quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Meu mundo é maior


Assisti no último domingo uma peça encenada pelos alunos da APAE de Goiânia. Para quem não sabe, APAE é Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais.

Comprei de um amigo que trabalha lá, mais como ajuda à instituição e, ao mesmo tempo, com o intuito de levar meus filhos para conhecerem o outro lado da vida, como se eu conhecesse. Mostrar a eles que não temos o direito de reclamar de nada, pois Deus nos deu saúde pra realizar tudo que queremos.

Fiquei muito surpresa com tudo o que vi. Foi realmente um grande espetáculo! O teatro muito novo e organizado estava lotado. E a peça me deixou boquiaberta pela beleza do figurino, produção, música e roteiro. Não esperava que fosse tão rico e tão lindo.

Claro que chorei várias vezes, pois com um contexto tão significativo, contracenado por pessoas excepcionais de todas as idades, cada um no seu papel, cada qual usando toda sua concentração diante da dificuldade que a vida lhes trouxe... não podia ser diferente, foi um rio de lágrimas.

A história falava de um mundo que era habitado por gigantes e, um dia, falam que esse mundo não é só de gigantes, que existem outros elementos que, embora menores e diferentes, eram importantes para completar toda sua essência e que o mundo precisava conhecer.

Então, esse mundo, representado por uma mocinha aparentemente com Síndrome de Down, vai passeando por outras terras (da terra, das águas, do ar...) e reconhecendo que o mundo poderia ser mais completo com todos aqueles seres, que cada um deles tinha grande importância para sua completude.

Aquele contexto mexeu muito comigo, pois sou uma pessoa que vive em busca de si mesma e me senti na pele daquela menina. Comecei a refletir sobre minhas fragilidades e potencialidades, entendendo a preciosidade de poder ter os dois lados e perceber cada um deles, sabendo que isso tudo faz parte da Taiza Renata, que é assim que me completo e me supero. Percebi também que muitos dos meus medos foram ponte para que eu conquistasse a segurança que sinto hoje, além de coisas preciosas como confiança, verdade, amizade e tantas outras coisas que fazem parte de mim.

A peça foi linda demais! Superou imensamente minhas expectativas e eu, pobre coitada, que pensava que estava indo ajudar financeiramente aquela instituição, saí de lá me sentindo presenteada pelo meu amigo que lá se doa (porque creio que esse é o maior trabalho dele, o qual ele faz com amor) e por cada pessoa daquela do palco com debilidades mentais. Naquele momento, não sabia mais quem era mais deficiente, se eu ou todos eles.

No peito, o sentimento de gratidão ainda maior pela minha vida e pela vida dos meus filhos. No rosto, as lágrimas rolavam a cada criança que entrava. Algumas cadeirantes, algumas com atraso mental, outras que não tinham condição de fazer absolutamente nada, mas que eram empurradas por outros amigos que lhe apoiavam a todo momento.

Também haviam jovens que dançavam, pessoas mais adultas que não entravam em cena, mas que apoiavam toda a produção. Um show de trabalho em equipe e superação de si mesmo.

Às vezes, temos a sensação de sermos gigantes sim, maior que os outros, melhor que os outros. Vestimos essa carapuça, alimentando nosso ego diante da vida onde muitos aproveitam-se do seu suposto tamanho para pisotear nos menores que à sua frente atravessam. Essa é a realidade mais comum que vemos por aí.

Mas, depois deste espetáculo, entendi o quanto ainda sou pequena demais, menor que um grão de areia, com vergonha de achar que sou alguma coisa (qualquer coisa) nessa vida, onde não tenho grandes obstáculos a superar ou dificuldades intransponíveis para resolver.

Aquelas pessoas sim, são gigantes, porque cada novo movimento é uma superação, cada dia é uma nova conquista e todos (eu disse todos) com um sorriso estampado no rosto e um brilho especial no olhar.

Agradeço a Deus por ter ido a essa peça tão significativa, que me fez refletir sobre meu tamanho, que é tão minúsculo e que tanto tem por realizar e quem sabe, assim, crescer.

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