sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Um dia por vez - 09/09/10 - Aeroporto



Quase 6 da tarde. Estou eu sentada no aeroporto de Congonhas esperando trocarem o meu vôo pra Goiânia de portão. Sim, porque sempre trocam. Levando em consideração um dia como hoje, quando tudo que você previa deu errado, pode ser que eu seja surpreendida.

Gostaria de poder ficar aqui por mais horas, observando as pessoas passarem, cada qual no seu passo, cada qual no seu tempo, cada qual no seu estilo, cada qual com sua história. Como deve haver histórias interessantes! Mas hoje, exatamente hoje, eu só tenho meia hora, antes que façam a primeira chamada para o embarque.

Fico pensando nessa era da tecnologia. O que seria dessas pessoas sem um celular, um rádio ou um notebook? O que seria de mim nesse momento? Algumas pessoas me olham escrevendo aqui feito uma louca, sem parar, devem pensar que estou trabalhando, que sou uma mulher de negócios. Chique, né? Isso tem sim um charme todo especial. Até visto essa roupa de vez em quando. Nessa hora não quero ser nada, nem ninguém. Nem ter sexo, nem ter cara.

Só quero ser um nada, um ar, um vento frio que entra pela porta adentro, atravessando as pessoas, tentando entender o que se passa dentro delas. O que será que as aflige? O que será que as faz feliz? O que vieram fazer aqui hoje, assim como eu? Reunião de trabalho, velório, aniversário de um amigo, compras na 25 de março... não sei.

Ao meu lado tem uma carioca (loira e com um corpo escultural, como a grande maioria das cariocas) ao telefone, com um sotaque super chato e arrastado, carioquíssimo, falando com uma amiga. Acabou de chegar de Miami com os amigos e está decepcionada, porque não conseguiu comprar coisas baratas como o Fulaninho, companheiro de viagem, conseguiu fazer. Ela está falando mal dos sapatinhos vermelhos que todo mundo anda usando por lá. Segundo ela, de vovozinha, por isso nem teve coragem de comprar um. Meu Deus! Eu estou de sapatinho vermelho!!! Só que o meu tem um salto 15. Não sei se as vovozinhas conseguem se equilibrar em cima de um. Pensando bem, as vovozinhas hoje estão tão enxutas que é capaz de se equilibrarem melhor que eu.

Fala sério! Chegar de Miami insatisfeita??? É pra poucos. Adoro aquela cidade. Adoro essas grandes metrópoles onde o mundo funciona, tudo acontece. Adoro São Paulo. Adoro Miami. Adoro Nova York. Adorei meu dia. Mesmo dando tudo errado: cheguei atrasada para deixar os meninos na escola; deixei o carro ao sol no aeroporto de Goiânia, pois as vagas na sombra estavam lotadas, a reunião mudou de local, os números dos relatórios não batiam em frente ao chefe, não tivemos uma reunião com a objetividade esperada, o almoço esfriou porque excedemos os assuntos da reunião, chefe nervoso, indisposições familiares, filho que chega da escola doente, babá que avisa que está indo embora e não vai cumprir o aviso prévio... e, claro... meu retorno pra Goiânia, que seria no sábado pela manhã.

Agora estou aqui, quietinha, Felizinha da Silva, sem nada o que fazer, já organizei tudo que podia, contornei de cá e de lá e estou voltando pra casa. Cansada sim, mas feliz (apesar de não estar voltando de Miami com as sacolas cheias de comprinhas. Rsrsrs...) porque sei que amanhã é sexta, vou malhar muito, vou no salão ficar linda, vou curtir meus filhos, vou descansar no fim de semana, vai amanhecer um dia lindo, “dia de luz, festa de sol”, como diz a música e de um jeito que só Goiânia sabe fazer.

Eu continuo aqui, sentada, escrevendo, olhando em volta, as pessoas me olhando, uma voz feminina no alto falante que anuncia os vôos sem parar. O tempo passa lento, mas as pessoas passam rápido. A mulherzinha da voz também fala rápido e eu nem entendo uma palavra do que ela diz. Ah, deixa pra lá! O que importa? Não é meu vôo mesmo!?

Acho que tenho um quê de hiperatividade, pra não dizer um “H”, pois meu vôo já acontece dentro da minha cabeça, onde tudo vira história, onde as letras viram palavras e formam frases, onde viajo pra todos os lugares possíveis e inimagináveis, onde quando não se tem o que fazer, eu invento.

E sabe o que mais me deixa indignada? É que ainda tem gente que lê esse monte de abobrinhas. Esse mundo está mesmo perdido!

A mocinha da voz acaba de anunciar a primeira chamada do meu vôo. Adivinhem! Não mudou o portão, como de costume. Acho que foi a primeira vez que isso acontece comigo aqui. E olha que sempre venho. Mas, num dia atípico como hoje, já era até de se esperar.

Nossa! Meu vôo é o mesmo que vai pra Palmas, fazendo escalas em Goiânia e Brasília. Bem que eu podia ir pra Palmas hoje. Tudo que eu precisava e merecia era um “momento Abacateiro” no meu dia. Se bem que, se eu for, hoje isso não ia acontecer. Capaz de estarem todos viajando. Então, melhor mesmo parar de saracotear e ir pra minha casa.

Desculpe, amigo(a) leitor(a). Sei que esse texto ficou péssimo. Mas não era pra ser um texto mesmo, era só uma forma de arrumar o que fazer. Foi bom porque dividi um pouco do meu dia com você.

Ainda não fizeram a última chamada. Acho que ainda tenho um tempinho pra abrir alguns e-mails.

E você? O que tem pra me contar?

2 comentários:

  1. Amiga pode ficar indignada...acabei de ler!!! kkkkk...Eh amiga dias assim acontecem, mas como tudo na vida tem o seu lado bom, nem que seja pra vc ter um tempinho de ser observadora de um aeroporto lotado e nos deliciar com suas observações.
    O que eu tenho pra te contar??!!! Já, já te ligo, tá?! kkkkk...
    Um dia lindo de sol pra vc!
    Beijos.

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  2. Aprendendo a escrever crônicas hein? Foi assim que muita gente famosa hoje em dia na literatura começou.A gente acha que é comum e que essas coisas não acontecem na vida da gente,muito engano,pode acontecer sim,basta perseverar e tudo vira tradição,hoje o que é novo e começando,daqui um bom tempo é folclore.Beijos...

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