terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sem energia???


Chego em casa mais cedo pra poder curtir mais meus filhotes. A programação era levá-los pra queimar um pouco de energia em algum lugar onde eles pudessem comer algo e brincar bastante.

Porém, ao olhar pro céu, tudo preto. Aproximava-se uma chuva como há muito tempo não se via. Como dizem os fazendeiros mais antigos, “daquelas de arrancar pica pau do toco”. E assim foi. Muita água, as ruas alagadas, trovões e relâmpagos fortes e acentuados e resolvemos ficar me casa mesmo, fazendo programinhas de sempre. Sem graça de mais para um fim de sexta-feira, mas é o que tínhamos pra fazer diante da tempestade. Nada.

De repente, a energia acaba. No começo, o caçula ficou com muito medo do escuro, o que é super normal em crianças de três anos de idade. Pra distrair, fui brincando com o celular, assim mantínhamos alguma luz acesa no local.

De repente, o mais velho deu uma idéia: “Vamos brincar de gato mia?”. Excelente idéia pra desfocar do medo para a brincadeira. Para quem não conhece, é um esconde-esconde no escuro. Só que quem procura grita: “Gato mia”, quem está se escondendo mia como um gato e só então começa a busca. E assim fomos todos. Aquela correria pela casa, mas por ser pequena, onde o gato miava era muito fácil de encontrar. Pela euforia das crianças e pela correria fazendo barulho ao visinho do andar de baixo, resolvemos parar e acalmar um pouco os ânimos.

Logo, o filho do meio dá outra idéia: “Já sei. Vamos achar nossas lanternas de cabeça e brincar que estamos na mata. Assim, todo mundo com a sua, a casa todo vai ficar iluminada.” E lá fomos nós. Mais euforia. Eu, que não tinha o tal objeto que parece com aquelas luzes que os mineiros têm acoplados no capacete, usei mesmo a lanterna do celular. Afinal, na hora da brincadeira o que vale é a criatividade e não deixar de participar. O mundo lúdico tem dessas coisas, podemos ser e fazer exatamente o que imaginamos, porque a fantasia não tem limites.

Em posse dessas luzes móveis, brincamos de acampamento, como se estivéssemos perdidos na mata e também de espião. A meninada adorou. Principalmente porque entramos todos naquele clima de festa e descontração. Viramos criança de novo. E como é bom ser criança! Ou se sentir com uma.

Brincamos até cansar e nada da luz voltar. Era hora de ir pra cama. Aliás, era passada essa hora. Acendi uma vela em cada quarto e fomos descansar.

Aí fiquei pensando: “Sem energia? Só se for lá fora, porque aqui é tanta energia que dá até choque.” Crianças são mesmo as luzes que iluminam o nosso caminho, nos dedicando sua energia em sorrisos largos, abraços apertados, beijos estalados e muitas peraltices. Essa energia que transforma o mundo nunca acaba!

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