sexta-feira, 30 de julho de 2010

Um pouco de Pedro Bial


Não seja leviano com o coração dos outros.
Não ature gente de coração leviano.
Não perca tempo com inveja.
Às vezes se está por cima,
às vezes por baixo.
A peleja é longa e, no fim,
é só você contra você mesmo.
Não esqueça os elogios que receber.
Esqueça as ofensas.
Se conseguir isso, me ensine.
Guarde as antigas cartas de amor.
Estique-se.
Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida.
As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam,
aos vinte e dois o que queriam fazer da vida.
Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço
ainda não sabem.
Talvez você case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda
em suas bodas de diamante.
Faça o que fizer não se auto congratule demais, nem seja severo demais com você.
As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo,
É assim para todo mundo.
Desfrute de seu corpo use-o de toda maneira que puder, mesmo!!
Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele,
É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.
Dance.
Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.
Dedique-se a conhecer seus pais.
É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez.
Seja legal com seus irmãos.
Eles são a melhor ponte com o seu passado e
possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.
Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons.
Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida,
porque quanto mais velho você ficar,
Mais você vai precisar das pessoas que você conheceu quando jovem.
Viaje.
Aceite certas verdades inescapáveis:
E não espere que ninguém segure a sua barra.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Um pouco de Fernando Pessoa


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Solidão contente


Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão.

Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.

Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha.

Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.

“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.

Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor.

Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou.

Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre.

A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem.

A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói.

Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome?

A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade.

Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda.

Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos.

Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer.

Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha.

Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos. Nem sempre é fácil.

(Texto de Ivan Martins, editor executivo da Revista Época)

terça-feira, 27 de julho de 2010

Arco íris - Roberto Shyniashiki


Você não sabe,

Mas está comigo

Neste canto.

Eu quero lhe dizer

Dos encontros que tivemos

Sem que fosse preciso estarmos juntos.

E agora, é um desses instantes

Que a mim

Chega com som de sacramento,

E que não importa onde você esteja,

Porque eu o alcanço em pensamento

Com toda a maciez deste momento.

E então, lindo menino,

Quero lhe dar o que

Me vai na alma...

Leve com você este suspiro rosa,

Leve com você o meu pensar azul,

O meu sorriso verde,

Este carinho branco,

O meu olhar brilhante,

Esta paixão dourada.

Leve com você, nesta hora,

Com muita força e calor,

Aquilo em que me transformo

Para você...

Um arco-íris do amor.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Os virgens


Sou virgem e meu signo é Leão. Sou casada e sou virgem, tenho filhos e sou virgem. Tão virgem quanto você.

Quando falamos em virgindade, logo pensamos em sexo, e a partir do dia que o experimentamos, o mundo parece perder seu mistério maior. Não somos mais virgens! Que grande ilusão de maturidade.

Virgindade é um conceito um tanto mais elástico. Somos virgens antes de voltar sozinhos do colégio pela primeira vez. Somos virgens antes do primeiro gole de vinho. Somos virgens antes de ver Paris. Somos virgens antes do primeiro salário. E podemos já estar transando há anos e permanecermos virgens diante de um novo amor.

Por mais que já tenhamos amado e odiado, por mais que tenhamos sido rejeitados, descartados, seduzidos, conquistados, não há experiência amorosa que se repita, pois são variadas as nossas paixões e diferentes as nossas etapas, e tudo isso nos torna novatos.

As dores, também elas, nos pegam despreparadas. A dor de perder um amigo não é a mesma de perder um carro num assalto, que por sua vez não é a mesma de perder a oportunidade de se declarar para alguém, que por outro lado difere da dor de perder o emprego. Somos sempre surpreendidos pelo o que ainda não foi vivido.

Mesmo no sexo, somos virgens diante de um novo cheiro, de um novo beijo, de um fetiche ainda não realizado. Se ainda não usamos uma lingerie vermelha, se ainda não fizemos amor dentro do mar, se ainda cultivamos alguns tabus, que espécie de sabe-tudo somos nós?

