segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Lugar errado


Você, alguma vez, já acordou com a sensação de estar no lugar errado? Não no outro quarto da casa ou em uma cama desconhecida, mas numa vida que não te pertence? Hoje acordei assim e minha cabeça está até meio zonza.
Lembrei-me do filme Avatar, onde você tem a oportunidade de viver duas vidas ao mesmo tempo, as duas se alternando entre o “dormir” da outra. Será que na nossa vida também não é assim? Seria bom demais se aquela tese que diz que nossa alma caminha enquanto nosso corpo descansa fosse verdade. Eu, particularmente, prefiro acreditar que seja assim, pois pelos sonhos encontro muitas respostas para a minha vida real. E através deles também vivo coisas num espaço e tempo ilimitados que me são inesquecíveis.
E o que é a minha vida real senão uma seqüência infindável de sonhos? Sonhos sonhados, sonhos realizados e tantos outros que ainda sonho, na certeza que se tornarão realidade um dia. Outros sonhos mais parecem devaneios, desejos relâmpagos que sei que qualquer hora vão se apagar.
Mas, voltando à minha sensação, olho à minha volta e tudo está tão organizado, tão no lugar, tão certinho, tão bonito, tão esperado, tão óbvio, tão calmo, tão previsível... que é como se essa vida não me pertencesse. A minha alma não se conecta a essa realidade, sendo eu uma pessoa tão intensa, desassossegada, imprevisível, cheia de vontades repentinas e decisões impensadas.
Amo meus filhos, tenho uma família bacana (que é a aspiração de tantos e que também foi minha um dia, por isso a construí), moro na cidade que mais adoro e tenho exatamente a vida que sonhei pra mim, com alguns créditos que o Divino me deu de presente por algum motivo que ainda não sei qual é.
Eu não bebi álcool, não fumei (aliás, nunca fumei porque detesto o cheiro), não cheirei nenhuma droga (argh!), mas minha cabeça continua rodando. Também não comi nada de estragado ou estou há horas sem comer pra poder ser algum tipo de indisposição do aparelho digestivo. Tenho a certeza que é a minha confusão mental, minha inadequação de espaço que está me gerando esse desconforto “flutuante”.
Então, me pergunto: “O que você gostaria de estar fazendo agora, Taiza Renata”? E a resposta me vem, sem muito pestanejar: “Numa praia desconhecida, com novas pessoas, gente interessante de todos os lugares do planeta, ouvindo uma música Lounge, comendo frutos do mar e dando boas gargalhadas. E sozinha, sem nenhum familiar, amigo ou conhecido próximo por perto”.
É como se estivesse na ânsia por conhecer coisas novas, descobrir novos lugares, interagir com pessoas diferentes, de idéias inovadoras, de culturas interessantes... uma terra fértil para o brotar de uma nova pessoa, talvez.
Acho que me cansei da mesmice. Por mais que os dias tragam pitadas novas, um assunto aqui, outro acolá, pra colorir e animar o meu dia, nada é tão significativo que me faça focar em algo que realmente valha a pena.
Pode ser a necessidade do desassossego para, quem sabe, me conformar com a vida planejada que levo, que tem tanta informação que é quase impossível imaginar que esteja tão organizada.
Sinto como se me faltasse objetivo, como se o principal eu já tivesse alcançado, porém seu resultado me causa uma alergia estranha de mim mesma, uma coceira interna que diz: “Taiza, se joga na vida! Que paradão é esse, menina? Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!” Mas, levantar do alto e dar a volta por cima do que já é tão grandioso? Como se faz isso? Alguém pode me ajudar?
Acho que estou numa fase de me descobrir mais e perceber que sou muito mais do que me foi imposto ou rotulado durante a vida. Não que eu não goste da vida que eu tenho. Pelo contrário, amo demais e dou o maior valor a tudo isso. Sou grata à vida por tudo que ela me deu e de mãos beijadas. Ela sempre foi muito generosa comigo.
Porém, há algo fervilhando dentro de mim que me diz que há algo desconhecido tanto maior, que sou capaz de conquistar, sem ter de abrir mão do que já tenho, mas que promoverá grandes mudanças no cenário atual.
Essa sensação me desarmoniza, me deixa inquieta, confusa. E assim será até que eu encontre as respostas que tanto preciso, respostas essas que sinto estarem todas dentro de mim, como num livro de curiosidades que, por um motivo especial, não colocaram em ordem alfabética, dificultando achar a resposta.
Lugar errado. Ou seria dia errado? Talvez decisões erradas... não sei! O que sei é que, só de poder escrever isso tudo, deixar jorrar tudo isso de dentro de mim, minha cabeça começa também a se acalmar. É como se as idéias, de repente, começassem uma maratona desorganizada, onde nenhuma delas sabia onde chegar, mas que precisava apenas correr, e correr bastante. Com o texto, é como se, pelo menos, elas definissem uma reta na certeza que, lá longe, ao final, haverá uma bandeirinha de chegada balançando dando a entender que você é um vencedor.
E olhando para essa imagem (acima), eu sou a própria vaquinha. Tão bonita, tão aparentemente harmonizada com o ambiente à sua volta, ao lado de um amigo fiel que domina aquele lugar, dando pulos sincronizados num mar de tantas possibilidades, mas que, em seu íntimo, sabe que aquele não é o seu lugar e que há, ao fim do mar, terra que lhe dará o alimento mais apropriado, com seres que mais se assemelham a você e que, com sorte, você também poderá alimenta-los da maneira mais saudável possível.
Doideira...

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