sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Um olhar especial para 2011


O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho. É viver cada momento e construir a felicidade aqui e agora.

Claro que a vida prega peças. O bolo não cresce, o pneu fura, chove demais, perdemos pessoas que amamos... Mas, pensa só...

Tem graça viver sem rir de gargalhar, pelo menos uma vez ao dia? Tem sentido estragar o dia por causa de uma discussão na ida pro trabalho?

Eu quero viver bem... E você?

2010 foi um ano cheio de coisas boas, mas também de problemas e desilusões, tristezas e perdas, reencontros... Normal.

2011 não vai ser diferente. Muda o século, o milênio muda, mas o Homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas, e aí? Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?

O que eu desejo pra todos nós é sabedoria. E que todos nós saibamos transformar tudo em uma boa experiência.

O nosso desejo não se realizou? Beleza... Não estava na hora, não deveria ser a melhor coisa para esse momento (me lembro sempre de uma frase que ouvi e adoro: 'cuidado com seus sonhos, desejos, eles podem se tornar realidade').

Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano. Mas,se a gente se entender e permitir olhar o outro e o mundo com generosidade,as coisas ficam diferentes. Desejo para todo mundo esse olhar especial!

2011 pode ser um ano especial, se nosso olhar for diferente.

Pode ser muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro.

2011 pode ser o máximo, maravilhoso, lindo, especial!

Depende de mim... De você.

Pode ser...

E que seja!


(Texto de Arnaldo Jabor)

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Mirella




Mais do que um texto, essa é uma carta. Carta para a minha amiga-irmã-comadre Mirella. Ela está de blog novo e acho que vale a pena divulgar. Tenho certeza que quem entrar vai ter bons momentos de leitura. Portanto, experimentem um pouquinho dela: http://diariodebordomi.blogspot.com
O texto Amigos me deixou muito feliz, porque senti nas entrelinhas, o alto astral dela de volta, o senso crítico que lhe é peculiar e saber que sentimos nossa amizade da mesma forma é sempre muito gratificante. Além do mais, como disse meu texto, também sobre ela, percebi que vida dela está seguindo adiante, em alto e bom tom.
Mirella...
É mesmo a lembrança da minha adolescência, a melhor parte dela. Era ela a amiga que podia dormir na minha casa e eu na casa dela. Era com ela que estudava à tarde e também era ela a minha companheira de recuperação. Nunca me esqueço de uma vez que estávamos sentadas no fim do corredor, num lance de escada (entre um andar e outro), folheando Guia do Estudante, sonhando o curso que faríamos, como seria nossa vida de adultas. Detalhe: estávamos no Terceiro Ano, cheias de notas vermelhas, matando aula naquele momento para... sonhar. Tem coisa melhor?
Nessa época, fazíamos parte da Comissão de Formatura. Eu fui indicada como Tesoureira pelo padre diretor da escola. Nem sei como isso! Meus pais nem me deixavam sair de casa?! Sei sim. Apesar desse meu jeitinho destrambelhado de ser e falar, quem me conhece por inteira sabe que sou uma pessoa leal, responsável e que procura sempre o bem estar da nação.
A Mirella era responsável pelas festas para arrecadação de fundos para a formatura. Afinal, conhecia todo mundo na escola e era muito organizada. Então bolávamos as festas, os nomes, os temas, os locais, os preços, e depois matávamos aula pra sair divulgando de sala em sala. Tinha até teatrinho de apresentação. Era hilário!
Fazíamos de tudo naquela escola. Os coordenadores e grande parte dos professores eram todos nossos grandes amigos. Tanto, que havia uma feira na rua da escola, onde gostávamos de comer pastel (hummm... saudade daquele pastel. Hoje não deve ter mais o delicioso sabor da adolescência) e para comer matávamos a primeira aula. Quando batia o primeiro sinal, o tio Lulu, forma que chamávamos nosso Coordenador (sente a intimidade), ia nos buscar na feira e colocar pra dentro da escola. No recreio, ele ia pessoalmente buscar pastel pra gente.
Tinha também o Gugu, que era um auxiliar de Coordenação, que ficávamos fora de aula para ajudá-lo a carimbar as carteirinhas de presença. Numa dessas, carimbamos também nossos dias ausentes na maratona de recuperação. Tinha gente que fuzilava a gente pelo olhar. Conseguíamos coisas que ninguém conseguia, através de nosso jeitinho todo especial. Acho que foi a Mi que me ensinou meu lado mala de ser. Risos.
Foi com ela que compartilhei todas aquelas aspirações adolescentes, o coração apaixonado, os namoros, as paqueras, as saídas, as viagens para Caldas Novas e para a fazenda. Era sempre muito divertido, porque ela sempre foi muito mais esperta que eu e era muito crítica, portanto, vivia “tirando uma” com a minha cara. Mesmo assim, eu gostava. Foi assim que aprendi a achar graça de mim mesma.
Inesquecível também foi um show que fomos no Prive das Caldas do Felipe e Falcão, uma dupla sertaneja que nem sucesso fez. Até hoje quando escuto, ela é a primeira pessoa que me vem à cabeça, juntamente com um sorriso nos lábios e o peito cheio de saudade daquela época boa. Ela também adorava sertanejo e me estimulava a gostar cada vez mais. Até hoje quando comentamos, caímos na gargalhada. Cada coisa!
Foi ela que me deu o ombro quando terminei o namoro com a minha paixão oficial (como diz um amigo meu) e que não me deixava recair. Foi ela que deu a maior força pro meu marido investir na relação. O primeiro buquê de flores que ele me deu, quando cheguei de uma viagem ao exterior, em plena noite de domingo, foi graças a ela e sua inteligência aguçada. Achei a coisa mais linda e romântica do mundo. Só tinha os dois lá à minha espera. Meu marido com o lindo buquê e ela com um sorriso enorme no rosto. Lógico que nesse dia e nesse horário só podiam ser de porta de cemitério, mas claro que só fiquei sabendo depois de muito tempo. Não importa, porque fez a vista necessária para o momento. Até hoje meu marido não sabe que sei.
Fui eu que depilei a perna dela pela primeira vez com aqueles aparelhinhos. Ela não sabia se me xingava ou me chutava. Na dúvida, ela fazia as duas coisas ao mesmo tempo e eu, nem aí, continuava depilando e morrendo de rir.
Fui madrinha do primeiro filho dela, que nasceu prematuro e que fiquei junto o tempo todo, como se ele fosse meu. E, mesmo não tendo batizado ele na igreja, porque eles foram embora do país, eu o considero meu afilhado e tenho o maior orgulho disso.
E é engraçado porque, apesar da dor da despedida, eu me sinto próxima dela, mesmo ela estando tão distante. É como se nenhuma distância ou tempo pudesse separar essa nossa amizade, esse nosso amor, os nossos corações. E eu sei que ela vai ler essa frase e vai dizer: “Credo, Negão! Tá me estranhando?”. Mesmo assim, não posso fazer nada. É assim que sinto, é assim que é.
Claro que sinto saudade. Claro que gostaria que ela estivesse aqui. Claro que eu gostaria que ela continuasse compartilhando as bobagens do dia-a-dia comigo. Pensando bem, ela compartilha, porque estamos sempre conversando e trocando experiências, respondendo aos questionamentos uma da outra, filosofando à distância. E até brigando (ela comigo) quando é preciso.
Saber que ela está bem é o que me conforta. Saber que tenho uma amiga como ela, me dá paz. E ela sabe que pode contar comigo sempre. É o que importa!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Feliz idade



