quinta-feira, 6 de maio de 2010

Um dia por vez - 06/05/2010 - Debutante


15 anos é uma data muito importante na vida de uma mulher, pois marca de forma positiva e festiva a esperada nova fase em sua vida, aquela que vem acompanhada com uma boa dose de jovialidade, sensualidade e maturidade.

Jamais me esqueço do meu Debut. É como se eu, a partir daquele momento, daquele dia, pudesse ser mais eu, pudesse descobrir um novo mundo e ganhá-lo pra sempre. Dali por diante, seria todo meu e eu faria com ele o que eu quisesse. É uma sensação maravilhosa de poder incomparável. Para mim isso era o mais importante.

Lembro-me perfeitamente dos meus pais, muito tempo antes do dia D, me perguntarem se eu queria festa ou viagem à Disney (como era o costume). Essa minha alma mundana não poderia ter feito outra escolha que não a viagem. Imagina?! Eu, longe de casa, num mundo de encantamento (o qual me identifico tanto), entre pessoas que eu nem conhecia e que seriam novos amigos ou, no mínimo, companheiros de uma jornada feliz... Seria uma experiência inesquecível! Meus pais ainda alertaram da falta que me faria essa festa um dia, das recordações na minha vida e na vida de pessoas próximas. Mesmo assim, não pestanejei. Queria mesmo a viagem, sem a menor sombra de dúvidas.

Assim, meus pais acataram. Porém para amenizar a dor de ver a única filha tão longe e entre desconhecidos, apesar da escolha da melhor e mais conhecida companhia de excursão de viagem, eles resolveram mandar também meus dois irmãos. Assim, eles me protegiriam na viagem e aproveitariam a oportunidade para também conhecer um mundo novo. A princípio, fiquei decepcionada, afinal eram os “meus” quinze anos. Pensava que aquele momento de novas experiências caberia apenas a mim, mais ninguém. Mas depois, tamanha a satisfação diante de tanta beleza e modernidade diante dos meus olhos, achei mesmo que eles foram merecedores de também usufruírem de toda aquela magia.

Não satisfeitos, quando chegamos de viagem das férias de julho, meus pais resolveram fazer uma festa, dessas da alta sociedade. Nada a ver comigo, mas seria uma realização deles, vendo a filha debutante na grande festa, ainda mais a única filha mulher. Eu disse que faria qualquer coisa, menos trocar o sapatinho, porque sempre achei meu pé horrível e aquelas luzes focadas nele e câmeras filmando a recordação eterna seria um trauma pro resto da vida. Risos... E sair de dentro da concha? Nem pensar! Naquela época (essa palavra parecce tão distante, mas parece que foi ontem) era moda isso e não tinha nada que eu achasse mais cafona. Aquela coisa de dançar as 15 amigas eu até aceitei, mas foi descartada essa idéia porque acho que dava trabalho demais pra muita gente, além do que, se não saísse perfeito, minha mãe morreria de ataque cardíaco em plena festa.

E minha festa foi A festa. Tudo milimetricamente calculado, todas as cerimônias e pro formes cumpridos, toda a família e os amigos compartilhando comigo aquele momento de alegria, o orgulho estampado no rosto do meu pai, a decoração perfeita escolhida pela minha mãe com toda dedicação e carinho... e dentro de mim, a sensação da concha. É como se, a partir daquele dia eu estivesse saindo da redoma que fui criada. A partir daquele dia, muitas coisas proibidas seriam liberadas: namorar, sair com amigas, cuidar do meu nariz e ninguém mais se intrometeria na minha vida, poderia fazer o que quisesse na hora que eu quisesse... Era uma ilusão, mas dentro de mim era o que eu acreditava. E só por isso, já valia a pena. Ah, eu e minhas fantasias!!!

Antes da valsa, um lindo texto, falando sobre primavera, doçura, mocidade, beleza... toda uma historinha breve que pudesse mostrar à sociedade presente quem era Taiza Renata, me apresentando a todos (pelo menos o meu lado mais meigo, claro. Risos.)

Depois vieram meus 30 anos. Para mim, outra mudança e, desta vez, com menos fantasias, mas igualmente (ou exatamente por isso) especial. É como se uma nova Taiza Renata nascesse, como se um vulcão que permaneceu adormecido até então começasse o seu processo de ebulição. Novas descobertas, novos amigos, novas oportunidades, novas atitudes, fase em que as peças do quebra cabeça da vida se encaixam e você passa a ser você de verdade, doa a quem doer (ou aproveite quem puder. Risos). Fico pensando intimamente como será a chegada dos meus 45 anos! Mas até lá, tenho muito a trilhar, a inovar, a acontecer, a realizar. Um passo de cada vez.

E hoje estou debutando de novo, aos meus 35 anos, mas no meu casamento. Diante das crises inúmeras que são tão comuns entre casais, temos sobrevivido. Superando obstáculos, resolvendo problemas, nos conhecendo a cada dia, aprendendo a respeitar o outro em suas escolhas pessoais, sendo apoio quando necessário. Às vezes estamos no céu, às vezes no chão, mas vamos caminhando, amadurecendo, construindo, reconstruindo, nos perdendo, nos reencontrando, mas tentando ser uma família de fato, sem hipocrisias, deixando de lado o que os outros pensam, o que a sociedade impõe, percebendo que não existe fórmulas para a felicidade conjugal.

Não podia deixar de registrar o grande homem que é o meu marido, que tem me “suportado” por esses anos, agüentando meus “pitis” de alma adolescente, minhas oscilações de humor, meus renascimentos. Não imagino ser fácil conviver ao lado de uma mulher como eu que se redescobre a cada momento, que nao se importa com os "achismos" alheios, que ama tudo e todos, que se encanta e se apaixona ao menor raio de sol, que é escorpiana pura, que carrega em si uma intensa necessidade de sonhar e de viver, de se conhecer e se reinventar, de acreditar que a vida é sempre algo mais e que a felicidade é uma questão de escolha. Isso irrita quem assiste, sabia? Imagina pra quem convive!

Há quem diga que falta a ele muitas coisas que possam me fazer feliz, ou que não me entenda (e aqui gostaria que quem me entendesse, pudesse me contar, pois nem eu consegui isso ainda). Não sei. “Coração é terra que ninguém anda”, mas tenho a certeza que naquele coração existe um grande amor por mim e é isso que basta.

Tudo que eu espero nesse Debut de casamento, é que a “concha” se abra emanando muito amor, dedicação e respeito pelo que o outro é. Que aconteçam também novas descobertas, novas oportunidades de ser feliz, que a intensidade do amor seja constante e, se não for, que possa ser feita a escolha de amar, a cada dia, a cada deslize do outro, pois, assim como a felicidade, agir com amor também é uma questão de decisão. Já temos o nosso castelo, a nossa família que é linda de verdade. Agora é manter e consolidar cada vez mais, sabendo administrar.

Espero que nessa nova fase possamos deixar de “sobreviver” e começar a “viver” de fato essa relação que, embora muitos não acreditem, é uma instituição forte e criada para o bem, em prol da felicidade e do amor, portanto foi feita para dar certo, para seguir em frente. Mas seguir com sabedoria de quem sabe o quer, de quem valoriza uma união, na certeza de que juntos somos mais.

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