sexta-feira, 18 de junho de 2010

Mais um na multidão - Erasmo Carlos


Guarde segredo que te quero
E conte só os seus pra mim.
Faça de mim o seu brinquedo...
Você é meu enredo...
Vem pra cá!

Te quero...
Te espero...
Não, não vai passar!
O amor não falta estar.

Você pensa mim,
Eu penso em você...
Eu tento dormir,
Você tenta esquecer.
Longe do seu ninho, meu andar caminho.
Deixo onde passo os meus pés no chão...
Sou mais um na multidão!

O mar de sol no leito do lar
E nem o rio pode apagar...
O amor é fogo e ferve queimando!
Estou ferido agora e sigo te amando...
Você pode acreditar!

A mesma carta, o mesmo verbo...
E sonho só viver pra ti.
Quem tem a chave do mistério,
Não teme tanto o medo de amar.

Me cego...
Te enxergo...
Não, não vai passar!
O amor não tarda estar.

Te quero...
Te espero...
Não, não vai passar!
O amor não falta estar.


Há muito tempo estou querendo escrever sobre essa música, mas há meses não conseguia, talvez por estar sem tempo, talvez por estar mesmo sempre me sentindo mais uma na multidão e não conseguir passar esse sentimento para o papel.
Hoje não paro enquanto não finalizar. Me propus a terminar, mesmo que eu tenha essa sensação tão constante em minha vida, que nunca se acaba.
Como já disse em outros textos, às vezes paro para sentar na arquibancada da vida e observar as pessoas. Não só as que estão ao meu redor, mas todas as outras, inclusive aquelas que nem conheço e que se encontram do outro lado do mundo.
É como aquelas imagens de telejornais que mostram centros de grandes cidades com milhares de pessoas andando pra lá e pra cá, atravessando ruas, cada um vestido à sua maneira, tendo como companhia seus pensamentos apenas, pois apesar de estarem cercados de pessoas por todos os lados, na verdade, somos uma ilha no meio do nada.
As pessoas vivem, cada qual a sua vida, cada um com seus problemas, seus sonhos, suas dificuldades ou conquistas e, por mais que o nosso rol de relacionamento seja bem vasto, a certeza é que não somos entendidos como gostaríamos e bate aquela solidão no peito.
Essa música me passa a imagem de um casal que se ama, que pensa um no outro o tempo todo, que têm entre si um sentimento forte que faz toda uma conexão entre eles, mas estão distantes, longe dos corpos um do outro, mas dentro do coração. É como um amor platônico, onde ambos buscam se encontrar e realizar o sonho de se unificarem completamente e para sempre.
Mas cada um tem a sua vida, o seu tempo, os seus objetivos e estão totalmente desconectados na vida. Tudo o que têm é o desejo um do outro, o sonho de um dia estarem juntos e viver um amor tão esperado, o qual nenhum tempo ou distância é capaz de apagar.
Então, os dias passam, a vida passa e a sensação que se tem é que nada faz sentido, pois não se tem o ser amado por perto. Criam-se esperanças, visualizam-se momentos, sonha-se viver esse amor, arruma-se desculpas para o desconsolo e a ilha permanece.
Assim o tempo passa. A pessoa amada que se encontra tão longe, te acompanha todos os dias em seus pensamentos, seja nas lembranças de um passado, seja no sonho do reencontro. E você se pergunta: onde me encontro em toda essa história? E daí você descobre que é só mais um na multidão.

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