quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Um dia por vez - 02/09/10 - Aventureira... será?


Conversando com meu filho de 12 anos, ele me disse: “Mamãe, se a senhora não tivesse casado com o papai, a senhora seria uma aventureira”. Respondi: “Por quê? Você acha que seu pai me segura?” Ele: “Com certeza. Se não fosse por ele, as senhora ia se embrenhar no meio do mato pra caçar, pular de avião, ser piloto, dar a volta ao mundo...”

Achei engraçada a colocação dele, mas me fez refletir bastante. Será que é assim que me vêem ou são os meus impulsos que acabam entregando meus anseios escondidos?

Talvez eu tenha mesmo alma de aventureira. Vivo com o máximo de liberdade que posso, até o meu limite. Na verdade, o meu limite é o céu, mas eu me preocupo com o limite dos outros sim (pais, filhos...), pois eu tenho o direito de ter esse jeito meio “louco” de ser, mas a partir do momento que começo a enlouquecer as pessoas que mais amo, que isso começa a feri-los, é minha hora de parar.

Com certeza não me embrenharia no mato pra caçar, pescar... definitivamente não é o meu estilo. Mas sem dúvidas, algumas coisas que ainda vou fazer é pular de para quedas, viajar pra um lugar completamente desconhecido, contanto que o mesmo seja bem exótico... Tenho sim essas vontades, as quais ainda vou realizar.

Mas penso também que sou igual aquela história bem conhecida: “cachorro que late, não morde”. E eu devo ser daqueles Pinschers (nem sei como se escreve) bem chatos, que latem, latem, latem na cabeça das pessoas, mas na menor investida, sai de fininho, com o rabinho no meio das pernas. Dizem que Deus não dá asas à cobra, acho que por isso, ele tirou um tanto da minha coragem. Ah, se eu tivesse coragem de verdade!!! Nem o céu me limitaria!!!

Sem dúvida nenhuma, sou aventureira em alma, mas não em ação. O que me impede é o amor e respeito que sinto pelas pessoas à minha volta. Não quero machucar ninguém, porque não acham que sejam merecedores.

Meu filho disse: “Isso é da sua família, do lado da minha avó”. Realmente, os Guedes são sempre uma festa, e uma festa boa e animada. Adoro isso! São pessoas em pele de alegria, desafios, que vivem com o botão do “foda-se” apertado fortemente.

Mas aí, vem o meu lado Fernandes, que não tenho como negar. Esse é o lado do afloramento dos sentimentos, porém sentimentos contidos, não compartilhados muitas vezes, porque o racional é muito forte, muito julgador. Então, é o lado que me coloca no chão. Meu único medo é que esse meu lado me enterre, porque gosto de me manter nas nuvens.

É... vai saber! Pensando bem, é bom mesmo que eu mantenha esse meu lado aventureiro, porque a vida nada mais é do que uma seqüência de grandes aventuras, novos desafios e muitas realizações. E como é bom poder se entregar a ela de corpo, alma e coração, exatamente como quem pula de um avião. E já que estamos aqui, “entrou na chuva é pra se molhar”, afinal, para que servem os para quedas???

Um comentário:

  1. Quando li seu texto tive a sensação de estar envolvido por três paredes escuras e uma parede transparente como vidro,de onde podia se avistar lá fora a vida acontecendo,com todas as suas cores,sons, toques e cheiros.Ao mesmo tempo sentia meus movimentos como uma câmera super-lenta,quase flutuantes,e eu não conseguia emitir nenhum som.Ai que agonia.

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