terça-feira, 30 de novembro de 2010

O amor está em alta


Engraçado como sempre me sentia uma estranha no ninho. Já me chamaram de sonhadora, poeta, devaneadora e acho que acabei mesmo vestindo todos esses rótulos. “Quem cala consente!” e, no meu silêncio, aproveitei para pensar na minha essência.

De repente, me vi meio piegas, meio melosa, meio carente, meio apaixonada demais nas pessoas, na natureza, na vida, movida totalmente pelo amor, do que tenho, do que tive e até do que ainda não possuí ou não conheço. No mínimo, estranho pra grande maioria das pessoas.

Acontece que, entre os meus não tem ninguém assim! As pessoas me parecem tão normais e eu totalmente maluca. Completamente doida por amar demais.

Com o tempo, vamos encontrando pessoas que se afinam conosco. Pessoas que, muitas vezes, parecem ser feitos do mais puro amor e que sabem doar, sabem amar de uma forma muito especial. Geralmente são escritores, poetas, músicos, artistas. Os denominados loucos da sociedade.

Não me importo por pertencer a esse grupo, mesmo que minha única arte seja amar. Acho até um privilégio poder com meu tão grande amor, me sentir pequena diante de tantos sentimentos nobres e enormes que encontro pela frente, talvez só possíveis de serem alcançados através da arte.

Amores invencíveis, incansáveis, ilimitados, impossíveis, desejados... lindos! Todos intrínsecos do próprio viver.

Mas confesso que amar dói. Corrijo-me: amar não dói, o que dói é o apego que sentimos, a necessidade de controle do outro, o medo desse amor não ser retribuído, ou se menor que o nosso. Temos medo da fragilidade que nos invade!

Mesmo assim, não deixamos de amar. Por maior que seja o tempo, a distância, a dificuldade, a decepção... amar ainda vale a pena. E está em alta!
Bom, mas como dizia, passando o tempo eu fui me encontrando com meus parceiros do amor, com os amantes da literatura, da poesia, da música. Pessoas que sentem na pele a magia do amor. Gente que alivia suspiros com alegria no rosto, que faz de uma saudade uma lágrima. Seres que se apaixonam por um raio de sol, pelo aroma das flores, pela beleza das cores, como se fossem duendes reais.

Sentimentos se afloram todo o tempo, ora felizes, ora sofridos, mas sempre em nome do amor, em nome de algo que parece muito maior, se é que existe algo que possa ser maior que o amor em sua simplicidade e maestria.

E, embora pareça que é cafona amar, descobri um nicho de pessoas que, assim como eu, amam demais, se entregam demais, sentem com maior intensidade a vida, as pessoas. Elas me alimentam diariamente com suas doses doces de ternura.

Com a ajuda deles, vou conseguindo denominar os tipos de amores: amores amantes, amores sonhados, amizade, saudade, cumplicidade... formas que o amor escolhe se apresentar. Percebendo em mim cada um deles. Entendendo que é algo tão grande, que amamos, mesmo distantes, mesmo deficientes e falhos que somos e é o que dá o sentido que a vida tem que ter.

Talvez eu seja mesmo uma estranha no ninho, porque pertenço a um outro ninho, compartilho de outro tipo de energia, vim de outro tipo de planeta, um planeta que de Terra não tem nada, porque tudo que se quer é ter asas pra voar e chegar até o ser amado.

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