terça-feira, 31 de agosto de 2010

Esse seu olhar - Tom Jobim


Esse seu olhar,
Quando encontra o meu,
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar...
Doce é sonhar,
É pensar que você
Gosta de mim como eu de você.
Mas a ilusão,
Quando se desfaz,
Dói no coração
De quem sonhou, sonhou demais...
Ah, se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos!...

Essa música chamada “Esse seu olhar” de Tom Jobim habitou minha mente logo pela manhã, mesmo sem tê-la ouvido há tanto tempo. Eu tenho dessas coisas! Acordo sempre com uma música na cabeça e procuro me atentar no que diz a letra, pois acho que essas coisas sutis sempre têm algo relevante na minha vida.

O olhar expressa muito, é realmente a janela da alma. Quantas vezes nos pegamos sorrindo, mantendo as aparências, mas só o olhar mostra o que é realmente sincero, o que de fato acontece em nosso sentimento. O sorrir, pra mim, é uma atitude constante, uma escolha de vida. O que não quer dizer que eu esteja sempre feliz ou que minha vida esteja sendo um mar cor de rosa pelo simples fato de manter o bom humor e o sorriso na face. Quem me conhece de perto sabe, porque meus olhos não negam o que meu coração sente.

Creio que isso não seja uma peculiaridade só minha, pois consigo perceber isso nas pessoas à minha volta, sejam elas pessoas mais próximas ou não. Consigo perceber a verdade e a mentira nos olhos, que muitas vezes não estão em comunhão com o que a boca ou os gestos dizem naquele momento.

Essa canção retrata o cruzar de olhares, algo que não precisa ser dito, não tem que ter nenhuma explicação, pois os olhos dizem tudo o que há pra ser entendido pela outra pessoa. E entende-se muito claramente! Não são necessárias palavras, gestos... apenas um olhar.

É tudo tão claro, tão óbvio, que achamos ser loucura ler aquele olhar, preferimos pensar que é coisa da nossa mente, que é sempre tão maluca, que vê coisas onde não existe ou que existe, mas não nos permitimos ver.

E desses olhos saem coisas belas, encantadoras, confissões, declarações de amor, uma paz extraordinária... um lugar que gostaríamos de permanecer pra sempre, em silêncio, confortados pela sinceridade daquele olhar. Não é necessário mais nada, apenas aqueles olhos, olhando pra dentro de você, como uma flecha que te atravessa e enxerga tudo o que há por dentro.

Assim vivem os apaixonados quando se encontram. Paixões muitas vezes platônicas, escondidas de Deus e o mundo, até proibidas, mas claramente confessadas num simples encontro de olhares, que torna-se naquele momento um encontro de almas e corações. Dependendo da intensidade do sentimento, não há que esteja por perto que não perceba nitidamente a ligação existente entre essas duas pessoas.

Quando essa paixão não pode ser vivida, seja lá por que motivo for, resta sonhar, imaginar como seria estar com essa pessoa, viver momentos avassaladores, inesquecíveis. Às vezes, são tão grandes os devaneios que fica difícil separar esse sonho da realidade, principalmente quando há um contato mais constante com esse alguém. A paixão é uma coisa louca, inexplicável, cheia de dúvidas, planos, confusões mentais... mas o cruzar de olhares condena, confessa e entrega.

Como é bom imaginar que tudo que sentimos é recíproco, que a outra pessoa também sente, também gosta, também sonha, também quer viver e se entregar, mesmo que não possa. É confortante pra quem ama, pensar que o outro também está envolvido pela mesma nuvem delirante em que você se encontra quando simplesmente lembra da outra pessoa.

Muitas vezes vivemos isso pela vida, em várias fases, às vezes com muitas pessoas. Vamos levando a vida nesse flutuar de ilusões constantes em nossa mente, para talvez tornar a vida menos dolorosa e chata. É a forma de encontrarmos o momento mágico do dia, que nos faz suspirar, sorrir sozinhos em meio ao engarrafamento, olhar pro céu e perceber a sutil diferença entre a cor do ontem e do hoje.

