazem com que todos os dias sejam Natal.

Neste Natal, e sempre, vamos multiplicar Amor. 

Que nossas mãos possam ser portadoras de paz... de afagos... de carinho...

Que escorra delas os mais límpidos sentimentos... de bálsamos... de alívio... de força... de luz... 
Que possam ser espraiados na terra árida 

Fazendo germinar o amor entre as pessoas,

Multiplicando cada melhor essência de nós,

Fazendo-nos fortes em meio à tempestade,

Deixando-nos ver o sol que nasce... 

Que rompe a noite... 

Que se faz dia...

Que se faz belo... 

Que se faz vida!

Que se chama amor...


(Texto de Sumã Pedrosa)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O medo do amor


Medo de amar? Parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da inadimplência, e a não menos temida solidão, que é o que nos faz buscar relacionamentos.

Mas absurdo ou não, o medo de amar se instala entre as nossas vértebras e a gente sabe por quê. 

O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba. Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável. 

Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. 

Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. 

Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade. 

E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. 

Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro. 

Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. 

Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos. 

Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo. 


(Martha Medeiros) 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Me faz um favor?


Quero te pedir um favor... Esqueça tudo o que eu te peço... Não contabilize, não armazene informações... Apenas faça! Faça de um jeito que eu acredite que você faz porque quer, ou melhor, porque adivinha os meus pensamentos e desejos...

Não me deixe perceber seu mau humor, ou sua contrariedade em se dar sem ter a garantia do recibo passado de quanto deu, ou para que deu, para se certificar que a devolução será à altura do investimento.

Deixe-me reviver meu "pensamento mágico" da infância, quando acreditava em minha onipotência, onisciência e onipresença. Por alguns momentos, alimente em mim a sensação de ser insubstituível, impreterivelmente desejada e amada. Acreditarei assim no meu poder de conquista, no meu poder de sedução, de controle, de despertar de pulsões inomináveis… Me fortalecerei. Desejarei te conquistar a cada dia, para que isso tudo permaneça vivo em mim... Assim me sinto viva também.

Compartilhe comigo meus dias, minhas conquistas, minhas risadas... Diga que sou capaz, que posso, que consigo, que você acredita em mim... E, quando precisar, inevitavelmente essa hora vai chegar, me ofereça seu ombro... Para quando meu choro romper e minhas lágrimas descerem aparentemente sem motivo. Ampare minha tristeza, dando um lugar para ela no seu coração. Ajude-me a não me sentir fraca nessa hora, ou carente, ou imatura... Mas humana, de verdade.

Diga que sou linda, me mostre que sou linda, faça-me sentir-me linda. Você pode não saber, mas misteriosamente tem esse poder. Sou linda ao seu lado.

Não me controle, sutilmente me organize... Margeie meus limites, me estimule a expandi-los... Ajude-me a me permitir pequenas loucuras, diga-me que mereço vivê-las, viva-as comigo. Depois riremos disso e essas memórias nos abastecerão de energia e afeto. Farão parte de nossa intimidade, de nosso caminho, de nossa história.

Presenteie-me, mostre-me que você tem o desejo de se dar para mim... Eu saberei receber, serei grata. Aprenda a amar, aprenda a me amar, me ensine a te amar... Aprenda a receber meu amor, me ensine a receber o seu... Habite meus sonhos, meus pensamentos, alimente meus desejos. Deguste o meu sabor, aprecie minhas vicissitudes, tente descobrir-me.

Mas se isso tudo acabar... Ai... Se isso tudo acabar... Quando isso tudo acabar... Que acabe de uma maneira que você possa permanecer na minha memória, assim, terá conquistado meu respeito, minha admiração. Não me obrigue a arrancá-lo das minhas vísceras, como quem arranca um tumor maligno. Não me faça matar-te dentro de mim, assim eu me firo também, me machuco, sangro. Então te peço um favor: esqueça tudo o que te peço... Estou com você porque quero, isso deve valer o risco.

(Texto de Tatiana Rocha Lima)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Síntese das Antíteses



Só temos consciência do belo,

Quando conhecemos o feio.

Só temos consciência do bom,

Quando conhecemos o mau.

Porquanto, o Ser e o Existir,

Se engendram mutuamente.

O fácil e o difícil se complementam.

O grande e o pequeno são complementares.

O alto e o baixo formam um todo.

O som e o silêncio formam a harmonia.

O passado e o futuro geram o tempo.

Eis porque o sábio age

Pelo não agir,

E ensina sem falar,

Aceita tudo que lhe acontece

Produz tudo e não fica com nada.

