sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A grandeza do mar



Você sabe por que o mar é tão grande?
Tão imenso? Tão poderoso?
É porque teve a humildade de colocar-se alguns centímetros
abaixo de todos os rios.
Sabendo receber, tornou-se grande. 
Se quisesse ser o primeiro, centímetros acima de todos os rios,
não seria mar, mas sim uma ilha.
Toda sua água iria para os outros e estaria isolado.
A perda faz parte.
A queda faz parte.
A morte faz parte.
É impossível vivermos satisfatoriamente.
Precisamos aprender a perder, a cair, a errar e a morrer.
Impossível ganhar sem saber perder.
Impossível andar sem saber cair.
Impossível acertar sem saber errar.
Impossível viver sem saber viver.
Se aprenderes a perder, a cair, a errar, ninguém mais o controlará.

Porque o máximo que poderá acontecer a você é cair, errar e perder.
E isto você já sabe.
Bem aventurado aquele que já consegue receber com a mesma naturalidade
o ganho e a perda, o acerto e o erro, o triunfo e a queda, 
a vida e a morte.

(Texto de Paulo Roberto Gaefke)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O Ego e o Espirito


Imagine essa cena se quiser. Dois bebês estão no útero, confinados às paredes do ventre da mãe, conversando. Para facilitar a compreensão, chamaremos este gêmeos de Ego e Espírito.

Espírito diz a Ego:

- Sei que você vai achar isto difícil de admitir, mas acredito verdadeiramente que há vida após o nascimento.

Ego responde:

- Não seja ridículo. Olhe à sua volta. Isto é tudo que existe. Por que é que você tem que ficar pensando sempre em algo para além desta realidade? Aceite o seu destino na vida. Fique à vontade e esqueça tudo o que diz respeito a essa bobagem da vida após o nascimento.

Espírito acalma-se por alguns instantes, mas sua voz interior não lhe permite ficar calado por muito tempo.

- Ego, agora não fique bravo, mas tenho mais algo a dizer. Eu também acredito que existe Mãe.

- Mãe! – Ego dá gargalhadas. – Como é que você pode falar uma coisa dessa? Você nunca viu uma Mãe. Por que é que você não pode admitir que isto aqui é tudo que existe? A idéia de existir uma Mãe é maluquice. Você está aqui sozinho comigo. Esta é a sua realidade. Agora segure esse cordão. Vá para o seu canto e pare de ser tão bobo. Acredite em mim, não há Mãe nenhuma.

Espírito interrompe a contra gosto a conversa com o Ego, mas seu desassossego logo prevalece.

- Ego – ele suplica – por favor, ouça sem rejeitar a minha idéia. Seja como for, eu penso que aquelas pressões constantes que nós dois sentimos, aqueles movimentos que tanto nos incomodam às vezes, essa contínua acomodação e esse enclausuramento todo que parece verificar-se à medida que crescemos, está nos preparando para um lugar de luz resplandecente, que experimentaremos muito em breve.

- Agora vejo que você está absolutamente doido – responde Ego. – Tudo que você conheceu até agora é escuridão. Jamais viu luz. Como pode sequer cogitar essa idéia? Esses movimentos e pressões que você sente são a sua realidade. Você é um ser singular e separado. Esta é a sua jornada. Escuridão e pressões e uma sensação de enclausuramento são a vida em si. Você terá de enfrentar isso enquanto viver. Agora pegue seu cordão e, por favor, fique tranqüilo.

Espírito relaxa por alguns momentos, mas finalmente não pode mais conter-se:

- Ego, tenho só mais uma coisa a lhe dizer e depois não o aborrecerei de novo.

- Então fale logo – responde Ego, impacientemente.

- Acredito que todas essas pressões e todo esse desconforto não apenas nos conduzirão a uma nova luz celestial, como também creio que, ao experimentá-la, encontraremos a Mãe frente a frente e conheceremos um êxtase que suplantará tudo o que até agora experimentamos.

- Você é doido mesmo, Espírito. Agora tenho realmente certeza disso.



(Texto extraído do livro Seu Eu Superior, de Wayne W. Dyer)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A gente se acostuma



Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.


A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.


A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.


A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.


A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto. 


A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. 


A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. 


A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto. 


A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.


Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.


A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.


A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma. 