A falta de coragem nos faz viver esses momentos de sonhos, porque o medo de nos entregar nos impossibilita de viver essas paixões. Há muita coisa em jogo, há uma sociedade hipócrita e julgadora à nossa volta, que nos condena, nos aponta, nos faz acreditar que amar é um erro, que se entregar ao bom da vida é feio, sujo e insano.

Então, um dia, essa ilusão se desfaz e quando acontece, existe uma dor fininha, que corta o coração, que nos entristece por dentro, que quebra aquele cristal mágico que tanto brilhava dentro de nós. Desilusões, desafetos e até culpa por se permitir sonhar, habitam nossa alma e perdemos a graça de viver. É quando nos sentimos desmotivados, desestimulados e aquele amor que um dia se chamava Sonho de viver um amor, muda de nome e passa a se chamar Saudade do que podia ter sido e não foi.

Para nos defendermos de nós mesmos, das nossas armadilhas mentais, nos conformamos com o nada e continuamos seguindo pela vida, seja sonhando mais, seja sorrindo menos... o importante é sempre continuar a viver, atentos a novos sonhos, novas paixões e muitos olhares. Porque a vida não tem o menor sentido se não for feita para amar, sempre, de alguma forma, mas seguir amando.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Crenças


No meio de uma tarde ensolarada, comecei a pensar em um amigo que é ateu. Fiquei imaginando como seria minha vida se eu não acreditasse em Deus. Deus, o todo poderoso, o sublime, o onipresente, o onipotente, o Criador...

Não estou falando deste Deus “vendido” pelas igrejas por aí ou pelos hipócritas de plantão. Esse, só existe se existir o Diabo. Bando de covardes! Fogem do espelho, não admitem que o bem e mal está dentro de cada um e usam o nome de Deus ou do Diabo pra se desculparem diante da vida, não honrando nem ao menos suas próprias atitudes.

O Deus que eu acredito é totalmente diferente. Ele independe de qualquer coisa pra existir. É meu amigo, meu companheiro de todas as horas, meu guia. Tão benevolente e piedoso que posso ser simplesmente humana para ele, com todos os meus defeitos e minhas atitudes em tempestiva.

Dêem o nome que quiserem: Jesus, Nossa Senhora, Espírito Santo, Cosmo, Universo... não importa. Eu chamo de Deus apenas. Como pessoa cheia de devaneios que sou, talvez eu até tenha o criado. (Quanta ironia! Eu criei Deus? Só a Taiza Renata mesmo)

Talvez eu tenha feito isso pra nunca me sentir sozinha, pra ter sempre alguém de confiança pra conversar, alguém que não use o que eu disse contra mim, alguém que não me julgue, alguém que me ajude a ser melhor a cada dia, alguém que me conforta, alguém que é tão bom, mas tão bom, que é inconcebível que ele seja o culpado por alguma atitude minha perante a vida ou as pessoas.

Ele não me pune por ser quem eu sou. Pecadora? Não acredito. Não mesmo. Pra que tanto peso se a vida é tão leve? Aliás, cheguei à conclusão que a vida tem o peso que a gente dá pra ela. Filha do pecado? Eu não. Sou dádiva de Deus, uma centelha divina que viaja há milhares de anos tentando se encontrar, que como uma estrela cadente vai seguindo o seu caminho, iluminando rapidamente por onde passa, e que simplesmente passa.

Então, fiquei pensando nesse amigo e em outros que também têm um jeito próprio de enfrentar a vida, sem acreditar na existência de Deus, os chamados ateus. Será que eu conseguiria um dia ser ateu? Com quem eu conversaria? Ou será que o que eu chamo de Deus, eles chamam de consciência?

E a vida e a morte? Como seria? Eu acho que deve ser muito triste pensar que não existe nada além da vida. Simplesmente se nasce, vive-se e, um dia, morre. Sem explicações, sem mas nem porquês. Ponto final. Amassa-se o papel e joga fora. Nem sabe-se onde exatamente se joga. Mas só. O que fazer com as questões básicas da vida: de onde vim, quem sou, pra onde vou (se é que vou)?

Prefiro pensar diferente e fazer da minha vida mais interessante, afinal, a nossa vida é o que a gente acredita. É o que eu acredito e vivencio. Nasci um dia pra ser alguém, fazer algo, aprender coisas, me fazer superar, construir uma história, cumprir uma missão que, depois de cumprida, pode me levar a morte.