Foi realizado em Madrid o Primeiro Congresso Internacional da Felicidade, e a conclusão dos congressistas foi que a felicidade só é alcançada depois dos 40 anos.

Quem participou desse encontro? Psicólogos, Sociólogos, Artistas de Circo?Não sei. Mas gostei do resultado.

A maioria das pessoas, quando são questionadas sobre o assunto, dizem: "Não existe felicidade, existem apenas momentos felizes."

Era o que eu pensava quando habitava a caverna dos 17 anos, para onde não voltaria nem que me puxassem pelos cabelos. Adolescente é buzinado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar sempre camisinha (e continuar usando), dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, ler livros que não quer e administrar dezenas de paixões fulminantes. Não têm grana para ter o próprio canto, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila. É o apocalipse.

Felicidade, onde está você?

Aqui, na casa dos 40 e sua vizinhança.

Está certo que surgem umas ruguinhas, umas mechas brancas e, a barriga salienta-se, mas é um preço justo para o que se ganha em troca.

Pense bem: depois dos 40 anos, você paga do próprio bolso o que come e o que veste. Vira-se no inglês, no francês, no italiano e no iídiche, e ai de quem rir do seu sotaque.

Não tenta mais o suicídio quando um amor não dá certo, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila hippie por uma de notebook e não precisa de autorização de ninguém para assistir ao canal da Playboy.

Talvez não tenha se tornado o bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e simpatiza com o(a) cara.

Depois que cumprimos as missões impostas no berço: ter uma profissão, casar e procriar, passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos. Somos os titulares de nossas decisões.

A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta.

A maturidade, sim, permite uma certa loucura.

Depois dos 40, conforme descobriram os participantes daquele congresso curioso, estamos mais aptos a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes.

Alguém discorda?

(Desconheço a autoria).

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Vai passar


Uma pergunta: Você está agora, neste momento, muito alegre por algum motivo particular, digamos alguma conquista ou recente experiência, memorável? Tenho uma péssima notícia para você. Isso vai passar. Próxima pergunta: Você está agora muito triste, melancólico, cabisbaixo por algo que lhe aconteceu, que lhe contrariou, abalou e tirou seu ânimo? Pois calma, vai passar.

A vida passa. Você passa. O que você tem e o que você sente também passam. Se não tiver cuidado até mesmo o que você é passa. Como dizia um grande amigo, até “uva passa”. Pense em suas conquistas anteriores. Lembra daquele sentimento bom que lhe invadia, aquela alegria incontrolável por ter comprado o carro novo, começado o namoro tão desejado, conquistado o emprego tão disputado, entrado na universidade tão sonhada? Pois passou. “Ah, eu queria que esse momento jamais acabasse, que durasse eternamente...” Ilusão, pura fantasia descolada da realidade!

Da mesma forma, lembra de todas aquelas vezes que você queria morrer por estar enfrentando um dilema, um conflito ou um trauma que certas circunstâncias da vida lhe proporcionaram, ou algo que sua própria decisão equivocada lhe causou? Também passou. Não tem jeito, tudo isso passa.

Ora, se essa é uma verdade inquestionável, a de que tudo passa, porque não nos preparamos e nos aquietamos diante da infalível volatilidade da vida. Porque nos falta a esperança quando estamos no fundo dos poços emocionais? Porque nos faltam a cautela e o zelo quando estamos no cume das alegrias momentâneas? Existem pessoas que pensam que tudo permanece. Têm um olhar momentâneo, de curto prazo. São incapazes de perceberem a vida como um filme. Só conseguem ver a foto revelada no instante que vivem suas emoções. Não se aquietam, não esperam, não deixam que o senhor da razão, o tempo, faça sua parte, fazendo passar o que por poucos instantes já foi.