(Texto de Marina Colassanti)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Segredos de beleza de uma mulher


Para ter lábios atraentes, diga palavras doces.


Para ter olhos belos, procure ver o lado bom das pessoas.

Para ter um corpo esguio, divida sua comida com os famintos.

Para ter cabelos bonitos, deixe uma criança passar seus dedos por eles pelo menos uma vez por dia.

Para ter boa postura, caminhe com a certeza de que nunca andará sozinha.

Pessoas, muito mais que coisas, devem ser restauradas, revividas, resgatadas e redimidas; jamais jogue alguém fora.

Lembre-se que, se alguma vez precisar de uma mão amiga, 


A beleza de uma mulher não está nas roupas que ela veste, nem no corpo que ela carrega, ou na forma como penteia o cabelo. A beleza de uma mulher deve ser vista nos seus olhos, porque esta é a porta para seu coração, o lugar onde o amor reside.

A beleza de uma mulher não está na expressão facial, mas a verdadeira beleza de uma mulher está refletida em sua alma. Está no carinho que ela amorosamente dá, na paixão que ela demonstra.

A beleza de uma mulher cresce com o passar dos anos.

(Texto de Sam Levenson)

você a encontrará no final do seu braço. Ao ficamos mais velhos, descobrimos porque temos duas mãos, uma para ajudar a nós mesmos, a outra para ajudar o próximo.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Amigas


Acreditava no conceito de apenas UMA melhor amiga para toda a vida.
Depois, como mulher, descobri que se você permitir que seu coração se abra, você encontrará o melhor em muitas amigas.
É preciso uma amiga quando você está com problemas com seu homem.
É preciso outra amiga quando você está com problemas com sua mãe ou irmã.
Uma quando está se sentindo muito gorda, ou muito magra, muito alta ou muito baixa...
Uma outra quando você quer fazer compras, compartilhar, curar, viajar, rir, ferir, chorar, meditar, brincar, ir ao cinema, ao teatro, ir ao salão de beleza, se divertir na praia ou apenas ser você mesma.
Uma amiga dirá 'vamos rezar', uma outra 'vamos chorar', outra 'vamos lutar', outra 'vamos fazer compras', outra 'vamos saltar de pára-quedas'...
Outra 'vamos numa vidente', ou 'vamos tomar um porre', outra 'vamos paquerar', outra 'vamos para um SPA', ou...
Uma amiga atenderá às suas necessidades espirituais, sempre saberá dar o melhor conselho e você sentirá que é uma resposta divina...
Uma outra amiga atenderá à sua loucura por filmes, livros e DVDs... uma outra à sua paixão por sapatos ou bolsas...
Uma outra por perfumes, jóias, velas ou incensos, uma outra por cultura, aventuras e viagens... Uma outra amiga atenderá seu desejo por chocolates, outra por quadros, decoração, outra por música e dança...
Outra enviará uma resposta que você precisa por e-mail, outra estará com você fisicamente em seus períodos confusos, outra estará a milhares de quilômetros, mas dará um jeitinho de se fazer presente...
Outra será seu anjo protetor e uma outra será como uma mãe.
Mas onde quer que ela se encaixe em sua vida, quer você a veja pessoalmente ou não, independente da ocasião, quer seja no seu casamento, ou apenas numa segunda-feira chuvosa, todas são suas melhores amigas e estarão presentes como puderem.
Elas podem ser concentradas em uma única mulher ou em várias... uma do ginásio, uma do colegial, várias dos anos de faculdade...
Umas da academia, outras do clube, outras daquela viagem...
Algumas de antigos empregos, algumas da igreja ou da Yoga...
Outras da internet, outras amigas de suas amigas, ex cunhadas, ex rivais, ex chefes ou ex colegas...
Pode ser até mesmo aquela escritora famosa que te ajuda através de um bom livro ou de um programa na TV...
Em alguns dias uma "estranha" que acabou de conhecer e em outros até mesmo sua filha ou neta.
Pode ser ainda sua irmã, cunhada, prima, tia, madrinha, mãe, vó, bisa, vizinha...
Enfim, as possibilidades são infinitas!
Assim, podem ter sido 30 minutos ou 30 anos o tempo que essas mulheres passaram e fizeram a diferença em nossas vidas, elas sempre deixam um pouquinho delas dentro da gente!
Muito obrigada por fazer parte do círculo de mulheres maravilhosas que eu tenho o prazer de conviver e que fizeram e ainda fazem a diferença em minha vida.
Adoro você, independente do nível de amizade e com a intensidade que até mesmo a distância ou o tempo não diminuem!

