quinta-feira, 29 de abril de 2010

Estou doente...


Sempre desconfiei que havia algo errado comigo. Sempre me senti uma estranha no ninho, como se eu vivesse num mundo completamente diferente e à parte das pessoas do meu convívio familiar, social e profissional.

Então, há alguns meses atrás, conversando com um amigo, ele me disse que eu tenho esse jeitinho, tipo Pollyanna, aquele clássico que li ainda criança, de uma menina que vivia num mundo de fantasia e sonhos. Só por isso se sentia feliz.

Desde que ele me disse isso, fiquei muito reflexiva e pensei: “Talvez seja hora de parar de ser menina e amadurecer. Virar gente de verdade”. Até que resolvi comprar novamente esse livro e ler.

Lendo, descobri que estou doente. Ou melhor, nasci doente. Sofro da Síndrome de Pollyanna. Só espero que não tenha cura e quero poder morrer disso, se Deus quiser. (Risos)

A vida é feita de escolhas, sempre repito. Eu decidi que nasci pra ser feliz. E, assim como a doce Pollyanna, escolhi brincar com o “jogo do contente”, onde procuramos em todos os fatos, pessoas e situações o lado bom das coisas, um motivo pra ficar contente, percebendo que, por pior que as coisas estejam, sempre poderiam ser piores.

Sem contar com o lado altruísta de estar sempre pronta a ajudar as pessoas, que seja com um ombro amigo ou oferecendo gentileza ou apenas um simples sorriso. O foco é fazer algo bom pelo outro, sempre tentando dar o melhor de si, sem permitir que o outro te faça de boba. Confesso que, essa última parte, ainda estou trabalhando bastante pra ver se consigo superar, afinal, a vida é essa busca de sermos melhores a cada dia.

Então, lendo o livro, me reconhecendo nele e rindo das peraltices da menina órfã, me veio na mente: “Que coisa mais piegas essa vida cor de rosa! Isso não existe. Taiza, cresce!”

Em seguida, pego-me questionando: “Porque não cor de rosa? A vida tem a cor que damos a ela! A vida é o que a gente acredita. Sinceramente, acho que cor de rosa é uma boa cor, que me ajuda a aflorar minha feminilidade, já que me considero uma espécie de homem”.

Se tem algo que me cansa é ver alguém reclamando... da vida, das coisas, das pessoas. Julgando, então... tanto pior! As pessoas precisam aprender a se respeitarem mutuamente, acima de tudo, e entender que cada um tem o tamanho da cruz que merece. “Deus dá o frio conforme o cobertor”, já diz o ditado popular. Portanto, não adianta querer que façam como você faria, simplesmente porque você é outro ser, outra essência, outra história.

Então, por que não ser feliz? Por que sofrer com julgamentos alheios se, dentro de você, você sente que esse é o melhor caminho. Muitas vezes, você tem dúvidas, mas se fizer com amor e por amor, já terá valido a pena, mesmo que as pessoas te aconselhem de outra forma.

Costumo dizer que conselho é muito bom para quem dá, que tem a oportunidade de desabafar, tentar ajudar o próximo, interagir com a vida do outro... mas “se fosse bom, não era dado de graça”. Porque cada um tem seu caminho, ou vários caminhos e só intuitivamente vai saber pelo qual seguir.

Comecei a entender isso quando, há muitos anos atrás, conheci um casal que me escandalizou, na época. É que eu estava com aqueles padrões de comportamentos morais e sociais, tão comuns na época da minha vovozinha, muito arraigados dentro de mim. Ele era engenheiro agrônomo formado em excelente faculdade e filho de um homem muito rico e de reconhecido status social. Casou-se (ou melhor, se juntou) com uma menina que tinha condições sociais e financeiras bem inferiores à dele, além do que ela já tinha sido hippie, emo, punk (entre outros desses grupos “malucos”).