A dor chega, se instala, nos mói, nos faz contorcer e, quando vai embora, dizemos: PASSOU. O ônibus que se foi e não alcançamos PASSOU. Mas nos conformamos: “vamos esperar o próximo”. A namorada ou namorado que não são mais, são, agora, passado. “PASSA esse prato, por favor”. Passamos também a pergunta que não sabemos. Até o que é inerte passa. Ou por casa não passa uma certa rua próxima de sua casa. Mas como pode uma rua passar? Simples: é porque por ela passam. Passe também o que não mais lhe serve para frente, deixe que alguém continue a usá-lo. Ou então, passe aquela roupa amassada, use-a, mesmo que você tenha certeza que ela irá amassar novamente, e mais uma vez precisará ser passada. Não tem jeito, a vida vai e vem e tudo passa. Nem mesmo aqueles que afirmam ficar, ficam. Porque se vivem, mudam. E se mudam, passam, mesmo que no mesmo lugar. Tudo passa. Você passa.

Os mais antigos costumavam chamar a morte de passamento. Alguns ainda a definem como passagem. Dizem que o fulano “passou dessa para uma melhor”. Conta-se até uma lenda, que um turista americano viajou vários dias para conhecer um grande guru indiano. Chegando na casa dele, de mala em punho, assustou-se pela cada não ter praticamente nada, a não ser uma cama, uma mesa, uma cadeira, uma prateleira e muitos livros. E ele perguntou ao guru: “Mas o senhor só tem isso?” No que o guru respondeu com uma pergunta: “E você, só tem esta mala?” O turista respondeu: “Sim, mas eu estou aqui só de passagem”. No que o guru devolveu: “Meu filho, nesta vida, eu também”.

Lógico que o que passa não necessariamente se acaba. Mas certamente se transforma. “...as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (II Co 5:17). “Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia” (II Co 4:16). As relações, por exemplo, se transformam, sem necessariamente se acabar, mas passam. Ou você, que é casado há anos, ou até mesmo meses, acredita que tem o mesmo relacionamento que antes. Não! Mesmo que continue com a outra parte uma mesma forma de relacionamento – amizade, casamento, sociedade –, a natureza, intensidade, algumas características desse relacionamento já passaram. Os sentimentos mudam, passam, e se transformam. Outras vezes, as relações passam se rompendo. Mas é certo que não permanecem.

Será então que estamos aqui, neste mundo, somente passando. Será que viver é passar, e não permanecer. Será que nada permanece, será que nada fica? Mateus e Marcos registram que Jesus afirmou: “os céus e a terra passarão, mas minhas palavras não hão de passar”. 2000 anos depois, suas palavras continuam ecoando nos quatros cantos da Terra e maravilhando vidas, passando por corações que se transformam ao debulhar da beleza de seus ensinamentos (que não passam). Sim algo permanece, mas não é humano. Tudo que é humano, mesmo imaterial, passa. As coisas que permanecem transcendem nossa existência, nosso plano. Só o que é espiritual permanece. “Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” (II Co 4:18).

O sorriso pela piada gostosa; o choro pelo ente que se foi; passam. Mas a sede por Deus, e por suas coisas, aquelas que são do alto, permanece em nossos corações. Mesmo que travestidas em forma de desejo, dúvida, certeza, apelo, choro, alegria. E esta sede somente passará quando, finalmente, e para sempre, chegarmos em sua presença. Aí, tudo que se foi terá passado, e nada mais passará. Tudo será eterno. Como Ele é.

Por enquanto, simplesmente aceite a idéia que tudo passa. Mas não faça disso motivo para não agir, achando que tudo vai passar por si só. Os sentimentos bons, as alegrias certamente passarão, mas podem permanecer por mais tempo, durar mais, se você intervir no processo, se você agir. Da mesma forma, se você agir, fazendo algo de valor por si mesmo, as coisas ruins podem passar mais rápido, mesmo sabendo que elas poderiam passar sozinhas. Então, aprenda a esperar pelo tempo, diminua suas ansiedades e angústias, sabendo que, felizmente, as coisas ruins passarão, mas que, infelizmente, as boas também. Deposite sua esperança nAquele que nunca passa, e com isso aumente o tempo do gozo das alegrias, e reduza o tempo da dor das tristezas e insucessos. Mas sabendo que eles sempre passarão.

Só não vale dizer que “na vida, todos somos passageiros, menos o cobrador e o motorista.” Não, você não é passageiro. Você é, na verdade, tem que ser motorista. Tudo que você tem e sente é que é passageiro. Mas isso é assunto para outro texto. E só quando o tempo passar. Esperemos!

(Texto de Paulo Angelim)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O Chamado


Tinha acabado de me reunir com meu Sábio Guru e estávamos filosofando sobre a vida, as pessoas e eu, claro. Adoro estar com ele porque ele tem uma sensibilidade enorme e sabe me ler como poucos. Mais: ele sabe como fazer com que eu me perceba, sem que doa, sem que moa, sem que amoe. Pelo contrário, ele abre pra mim uma cortina, que era tão fininha, que acho incompetência minha não tê-la visto antes.

Cheguei à conclusão que meu Sábio tinha que ser vendido em potinhos, pois todo mundo quer sugar um pouquinho dele, do seu bom papo, da sua companhia agradável, saber tudo que ele tem a nos dizer, pois é sempre muito aproveitável.

Falávamos sobre minha mudança de casa. Segundo ele, a casa representa o nosso corpo e que o ato de mudar de casa é uma mudança que acontece dentro de nós. “Mudar de casa é mais importante do que mudar o corpo”, afirmou ele quando eu disse que tinha feito muitas mudanças no meu corpo esse ano. E, de fato, muitas coisas têm mudado dentro de mim: minha percepção das coisas, meus objetivos, minhas aspirações, meus sentimentos... muita coisa.