Eu ainda sou virgem da neve, que já vi estática em cima das montanhas, mas nunca vi cair. Sou virgem do Canadá, da Turquia, da Polinésia. Sou virgem de helicóptero, Jack Daniels, revólver, análise, transa em elevador, LSD, primeira classe, Harley Davidson, cirurgia, rafting, show do Lenny Kravitz, siso e passeata. A virgindade existencial nos acompanha até o fim dos nossos dias, especialmente no último, pois somos todos castos frente à morte, nossa derradeira experiência inédita. Enquanto ela não chega, é bom aproveitar cada minuto dessa nossa inocência frente ao desconhecido, pois é uma aventura tão excitante quanto o sexo e não tem idade pra acontecer.

(Texto de Martha Medeiros)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O que é o amor???


Hoje acordei com vontade de falar de amor. Aliás, tenho pensado muito nisso nos últimos tempos, pois tantas pessoas confundem o seu teor e não entendem que existem vários tipos de amor e de se amar.

É difícil traduzir em palavras o amor, pois é o sentimento mais sublime que existe, é grande, forte, poderoso, ao mesmo tempo que é singelo, simples, doce. Ele se externa de várias formas e intensidades.

A amizade é uma forma de amor. É o doar de ombro, é o compartilhar momentos alegres, é apoiar nos momentos de dor, é a torcida por uma nova conquista, é estar presente mesmo estando distante, é o participar da vida do outro, é o bom conselho no momento certo, é o puxão de orelha que só um amigo de verdade tem condições de dar.

A saudade é uma forma de amor. É a vontade de estar junto, é o relembrar de fatos, pessoas e lugares que nos marcaram a alma, é a nostalgia de reviver coisas boas, é o suspirar por não ter aquilo ou aquele (a) naquela hora, é a valorização das coisas simples da vida, instantes mágicos que se eternizam dentro de nós.

O namoro é uma forma de amor. É o dividir a vida, é atração dos corpos, é o beijo na boca, é o andar de mãos dadas, é o conhecer do outro, é um compartilhar de momentos, é o somar de novos amigos, é o gostar do desconhecido, é a descoberta diária, é o querer estar perto e talvez planejar uma união futura.

O casamento é uma forma de amor. É a concretização de sonhos sonhados juntos, é a vontade de constituir uma família, é a renúncia, é a parceria real, é o abrir mão de si mesmo em prol do outro, é o compartilhar a vida, é o amor que mais deve ser cuidado para que não se machuque o amor a ponto de seus tripulantes quererem abandonar o barco.

A paixão é uma forma de amor, embora muitos discordem. Ela é o lado mais intenso do amor, vem arraigada com um sentimento de posse, vontade de querer aquela pessoa só pra você, querer transar o tempo todo, abraçar, beijar, sugar. O objeto desse amor não sai do pensamento, o coração dói de saudade. Eu diria que é o lado negro do amor, porque apaixonados são capazes de matar ou morrer por amor, porque é o amor passional. É fogo, é insanidade, é algo que foge ao nosso controle.

O sexo é uma forma de amor. É a entrega, é a sede, é a fome. É o sincronizar de dois corpos e duas almas. É um lambuzar-se no prazer do outro. É um toque de pele que dá choque, que arrepia, ensandece, provoca calafrios, que te leva ao céu, te faz molhar, te provoca suspiros, que aquece o corpo e acelera o coração.

E assim, entre tantas formas que o amor se apresenta, vamos vivendo a vida, tentando entender, querendo cada vez mais amar e ser amado. Porém temos a imbecilidade de querer ser amado como amamos. Esse é o maior engano do amor, porque coração é terra que ninguém anda e, cada um, ama como pode, como sabe, como aprendeu, pois só podemos dar o que temos.

Tudo que posso constatar é que o amor é único, sublime e incomensurável. Não dá pra ser descrito, apenas sentido no coração. E sentindo amor por tantas pessoas, de diversas formas, em intensidades diferentes, vamos caminhando pela vida, nos embebedando dos amores de homens, mulheres, filhos, família, amigos e tantos outros.

Ah, como é bom amar!!!


