quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Um dia por vez - 20/01/10 - De pés e mãos atados



Não consigo ficar indiferente à situação do Haiti, após o terremoto devastador. Eu acompanho todas as notícias em diversos meios de comunicação e, ver as cenas pela televisão, me comove completamente. Imagino que muitas pessoas se sentem assim: comovidas, repletas de piedade diante da catástrofe.

Mas o grande sentimento que tenho é de impotência, porque ter dó, ficar triste com todo o cenário, de nada adianta. As pessoas de lá vão continuar doentes, morrendo soterradas, com fome e sede... e eu assistindo tudo isso em cima de uma cama confortável e quentinha, com toda a minha família ao redor, inteiramente protegida.

Fico pensando no que fazer e como ajudar. Porque é isso que as pessoas precisam no momento, de solidariedade e não piedade. Será que eu deixaria tudo aqui (trabalho, família...) e ia ajudar as pessoas? Como? Levantando concretos com minha força? Cavando com minhas próprias mãos, envolta num eterno desespero, como tantos haitianos? Levando alimentos e água que daria para, no máximo, 100 pessoas? Acalentando no colo, no máximo, duas, três crianças?

Vejo o mundo se mobilizando para ajudar, mas tudo que existe é uma enorme desorganização, a começar pelo espaço aéreo, dificultando que as pessoas possam chegar até o local. Mandar dinheiro, o pouco que posso, correria o risco de enviar para mãos erradas, entre as muitas que estão se beneficiando com a tragédia. Ainda tem isso! Nem sei qual é a maior tragédia!

Sinto-me de pés e mãos atados e me pergunto se esse não é um sentimento de fuga, falta de coragem minha, quando penso que há tantos que realmente largaram tudo e foram atrás do desejo real de ajudar o próximo, que de próximo não tem nada. Pelo contrário, é um completo desconhecido, o que não diminui a vontade de ser herói de verdade para quem quer que seja.

Só posso concluir que essa minha vontade que me consome de poder fazer algo mais por alguém ainda é minúscula, perto da necessidade que se mostra no cenário mundial. Então, tudo que faço parece pouco e é nada. O que me faz concluir que eu ainda tenho muito a trilhar no meu caminho que querer ser, de fato, gente.

Um comentário:

  1. TAÍZA, EU TINHA CERTEZA QUE VOCÊ POSTARIA UM TEXTO SOBRE O HAITI, ESTAVA SÓ AGUARDANDO PARA LER SEUS COMENTÁRIOS E FICOU ÓTIMO AMIGA... PENSO QUE O MOTIVO PELO QUAL HOUVE O TERREMOTO NO HAITI É ALGO QUE FOGE Á NOSSA COMPREENSÃO!!!

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