Estávamos falando também de atração, as coisas que atraímos pela vida e o porquê disso. Começamos a analisar situações e pessoas à minha volta e, juntos, constatamos que a palavra das pessoas que tenho atraído é “comodidade”, o que é exatamente o que me irrita nas pessoas, o que revela nitidamente a minha necessidade de coragem. O raciocínio é assim: pessoas são espelhos e, de uma forma ou de outra, essa repulsa que sinto pelo comodismo alheio das pessoas que tenho atraído pra minha vida, reflete também a minha necessidade de tomar atitudes, sair da zona de conforto. É a parte que menos gosto em mim, no momento.

Estava eu a caminho do aeroporto, dentro do meu carro, o som ligado bem alto, sexta-feira, às nove e tanto da noite. De repente começa a tocar uma música do Cláudio Zoli chamada “Na sombra de uma árvore”, a qual transcrevo abaixo.

“Pois larga de ser boba e vem comigo
Existe um mundo novo e quero lhe mostrar
Que não se aprende em nenhum livro
Basta ter coragem pra se libertar, viver e amar
De que valem as luzes da cidade
Se no meu caminho a luz é natural
Descansar na sombra de uma árvore
Ouvindo pássaros cantar, cantar”

Entre os devaneios do meu pensamento, a parte da música que me chamou atenção para a letra foi “basta ter coragem de se entregar, viver e amar.” E aí a música ficou repetindo e eu tive a sensação de ser um chamado divino.

Passei a vida toda presa a conceitos, preconceitos, tabus, limitações, andando sempre naquela linha reta, sem permitir o mínimo possível de desequilíbrio. Foi a minha criação e não condeno meus pais por isso, pelo contrário, sou eternamente grata porque sei que foi pra me proteger, foi por amor.

O fato é que essa formação nos trava diante da vida, deixa um peso que muitas pessoas nem conseguem suportar e, por isso, deixam de viver e passam a vida procurando pela felicidade, sem entender que a felicidade está aqui, agora, nas suas mãos. Felicidade é esse momento, essa caminhada, essa busca de nós mesmos, esssa gratidão pela vida. Problemas, crises, dificuldades? Claro que existem. E sempre vão existir. A vida seria muito monótona sem eles, além do que, é graças aos obstáculos que podemos mostrar pra nós mesmos o quanto somos capazes de tanto, sempre.

Depois de altas reflexões sobre o meu momento e a minha pessoa com meu Sábio, entro no carro e ouço essa música, me chamando pra vida, pra leveza que ela tem, convidadando pra bem viver, pra ter coragem de se jogar na vida de corpo, alma e coração. Senti como se Deus estivesse me convidando para um mundo novo, sem julgamentos, sem culpas, sem pudores, me dizendo: “Vem, minha filha! Pega na minha mão! Não tenha medo! Você tem o potencial para se afinar com a verdadeira luz, aquela que vem de dentro e que se conecta a algo muito maior. E quando e permitir, você vai experimentar da leveza da vida que eu criei, especialmente pra você!”

Deus fala comigo de diversas formas. Tenho certeza que aquela voz era Ele. Naquela hora comecei a rir sozinha daquele momento, das minhas “doidices” e senti uma paz interior tão grande, tão grande, que é como se eu estivesse mesmo descansando na sombra de uma árvore grande, verde e linda, olhando pro céu azul e ouvindo uma revoada de pássaros cantar.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Natalino






E, se hoje fosse apenas mais um dia?
E, se fosse apenas mais uma noite de festa?
E, se houvesse sentido para toda essa alegria?
E, se de toda mágoa não restasse uma aresta?

Eu, bem que tento imaginar outro cenário.
Eu, bem que desejo me sentir renovado.
Eu, bem que consigo esquecer do salário.
Eu, bem que descubro o quanto sou amado.

Pois, tudo se transforma num bom motivo.
Pois, as distâncias desaparecem, de repente.
Pois, toda casa é agora um presépio vivo.
Pois, tudo está na surpresa de um presente.

Então, cada um de nós em seu papel.
Então, cada caminho com sua própria luz.
Então, cada um acredita em seu Noel.
Então, cada um encontra, em si mesmo, Jesus. 


(Poema de Paulo Eduardo da Rocha)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Receita: Família


Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. 
Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. 
Pouco importa a qualidade da panela... fazer uma família exige coragem, devoção e paciência.
Não é para qualquer um. 
Os truques, os segredos, o imprevisível...
Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. 
Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. 
Mas a vida (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. 
O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. 
Súbito, feito milagre, a família está servida. 
Fulana sai a mais inteligente de todas. 
Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. 
Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. 
Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. 
Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. 
Ela, a mais apaixonada. 
A outra, a mais consistente.  
E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. 
Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? 
Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. 
Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. 
Não há pressa. Eu espero.
Já estão aí? Todas? Ótimo. 
Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. 
Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza. 
Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa. 
Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto... é um verdadeiro desastre. 
Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. 
Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.  
O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão! 
Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Meuni; Família ao Molho Pardo,  em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. 
Família é afinidade, é a  Moda da Casa. 
E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito. 
Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. 
Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha.  
Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir. 
Enfim, receita de família não se copia, se inventa. 
A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia.
A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel.
Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu.
O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer.
Se puder saborear, saboreie.
Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo.
Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.     
"Se tivéssemos consciência do quanto nossa vida é passageira, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades que temos de ser e de fazer os outros felizes"

(Texto de Francisco Azevedo)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Natal 2010


Estava escolhendo uns textos para o blog sobre o Natal e me deu uma saudade gostosa dos tempos da minha infância. Na minha casa, sempre houve a tradição do Natal.

O dia de montar a Árvore de Natal e decorar a casa, já era uma verdadeira festa. Ficávamos todos agitados e ansiosos para ajudar em alguma coisa, em participar de alguma forma daquele momento. A Árvore tinha que ter o toque de cada um e era montada ao som das músicas natalinas. Ali já começava nosso Natal.