"Para quem bem viveu o amor
Duas vidas que abrem
Não acabam com a luz
São pequenas estrelas
Que correm no céu
Trajetórias opostas
Sem jamais deixar de se olhar

É um carinho guardado no cofre
De um coração que voou
É um afeto deixado nas veias
De um coração que ficou
É a certeza da eterna presença
Da vida que foi
Na vida que vai
É a saudade da boa
Feliz, cantar

Que foi, foi, foi
Foi bom e pra sempre será
Mais, mais, mais
Maravilhosamente amar

(Texto: Taiza Renata, Música: Feliz, Composição: Gonzaguinha, Inspiração: Mau)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Amigos são como estradas


Certos amigos são indispensáveis, simples como aquela estradinha de terra no interior, onde do alto da colina podemos avistá-la inteirinha, sabemos onde podemos ir e onde podemos chegar, são transparentes e confiáveis.

Outros, acabaram de chegar, como estradas que só conhecemos pelo guia, e vamos nos aventurando sem saber muito bem seus limites, é um caminho desconhecido, mas que sempre vale a pena trilhar.

Tem amigos que lembram aquelas estradas vicinais, que pouco usamos, pouco vemos, mas sabemos que quando precisarmos, ela estará lá, poderemos passar e cortar caminho, mesmo distante, estão sempre em nossa memória.

Por certo, também existem amigos que infelizmente, lembram aquelas estradas maravilhosas, com pistas largas e asfalto sempre novo, mas que enganam o motorista, pois são cheias de curvas perigosas, e quando você menos espera... é traído pela confiança excessiva.

E existem amigos que são como aquelas estradas que desapareceram, não existem mais, mas que sempre ligam a nossa emoção até a saudade, saudade de uma paisagem, um pedaço daquela estrada, que deixou marcas profundas em nosso coração.

Foram, mas ficaram impregnados em nossa alma. E na viagem da vida, que pode ser longa ou curta amigos são mais do que estradas, são placas que indicam a direção, e naqueles momentos em que mais precisamos, por vezes são o nosso próprio chão.

(Desconheço a autoria)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A idade de casar


O amor pode surgir de repente, em qualquer etapa da vida, é o que todos os livros, filmes, novelas, crônicas e poemas nos fazem crer. É a pura verdade. O amor não marca hora, surge quando menos se espera. No entanto, a sociedade cobra que todos, homens e mulheres, definam seus pares por volta dos 25 e 30 anos. É a chamada idade de casar. Faça uma enquete: a maioria das pessoas casa dentro dessa faixa etária, o que de certo modo é uma vitória, se lembrarmos que antigamente casava-se antes dos 18. Porém, não deixa de ser suspeito que tanta gente tenha encontrado o verdadeiro amor na mesma época.

O grande amor pode surgir aos 15 anos. Um sentimento forte, irracional, com chances de durar para sempre. Mas aos 15 ainda estamos estudando. Não somos independentes, não podemos alugar um imóvel, dirigir um carro, viajar sem o consentimento dos pais. Aos 15 somos inexperientes, imaturos, temos muito o que aprender. Resultado: esse grande amor poderá ser vivido com pressa e sem dedicação, e terminar pela urgência de se querer viver os outros amores que o futuro nos reserva.

O grande amor pode, por outro lado, surgir só aos 50 anos. Você aguardará por ele? Aos 50 você espera já ter feito todas as escolhas, ter viajado pelo mundo e conhecido toda espécie de gente, ter uma carreira sedimentada e histórias pra contar. Aos 50 você terá mais passado do que futuro, terá mais bagagem de vida do que sonhos de adolescente. Resultado: o grande amor poderá encontrá-lo casado e cheio de filhos, e você, acomodado, terá pouca disposição para assumí-lo e começar tudo de novo.

