quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Nomes


Um amigo, há um tempo atrás, me mandou o significado do meu nome. Taiza: a que se admira, se completa. Renata: renascida. E gosto mesmo da pessoa que sou, assim como tenho a capacidade de renascer a cada dia, a cada problema. Então, comecei a fazer algumas relações com os nomes das pessoas que conheço.

Cheguei à conclusão que nome é uma coisa muito importante na vida de uma pessoa. Tem um peso que ajudará a traçar o destino. Penso que é a nossa marca registrada, por isso nunca quis que meus filhos se chamassem Júnior (até porque o pai já é), Neto ou algo parecido. Esse tipo de coisa cabia muito bem pra família imperial, porque carregava o “sangue azul” no nome. Hoje em dia, isso é sem sentido. Além do mais, carrega-se também no nome os defeitos e manias, as quais ninguém tinha que carregar o dos outros, afinal, já temos tantos.

Não é à toa que apelidamos os Mauricinhos e as Patricinhas. Todo Maurício que conheço é sempre arrumadinho, limpinho e cheirosinho. Toda Patrícia que conheço é vaidosa, arrumada, preocupada em estar bem com o corpo e se vestir bem. Algumas beiram a frescura. Coincidência? Não acredito.

Fico observando nas novelas da Globo. Acho que eles fazem um tipo de pesquisa de nome para cada personagem. Agora, na novela das 7 hs, Tititi, tem uma Taiza. Não por acaso é a louca da novela. Risos. É o que mais ouço dizer, que sou doida. Mas o que eles chamam de loucura eu chamo de autenticidade e transparência. Isso assusta mesmo! Talvez porque a maioria das pessoas não sabe ser assim. Se isso é bom ou ruim? Pra minha imagem perante a sociedade é péssimo, porque é o que os olhos dos outros vêem em mim. E as pessoas são cruéis, invejosas e adoram rótulos. Mas pra minha qualidade de vida, é simplesmente perfeito porque faço o que gosto, quando quero e não tenho a menor satisfação pra dar a ninguém sobre minha vida.

Outra coisa que sempre me atenta é a criatividade do povo. Algumas famílias têm um monte de filhos, todos começados com uma letra só. E aí sai cada nome! Com meus avós paternos foi assim. Eles tiveram oito filhos homens, sete deles começados com J. O que não é com J, é Filho. Resultado: o nome do meu pai, por exemplo, é Janides. Não imagino onde minha avó foi arrumar esse nome. E hoje, depois de aparecer uma ciclista com o mesmo nome e sobrenome do meu pai, entendo porque as pessoas perguntam pela Sra. Janides. Ele fica possesso, coitado!

Algumas coisas chegam a ser bizarras. Recebi uma vez um e-mail que falava sobre os absurdos encontrados em cartório. Eram nomes do tipo: Um Dois Três de Oliveira Quatro, Amável Pinto, Abrilina Décima Nona Caçapavana Piratininga de Almeida, Amin Amou Amado, Carabino Tiro Certo, Céu Azul do Sol Poente, Ernesto Segundo da Família Lima, Himineu Casamenticio das Dores Conjugais, João Sem Sobrenome, Maria de Seu Pereira, Mijardina Pinto... e por aí vai a criatividade desse povo.

E isso ainda acontece nos dias de hoje, sabia? Eu pensei que era um costume antigo, mas não é. Na minha casa, todos temos nomes compostos, a começar pelos meus irmãos e estendendo-se pelo meu marido e filhos. Sei lá! Acho bonito! Talvez seja um pensamento meio provinciano, mas eu gosto mesmo assim. Acho charmoso, forte.

O engraçado é que eu não gostava do meu nome, apesar de ser composto. É que eu ainda acho que são dois nomes que não combinam. Eu costumo brincar que meu nome é como Sofá e Geladeira, pois nunca dão certo no mesmo lugar. Mas depois que descobri que iria me chamar Letícia, aprendi a gostar. Toda Letícia que conheci é fresca e chata. E a teoria do Sofá X Geladeira, foi por água abaixo, pois pra minha pessoa deu muito certo. Uma vez fui num estudioso de nomes e ele disse que meu nome, Taiza Renata, é nome de estrela de Hollywood. Eu é que não vou contradizer, né? A partir de entaão, não uso meus sobrenomes. Sou apenas a Taiza Renata, mesmo sem ser estrela de lugar nenhum.

Eu tenho uma amiga que o sobrenome da família é Brasiliense. O tio dela se chamava Brasil, a mãe se chamava Goiânia e tem um irmão com o nome de Goiany. Minha cunhada colocou o segundo nome das filhas de Fernanda, porque é o segundo nome dela. O irmão dela, que se chama Luiz, colocou Luiz nos três filhos homens e Luiza na menina. Todos os nomes compostos, claro.

E assim, com a criatividade desse povo, os cartórios vão se divertindo, as histórias surpreendendo outras pessoas e as vidas vão levando a força de cada nome. Se você ainda não tinha parado pra pensar nisso, apenas observe. E depois me conte!

2 comentários:

  1. Ora Taiza Renata,nomear alguem é apenas um estado de humor passageiro,estes nomes bizarros por exemplo, são frutos certamente de um nomeador que naquele momento estava com a cabeça cheia de aguardente da boa.Esta história de parecermos com o nome é igual aquela do cachorro que parece com o dono e vice-versa.Mas adorei o tema, está hilário e bem escrito,parabéns novamwente.

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  2. Preciso fazer um registro: Você escreve divinamente bem! Nas suas palavras é possível encontrar amor, doçura, consolo e humor...Não te conheço, e claro, você também não me conhece. Achei seu blog por um acaso.Coincidências da vida! Mas, confesso que depois que li o primeiro texto, fico sempre ansiosa para ler o próximo. E na verdade, prefiro ler os seus as citações. Parabéns!!!

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