Aí o espírito de solidariedade tomava conta de todos nós. Minha mãe distribuía cestas e mais cestas. Fim de ano era época de faxina lá em casa, tempo de arrumar o que estava estragado e doar a instituições carentes tudo o que não usávamos, que ficava esquecido nos armários e guarda-roupas. E nós, filhos, estávamos sempre acompanhando tudo.

Na véspera do Natal, era uma linda festa. Claro que tinha um Papai Noel que chegava à meia noite, logo após as orações onde todos faziam sua oração espontânea, e distribuía presente para a criançada. E sempre tinha alguma lembrancinha pra alguém, mesmo sendo adulto. Ninguém nunca saía de lá de mãos abanando. Minha mãe arrumava tudo com muito carinho e começava com muita antecedência.

Mas nada se compara ao delicioso sentimento de poder reunir a família. Iam todos os tios e primos. Era uma delícia! Aproveitávamos aquele momento para matarmos a saudade uns dos outros, brincávamos muito e sempre tinha uma mãe brava porque alguém sujou a calça ou o vestido. E, ao fim da festa, tinha criança dormindo em tudo que é lugar: esparramados pelos sofás, encostadas na mesa, no colo dos pais... um cenário típico que afirmava que a noite foi muito proveitosa.

Com o passar dos tempos, a família foi se dividindo. Os filhos casaram e acabam ficando um pouquinho numa família e outro pouquinho em outra. Aquela noite em que não havia a menor preocupação com nada, quando todos ficávamos por conta apenas de curtir uns aos outros, começa a ficar cronometrada.

Por causa do dinheiro ir ficando mais difícil, também já não trocamos presentes entre todos. Fica restrito apenas aos filhos, marido, esposa e, no máximo, pais. Discordo quando dizem que é puro materialismo. Para mim, trocar presentes é uma forma deliciosa de acarinhar o coração, é dizer pro outro: “eu vi isso aqui dias antes do Natal e me lembrei de você” ou ainda “comprei isso pra você porque sei que você gosta”. Hoje vejo um mau humor imenso nas pessoas com a lista de presentes em mãos. É como se tivessem que cumprir mais uma obrigação. E parece não poder se mais um presente simbólico, tem que ser de valor, porque esse é o espírito do Natal no momento. Aqui sim, entra o materialismo: só tem valor se for caro.

Esse ano não arrumei minha casa para o Natal. Pelo contrário, estou encaixotando tudo, inclusive as coisas de Natal, pois estou me mudando de casa. Muito menos comprei um presente quem quer que seja uma semana antes do Natal. Mas é engraçado! Tenho a sensação forte dentro de mim que o meu ano todo foi de Natal e esse movimento deve perdurar por todo 2011.

Passei o ano estreitando laços perdidos, reencontrando pessoas queridos, ajudando quem podia, numa sensação gostosa de estar ganhando o melhor de todos os presentes: o amor doado por mim e recebido por tantos.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Hora de reletir e promover mudanças