Entre os 25 e 30 anos, o namorado ou namorada que estiver no posto pode virar nosso grande amor por uma questão de conveniência. É a idade em que cansamos de pular de galho em galho e começamos a considerar a hipótese de formar uma família. É quando temos cada vez menos amigos solteiros. É quando começamos a ganhar um salário mais decente e nosso organismo está a ponto de bala para gerar filhos. É quando nossos pais costumam cobrar genros, noras e netos. Uma marcação cerrada que nos torna mais tolerantes com os candidatos à cônjuge e que nos faz usar a razão tanto quanto a emoção. Alguns têm a sorte de encontrar seu grande amor no momento adequado. Outros resistem às pressões sociais e não trocam seu grande amor por outros planos, vivem o que há pra ser vivido, não importa se cedo ou tarde demais. Mas grande parte da população dança conforme a música. Um pequeno amor, surgido entre os 25 e 30 anos, tem tudo para virar um grande amor. Um grande amor, surgido em outras faixas etárias, tem tudo para virar uma fantasia.

(Texto de Martha Medeiros)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Conselho de avó


Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de Porto, dizer à minha neta:

- Querida, venha cá. Feche a porta com cuidado e sente-se aqui ao meu lado. Tenho umas coisas pra te contar.

E assim, dizer apontando o indicador para o alto:

- O nome disso não é conselho, isso se chama colaboração! Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões. E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis, a pele mole e os cabelos brancos, minha alma é o que me resta saudável e forte.
Por isso, vou colocar mais ou menos assim:

É preciso coragem para ser feliz. Seja valente.

Siga sempre seu coração. Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão.

E satisfaça seus desejos. Esse é seu direito e obrigação.

Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você.

Tenha poucos e bons amigos. Tenha filhos. Tenha um jardim.

Aproveite sua casa, mas vá a Fernando de Noronha, a Barcelona e a Austrália.

Cuide bem dos seus dentes.

Experimente, mude, corte os cabelos.

Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro.

Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito..."

Tenha uma vida rica de vida.

Vai que o carteiro ganha na loteria - tudo é possível, e o futuro é imprevisível.

Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela.

Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor.

E tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável. Porque sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários.

Se for se casar, faça por amor. Não faça por segurança, carinho ou status. A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode ser um saco!

Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de aperfeiçoar os genes na reprodução, sugere que você procure alguém diferente de você. Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no olfato e desconfie da visão. É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.

Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação. Leia. Pinte, desenhe, escreva. E por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, o faça por mim.

Compreenda seus pais. Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão.

Cultive os amigos. Eles são a natureza ao nosso favor e uma das formas mais raras de amor.

Não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.

Era só isso minha querida. Agora é a sua vez. Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte: como vai você?

(Texto de Maria Sanz Martins)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Networking X Amizade


Existem cinco estágios em uma carreira profissional de sucesso:

O primeiro estágio é aquele em que o funcionário precisa usar crachá, porque quase ninguém na empresa sabe o nome dele.

No segundo estágio, o funcionário começa a ficar conhecido dentro da empresa e seu sobrenome passa a ser o nome do departamento em que trabalha. Por exemplo, Eduardo de Contas a Pagar...

No terceiro estágio, o funcionário passa a ser conhecido fora da empresa e o nome da empresa se transforma em sobrenome: Eduardo da Empresa Tal.

No quarto estágio, é acrescentado um título hierárquico ao nome dele: Eduardo, Diretor da Empresa Tal.

Finalmente, no quinto estágio, vem a distinção definitiva. Pessoas que mal conhecem o EDUARDO passam a se referir a ele como "O meu amigo DUDA", Diretor da Empresa Tal'. Esse é o momento em que uma pessoa se torna, mesmo contra sua vontade, um "amigo profissional".

Existem algumas diferenças entre um amigo que é amigo e um amigo profissional. Amigos que são amigos trocam sentimentos. Amigos profissionais trocam cartões de visita.

Uma amizade dura para sempre. Uma amizade profissional é uma relação de curto prazo e dura apenas enquanto um estiver sendo útil ao outro.

Amigos de verdade perguntam se podem ajudar. Amigos profissionais solicitam favores.

Amigos de verdade estão no coração. Amigos profissionais estão numa planilha.

É bom ter uma porção de amigos profissionais. É isso que, hoje, chamamos networking, um círculo de relacionamentos puramente profissional. Mas é bom não confundir uma coisa com a outra. Amigos profissionais são necessários. Amigos de verdade, indispensáveis...