Ela era atriz e eles se conheceram numa boate de São Paulo, enquanto fazia a função de recepcionista naquela noite. Em uma de minhas conversas com ela, contou-me que um de seus trabalhos como atriz foi ficar uma noite toda nua, numa camisinha gigante em plena Avenida Paulista. Outro feito foi conhecer a América de carro, dormindo dentro dele, passando dias sem tomar banho ou trocar a calcinha até chegar na cidade desejada. Quando sentia que a roupa estava muito suja, vestia-a pelo avesso. Também contava de boca cheia que já tinha feito de tudo um pouco naquela vida, até que encontrou o meu conhecido e resolveram “juntar os trapos”.

Pra mim era loucura que um casal assim, com tantas diferenças, pudesse dar certo. Ficava imaginando como a família “imperial” teria recebido tudo isso, com que satisfação. Para a minha surpresa, eles receberam a moça de braços abertos e colocou o filho pra cuidar das fazendas, aproveitando o curso que tinha feito. Sem dúvidas, foi um meio inteligente de retirá-lo do meio social tão julgador. Ela ia para o curral com uma calça jeans rasgada na bunda e ali ajudava, como um peão, em meio a tantos deles, sem ambos se importarem com o tal traje.

Coisas da vida! Ou seria loucuras de amor? Não importa o nome que você dê. O importante é que deu certo. Eles escolheram ser felizes, apesar de tudo e de todos. Imagino eu que com tantos apontamentos alheios dizendo que isso não teria o menor futuro.

Por outro lado, me veio à mente a história do Divã, o filme de Martha Medeiros com a Lilian Cabral. O filme começa com ela falando da sua vida para o psicólogo, que era casada, família estruturada, filhos, professora, pintora... Ele era o homem perfeito, aquela pessoa que ela sonhou a vida toda em construir uma vida, tão normal, tão companheiro, tão gentil... E ela ia descrevendo tudo ao psicólogo até que se deu conta que ela era tão feliz que nem sabia o porquê de estar ali.

Somos assim. Pelo menos, algumas pessoas são. Parece que quando está tudo bem, existe um desconforto enorme dentro da gente que nos faz buscar coisas novas, nem que seja fazer faxina no que está tudo tão bonitinho, mas o movimento é vital. E sempre fazemos para que possamos nos sentir felizes, o que tem uma diferença grande entre sentirmos confortáveis.

Acredito sinceramente que tudo que nos acontece é como uma preparação para que o melhor aconteça em nossas vidas. Erro é uma coisa muito relativa. Eu mesma já errei tantas vezes seguindo conselhos alheios! E quantas foram as vezes que acertei, pensando que estava errando? Isso acontece sempre, todos os dias. Basta olhar em volta!

Seja lá o que a vida nos reserve, seja lá como estiver sua vida agora, é importante esquecer o medo e ressaltar a ação. A ação de ser feliz. E antes de agir, não se esqueça de sonhar. É o primeiro passo para que possa realizar. Quando for se mover, lembre-se sempre de dar o melhor de si e ser verdadeiro com você mesmo e, se possível, use o “jogo do contente”, porque o sorriso é mágico e contagiante.

Ainda estou doente. Melhor dizendo: sou doente. Porque essa minha síndrome que me acompanha por toda a vida é uma energia que capaz de mover as constelações estratosféricas do universo e não é apenas um estado, é o ser que eu escolhi para bem viver, portanto, é uma constância em minha vida.

Pensem o que quiser! Podem me pedir até pra aterrissar, como acabou de me dizer minha mãe pelo telefone, lembrando que esse é o planeta Terra. Quando respondi: “O meu mundo não é esse. É a lua que, por acaso (se é que ele existe), está cheia, linda, iluminada no céu. E eu quero mais é visitar Saturno.”

Um comentário:

  1. Miga continue brincando de "jogo do contente", afinal a vida é da maneira que pensamos e queremos que ela seja, portanto brincando com esse joguinho vc dará o recado pro Universo que pra sua vida não tem outra maneira a não ser feliz e contente, sempre!! E além do mais, nos ao seu redor agradecemos essa gostosa energia que você irradia!!
    Portanto miga do meu coração...continue "voando"!
    Beijo grande! Amo você!

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