Quando você me pergunta sobre a razão de vivermos aqui nesse planeta e o que estamos fazendo e por que há tanto caos, eu devo dizer que a vida é uma jornada, uma jornada para descobrir que você é. E que quando você chega nessa encruzilhada em que descobre quem você é, então você chega à paz. Uma vez que você esteja em paz, você pode criar de acordo com sua consciência criativa.
Isso tem sido muito difícil. Nós temos tentado por milhares e milhares de anos criar um mundo que seja próspero onde reconhecemos uns aos outros como divinos e iguais. E compartilhamos e cooperamos, mas nunca fomos capazes de fazer isso.
E por quê? Eu tenho me feito esta pergunta. Por que todas essas diversas culturas são tão extremamente diferentes? Então, quando você as estuda, e eu estudei bastante, viajei pelo mundo inteiro, vivi em países completamente diferentes, especialmente no Extremo Oriente e na Europa e também aqui na América do Sul, eu percebi que todas as pessoas são iguais.
Todas elas querem amar e todas elas querem ser amadas. Mas isso não é o que está acontecendo. Apesar de todos nós querermos ser amados, de alguma forma é difícil para as pessoas amarem umas às outras e serem honestas umas com as outras e trocar coisas de uma forma honesta.
As pessoas organizaram nosso sistema de tal maneira que todos querem ter lucro. E muito lucro. O máximo possível. É um tipo de doença.
Há dois mil anos atrás, nós tivemos um grande homem chamado Jesus, que expulsou os cambistas para fora do templo e disse: “Estes são os piores dos piores. Nunca deixem eles entrarem novamente porque eles vão destruir o mundo”. E nós deixamos que eles entrassem de novo. E então temos aqui todos esses banqueiros e agora é tudo sobre a economia, todo mundo tem que lucrar e todo mundo está correndo de um lado para o outro, passando doze horas por dia no trabalho todo dia para pagarem as contas, esperando que tenham trabalho suficiente para fazer isso.
O mundo ficou louco e ninguém respeita mais ninguém. Mas todo mundo usa todo mundo pra conseguir o dinheiro necessário para pagar quaisquer contas que tenha que pagar.
A situação ficou triste. O amor foi totalmente esquecido. E isso é por causa do nosso sistema. Nosso sistema agora passou do dogma religioso para o dogma econômico, em que todos têm que pagar um pouco mais para aqueles que controlam a economia.
E isso vai piorar. Você pode ver guerras acontecendo. Os governos não reconhecem a luz ou o amor em ninguém e matam milhares e milhares de pessoas apenas para colocar suas mãos nos recursos de outros países. E a humanidade não parece fazer objeção. Eles sabem que isso é errado, mas não sabem como se expressar, por que, pra quem você vai reclamar?
Nós chegamos agora em um período da nossa evolução em que as pessoas começam a ficar conscientes do que precisa ser mudado na nossa consciência para que tenhamos um mundo melhor. E a solução não é de remover pessoas de posições de poder, não. É mostrar uma nova face. Mostrar uma face mais amorosa, não de medo, mas de amor, e esse é todo o objetivo do nosso aprendizado.
Quando você vem pro planeta Terra, quando você encarna aqui, você vem de um mundo que está unido, cheio de amor, e deste ponto você vai para um mundo inferior, que é o nosso mundo, tridimensional, que é um mundo de dualidade. Então, tudo que costumava ser um, é separado em positivo e negativo, masculino e feminino. E esses dois precisam se unir. Mas nós nunca aprendemos isso. Nunca aprendemos nas nossas religiões que o masculino e o feminino precisam se unir para ficarem conscientes.
Na verdade, nos deixaram com medo e disseram: “Não, o divino, ou Deus, está lá fora e você precisa adorá-lo e precisa ter esperança que ele o abençoará”. Esse é um ensinamento falso. Deus não está somente fora, essa é apenas metade da verdade. Deus está também dentro de nós. Somos todos seres divinos.
Mas o problema com o nosso aprendizado é que precisamos entender que a natureza animal e a natureza divina, que estão separadas, precisam ser unidas. Então é o animal em nós que é medroso, que está sempre lutando para conseguir mais. E é o divino em nós que é capaz de cooperar e ser amoroso. O trabalho para cada ser humano é unir essas duas energias dentro de nós.
A parte masculina que é a mente, e a parte feminina que é mais o coração, esses dois precisam funcionar em harmonia. A intuição, que é a energia do amor e compreensão, está guiando a mente para fazer a coisa certa. Se acreditássemos em nós mesmos, imediatamente diríamos a coisa certa. Mas não acreditamos em nós mesmos, acreditamos em Deus em algum lugar lá fora, que Deus fará isso por nós, ou que ele nos abençoará. Mas Deus não vai fazer nada disso, porque ele já está dentro de você.
Estamos agora realmente no ponto em que precisamos tomar novas decisões. Temos que perdoar o passado, não vamos acusar ninguém. Mas precisamos respirar profundamente e dizer: “Como quero viver minha vida”?
Queremos viver com o medo que é projetado em mim, por todos os líderes do mundo inteiro que estão nos manipulando e controlando? Ou vou ignorar isso. E apenas fazer o que o coração sente que é a coisa certa para se fazer. Então você verá que será amigável com todo mundo.
Um sorriso é como uma ondulação. Quando você vê alguém sorrir, você se sente elevado. Isso é um serviço. E é assim que o nosso sistema deveria ser, orientado ao servir. Onde você serve os outros com a informação certa para que as pessoas se tornem quem elas devem ser.
Todos nós estamos aprendendo. Todo ser humano que está em encarnação, não importa em qual cultura você encarna, todos estamos aqui para aprender as lições da integração, quando você aprende a unir o oposto com você mesmo.
Você é a luz e a luz atrai a experiência, que são suas experiências diárias, e é isso que você precisa amar. Se você não pode amar, porque tem todo tipo de opiniões sobre outras pessoas ou certas situações, não vai amá-las, porque está tão cheio de opiniões que está sempre julgando, sempre apontando o dedo, esquecendo-se que há sempre outros três dedos, apontando de volta para você. Mas as pessoas não enxergam isso, vêem apenas o único dedo apontando pra frente.
O jogo é não mais julgar. O jogo é amar. O jogo é não ter medo, mas acreditar em si mesmo. E, como você mesmo, expressar sua luz e expressar seu amor. Essa é a experiência humana. Se você não pode fazer isso, você não é humano, é mais animal, você está lutando pela existência, você esta sempre atacando todos à sua volta porque está com muito medo. Olhe para os nossos líderes e veja como eles atacam outros países porque estão com tanto medo... E não há nada para se temer.
Se você amasse as pessoas, elas a amariam de volta. É simples assim. Não é assim tão complicada a vida. Mas de alguma maneira há uma força, que conhecemos por força das sombras, que aparenta ser tão forte que as pessoas não acreditam em si mesmas, mas acreditam na força das sombras e servem à sombra. E vão e lucram em cima de todo mundo e funcionam como parasitas nesse planeta.
A grande maioria das pessoas se tornou parasita. Não que elas queiram ser parasitas. Elas querem realmente é ser amadas. Mas não há outro caminho. Com todo mundo é igual. Então precisamos agora que as pessoas sejam diferentes. Que acreditem em si mesmas. E expressem seu amor, sejam felizes e se unam com todos. Esse é o despertar final.
Outra questão é: quem está despertando neste planeta? Os jovens, esses já chegaram lá. Eles já sabem que o sistema é uma coisa muito ruim, que há algo de muito errado com o sistema, e tentam se afastar dele. Mas um dia eles têm que pagar as contas. E têm que fazer parte deste sistema e se tornam tão gananciosos e negativos quanto o resto da humanidade. Ou eles são 90% do dia negativos e 10% agradáveis, talvez uma hora antes de irem pra cama. Mas isso não é bom o bastante.
O que é bom o bastante é que estejamos todo o tempo alertas e estimulando uns aos outros a fazerem a coisa certa. Não julgando, mas mostrando o caminho. Você pode estar simplesmente mostrando o caminho.
Muitas pessoas simples, que trabalham em hospitais e até em prisões, são muito amorosas, porque muitos sofrem tanto que elas trabalham de manhã até a noite porque amam servir. E elas serão recompensadas.
A maioria das pessoas não entende o karma. A maioria não percebe por causa dos dogmas, que a vida é infinita. Não há fim pra ela. Nós já vivemos infinitamente antes e agora estamos aqui aprendendo as lições da integração.
Precisamos aprender a criar uma situação na qual as situações negativas e as positivas se unam. Não o positivo em preferência ao negativo, não, porque assim você cria separação. Você tem que uni-las. Como um homem, positivo, e uma mulher, negativo, estes pólos precisam ser unidos para que você tenha uma única grande luz.
É isso que á a consciência, se você tem um pólo positivo e negativo de eletricidade e coloca juntos, a luz se acende. O mesmo com a sua consciência. Mas para isso você precisa se casar. Então todos os seres humanos precisam passar pela experiência do casamento, em que você atrai o sexo oposto e aprende a unir-se com ele.
Os dois são diferentes. A mulher é diferente, o homem é diferente da mulher. Eles têm funções diferentes. A mulher tem intuição, ela é mais do mundo interior. O homem é mais do mundo exterior e quer criar no mundo exterior. A mulher com sua intuição, poderia inspirar o homem e criar as coisas mais maravilhosas. Mas o homem não acredita na mulher. A mulher é vista como cidadão de segunda classe e não tem os mesmos direitos que o homem. O que é uma ignorância total. Porque a mulher que tem acesso à intuição, que é o acesso a Deus, é o acesso ao amor dentro do coração. Então nós precisamos aprender isso e é por isso que estamos aqui.
E se nos casamos com o sexo oposto, precisamos aprender a dançar em harmonia e nos tornar como uma só pessoa. Quando você se torna como uma só pessoa, você automaticamente se torna tão consciente sobre suas possibilidades como criador, que vocês dois começam a criar as coisas mais maravilhosas do mundo. Para que outras pessoas também possam fazer o mesmo, porque somos todos o mesmo.
Todos temos que estimular cada um a ser igualmente conhecedor e capaz e criativo quanto todos os outros. Não um tentando controlar os outros, não. Iguais. Aqueles que estão mais elevados na consciência, vão ganhar o respeito de todos. É uma questão de respeito, não uma questão de controle.
Estamos agora naquele ponto em que alcançamos a possibilidade de abraçar esses conceitos, em que podemos realmente entendê-los. Agora precisamos fazer. A vida é tão simples, não é uma coisa difícil e filosófica que você precisa aprender todo dia, não. Você só precisa vivê-la. Você precisa viver sua vida sabendo quem você é, sabendo que você precisa se integrar com o oposto. E confiar no oposto.
O maior presente que você pode dar a seus amigos, ou a seu parceiro, é o presente da confiança. Você confia que eles sejam divinos e confia que eles vão fazer a coisa certa. E se você confiar, eles vão confiar, mesmo que eles não quisessem fazê-lo antes, mas como você confiou tanto, eles vão confiar assim mesmo.
Isso é criação. Isso é segurança. Agora você se sente seguro consigo mesmo porque sabe que pode transmitir o conhecimento que tem para os outros, apenas sendo honesto, não honesto como os outros, mas honesto com o amor.
A honestidade também é mal entendida. Na verdade, tudo é mal entendido nesse planeta. E agora o jogo é entender. Nós cometemos tantos erros e é bom que tenhamos cometido todos esses erros, porque você nunca vai conhecer a verdade, a não ser que tenha estudado tudo aquilo que não é verdade.
E agora podemos ver que temos sido mal orientados pelas nossas organizações religiosas. Quase todas as organizações religiosas entenderam as coisas pelo avesso. Porque a religião não está aí para ajudar, amar e guiar as pessoas para a coisa certa, mas a religião é criada para controlar. Eles criam um dogma com muitas regras e se você contraria as regras, você contrariou Deus, de acordo com as histórias deles.
Mas Deus não fica contrariado com isso. Deus não fica contrariado se você cometer um erro. Deus fica contrariado se você matar pessoas. Isso é uma coisa ruim. E eles estão preparados para matar porque você quebrou uma regra. Isso está errado.
Se você for honesto, você sabe que está errado. Então, temos que nos tornar mais confiantes com nosso próprio nível de discernimento e acreditar mais em nós mesmos. Assim começamos a viver com mais honra.