(Desconheço a autoria)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Intimidade - Martha Medeiros



Houve um tempo, crianças, em que a gente não falava de sexo como quem fala de um pedaço de torta. Ninguém dizia Fulano comeu Beltrana, assim, com essa vulgaridade. Nada disso. Fulano tinha dormido com ela. Era este o verbo. O que os dois tinham feito antes de dormir, ou ao acordar, ficava subentendido. A informação era esta, dormiram juntos, ponto. Mesmo que eles não tivessem pregado o olho nem por um instante.

Lembrei desta expressão ao assistir Encontros e Desencontros. No filme, Bill Murray e Scarlett Johansson fazem o papel de dois americanos que hospedam-se no mesmo hotel em Tóquio e têm em comum a insônia e o estranhamento: estão perdidos no fuso horário, na cultura, no idioma, e precisando com urgência encontrar a si mesmos. Cruzam-se no bar. Gostam-se. Ajudam-se. E acabam dormindo juntos. Dormindo mesmo. Zzzzzzzzzzz.

A cena mostra ambos deitados na mesma cama, vestidos, conversando, quando começam a apagar lentamente, vencidos pelo cansaço. Antes de sucumbir ao mundo dos sonhos, ele ainda tem o impulso de tocar nela, que está ao seu lado, em posição fetal. Pousa, então, a mão no pé dela, que está descalço. E assim ficam os dois, de olhos fechados, capturados pelo sono, numa intimidade raramente mostrada no cinema.

Hoje, se você perguntar para qualquer pré-adolescente o que significa se divertir, ele dirá que é beijar muito. Fazer campeonato de quem pega mais. Beijar quatro, sete, treze. Quebram o próprio recorde e voltam pra casa sentindo um vazio estúpido, porque continuam sem a menor idéia do que seja um encontro de verdade, reconhecer-se em outra pessoa, amar alguém instintivamente, sem planejamento. Estão todos perdidos em Tóquio.

Intimidade é coisa rara e prescinde de instruções. As revistas podem até fazer testes do tipo: “descubra se vocês são íntimos, marque um xis na resposta certa”, mas nem perca seu tempo, a intimidade não se presta a fórmulas, não está relacionada a tempo de convívio, é muito mais uma comunhão instantânea e inexplicável. 

Intimidade é você se sentir tão à vontade com outra pessoa como se estivesse sozinho. É não precisar contemporizar, atuar, seduzir. É conseguir ir pra cama sem escovar os dentes, é esquecer de fechar as janelas, é compartilhar com alguém um estado de inconsciência. Dormir juntos é muito mais íntimo que sexo.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Só tinha de ser com você - Tom Jobim



É, só eu sei 
Quanto amor eu guardei
 
Sem saber que era só prá você

É, só tinha de ser com você 
Havia de ser prá você
 
Senão era mais uma dor
 
Senão não seria o amor
 
Aquele que a gente não vê
 
O amor que chegou para dar
 
O que ninguém deu pra você

É, você que é feita de azul 
Me deixa morar nesse azul
 
Me deixa encontrar minha paz
 
Você que é bonita demais
 

Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você 
Você sempre foi só de mim
Que eu sempre fui só de você 
Você sempre foi só de mim

Essa música é muito especial. Sua letra e melodia saltitam num compasso gostoso, do amor de verdade. Aquele que só acontece uma vez na vida e que nada nem ninguém é capaz de tirar. Aquele que só pertence a você e ao seu amor. Intocável. Sagrado. O amor em sua mais verdadeira essência. Esquecendo as posses, ultrapassando os obstáculos, vencendo limites que o tempo insiste em nos impor.

De repente, se percebe que durante toda uma vida, esse amor não compartilhado por desvios do destino, nunca morreu. A distância e o tempo são incapazes de separar um coração que está sintonizado com o outro por algo maior.

É como a chave que só encaixa naquela fechadura, é como o segredo do cofre. Quando essa porta se abre, existe um mar de emoções fortes, inabaláveis, que embora pareçam águas calmas, onde as ondas nem estouram, por baixo, por dentro, existe algo maior, uma sucção interna que nos apreende por toda a vida.

