quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A flor e a mulher


Um amigo meu, num momento de devaneio noturno, me mandou um e-mail falando que observava uma flor e se lembrou de mim. Achei tão lindo isso! Talvez porque eu adore flores, várias, muitas, em diversas estações. No campo, nas mãos, nas fotos, na televisão... Acho que é um presente de Deus para nós, o meio mais direto que Deus tem pra nos dizer que, apesar de tudo, apesar das dificuldades, do cenário nem sempre agradável, há sempre o belo florindo por aí, trazendo boas novas, sendo colírio para os olhos e alento ao coração.

Então, ele faz uma analogia entre a flor e a mulher. A flor se apresenta como um atrativo da planta. Sua cor, formato, seu cheiro, seu jeito de se insinuar ao vento, enfim, sua insinuação para os insetos, as abelhas, os beija-flores, os pingos de chuvas e todos os outros agentes de polinização. Estes são capazes de levar o material genético nelas contidos para lugares e plantas semelhantes bem longe de onde estão e são capazes de copular com inúmeros seres diferentes sem sentir nenhuma culpa. Qual seria o sentido da existência das flores? Por que o seu perfume, suas cores, suas formas, sua insinuação ao vento??!!! - Palavras dele.

Eu, como excelente devaneadora que sou, entrei naquele momento dele e tive que concordar que a mulher é mesmo muito parecida com a flor. E assim como existem diversos tipos de flores, também há diversos tipos de mulheres, cada qual com seu charme, sua beleza, seu encantamento. Algumas são mais belas, outras nascem no chão e ali permanecem por toda vida, outras saem bem no topo das árvores, outras ainda precisam se acoplar ao caule de uma árvore para se manterem vivas... e por aí vai. Umas são comuns demais, outras são raras, difíceis de ver por aí. Porém, todas com sua beleza especial.

Ele constatou que a flor existe para a reprodução e, nela, estão contidos os órgãos de reprodução da criatura vegetal. Então, toda essa beleza existe para entusiasmar os agentes externos, como insetos, pássaros, e o próprio vento a ajudar na polinização e assim fechar o ciclo reprodutivo. E ele levanta a questão: “Cadê o prazer?”. Ele pensa que, por isso, a natureza não foi justa com as flores, negando a ela o prazer físico. Deu a elas apenas a sensação de serem admiradas, cheiradas, tocadas e, depois de colhidas, ainda traz felicidade para quem as recebe, e por fim, após tanta frustração, murcha e morre.

Concordo sim que ela tem todo esse fetiche e encanta todos à sua volta, ou pelo menos, todos que estão na mesma sintonia. Também tem o seu ciclo e sua função na natureza, que é perfeita. Ela tem o tempo de plantar e colher e o fim é sempre a morte. Quem disse que a flor não tem um imenso prazer em ser admirada, em simplesmente ser bela, em ter consigo o poder da reprodução? É por causa da flor que o ciclo todo se renova sempre e isso já a torna muito especial. Mesmo que ela fosse feia, estivesse no lugar errado, fosse mal cheirosa, só o fato dela ser responsável pela movimentação da natureza, ela já tem todo um potencial respeitável.

Ah, como eu gostaria de ser como a flor! Quem me dera poder ter esse poder...

Pensando bem, as mulheres têm sim esse poder. A elas pertence o renovar dos ciclos, a gestação de uma nova vida. Além do mais, cada mulher, com suas peculiaridades, tem sua especialidade, seja na beleza, no odor, na forma como se balançam quando andam ou como se florescem com o tempo.


Mas a mulher tem algo mais que as flores não têm: o livre arbítrio. A elas foi dado a chance da escolha. É ela que escolhe onde vai nascer, onde vai viver, como vai viver, com qual intensidade, mesmo sabendo que o fim é a morte. A mulher sabe que, independente do final da história, ela tem muitas coisas a realizar e aprender com seus atos e, principalmente, com suas escolhas.

A flor pode ser tocada por todos. Algumas mulheres também. Elas se dão esse direito e sentem um enorme prazer com isso, tenho certeza. Não há culpa, remorso ou qualquer coisa parecida. Tudo o que vale é aquela pessoa, naquele momento, naquele lugar. Tudo se eterniza e, nem a certeza da morte pode tirar dela aquele prazer, pois ela já se sente no céu.

Em contrapartida, outras nem permitem a chegada de “agentes externos”. Talvez por medo de se entregarem totalmente, por puritanismo, por crenças religiosas, por receio de cair nos julgamentos de nossa sociedade... Não sei. Podem ser diversos os motivos que não permitem à mulher ser “copulada” por tantos. Tudo é uma questão de escolha de cada um.

Por isso, sou a favor da poligamia, apesar de ser casada e monogâmica. Já pensou você poder se entregar à divindade do sexo, sem se importar com nada, nem ninguém? Poder amar de verdade, se entregar àquele momento por inteira, sem culpas, sem dúvidas. Acho que a monogamia acaba com os relacionamentos conjugais. Ela permite que a rotina entre sorrateiramente, a posse se instale cruelmente e o amor se desgaste tanto a ponto de sair pulando pela janela.

Mas, isso é assunto para outro texto. Hajam devaneios!!

5 comentários:

  1. Muito bom Taiza,dessa vez voce se superou novamente traçando um paralelo entre o amor da flor e o da mulher e até conseguiu um nova classificação de mulheres[e qualquer outro ser],quando fala dos tipos de flores,adorei; isso dá assunto prá muito tempo.Beijos...

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  2. PARABÉNS PELO BLOG, AMEI ! O TEXTO QUE FALA É FLORES E DA MULHER É LINDO...PARABÉNS1

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  3. Olá Taiza, observando essa foto e a sua foto em que vc diz que é uma simples mulher, ai não teve jeito me inspirou escrever esse simples verso dedicado a vc. "Princesa Taiza, veja bem, ao passear por um lindo bosque de campo verdejantes, saiba que existe belas flores e lindas rosas, logo, elas se encantam com sua beleza, a formosura da sua beleza, ora se elas sendo lindas encantadores se encantam com vc, imagine eu um simples admirador que verdadeiramente lhe admira, te acho linda, bela em suma és uma mulher maravilhosa, Parabéns Princesa!

    Esse é o meu email: assis.faria@bol.com.br e essa é minha identificação "Capitão"

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