O sábio tudo realiza e nada considera seu

Tudo faz – e não se apega à sua obra

Não se prende aos frutos da sua atividade

Termina a sua obra

E está sempre no princípio

E por isto a sua obra prospera.


(Texto de Lao Tse)

domingo, 18 de dezembro de 2011

Felicidade e Sabedoria


"Qualquer estúpido pode ser infeliz. 
Não é necessário alguém especial para ver problemas em qualquer coisa, a qualquer hora. Aliás, há pessoas que não desperdiçam uma oportunidade de sofrer. 
Saber transformar pequenos acontecimentos em fonte de alegria é habilidade de poucos”.

Analisando as palavras da mestra, concluí que, à medida que as pessoas evoluem e amadurecem, passam por quatro fases no processo de percepção da felicidade. 

A primeira fase acontece na infância. A criança concebe a felicidade como o “prazer eterno”.

Acredita que esse estado de graça deve fazer parte de todos os momentos de sua vida. É o princípio da busca do prazer. 

Com o tempo, e com as sucessivas frustrações, a criança passa a depositar no futuro sua expectativa de felicidade. Muita gente não ultrapassa essa fase. Quando se sente afetivamente infeliz, continua imaginando que a qualquer momento aparecerá um príncipe encantado para realizar seu sonho de felicidade. 

Acha, por exemplo, que encontrará um emprego no qual poderá ser feliz diariamente. Não se realiza profissionalmente, pois não se prepara para lidar com o sacrifício. 

A segunda fase é quando assimilamos nossas frustrações e passamos a acreditar que a vida é apenas uma coleção de momentos felizes. 

Alguns desistem até de viver um relacionamento consistente e duradouro para procurar prazer em encontros fortuitos. Ou só se sentem felizes no trabalho quando é dia de pagamento. 

Nesse caso, a felicidade se esvazia porque se restringe a fragmentos de vida. 

É o caso das pessoas que só se sentem felizes quando estão à mesa, durante as refeições, ou das que trabalham o mês inteiro, mas só se sentem satisfeitas no dia do pagamento. É uma fase de pobreza existencial. 

A terceira é a fase em que aprendemos que a vida é uma série de ciclos entre celebração e aprendizado, entre instantes de dor e prazer. 

Aqui começamos a perceber que é preciso aproveitar não só os momentos agradáveis, mas também os desagradáveis. Desfrutar dos primeiros e aceitar os recados que a vida nos passa por meio dos segundos. E que desperdiçar qualquer experiência é perder a valiosa chance de crescer como pessoas e sentirmos que estamos vivos. 

A quarta fase é a da maturidade, na qual aprendemos que tudo o que acontece em nossa vida tem um sentido de aprimoramento. 

Nesse estágio de compreensão, paramos de reclamar dos acontecimentos dolorosos e simplesmente aprendemos a lição de cada acontecimento doloroso, evoluindo o que é necessário. 

É o caso da mulher que teve um pai alcoólatra e não pôde fazer nada para impedir que ele se destruísse até a morte. A experiência de impotência quando criança fez com que criasse uma necessidade patológica de querer salvar alcoólatras. Assim, quando adulta, se envolveu em relacionamentos complicados, com homens que bebiam demais. Tinha compulsão por querer tirar os companheiros do vicío. Um dia, se deu conta de que o pai fez com a própria vida o que quis. E que não precisava namorar dependentes do álcool para tentar salvá-lo. 

Quando a consciência chega, a pessoa amadurece e se livra dos padrões destrutivos. 

É como disse a mestra: a felicidade permanente vem quando entendemos o significado dos acontecimentos em nossa vida."

(Desconheço a autoria)

sábado, 17 de dezembro de 2011

Nem tudo é fácil



É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.

É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada.

É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.

É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.

É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.

É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.

É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.

É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.

Se você errou, peça desculpas... É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?

Se alguém errou com você, perdoa-o... É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?

Se você sente algo, diga... É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?

Se alguém reclama de você, ouça... É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?

Se alguém te ama, ame-o... É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?

Nem tudo é fácil na vida... Mas, com certeza, nada é impossível.

Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos, mas também tornemos todos esses desejos, realidade!!!

(Texto de Cecília Meireles)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A nossa vitória de cada dia


Olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. 

Não temos amado, acima de todas as coisas. 

Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. 

Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. 

Não temos nenhuma alegria que não tenha sido catalogada. 

Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. 

Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. 

Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo.

Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda.

Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. 

Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer a sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. 

Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível. 

Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. 

Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. 

Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. 

Falar no que realmente importa é considerado uma gaffe. 

Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. 

Não temos sido puros e ingénuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz.

Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. 

Temos chamado de fraqueza a nossa candura. 

Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. 

E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia. 

(Texto de Clarice Lispector)