Podemos viver vários relacionamentos, gostar, ser gratos, compartilhar uma vida a dois, mas nada disso é tão forte a esse amor que fica guardado dentro de nós para, um dia, quem sabe, ser revivido, ser desembocado num lugar certeiro, que sempre existiu e sempre vai existir.

Uma lacuna aberta no coração esperando a hora do amor maior ou, pelas circunstâncias, simplesmente aceitar que o que foi vivido está eternizado dentro de você e do outro, e esse sentimento apenas aos dois pertence, apenas pelos dois é sentido, numa conexão mágica que só quem vive é capaz de entender.

E se você puder ter a oportunidade do reencontro, você vai se sentir realmente em casa, com uma plenitude de paz jamais sentida, na certeza que o amor é um sentimento sublime, enorme apesar de simples, que é impossível de se explicar, mas maravilhoso de se sentir.

Você sabe, dentro de você, que esse amor jamais vai poder ser dividido com outra pessoa. Não que você não possa viver com alguém algo intenso. Pode-se. Mas é besteira enganar-se. Um grande amor só se vive uma vez e, uma vez vivido, nunca mais termina, faz parte de você, por mais que as vidas se separem.

Insano? Louco? Fantasiador demais? Pode ser. Mas eu vivi um grande amor e sei do que estou falando. Se você ainda não viveu, procure, porque com toda certeza esse amor também está à sua espera. E é só seu, de mais ninguém.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mude



Mude,
Mas comece devagar, porque a direção é mais importante
do que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde mude de mesa.

Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente,
observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.

Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira para passear livremente no campo,
ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos...
Veja o mundo de outras perspectivas.

Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama... depois,
procure dormir em outras camas da casa.

Assista a outros programas de tv, compre outros jornais...
leia outros livros.
Não faça do hábito um estilo de vida.

Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.

Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores, novas delícias.

Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,
o novo jeito, a nova vida.
Tente.

Busque novos amigos.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes,
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado... outra marca de sabonete,
outro creme dental... tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.

Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro,
compre novos óculos, escreva versos e poesias.

Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros,
outros teatros, visite novos museus.

Mude.

Lembre-se de que a Vida é uma só.

Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.

Grite o mais alto que puder no espaço vazio.
Deixem pensar que você está louco.

Aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores
do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.
A positividade que você está sentindo agora.
Só o que está morto não muda!

(Texto de Edson Marques)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A fábula da águia e da galinha



Esta é uma história que vem de um pequeno país da África Ocidental, Gana, narrada por um educador popular, James Aggrey, nos inícios deste século, quando se davam os embates pela descolonização. 

"Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia.
Colocou-o no galinheiro junto às galinhas. Cresceu como uma galinha.
Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista.
Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:
- Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia.
- De fato, disse o homem.- É uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais águia. É uma galinha como as outras.
- Não, retrucou o naturalista.- Ela é e será sempre uma águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.
 Não, insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.
Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse:
- Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe!
A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor.
Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.
 O camponês comentou:
- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!
- Não, tornou a insistir o naturalista. - Ela é uma águia. E uma águia sempre será uma águia.
Vamos experimentar novamente amanhã.
No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa.
Sussurrou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!
Mas, quando a águia viu lá embaixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi parar junto delas.
O camponês sorriu e voltou a carga: Eu havia lhe dito, ela virou galinha!
- Não, respondeu firmemente o naturalista. - Ela é águia e possui sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.
No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a  águia, levaram-na para o alto de uma montanha. O sol estava nascendo e dourava os picos das montanhas.
O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!
A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então, o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, de sorte que seus olhos pudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte.
Foi quando ela abriu suas potentes asas.
Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto e voar cada vez mais para o alto.
Voou. E nunca mais retornou."

Existem pessoas que nos fazem pensar como galinhas. E ainda até pensamos que somos efetivamente galinhas. 
Porém é preciso ser águia. Abrir as asas e voar. Voar como as águias. 
E jamais se contentar com os grãos que jogam aos pés para ciscar.

domingo, 17 de outubro de 2010

Folha de Moisés


Era noite na cidade e os bares estavam lotados de pessoas se divertindo, casais namorando, famílias se servindo do que os restaurantes oferecem de melhor e se fartando. Comidas cheirosas, bom papo, boas companhias.