Mas a morte não é um fim. Pra mim é um recomeço. Morremos todos os dias com nossas frustrações, nossas tristezas, nossas atitudes impensadas que machucam quem amamos... Mas meu Deus é tão perfeito que me dá a oportunidade de continuar vivendo e correr atrás do prejuízo, pintar um quadro diferente, mais colorido. Se ficar meio manchado, rabiscado, com traços imperfeitos é importante saber que aquela imperfeição tem um porquê, pois ela deu o “it” necessário para chegar à cor desejada.

Todos os dias encontro pessoas que vivem como se tivessem mortas. E dizem acreditar piamente em Deus, mas passam o dia de cara fechada, reclamando da vida, das pessoas, criticando e julgando tudo e todos à sua volta. Pessoas que não sabem cumprimentar quem atravessa o seu caminho, que não são capazes de ajudar o próximo (nem que seja com um sorriso), que não têm gratidão por ter um corpo perfeito ou respirar sem a ajuda de aparelhos. Isso não se chama vida, é a morte constante, absoluta, diária.

Eu, com minha Síndrome de Poliana, prefiro acreditar que a vida é bela, leve, colorida, perfumada, saborosa, macia, que cada um tem a sua (portanto, não adianta querer ser igual ou viver a vida do outro) e isso a faz a mais especial de todas as vidas. Não por competição, mas por gratidão. Claro que “nem tudo são flores”, pois há dias que passam arrastados em tons de cinza, mas sabemos que amanhã haverá outro dia, onde a esperança nos promete que será sempre melhor.

E aí, voltando nos ateus, é impressionante como eles, de uma forma ou de outra, exalam amor, benevolência e respeito. Como pode alguém que não tem a menor noção de Deus ser assim tão cheia de virtudes? Ou será que o Deus deles tem outro nome como, por exemplo, Amor.

O meu Deus existe sim. E me criou para ser uma pessoa feliz, me usa pra ser luz na estrada da vida das pessoas por onde passo, nem que seja uma luz bem fraquinha, igual de vagalume. É o que quero ser, é o que me esforço pra ser. Criou também essa natureza exuberante, cheia de cores, sons, cheiros, espécies... o sol, a lua, o mar, as montanhas...

Acho que meus amigos ateus, que amo tanto, não sabem o quanto eu agradeço pela vida deles, pela presença deles na minha vida, por poder me mostrar que a minha verdade não prevalece, que tenho sempre mais a aprender, muitas figurinhas pra trocar.

Eles não sabem o quanto é consolável dizer: “Meu Deus, cuide dessa pessoa pra mim” e descansar sossegada, na certeza de que estarão bem. Ou ter a certeza que o que você pede é atendido, cedo ou tarde.

Seja lá qual for a verdade, seja lá o ângulo perfeito, o importante é sabermos viver bem com as diferenças, na certeza que encontramos pessoas pela vida para somar à nossa (o que a igreja denomina anjos) e que não importa qual é a sua crença... o mais importante é ser feliz.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Minha lua cheia


Estamos na lua cheia. Não entendo como, mas ela mexe comigo de uma maneira notória. É como se ela enchesse toda essa maré de sentimentos que existe dentro de mim e acaba que eu me torno pequena pra tanta emoção.

Pode ser porque é a lua dos apaixonados. E eu... sou uma pessoa constantemente apaixonada. Faço questão de ser assim, procuro coisas pra me apaixonar o tempo todo, porque acho que a vida dos apaixonados é mais alegre, mais cheia de vida, mais emocionante. Quem de nós em estado de paixão, não olha pra lua com encantamento e solta um suspiro? Essa cena é muito mais comum do que se pensa, nem que seja um suspiro da saudade do que se foi ou a vontade do que não foi, do amor que não se consumou. Efeito da lua.

Também há a hipótese da magia que a lua cheia tem, afinal sempre foi em noites de lua cheia que as bruxas se encontravam no meio da floresta para rituais, que os morcegos se transformavam em vampiros e saiam por aí beijando e mordendo pescoços, que homens se transformavam num selvagem lobisomem ou quando os magos faziam suas melhores poções. Efeito da lua.

