quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Feliz idade



Foi realizado em Madrid o Primeiro Congresso Internacional da Felicidade, e a conclusão dos congressistas foi que a felicidade só é alcançada depois dos 40 anos.

Quem participou desse encontro? Psicólogos, Sociólogos, Artistas de Circo?Não sei. Mas gostei do resultado.

A maioria das pessoas, quando são questionadas sobre o assunto, dizem: "Não existe felicidade, existem apenas momentos felizes."

Era o que eu pensava quando habitava a caverna dos 17 anos, para onde não voltaria nem que me puxassem pelos cabelos. Adolescente é buzinado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar sempre camisinha (e continuar usando), dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, ler livros que não quer e administrar dezenas de paixões fulminantes. Não têm grana para ter o próprio canto, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila. É o apocalipse.

Felicidade, onde está você?

Aqui, na casa dos 40 e sua vizinhança.

Está certo que surgem umas ruguinhas, umas mechas brancas e, a barriga salienta-se, mas é um preço justo para o que se ganha em troca.

Pense bem: depois dos 40 anos, você paga do próprio bolso o que come e o que veste. Vira-se no inglês, no francês, no italiano e no iídiche, e ai de quem rir do seu sotaque.

Não tenta mais o suicídio quando um amor não dá certo, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila hippie por uma de notebook e não precisa de autorização de ninguém para assistir ao canal da Playboy.

Talvez não tenha se tornado o bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e simpatiza com o(a) cara.

Depois que cumprimos as missões impostas no berço: ter uma profissão, casar e procriar, passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos. Somos os titulares de nossas decisões.

A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta.

A maturidade, sim, permite uma certa loucura.

Depois dos 40, conforme descobriram os participantes daquele congresso curioso, estamos mais aptos a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes.

Alguém discorda?

(Desconheço a autoria).

Um comentário:

  1. Mandei o seu endereço para minha filha no seu aniversário de 40 anos. Adoramos!

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