terça-feira, 8 de junho de 2010

Lula - O filho do Brasil

Fiquei sabendo da gravação do filme por um de seus patrocinadores enquanto o mesmo estava sendo gravado. Claro que, para quem participou de sua produção, foi uma ótima oportunidade de estreitar laços de relacionamentos com o Presidente e sua turma, além de, claro, afortunar um pouco mais seus cofrinhos.

O fato de esse filme ser lançado nesse ano de eleições presidenciais não é um acaso do destino. Assim como não acredito ser acaso o acidente que aconteceu com o seu diretor, Fábio Barreto.

Havia intenções de “não ser um filme político”, disse meu ilustre conhecido, mas no seu desenrolar fica claro o porquê de seu lançamento justo neste ano.

Não fui ao cinema aumentar a bilheteria do filme por vários motivos, mas devido ao imenso número de críticas ao mesmo, loquei e assisti em casa. Primeiramente, não gosto de política, apesar de ficar instigada a assistir a história de um presidente como o nosso, o qual saiu de onde saiu pra ser hoje o presidente reeleito de um enorme país.

Sou anti-Lula, pois não comungo com ele suas idéias, muito menos suas falcatruas, mas todos hão de convir que ele é um grande vencedor. Não por sua capacidade intelectual, a qual considero mixa demais, mas temos que admitir que ele é um homem carismático, inteligente e sonhador obstinado. Acho também que teve uma grande parcela de sorte pra chegar onde chegou. Estava no lugar certo, na hora certa e com as pessoas certas (para o propósito que ele queria alcançar). Além do que, sua postura talvez tenha mesmo sido como mostra o filme: um grande teimoso. Venceu uma nação pelo cansaço, por insistência.

Vindo de uma criação simples e com algumas dificuldades, apesar do cenário ser ainda melhor que a grande maioria dos brasileiros, aprendeu a se comunicar como o povo simples, sabe falar a mesma língua (aliás, a única que sabe de verdade). Por isso, sem o menor preparo pra conduzir uma nação, ganhou as eleições. Afinal, o povo sempre quer algo novo, na esperança de um futuro melhor.

Mas, vamos falar do filme, afinal aprendi desde pequena que “política, futebol e religião não se discute”. Aprendi também, só que com a vida, que podemos emitir opinião apenas do que entendemos de fato, temos conhecimento de causa. Só estou escrevendo estas coisas aqui porque é um lugar onde posso escrever um pouco do que penso, do que acho, embora não tenha o menor interesse em ter razão sobre os fatos. De Lula não entendo e nem quero, pois o pouco que vejo acontecendo debaixo do meu nariz já me enoja um bocado. Mas, assim como ele, “não sei de nada”.

Mas acho que esse filme foi um “incidente” infeliz. A começar pelo nome que quis dar uma conotação de que filhos do Brasil são sofredores natos, o que não concordo. O brasileiro é um povo que é feliz por natureza, que acredita num mundo melhor, que persiste, que luta, que tem uma riqueza natural como pouquíssimos no mundo, mas que infelizmente se deixa levar pela mídia comprada, que nos passa sempre uma imagem falsa daquilo que querem mostrar os que estão no poder, enquanto nossos governantes usufruem do cargo que ocupam para se beneficiarem o máximo que puderem, pouco se importando com os famosos “pobres e oprimidos”.

Eu não nasci no sertão, nunca passei fome, mas sou filha do Brasil e me orgulho disso. Batalho todos os dias para ter uma vida cada vez melhor como todos no mundo, não só como os brasileiros, e tenho a honra de saber que, por onde passo, procuro deixar um rastro de alegria, paz e bem estar. Tenho orgulho por não trapacear, muito menos ludibriar as pessoas ao meu redor me mostrando ser o que não sou. Também gosto de me expor por inteira, colocando minha cara a tapa, independente do que vão pensar de mim ou se vai ser bom pra minha imagem ou não. Assim como todo brasileiro e como o resto do mundo, vivo a minha vida com algumas dificuldades, as quais vou tentando transpor uma a uma a cada dia, sem a menor pretensão de obter alguma piedade de outrem, afinal, acredito que somos 100% responsáveis pela vida que temos. E nesse raciocínio também não podemos reclamar da situação do nosso país, pois somos nós que elegemos quem está em lugares de alto escalão, pois votamos, um voto que deveria ser consciente.

Outra triste conclusão é que o filme foi uma cópia paupérrima de “2 Filhos de Francisco”, já plagiando o próprio nome do outro filme que emocionou o país por retratar uma história verídica, retratando fatos da vida de um pai que acreditou em seus filhos, sendo tachado de louco muitas vezes, mas que conseguiu mostrar aos próprios filhos um talento que eles mesmos desconheciam. E reconhecendo, estouraram. Já no filme de Lula, assistimos uma vida cheia de recortes de fatos escondidos para não “pegar mal” para imagem do Presidente à beira de novas eleições, forjando imagens que tentaram tirar de nós alguma piedade, porém insana.

Li algumas críticas pesadas a Glória Pires por se propor a fazer o papel da mãe do Lula. Mas acho que ela, como excelente atriz e grande profissional, tinha sim que aceitar, principalmente se o contrato lhe rendeu algum bom dinheiro e o papel lhe traz uma certa polêmica. Celebridades precisam estar sempre em foco. Eu, em seu lugar, não pensaria duas vezes e aceitaria mesmo. Aliás, graças à sua excelente atuação, consegue-se assitir o filme até o fim. Com seus gestos maternais tão cuidadores e suas palavras sábias e tocantes que, se foram mesma de Dona Lindu, o filme deveria se chamar "A mãe de Lula" que, com toda sua simplicidade, trouxe alguma coisa boa para nós, telespectadores.

Também percebe-se que ela é a única atriz que valha a pena de fato no filme, pois o elenco também deixou muito a desejar. O próprio protagonista de Lula foi um fiasco em sua interpretação e os outros artistas, muitos fora de mercado, outros desconhecidos, tornaram o filme massante e sem conteúdo.

Como vimos, esse é mais um projeto de Lula que fracassou, pois não passou o que deveria ao povo brasileiro. Porém, como todos os outros, fracassou em parte, pois muitos puderam embolsar o seu, portanto, para estes o filme foi um grande sucesso.

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