Na verdade, acho que ela me encanta pela sua beleza, sua luminosidade, sua maestria em meio à escuridão. E cada dia, ela aparece com uma cor diferente, uma aura diferente, um horário diferente, portanto, não acredito que todas as luas cheias sejam iguais. Acho que cada uma tem sua particularidade e mexe conosco por dentro e por fora, numa intensidade perfeita para aquele momento.

A lua me encanta em todas as suas fases. Sou fascinada por ela, mas a lua cheia é especial. Além da sua magnitude aparente, ela tem em si um mistério, uma magia, uma maneira de feitiço que, quem se conecta a ela, sente uma enchente por dentro, um transbordamento do amor latente, uma vontade de chegar até ela ou se tornar do tamanho dela. Eu, particularmente, me integro a ela.

Ah, minha lua...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Certezas


Não quero alguém que morra de amor por mim…

Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.

Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.

Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim…

Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível… E que esse momento será inesquecível.

Só quero que meu sentimento seja valorizado.

Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre…

E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.

Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém… e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.

Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…

Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento… e não brinque com ele.

E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.

Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe… Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.

Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.

Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas…

Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”.

Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros…

Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.

Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão…

Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim… e que valeu a pena.


(Texto de Mario Quintana)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Quem sabe um dia


Quem sabe um dia
Quem sabe um seremos
Quem sabe um viveremos
Quem sabe um morreremos!

Quem é que
Quem é macho
Quem é fêmea
Quem é humano, apenas!

Sabe amar
Sabe de mim e de si
Sabe de nós
Sabe ser um!

Um dia
Um mês
Um ano
Um(a) vida!

Sentir primeiro, pensar depois
Perdoar primeiro, julgar depois
Amar primeiro, educar depois
Esquecer primeiro, aprender depois

Libertar primeiro, ensinar depois
Alimentar primeiro, cantar depois
Possuir primeiro, contemplar depois
Agir primeiro, julgar depois

Navegar primeiro, aportar depois
Viver primeiro, morrer depois


(Texto de Mário Quintana)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Momento...


Calou-se o tempo,
Findou-se em silêncio,
Nem se escuta o vento,
Emudeceu o coração,
Gelou a emoção,
Pararam os sonhos,
Quantos dias risonhos,
Coração em aceleração,
Um corpo a queimar,
O desejo de amar,
Uma entrega além da razão,
A vida em transformação,
Um caminhar sozinho,
Os dias a passar de mansinho,
Sonhos traçados,
Sem chegar a nenhum lado,
Quantos planos,
Quais desenganos,
Um corpo frio,
Sentindo um vazio,
Uma existência traçada,
No meio do nada,
Haverá sentido,
Seguindo pela estrada,
Ferindo-se por estar esburacada,
Hoje seremos tudo,
Amanhã um nada absoluto,
A dor fica na alma guardada,
Tantos momentos passados,
Ninguém irá lembrar ou sentir,
Todas as sensações e emoções que passaram em ti.
Um sonho findou,
A vida não acabou,
Haverá sempre objetivos,
Conseguidos ou perdidos,
Desanimar nunca,
Viver sim e agarrar-se há vida nesta luta.


(Poesia de Rosa)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Homenagem para Aninha - 21/08/2010


Aninha,

Jamais deixaria a oportunidade de falar um pouquinho de você hoje, neste momento em que te desejamos as melhores vibrações para que faça uma boa viagem e que trilhe os melhores caminhos.

Fiquei imaginando escrever algo que tivesse a sua cara. Então visualizei você, seu jeitinho dengoso, seu sorriso de olhinhos fechados, suas lágrimas em cachoeira quando algo te entristece ou mesmo quando bate a saudade de alguém, sua gargalhada solta com jeito de quem fez a melhor das artes... e algumas palavrinhas me saíram. Elas diziam mais ou menos assim...

Ana... Aninha... Anica... a minha Ripilica
Menina bacana que muita gente se engana
Porque se distrai e às vezes se embanana
Parece até que tem sangue de baiana
Pela intensidade que seu coração emana
Porém nasceu mesmo em Goiânia
Terra de gente alegre e que apenas ama
Assim é a Ana, a nossa tão pequena Ana.