(Entrevista com Robert Happé - filósofo)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Para enxergar melhor, feche seus olhos!


Tenho dificuldade, melhor dizendo, muita dificuldade de enxergar a essência dos fatos e das pessoas quando estou com meus olhos abertos. Eles não deixam que eu veja o real. Se é que ele existe. Lógico que não quero dizer que devamos olhar para o mundo com os olhos fechados, fisicamente falando. Você corre o risco de levar é um belo tombo, se aplicar esta idéia. Defendo outra idéia, a de que precisamos aprender a enxergar a essência, mesmo com os olhos abertos. Mas para isso, precisamos desativar a parte ruim do nosso olhar. Precisamos aprender a criar bloqueios que impeçam nossos olhos ativarem sentimentos e idéias menores, pequenas, que nos levam a distorcer nossa leitura do mundo. “É apenas com o coração que se pode ver direito, o essencial é invisível aos olhos", já dizia Antoine de Saint-Exupéry, em sua obra “O Pequeno Príncipe”. 

Entenda! A síntese de minha idéia é que os olhos enganam, e muito! Os olhos são preconceituosos, são precipitados, ardilosos. Com os olhos, priorizamos a estética, a forma, em detrimento da função, da essência. Vemos as roupas, as curvas, as jóias, o novo modelo, o valor monetário do que se porta ou se usa, e não a sua função. Os olhos são portais para da vaidade. Com os olhos rejeitamos a cor, a raça, os hábitos, as manias, os trejeitos do outro. Os olhos buscam a quantidade, e não a qualidade. Os olhos desejam o maior pedaço, o prato mais cheio. Desejam o(a) mais bonito(a), mesmo que não seja o(a) melhor. A quantidade é tangível, mas a qualidade está no intangível, e isso só é percebido pelo tato, pelo paladar, pelo olfato, e principalmente pelo olhar do coração. O olho é uma lente instantânea da vida, uma máquina fotográfica. Mas perceber a qualidade das pessoas ou das coisas requer o passar do tempo, o depurar, o assentar, o experimentar. 

