quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Mirella




Mais do que um texto, essa é uma carta. Carta para a minha amiga-irmã-comadre Mirella. Ela está de blog novo e acho que vale a pena divulgar. Tenho certeza que quem entrar vai ter bons momentos de leitura. Portanto, experimentem um pouquinho dela: http://diariodebordomi.blogspot.com
O texto Amigos me deixou muito feliz, porque senti nas entrelinhas, o alto astral dela de volta, o senso crítico que lhe é peculiar e saber que sentimos nossa amizade da mesma forma é sempre muito gratificante. Além do mais, como disse meu texto, também sobre ela, percebi que vida dela está seguindo adiante, em alto e bom tom.
Mirella...
É mesmo a lembrança da minha adolescência, a melhor parte dela. Era ela a amiga que podia dormir na minha casa e eu na casa dela. Era com ela que estudava à tarde e também era ela a minha companheira de recuperação. Nunca me esqueço de uma vez que estávamos sentadas no fim do corredor, num lance de escada (entre um andar e outro), folheando Guia do Estudante, sonhando o curso que faríamos, como seria nossa vida de adultas. Detalhe: estávamos no Terceiro Ano, cheias de notas vermelhas, matando aula naquele momento para... sonhar. Tem coisa melhor?
Nessa época, fazíamos parte da Comissão de Formatura. Eu fui indicada como Tesoureira pelo padre diretor da escola. Nem sei como isso! Meus pais nem me deixavam sair de casa?! Sei sim. Apesar desse meu jeitinho destrambelhado de ser e falar, quem me conhece por inteira sabe que sou uma pessoa leal, responsável e que procura sempre o bem estar da nação.
A Mirella era responsável pelas festas para arrecadação de fundos para a formatura. Afinal, conhecia todo mundo na escola e era muito organizada. Então bolávamos as festas, os nomes, os temas, os locais, os preços, e depois matávamos aula pra sair divulgando de sala em sala. Tinha até teatrinho de apresentação. Era hilário!
Fazíamos de tudo naquela escola. Os coordenadores e grande parte dos professores eram todos nossos grandes amigos. Tanto, que havia uma feira na rua da escola, onde gostávamos de comer pastel (hummm... saudade daquele pastel. Hoje não deve ter mais o delicioso sabor da adolescência) e para comer matávamos a primeira aula. Quando batia o primeiro sinal, o tio Lulu, forma que chamávamos nosso Coordenador (sente a intimidade), ia nos buscar na feira e colocar pra dentro da escola. No recreio, ele ia pessoalmente buscar pastel pra gente.
Tinha também o Gugu, que era um auxiliar de Coordenação, que ficávamos fora de aula para ajudá-lo a carimbar as carteirinhas de presença. Numa dessas, carimbamos também nossos dias ausentes na maratona de recuperação. Tinha gente que fuzilava a gente pelo olhar. Conseguíamos coisas que ninguém conseguia, através de nosso jeitinho todo especial. Acho que foi a Mi que me ensinou meu lado mala de ser. Risos.
Foi com ela que compartilhei todas aquelas aspirações adolescentes, o coração apaixonado, os namoros, as paqueras, as saídas, as viagens para Caldas Novas e para a fazenda. Era sempre muito divertido, porque ela sempre foi muito mais esperta que eu e era muito crítica, portanto, vivia “tirando uma” com a minha cara. Mesmo assim, eu gostava. Foi assim que aprendi a achar graça de mim mesma.
Inesquecível também foi um show que fomos no Prive das Caldas do Felipe e Falcão, uma dupla sertaneja que nem sucesso fez. Até hoje quando escuto, ela é a primeira pessoa que me vem à cabeça, juntamente com um sorriso nos lábios e o peito cheio de saudade daquela época boa. Ela também adorava sertanejo e me estimulava a gostar cada vez mais. Até hoje quando comentamos, caímos na gargalhada. Cada coisa!
Foi ela que me deu o ombro quando terminei o namoro com a minha paixão oficial (como diz um amigo meu) e que não me deixava recair. Foi ela que deu a maior força pro meu marido investir na relação. O primeiro buquê de flores que ele me deu, quando cheguei de uma viagem ao exterior, em plena noite de domingo, foi graças a ela e sua inteligência aguçada. Achei a coisa mais linda e romântica do mundo. Só tinha os dois lá à minha espera. Meu marido com o lindo buquê e ela com um sorriso enorme no rosto. Lógico que nesse dia e nesse horário só podiam ser de porta de cemitério, mas claro que só fiquei sabendo depois de muito tempo. Não importa, porque fez a vista necessária para o momento. Até hoje meu marido não sabe que sei.
Fui eu que depilei a perna dela pela primeira vez com aqueles aparelhinhos. Ela não sabia se me xingava ou me chutava. Na dúvida, ela fazia as duas coisas ao mesmo tempo e eu, nem aí, continuava depilando e morrendo de rir.
Fui madrinha do primeiro filho dela, que nasceu prematuro e que fiquei junto o tempo todo, como se ele fosse meu. E, mesmo não tendo batizado ele na igreja, porque eles foram embora do país, eu o considero meu afilhado e tenho o maior orgulho disso.
E é engraçado porque, apesar da dor da despedida, eu me sinto próxima dela, mesmo ela estando tão distante. É como se nenhuma distância ou tempo pudesse separar essa nossa amizade, esse nosso amor, os nossos corações. E eu sei que ela vai ler essa frase e vai dizer: “Credo, Negão! Tá me estranhando?”. Mesmo assim, não posso fazer nada. É assim que sinto, é assim que é.
Claro que sinto saudade. Claro que gostaria que ela estivesse aqui. Claro que eu gostaria que ela continuasse compartilhando as bobagens do dia-a-dia comigo. Pensando bem, ela compartilha, porque estamos sempre conversando e trocando experiências, respondendo aos questionamentos uma da outra, filosofando à distância. E até brigando (ela comigo) quando é preciso.
Saber que ela está bem é o que me conforta. Saber que tenho uma amiga como ela, me dá paz. E ela sabe que pode contar comigo sempre. É o que importa!

Um comentário:

  1. Negao do ceu, coisa mais linda!Mas nao precisava botar foto,ne? Eu ensinei vc a ser mala eh uma ova, vc ja nasceu assim! Mas olha, obrigada. Foi lindo ler, relembrar e cheguei a ouvir o som da sua risada. Vao pensar que a gente namora,ne? kkkkkkk. Como assim, Felipe e Falcao nao fizeram sucesso? Hahahaha.Tudo bem que a primeiras flores que Cumpadi te deu, tinham la um cheirinho de defundo, mas o que vale eh a intencao. kkkkkkkk. Te amo, minha nega!

    ResponderExcluir