O céu se apresentava limpo, apenas uma estrela brilhava muito forte, perto da lua, que crescia e mais parecia um sorriso largo no céu nos desejando felicidade.

Mas faltava algo pra tornar aquela noite mais especial. Faltava alguém para que a noite fosse completa. Apesar das boas conversas e gargalhadas, faltava algo com essência, algo que pudesse me trazer o novo, uma sensação de alegria vazia, sem ter nem porquê. Era como se faltasse a aprendizagem, o sentido daquela noite.

Quando, de repente, surge ela. Pequena, magrinha, de pele bem morena que contrastava com seu vestidinho cor de rosa longo, bordado de flores vermelhas pelos cantos. Cabelinho sarará, bastante arrepiado, apesar da tentativa de prendê-lo para mostrar-se mais plausível.

Chegou com o seu sorriso branco, oferecendo pulseiras de hippie para vender entre as mesas. Até que chegou até a minha mesa. Enquanto me passava os preços das pulseiras, seus olhos se atraiam para o prato de porção de carne em cima da mesa.

Fiz de conta que não percebi e continuei perguntando sobre o seu trabalho e ela, entre olhares para mim e para a carne, me dizia preços, propagava o trabalho da mãe que a esperava do outro lado da avenida.

Até que ela não se conteve e perguntou humildemente: “Posso comer um pouquinho de carne?” Eu, mais que rapidamente, enchi uma pratada e a convidei para sentar entre nós. Enquanto ela comia com tanto furor aquela carne, seus lábios pareciam sorridentes de satisfação.

Comecei a perguntar pela vida dela, onde morava, quantos anos tinha, se estudava... essas coisas pra puxar assunto e não deixá-la parecer uma estranha entre nós.

Perguntei o seu nome. “Folha”, respondeu toda sorridente. Achei aquilo tão puro e tão lindo que me encantei completamente. Coisas de Taiza Renata. Então, eu disse que ela era especial porque tinha um nome muito especial e jeito de quem tinha sido enviada por Deus, para fazer alguma diferença na alma das pessoas por onde passava.

Ela se empolgava com minhas palavras e ia contando que tinha um irmão que se chamava Sol e enchia a boca pra dizer que seu nome era Folha de Moisés, assim como eu quando me apresento como Taiza Renata. É como se esse nome desse mais potencial à pessoa.

A mãe, que observava do outro lado e assistia a filha “em casa” entre nós, veio logo. Mostrou seus trabalhos, contou sobre sua vida difícil com as crianças e me contou que Folha tinha apenas seis anos de idade. Perguntei se ela estudava, ela disse que sim, disse o nome da escola, quando Folha a interrompeu dizendo orgulhosamente que já sabia escrever o nome dela. Que era a única coisa que ela sabia, mas pelo jeitinho que disse, sabe com muita propriedade.

Falei pra ela cuidar direito daquela menina e que eu não sabia porque estava dizendo isso pra ela. Daí, lembrei dos evangélicos e soltei: “Deus está mandando te dizer”. Acho que dá mais força. E falei sério mesmo, porque aquela menina me fez ganhar a noite, pois me deixou encantada com ela, trouxe reflexões e muito aprendizado, completando o sentido que faltava para aquele momento.

Nessa noite, uma folha caiu sobre minha cabeça. Não de uma árvore, mas do céu, que é onde, dizem, habitam os anjos.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Brasil e os brasileiros


- Brasileiro é um povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca.
Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida;
Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza;
Aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade. ..
Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária.
É coisa de gente otária.

- Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão.
Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada.
Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai.
Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.

- Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira.
Brasileiro é vagabundo por excelência.
O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo.
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo.
Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.

- Brasileiro é um povo honesto. Mentira.
Já foi; hoje é uma qualidade em baixa.
Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso.
Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas.
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.

- 90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira.
Já foi.
Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram.
Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime.
Hoje a realidade é diferente.
Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como 'aviãozinho' do tráfico para ganhar uma grana legal.
Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas.
Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.

- O Brasil é um pais democrático. Mentira.
Num país democrático a vontade da maioria é Lei.
A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente.
Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia.
Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita.
Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores).
Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar.
Democracia isso? Pense !

O famoso jeitinho brasileiro...
Na minha opinião, um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira.
Brasileiro se acha malandro, muito esperto.
Faz um 'gato' puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar.
No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto.... malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí?
Afinal somos penta campeões do mundo né?!
Grande coisa...

