quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Um dia por vez - 12/10/10 - Encontro de Casais


Sou católica por formação, mas não sou assídua, apenas praticante quando sinto necessidade. Já conheci o espiritismo, freqüento cultos evangélicos quando tenho saco pra isso, conheço um pouco de cabala, numerologia, acredito na força da energia e em um monte de outras coisas que a igreja consiste em negar. Minha mãe diz que eu sou a própria tico-tico no fubá.

A verdade é que minha relação com Deus é tão forte e tão próxima, que eu não sinto necessidade de nenhum templo pra sentir sua presença. Sinto esta bem forte dentro de mim e isso me basta. Não sou a favor da bitolação, da fé cega, muito menos de fanatismo. Acredito que o segredo maior é sempre o equilíbrio.

Mas, entre minhas buscas, freqüentei nove anos de Encontro de Casais, com um pequeno detalhe: sozinha. Meu cônjuge só ia para os Encontros mesmo, ainda assim com muito custo. Mesmo assim, é um lugar onde me senti muito bem e por isso perdurou um bom tempo.

Hoje fui à missa de sétimo dia de um amigo dessa comunidade. Missa tradicional, na Catedral Metropolitana da cidade e eu fiz questão absoluta de ir, porque era um amigo querido. E como me fez bem!

Durante a missa eu não escutava muito o que dizia o padre. Repetia os “verbetes” que aprendi durante a vida, mas muito automaticamente. E minha mente vagava. Olhando as pessoas em volta, muitas conhecidas e caras pra mim, me deu uma enorme saudade daquela época. Percebi que o que me manteve tanto tempo naquele movimento, foi a doação em prol de pessoas que eu nem conhecia.

Além do mais, sou uma pessoa sociável, que gosta de gente, gosta de conversar, que gosta de fazer novos relacionamentos, sempre conservando os antigos. Entendi que gosto daquele movimento porque ali tenho muito a aprender. Não sobre igreja, apesar de me sentir envolta por Seus braços, quando estou no meio deles. É muito boa a sensação de trabalhar em prol do próximo, um próximo tão distante que a gente não conhece e que, durante a vida, pode ser um grande amigo, afinal, sempre temos algo a aprender com as pessoas que cruzam o nosso caminho.

Ao fim da missa, hora de cumprimentar os familiares do falecido, conversei com tantos. Pessoas que eu nem sabia o nome (coisas de Taiza Renata), mas que chamavam pelo nome e me tratavam com certa deferência. Pude sentir que eles estavam mesmo com saudade de mim, da minha alegria, perguntavam porque eu estava afastada e aconselhavam para voltar.

Alimento. Essa é a palavra. Eu me alimento do ato de doar, de vidas, de relações e estou realmente pensando em voltar. Parece que a vida só faz sentido pra mim se eu estiver fazendo o bem por alguém. Nós, seres humanos, temos uma certa necessidade de pertencermos a um grupo, mesmo que seleto, mas não conseguimos viver sozinhos. Eu, então, sinto fome e sede disso.

O próximo Encontro está por vir e várias pessoas pegaram meu cartão para me encaixarem nas equipes, afinal, já estão fechadas. É muito boa essa sensação de ser querida por todos. É melhor ainda poder nos relacionar com pessoas em prol de um bem comum, conhecendo as pessoas apenas como são. É uma mistura de juízes, médicos, mecânicos, comerciantes, pedreiros... não importa a profissão, não importa a qual classe social pertencem. O que importa é estarmos todos reunidos em nome do bem, do amor ao próximo.

Isso me motiva a viver, porque a vida pra mim só tem sentido se for pra amar, por amor e com amor, seja a quem for. É o que dá o tempero à minha vida, é o suspiro de alívio de saber que eu, tão pequena, posso fazer alguma diferença por onde passo. Pelo menos, é o que espero.

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