Os olhos interferem nos nossos relacionamentos em casa, no trabalho, entre amigos. Imagine a seguinte cena. Chegou um novo funcionário na empresa. Para seus padrões, ele não está vestido adequadamente. Esportivo ou informal demais, com piercing, trança rastafari ou cabelo no gel, arrumado demais para seu gosto. O fato é que existe algo VISÍVEL nele que certamente afetará a sua leitura do invisível. Mas é lá que está o mais importante, a essência. Se você tentar ler o caráter, a lisura, a honestidade, o companheirismo do novo colega, somente pelo que você vê, e não pelo que você sente, certamente aumentará em muito a chance de construir uma percepção equivocada dele. Isso é tão perigoso e prejudicial à nossa vivência e aprendizado que o apóstolo Paulo chegou a dizer, em II Co 4:18: “Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas”. E completou, em II Co. 5:7, o seguinte: “Porque andamos por fé, e não pelo que vemos”.  

Imagine agora se você tivesse recebido aquele mesmo colega, e conversado um bom tempo com ele, mas de olhos fechados, sem ser confundido ou enganado pela vista. A que conclusões você teria chegado? Às mesmas? É bem provável que não. Quantas e quantas vezes você já não parou, fechou seus olhos, e voltou sua cabeça para o alto, só para conseguir pensar e processar melhor alguma idéia? O que você estava tentando fazer era tão somente focar no essencial, não se deixando levar pelo temporário, pelo fugaz, captado pelos olhos. 

Lógico que isso tudo, todas estas referências e paradigmas, ou seja, todos esses modelos preconceituosos e distorcidos, que nos fazem enxergar e concluir equivocadamente, já estão em nossas mentes. Os olhos apenas captam as imagens que já estão associadas à eles. Estes modelos são frutos de nossas crenças, de nossa matriz de valores. Os olhos são o grande gatilho para ativá-los. Existe solução? Lógico que sim. Ela passa, é claro, pela mente. É lá que se processam todas as mudanças interiores. Lembrem-se de Paulo, o apóstolo: “... mas transformai-vos pela renovação da vossa mente”

E não existe transformação sem dispêndio de energia, sem esforço, sem sacrifício. Por isso, aceite de imediato a idéia de se exercitar para enxergar melhor, mesmo com os olhos abertos. Tudo que você precisa fazer é questionar o que você vê. É dizer para si mesmo: será que estou vendo tudo, principalmente o invisível? Será que estou dando tempo suficiente para captar pelo coração, pelos sentimentos, o que os olhos não vêem? Não estou sendo precipitado em minha conclusão, considerando apenas o que meus olhos captaram?  

Então, quer enxergar o invisível, quer enxergar com o coração. Pois feche os olhos. Certamente você vai enxergar melhor. 


(Texto de Paulo Angelim)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sensações de namoro



Hoje me deu vontade de namorar. Mas aquele namoro com quem estamos completamente apaixonados, em êxtase.

Tem coisa melhor que o gostinho de namorar?

Não só o gostinho, pois o namoro envolve todos os nossos sentidos. O gosto da boca do outro, o cheiro que ele emana, o som das declarações de amor ditas baixinhas no ouvido ou as colocações mais quentes na hora do sexo, o toque de peles, as mãos dadas na hora de um passeio, o carinho feito sem pretensão ou segunda intenção, o olhar apaixonado ou a busca do olhar do outro, a troca de olhares que dispensa palavras, além da intuição que se aguça quando o foco é o outro.

Muitas vezes temos a sensação de sermos um só, pois a opinião do outro é o que mais importa, fazer o outro feliz é o grande objetivo, a cumplicidade é notória e a vontade de estar junto é constante.

Poder dormir abraçadinhos, como se o outro fosse aquele ursinho de pelúcia tão gostoso da infância, como se aquela noite fosse o próprio sonho. Na madrugada, chamar o outro pra dizer o quanto você está feliz por tê-lo ali. Acordar, ver o outro e achar que ainda está sonhando. Agradecer aquele momento de pureza a comunhão com um doce sorriso. Vontade que o mundo pare naquele momento, só pra ficar sentindo o calor do corpo do outro e olhando o seu rosto com carinho.

As surpresas do dia-a-dia, que pode ser um telefonema ou mensagem inesperada, a entrega de um buquê de flores, mesmo que não tenha nenhuma data a ser comemorada. Passadinha rápida no trabalho do outro só pra dizer que estava morrendo de saudade. Cada minuto sem o outro parece uma eternidade.

E o que dizer das sensações orgânicas? Borboletas no estômago, friozinho na espinha, calafrios de amor, coração acelerado, mãos que transpiram. Existe um nervosismo na espera do outro, uma ansiedade como a criança que espera o Papai Noel chegar nos seu trenó.

Aliás, quando estamos na fase do namoro, viramos mesmo criança. E crianças carentes de colo, carinho, atenção, contato físico. Nossa cabeça se enche de fantasias e expectativas tão fora da realidade e ao mesmo tempo tão reais e vivas pra nós.

Ah, o namoro! Melhor fase do relacionamento a dois. Os defeitos do outro passam despercebidos e tudo que queremos é nos entregar e muito amar. Momento que desperta nossos sentidos, as emoções se extravasam e que ser feliz se torna irresistível.