Algum dia - e esse dia chega rápido... - os únicos amigos com quem poderemos contar serão aqueles poucos que fizemos, quando amizade era coisa de amadores, e não de profissionais.

(Desconheço a autoria)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

As razões que o amor desconhece


Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes do Woody Allen, do Hal Hartley e do Tarantino, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettuccine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desses, criatura, por que diabo está sem namorado?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Costuma ser despertado mais pelas flechas do Cupido do que por uma ficha limpa.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai ligar e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário, ele adora o Planet Hemp, que você não suporta. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado, mas você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita de boca, ele adora animais, ele escreve poemas. Por que você ama esse cara? Não pergunte pra mim.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou murchar, você levou-a para conhecer sua mãe e ela foi de blusa transparente. Você gosta de rock e ela de MPB, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina o Natal e ela detesta o Ano-Novo, nem no ódio vocês combinam. Então? Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são referências, só. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo o que o amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó. Mas só o seu amor consegue ser do jeito que ele é.

(Texto de Martha Medeiros)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Happy Hour


Há uns dois anos, ou pouco mais, tenho tido a experiência super agradável de sair do trabalho e me reunir com pessoas que gosto, com o único intuito de falar besteira e rir à vontade. Claro que isso não acontece todos os dias, pois minha vida de esposa e mãe de três filhos ficaria incompleta.

Durante toda a vida assisti homens fazerem isso, quase diariamente. Aquele famoso “chopp com os amigos” ao fim do dia, sempre fazia alvoroço entre a mulherada, principalmente às casadas, achando que era um motivo de seu amado sair de casa e aprontar algumas Diziam que estavam na farra.

Farra pra mim sempre soou mal. Dá um ar de coisa descontrolada, irresponsável, inconseqüente. Seguindo os “achismos” alheios sempre fui contra, até o dia que resolvi experimentar. E adorei!

Comecei com um grupo de amigas de pouco tempo (uns 8 anos), mas muito amigas, bem próximas. Uma divorciada e mãe de dois filhos, outras duas solteiras e um amigo de 20 anos, o qual convidei para fazer parte da turma. Nos reuníamos uma vez por semana, às terças-feiras. No início, era um pacto de amizade, ninguém podia faltar. Mas, com o tempo, foi chegando mais gente, amigos dos amigos e aí perdeu um tanto do sentido desse happy hour.

Sendo uma hora de ficarmos à vontade entre amigos, não acho conveniente estar sentada com estranhos e falar as minhas bobagens (que são muitas e costumam gerar estranheza). Na presença de outras pessoas, ninguém ficava mais tão à vontade. Então, restringimos um tanto o grupo, para o bem geral da nação e continuamos a fazer nós quatro, sem meu amigo homem, que muitas vezes se escandalizava.

Esse momento também amadurece bastante. Entendemos que as pessoas gostam, assim como nós, de estar participando de um momento assim. Então, vez ou outra, levamos alguém que comungue dos mesmos pensamentos para se juntar a nós. Não é nenhum movimento fechado, mas também não dá pra abrir demais, porque se não vira bagunça.

Logo apareceu um grupo bem familiar, liderado por uma amiga casada, mãe de dois filhos. Uma grande amiga minha fazia parte desse grupo e me convidou a participar. Reunimos todas às sextas-feiras e o grupo era composto de maridos, esposas e filhos. Cada vez em um lugar e, sendo na casa de alguém, cada um levava alguma coisa. Esse costuma ficar suspenso nas férias, pois a grande maioria costuma viajar. Então, quando dá, nos reunimos sem o grupo todo presente.

Agora apareceu um outro grupo. Esse de amigas de 20 anos, todas casadas e mães, mas só  mulheres. Nos reunimos sempre no mesmo lugar às quartas-feiras, sobre a supervisão do marido da minha amiga, pois eles são donos do local. Enquanto a mulher dele se diverte conosco, ele trabalha e nos vigia. Tanto melhor, assim ficamos mais contidas. Detalhe: sempre que falta alguém, ligamos e todos falam com a pessoa. A coitada do outro lado da linha fica morrendo de vontade de estar ali, mas no fundo, ela está, seja em pensamento ou no coração.