O Brasil é o país do futuro.
Caramba , meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos.
Dessa vergonha eles se safaram...
Brasil, o país do futuro !?
Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.

Deus é brasileiro.
Puxa, essa eu não vou nem comentar...

O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.

Para finalizar tiro minha conclusão:
O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente.
Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta.
Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão.
Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: Água doce!

Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?

(Texto de Arnaldo Jabor)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Um dia por vez - 12/10/10 - Encontro de Casais


Sou católica por formação, mas não sou assídua, apenas praticante quando sinto necessidade. Já conheci o espiritismo, freqüento cultos evangélicos quando tenho saco pra isso, conheço um pouco de cabala, numerologia, acredito na força da energia e em um monte de outras coisas que a igreja consiste em negar. Minha mãe diz que eu sou a própria tico-tico no fubá.

A verdade é que minha relação com Deus é tão forte e tão próxima, que eu não sinto necessidade de nenhum templo pra sentir sua presença. Sinto esta bem forte dentro de mim e isso me basta. Não sou a favor da bitolação, da fé cega, muito menos de fanatismo. Acredito que o segredo maior é sempre o equilíbrio.

Mas, entre minhas buscas, freqüentei nove anos de Encontro de Casais, com um pequeno detalhe: sozinha. Meu cônjuge só ia para os Encontros mesmo, ainda assim com muito custo. Mesmo assim, é um lugar onde me senti muito bem e por isso perdurou um bom tempo.

Hoje fui à missa de sétimo dia de um amigo dessa comunidade. Missa tradicional, na Catedral Metropolitana da cidade e eu fiz questão absoluta de ir, porque era um amigo querido. E como me fez bem!

Durante a missa eu não escutava muito o que dizia o padre. Repetia os “verbetes” que aprendi durante a vida, mas muito automaticamente. E minha mente vagava. Olhando as pessoas em volta, muitas conhecidas e caras pra mim, me deu uma enorme saudade daquela época. Percebi que o que me manteve tanto tempo naquele movimento, foi a doação em prol de pessoas que eu nem conhecia.

Além do mais, sou uma pessoa sociável, que gosta de gente, gosta de conversar, que gosta de fazer novos relacionamentos, sempre conservando os antigos. Entendi que gosto daquele movimento porque ali tenho muito a aprender. Não sobre igreja, apesar de me sentir envolta por Seus braços, quando estou no meio deles. É muito boa a sensação de trabalhar em prol do próximo, um próximo tão distante que a gente não conhece e que, durante a vida, pode ser um grande amigo, afinal, sempre temos algo a aprender com as pessoas que cruzam o nosso caminho.

Ao fim da missa, hora de cumprimentar os familiares do falecido, conversei com tantos. Pessoas que eu nem sabia o nome (coisas de Taiza Renata), mas que chamavam pelo nome e me tratavam com certa deferência. Pude sentir que eles estavam mesmo com saudade de mim, da minha alegria, perguntavam porque eu estava afastada e aconselhavam para voltar.

Alimento. Essa é a palavra. Eu me alimento do ato de doar, de vidas, de relações e estou realmente pensando em voltar. Parece que a vida só faz sentido pra mim se eu estiver fazendo o bem por alguém. Nós, seres humanos, temos uma certa necessidade de pertencermos a um grupo, mesmo que seleto, mas não conseguimos viver sozinhos. Eu, então, sinto fome e sede disso.

O próximo Encontro está por vir e várias pessoas pegaram meu cartão para me encaixarem nas equipes, afinal, já estão fechadas. É muito boa essa sensação de ser querida por todos. É melhor ainda poder nos relacionar com pessoas em prol de um bem comum, conhecendo as pessoas apenas como são. É uma mistura de juízes, médicos, mecânicos, comerciantes, pedreiros... não importa a profissão, não importa a qual classe social pertencem. O que importa é estarmos todos reunidos em nome do bem, do amor ao próximo.

Isso me motiva a viver, porque a vida pra mim só tem sentido se for pra amar, por amor e com amor, seja a quem for. É o que dá o tempero à minha vida, é o suspiro de alívio de saber que eu, tão pequena, posso fazer alguma diferença por onde passo. Pelo menos, é o que espero.