Ana... Aninha... Anica... a minha Ripilica
Anjo que agora vai bater sua asinha
Vai pra longe e me deixar aqui sozinha
Mas o que nos separa é a espessura de uma linha
Os nossos corações e também de sua madrinha
Além dos amigos e família que aqui se aninha
Vá com fé que tudo nessa vida se encaminha
E aproveite essa fase com a sua turminha

Ana... Aninha... Anica... a minha Ripilica
Segure nas mãos de Deus que tudo se edifica
E não se esqueça que a vida é melhor pra quem se dedica
Você pode estar na Suíça, no Japão ou em Itaparica
Saiba que estará sempre nos corações de quem fica
Pois temos certeza que sua vida será sempre bendita
Coloque isso na cabeça e acredita
Porque sua caminhada vai ser muito bonita
Te amo, minha Ana, minha Aninha, minha Anica – a Ripilica.

(Começado em Palmas - TO e terminado dentro do táxi, no caminho do aeroporto para a casa dela)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O que quer uma mulher

Um bebê nasce. O médico anuncia: é uma menina! A mãe da criança, então, se põe a sonhar com o dia em que a sua princesinha terá um namorado de olhos verdes e casará com ele, vivendo feliz para sempre. A garotinha ainda nem mamou e já está condenada a dilacerar corações.

Laçarotes, babados, contos de fadas: toda mulher carrega a síndrome de Walt Disney. Até as mais modernas e cosmopolitas têm o sonho secreto de encontrar um príncipe encantado. Como não existe um Antonio Banderas para todas, nos conformamos com analistas de sistemas, gerentes de marketing, engenheiros mecânicos.

Ou mecânicos de oficina mesmo, a situação não anda fácil. Serão eles desprezíveis? Que nada. São gentis, nos ajudam com as crianças, dão um duro danado no trabalho e têm o maior prazer em nos levar para jantar. São príncipes à sua maneira, e nós, cinderelas improvisadas, dizemos sim! sim! sim! diante do altar; mas, lá no fundo, a carência existencial herdada no berço jamais será preenchida.

Queremos ser resgatadas da torre do castelo. Queremos que o nosso pretendente enfrente dragões, bruxas, lobos selvagens. Queremos que ele sofra, que vare a noite atrás de nós, que faça tudo o que o José Mayer, o Marcelo Novaes e o Rodrigo Santoro fazem nas novelas. Queremos ouvir "eu te amo" só no último capítulo, de preferência num saguão de aeroporto, quando ele chegará a tempo de nos impedir de embarcar.

O amor na vida real, no entanto, é bem menos arrebatador. "Eu te amo" virou uma frase tão romântica quanto "me passa o açúcar". Entre casais, é mais fácil ouvir eu "te amo" ao encerrar uma ligação telefônica do que ao vivo e a cores. E fazem isso depois de terem se xingado por meia-hora. "Você vai chegar tarde de novo? Tenha a santa paciência, o que é que você tanto faz nesse escritório? Ontem foi a mesma coisa, que inferno! Eu é que não vou prepar o jantar para você às dez da noite, te vira. Tchau, também te amo." E batem o telefone possessos.

Sim, sabemos que a vida real não combina com cenas hollywoodianas. Sabemos que há apenas meia dúzia de castelos no mundo, quase todos abertos à visitação de turistas. Sabemos que os príncipes, hoje, andam meio carecas, usam óculos e cultivam uma barriguinha de chope. Não são heróicos nem usam capa e espada, mas ao menos são de carne e osso, e a maioria tentaria nos resgatar de um prédio em chamas, caso a escada magirus alcançasse o nosso andar. Não é nada, não é nada, mas já é alguma coisa.

Dificilmente um homem consegue corresponder à expectativa de uma mulher, mas vê-los tentar é comovente. Alguns mandam flores, reservam quarto em hotéizinhos secretos, surpreendem com presentes, passagens aéreas, convites inusitados. São inteligentes, charmosos, ousados, corajosos, batalhadores. Disputam nosso amor como se estivessem numa guerra, e pra quê? Tudo o que recebem em troca é uma mulher que não pára de olhar pela janela, suspirando por algo que nem ela sabe direito o que é.

