segunda-feira, 13 de setembro de 2010

De repente


De repente, você é uma menina, aquela que foi tão esperada, criada em meio a tantos mimos, cercada de muito amor e carinho, protegida por uma redoma imperceptível para essa idade. Sua vida é feliz, alegre, a vida transborda entre brincadeiras de boneca e casinha, onde você começa a sonhar o dia em que as bonecas serão seus filhos e a casinha será a sua.

De repente, você vira moça e o mundo parece se abrir à sua frente. É uma fase sociável, cheia de festas, fantasias, aprendizados e um protótipo de liberdade, a qual, na verdade, você nunca teve de fato. Nesse meio tempo, você conhece a paixão, aquela que faz o coração disparar, o corpo tremer, as mãos suarem. Um estado de idiotice gostosa que te torna cega e burra. Geralmente, é nessa fase que você vive o seu grande amor.

De repente, você vai amadurecendo, sonhando o futuro, conquistando espaços, alcançando objetivos. Uma lucidez te vem de raspão, essa que chamamos maturidade, e você começa acreditar que as coisas devem ser exatamente como a sociedade lhe impõe. Você começa a fazer escolhas entre o certo e o errado, como se isso não fosse relativo. Aquela paixão pode não ser a que vai te fazer feliz, afinal, como disseram, a paixão é loucura e o amor é calmo, tranqüilo. “Opte pelo amor. Construa sua família com alguém que te dê segurança. Case-se com competência”. Realmente, o amor é inseguro por natureza porque, quando se ama, você quer ser amado e o outro lado nem sempre é tão claro pra nós. E, assim, com obediência, você faz a sua escolha.

De repente, tudo aquilo que você sonhou ser um relacionamento a dois, mesmo sendo com a pessoa certa escolhida pelo lado mais racional possível, parece só acontecer nas telas de cinema. O dia-a-dia é desgastante, a rotina mata, as diferenças são muitas. Como? Na época de namoro pode-se dizer que diferenças nem existiam. Acho que a vontade que tudo desse certo era mais forte que todo o resto. Você idealiza uma pessoa e uma vida a dois que, com o tempo, desmoronam.

De repente, você se sente infeliz. Te dá uma revolta interior por ter se enganado tanto com os conceitos que você mesmo construiu. Quer tentar de novo, conhecer outro alguém, viver algo diferente, sentir de novo aquela paixão. Mas então vieram os filhos, as melhores dádivas da vida e dessa relação e, por eles, você continua tentando achar felicidade nos momentos do seu dia. Você quer que o outro seja aquilo que você tanto sonhou e acreditou que seria. Mas, daí, você descobre que Príncipes Encantados não existem e que você não se casou com um. E a vida vai passando, você olha por lado e tem sempre alguém ali ao lado, mas por dentro, tudo o que você sente é solidão e desilusão.

De repente, sopra um furacão, trazendo a mensagem que existe algo mais além dessa relação, e que pode ser boa, aquela esperada e não vivida ainda. Uma relação por inteiro, de você com você mesma, onde não existem mentiras e nem decepções. Onde as partes se despem o dia inteiro sem a menor insegurança. Você descobre que tem milhões de ferramentas dentro de você que te trarão felicidade, aceitando que a felicidade é uma escolha, um estado de espírito e que está dentro de você, ao seu alcance. Basta querer. Descobre que pra ser verdadeiramente feliz, você não tem que esperar nada de ninguém, porque a verdadeira felicidade mora dentro de você. Você descobre que a felicidade não é dependente de nada, nem ninguém. E nesse repente você redescobre a vida, se torna adolescente de novo e faz a escolha de ser feliz simplesmente, sem sonhos, ilusões, fantasmas, sentimentos de posse ou ciúme, controle da outra pessoa... tudo que você quer é ser feliz, sentir-se bem e em paz.

De repente a sua vida a dois muda de figura, porque não é mais você e ele, é você e, se merecer, ele. Ninguém é de ninguém. Essa história de “minha mulher e meu homem” é pura conversa fiada, porque só é no papel, no dia-a-dia, mas não obrigatoriamente no coração. E isso te dá um alívio enorme. O sentimento de dó de você mesma desaparece e a culpa pelas coisas não terem sido como você imaginou também.

De repente, você renasce. Entende que o bom da vida é saber conviver com as diferenças, que é isso que te faz crescer. Sua vida começa a fazer sentido, você conta com outras pessoas, conhecem pessoas interessantes e entende que amar é muito mais do que se pensava. Amor não tem que ser exatamente por alguém. E não tem que ser sofrido. É nesta faze que você descobre o mais importante: você só é capaz de amar alguém de verdade, quando o seu amor por você mesmo for maior. Sendo assim, as atitudes do outro passam a não importar mais. você entende que, se tudo acabar, o maior perdedor vai ser a outra parte.

De repente, você se mune de forças e acredita que pode mais do que tem. E você já tem muito. Mas quer mais, mais e mais. Algo dentro de você grita que a vida tem muito mais sentido se você entra no jogo pra ganhar. E ouve dizer: “quem tudo quer, nada tem”. Sim, porque não faltam pessoas pra te desestimular. A grande maioria da sociedade vive infeliz, portanto, pra muitos cehga a doer a felicidade alheia. Você dá os ombros pra todos porque dentro de você existe a certeza que sua energia é transformadora e que sua inteligência não existe por acaso.

De repente, o mundo se abre na sua frente de novo e você entende que a vida é uma sucessão de ilusões, que a felicidade não é constante e que você é o único autor da sua vida. Pra mim, a vida só tem sentido se for por amor, pra amar e ser amada. Todo o restante são apenas convenções sociais, provavelmente criadas por pessoas infelizes, desmotivadas e covardes, que não assumem quem são e preferem colocar a culpa de tudo em cima dos outros.

De repente, a vida é uma sucessão de fatos que só te levam ao crescimento, ao aprendizado de algo maior, mesmo que doa, mesmo que você se machuque, mesmo que sangre, mesmo que deixe cicatrizes. Mas de uma coisa pode ter certeza: você vai viver intensamente, se surpreender todos os dias e, ao fim, vai dar aquele longo suspiro, na certeza de que sua vida valeu à pena. Assim... de repente... não mais que de repente!

Um comentário:

  1. Nossa Taiza,de repente tomei um susto ao ver parte de sua biografia exposta em estrofes tão exíguas,de repente tem muita coisa prá acontecer repentinamente,que pode mudar tudo prá muito melhor,desde que sejam coisas boas e novas,o passado só existe como espelho prá construir coisas muito melhores no presente.Feliz dia de hoje.

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