Aí fico pensando como é bom estar entre amigos, pessoas que amamos, que podemos compartilhar a vida sem medo e nos sentirmos amadas. No meio de pessoas que confiamos, damos muita gargalhada, falamos muita besteira e nos divertimos. É um momento de “terapia da abobrinha”, como diz um grande amigo meu. Nada melhor que falar abobrinha durante horas!

O mais legal é que não precisamos de bebida alcoólica para que a coisa aconteça. Alguns dias, nos arriscamos, mas daí é sempre uma lástima, porque é cada coisa que sai, que parece só existir nossa mesa no ambiente. Todas riem ao mesmo tempo, todas cochichamos nossas besteiras e as pessoas em volta, apesar de estarem em outra mesa, querem saber o que estamos falando e o que está acontecendo de tão engraçado. Até os garçons fazem ronda na nossa mesa. Geralmente somos atendidas por uns quatro, cada um tentando tirar um pouquinho daquele momento.

Assim, a vida vai se fazendo... de horas felizes, de estar entre amigos, de compartilhar momentos, de lembrar o passado, de dividir o presente e sonhar o futuro. Palavras carinhosas misturadas com o riso escancarado, confidências (as mais íntimas) misturadas com um bom conselho e troca de experiências, devaneios que se misturam com a realidade.

São essas pequenas coisas, esses singelos minutos que dão motivação para dias mais felizes, cheios de amor e amizade e o sentido verdadeiro de que a vida sempre vale à pena.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Menininha ou mulherão?


Ontem fui pra casa mais tarde porque fiquei respondendo um e-mail de alguém que dizia estar pensando no meu jeito de ser. Claro que eu me empolguei e acabei respondendo um jornal, porque não sei escrever pouquinho. Costumo dizer que falo demais, porém sou melhor pra escrever do que pra falar. Aí, já viu, né?

Fazendo uma análise em cima da análise dele, fiquei pensando nessa história: como as pessoas me vêem e quem sou eu, de fato?

Devo ser uma mulher de presença, porque o que mais escuto dizer é que sou um mulherão. Talvez porque eu seja alta, gorda, espalhafatosa, brincalhona, extrovertida. Não tem como não ser notada e, muitas vezes julgada. Mas não me importo! O mais importante pra mim é jamais perder minha essência, que acredito ser boa, apesar de ter muito a melhorar.

Isso tudo é só aparência. A não ser na forma como enfrento as realidades da vida. Sou mesmo mulher que arregaça as mangas e parte por ataque, gente que resolve logo o que tem que ser resolvido e nunca foge. Por ser uma pessoa intensa e imediatista, quando as coisas caem na minha mão para serem resolvidas, eu faço, custe o que custar. Tem um ditado que diz que “Deus dá o frio conforme o cobertor”, então encaro a vida de frente, me esforçando pra superar os obstáculos que a vida me apresenta, afinal, se veio pra mim, é porque dou conta do recado. Não tenho a menor dúvida disso.

Acho que nesse ponto, o real da vida, posso me considerar sim um mulherão, porque abraço o mundo com o corpo todo. Estou sempre pronta a ajudar, a ser útil, procuro ser dinâmica, despachada e não sou muito de julgamentos. Me trabalho sempre pra não julgar e não ligo muito para o que os outros venham a pensar de mim. Por essas e outras vivo repetindo que sou uma espécie de homem.

Sim, porque na nossa sociedade, a mulher tem que ser doce, delicada, recatada, falar pouco, ser feminina. Isso não combina muito comigo. Meu sistema é bem bruto. Tenho dentro de mim uma força que desconheço de onde vem e que agradeço por tê-la, porque reconheço que isso é um dom que poucas pessoas têm. Esse meu lado, muitas vezes, assusta os outros, daí jogam isso em cima do meu signo – Escorpião. O triste é que esse signo tem uma fama de ser ruim que dói.

Não posso negar. O meu lado Escorpião é escorpianíssimo. É que sou boa demais, mas ruim, eu sou melhor ainda. Então, quem me conhece, me respeita. Eu acabo me impondo simplesmente por ser escorpionina. Fácil, né? Basta dizer que sou. Até gosto disso. Representa um poder que, no fundo, eu não tenho. Mas, só o fato de terem cuidado comigo, já é bom.