Perdoem esse nosso desvio cultural, rapazes. Nenhuma mulher se sente amada o suficiente.

(Texto de Martha Medeiros)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Doenças


Muitas doenças que as pessoas têm são poemas presos.
Abscessos, tumores, nódulos, pedras...
São palavras calcificadas,
Poemas sem vazão.
Mesmo cravos pretos, espinhas, cabelo encravado,
Prisão de ventre poderia um dia ter sido poema.
Pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra presa.
Palavra boa é palavra líquida,
Escorrendo em estado de lágrima.
Lágrima é dor derretida,
Dor endurecida é tumor.
Lágrima é alegria derretida,
Alegria endurecida é tumor.
Lágrima é raiva derretida,
Raiva endurecida é tumor.
Lágrima é pessoa derretida,
Pessoa endurecida é tumor.
Tempo endurecido é tumor,
tempo derretido é poema.
Palavra suor é melhor do que palavra cravo,
Que é melhor do que palavra catarro,
Que é melhor do que palavra bílis,
Que é melhor do que palavra ferida,
Que é melhor do que palavra nódulo,
Que nem chega perto da palavra tumores internos.
Palavra lágrima é melhor.
Palavra é melhor.
É melhor poema.

(Poema de Viviane Mosé)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O que você tem feito com a vida?


Siga a sua estrada, siga a sua vida...
Você tem um destino lindo, poderoso e só seu.
Só você pode viver a sua vida.
Essa vida!
Não deixe nada para a outra vida, tá?
Essa é a sua grande oportunidade de viver, de ser feliz, de amar, de construir o seu mundo, a sua história...
Você está sempre se esculpindo e se tornando cada vez mais competente, mais experiente, mais... mais você.
Um novo ser está nascendo a cada instante se você se permitir, certo?
Você com você mesmo.
E será sempre assim, pois um dia terá que prestar contas do que fez com esse precioso presente que é a vida.
O que você está fazendo com você mesmo?
Diz!
Nunca esqueça que esse instante precioso e valioso é seu, é um presente.
E que esse dia não tem nada a ver com o ontem ou com o amanhã que ainda virá.
Viva como se fosse os últimos instantes de sua vida, ok?
E encha esse seu coração de alegria, de prazer, de entusiasmo, de vida, de agradecimento, de reconhecimento!
Lembre-se também que o tempo segue seu curso, enquanto você vai criando marcas e justificando e registrando a sua história.
O tempo não pára, e no entanto, ele nunca envelhece.
O que você tem feito com o seu tempo, com a sua vida até agora?
Use sua energia para agir bem.
Use todos os canais de percepção para contemplar o que há de mais nobre e maravilhoso na vida.
Vamos, aproveite!
Viva! Cante! Dance! Sorria!
Você pode sim preencher todo o seu tempo com significados e sentimentos especiais.
Mas coloque para fora sua alegria de viver e não fique mais aí travado com suas preocupações, amarguras e outros bichos imaginários.

(Texto de Luis Carlos Mazzini)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A vida me ensinou...


A vida me ensinou...

A dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração;

Sorrir às pessoas que não gostam de mim,

Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;

Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;

Calar-me para ouvir; aprender com meus erros.

Afinal eu posso ser sempre melhor.

A lutar contra as injustiças;

Sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.

A ser forte quando os que amo estão com problemas;

Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho;

Ouvir a todos que só precisam desabafar;

Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;

Perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão;

Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor;

A alegrar a quem precisa;

A pedir perdão;

A sonhar acordado;

A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário);

A aproveitar cada instante de felicidade;

A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;

Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas",

embora nem sempre consiga entendê-las;

A ver o encanto do pôr-do-sol;

A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;

A abrir minhas janelas para o amor;

A não temer o futuro;

Me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente, como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenha que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher.

(Texto de Charles Chaplin)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Tempo


Quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos?
O tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina
sem raiva nem rancor.
O tempo riscou meu rosto
com calma
eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)
Acho que a vida anda passando a mão em mim.
A vida anda passando a mão em mim.
Acho que a vida anda passando.
A vida anda passando.
Acho que a vida anda.
A vida anda em mim.
Acho que há vida em mim.
A vida em mim anda passando.
Acho que a vida anda passando a mão em mim
E por falar em sexo
quem anda me comendo
é o tempo.
Na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás.
Um dia resolvi encará-lo de frente e disse:
tempo,se você tem que me comer,
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos.
Acho que ganhei o tempo.
E de lá pra cá ele tem sido bom comigo.
Dizem que ando até remoçando.

(Texto de Viviane Mosé)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Num dia desses...


Num dia desses, farei uma mudança em minha vida, buscando uma nova referência para as minhas atitudes.

Num dia desses, por absoluta necessidade do meu crescimento íntimo, buscarei servir ao mundo sem cogitar do meu ego.

Num dia desses, vou abandonar de vez a tristeza e sair pelo mundo, cantando a minha alegria de estar viva.

Num dia desses, vou colocar uma roupa florida e fingir para mim mesma que é Primavera.

Num dia desses, vou tirar o sapato e sair descalça pela rua, vivendo outra vez o tempo em que fui criança.

Num dia desses, vou acordar bem cedo e olhar da minha janela o nascer do sol.

Num dia desses, vou orar de mãos postas em direção ao Céu, pedindo a Deus que tome conta de todo mundo.

Num dia desses, vou fazer de conta que é Natal, mesmo não sendo Dezembro, e vou comprar um brinquedo para o menino de rua.

Num dia desses, vou quebrar minha rotina e começar a reformular minha vida e as minhas opiniões perante os outros.

Num dia desses, eu vou tirar férias de mim mesma, e saindo pela vida nova, embriagada de riso e felicidade, vou dizer para todos que amo.

Amo a vida. Amo a Deus.

Num dia desses, quem sabe eu não faça tudo isso e finalmente seja feliz.

Marta

(Página psicografada pelo médium Marcel Mariano em 04.12.1999, em Salvador/BA.)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Receita para lavar palavra suja


Mergulhar a palavra suja em água sanitária.
Depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio dia.
Algumas palavras quando alvejadas ao sol adquirem consistência de certeza.
Por exemplo, a palavra vida.
Existem outras, e a palavra amor é uma delas, que são muito encardidas pelo uso, o que recomenda esfregar e bater insistentemente na pedra, depois enxaguar em água corrente.
São poucas as que resistem a esses cuidados, mas existem aquelas.
Dizem que limão e sal tira sujeira difícil, mas nada.
Toda tentativa de lavar a piedade foi sempre em vão.
Agora nunca vi palavra tão suja como perda.
Perda e morte na medida em que são alvejadas soltam um líquido corrosivo, que atende pelo nome de amargura,que é capaz de esvaziar o vigor da língua.
O aconselhado nesse caso é mantê-las sempre de molho em um amaciante de boa qualidade.
Agora, se o que você quer é somente aliviar as palavras do uso diário, pode usar simplesmente sabão em pó e máquina de lavar.
O perigo neste caso é misturar palavras que mancham no contato umas com as outras.
Culpa, por exemplo, a culpa mancha tudo que encontra e deve ser sempre alvejada sozinha.
Outra mistura pouco aconselhada é amizade e desejo, já que desejo, sendo uma palavra intensa, quase agressiva, pode, o que não é inevitável, esgarçar a força delicada da palavra amizade.
Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras sob o risco de perderem o sentido.
A sujeirinha cotidiana, quando não é excessiva, produz uma oleosidade que dá vigor aos sons.
Muito importante na arte de lavar palavras é saber reconhecer uma palavra limpa.
Conviva com a palavra durante alguns dias.
Deixe que se misture em seus gestos, que passeie pela expressão dos seus sentidos.
À noite, permita que se deite, não a seu lado mas sobre seu corpo.
Enquanto você dorme, a palavra, plantada em sua carne, prolifera em toda sua possibilidade.
Se puder suportar essa convivência até não mais perceber a presença dela, então você tem uma palavra limpa.
Uma palavra LIMPA é uma palavra possível.

(Texto de Viviane Mosé)