A grande verdade é que sou uma eterna menina, como já citei num texto meu chamado “Síndrome de Poliana”. Sou uma criança, frágil, que quer colo, que vê a vida com um colorido cintilante, que agradece pelo azul do céu ou pela luz do sol, que vive arrumando motivos pra se apaixonar, que ama a vida incondicionalmente, que sonha muito, que faz o seu próprio mundinho, mesmo que esse seja um “faz-de-conta” e, dessa forma, vai encontrando a felicidade nas coisas mais simples.

Sou uma pessoa alegre sim. E tenho raiva dos dias em que me sinto deprimida, então prefiro me isolar, porque ninguém me merece de mau humor. Fico arrumando motivos que me façam feliz o tempo todo. Quando a vida real não permite, lembro do passado, sonho com o futuro, tiro os pés desse mundo chato e vôo pra bem longe e bem alto. Será isso uma psicopatia, uma doença? Se for, quero morrer assim, porque isso não causa mal a ninguém, pelo contrário.

E assim, eu vou levando a vida. Essa que as pessoas enquadram no tal “mundo cão”, por ser tão difícil, pesada e amarga. Acho que eu procuro não ver esse lado ruim e acreditar que a vida é boa, leve, gostosa, feita pra ser saboreada, sentida, curtida a todo momento da melhor maneira possível.

Oscilando entre a menininha e o mulherão, vou fazendo minha história, traçando meu caminho, marcando algumas vidas, trazendo outras vidas para a minha vida e vivendo, ou buscando viver, sempre muito feliz.

terça-feira, 13 de julho de 2010

O despertador está tocando...


Na Índia, os mestres sempre dizem: os problemas são despertadores que tentam acordar as pessoas para a vida. Aproveite para acordar logo, antes que o próximo despertador faça mais barulho.

Pense nisso: o que essa dificuldade está querendo mostrar a você? Problemas são avisos que a vida nos envia para corrigir algo que não estamos fazendo bem.

Problemas e doenças são sinais de emergência para que possamos transformar nossas vidas. Aliás, problemas e doenças guardam muita semelhança entre si.

Infelizmente, a maioria das pessoas, quando fica doente, cai num lamentável estado de prostração ou simplesmente toma remédio para tratar os sintomas em vez de fazer uma pausa para refletir sobre os avisos que essa doença está enviando.

São poucos os que se perguntam: "Por que meu organismo ficou enfraquecido e permitiu que a doença o atacasse?"

Uma doença é sempre um aviso, embora muita gente não preste atenção nele. Assim como os problemas, os sintomas vão piorando na tentativa de fazer com que você entenda o recado.

No começo pode ser uma leve dor de cabeça, um recado para que você pare e analise o que está faltando em sua vida. Mas você não tem tempo, toma um analgésico e nem percebe direito que a dor está aumentando.

Então, a dor piora, mas você vai à acupuntura para aliviá-la e não presta atenção quando o médico diz que o tratamento é paliativo e que você precisa mudar seu estilo de vida para eliminar as causas da doença.

As doenças são recados que precisamos levar a sério, principalmente as doenças que se repetem. Dores de cabeça, alergias de pele, má digestão, todos esses distúrbios querem nos mostrar algo. Saber procurar e achar as causas deles é uma atitude muito sábia.

Nossos inimigos, da mesma forma que os problemas e as doenças, são gritos de alerta para cuidarmos de algo que não está certo em nossa vida.

Quando os ouvimos com atenção, nossos inimigos podem se transformar em maravilhosas alavancas de crescimento pessoal. Assim como as doenças e os inimigos, os problemas nos enviam avisos que precisamos aprender a decodificar.

Se você tem um problema que está se repetindo em sua vida, é chegada a hora de fazer uma análise do seu significado para poder
superá-lo.

E tenha muito claro que, no momento em que supera um problema que o acompanha por algum tempo, uma nova pessoa nasce dentro de você.

(Texto de Roberto Shinyashiki)