domingo, 31 de janeiro de 2010

O circo da vida


Neste fim de semana conheci uma pessoa que há muito tempo tenho ouvido falar por uma amiga. Jornalista formado e atuante que, para a minha surpresa, é um leitor assíduo do meu blog e me lisonjeou quando disse que gosta do que eu escrevo, porque ele disse que eu chego, toco no sentimento das pessoas.

Entre tantas conversas que tivemos, uma delas me chamou a atenção: ele disse que a vida se divide em dois grupos de pessoas – normais e anormais. Claro que ele e eu nos enquadramos no segundo grupo. (Risos!) Ele disse ainda que quem faz acontecer são os ditos normais, quando, lógico, mais que rapidamente, discordei.

Na hora de nossa conversa, até usei uma metáfora: do palco e da platéia. No palco só sobem, só se atrevem os “anormais”, enquanto a platéia é composta apenas por “normais”.

Então, o texto de hoje vai para esse novo amigo. Quem sabe tentar convencê-lo do que, para mim, é tão transparente e óbvio. Se não conseguir, espero que ele apenas observe, mas que jamais abra mão de continuar sendo “anormal”.



A vida é um verdadeiro circo com toda sua beleza, infinidade de cores, acontecimentos, mistura de emoções, composto de personagens e ações dos mais diversos tipos. É desses programas gostosos que a gente vai pra se divertir num fim de tarde de Domingo e daí acabamos por nos encantar, nos envolver e registrar na memória tantos momentos, pra nunca mais esquecer. É como se tudo que ali assistimos (ou vivemos) ficasse gravado eternamente em nosso ser, durante um tempo ilimitado e desconhecido, na certeza de que cada história ali contada, nos transformam eternamente.

Vamos então ao passeio! Primeiro precisamos escolher o que vamos fazer: o que vamos vestir, que grupo de pessoas levar para nos fazer companhia e, logo, nos sentar naquela enorme arquibancada circular. Coincidência, né? O mundo também tem essa forma! E, quando se vê, as pessoas vão chegando, cada qual escolhendo seus lugares, e logo a platéia fica lotada.

Existem pessoas de todas as idades, sexo, nível social e cultural e variam também a atenção de cada um ao espetáculo. Algunss assistem tudo em total silêncio, só observando o mar de detalhes que se mostra à sua frente. Outros interagem o tempo todo, gritando, sorrindo, deixando escorrer lágrimas em sua face e, outros ainda, ficam assistindo e sonhando com o dia que poderão fazer parte do rol de artistas.

Muitas vezes, para esse último grupo, acontecem algumas coisas que lhe fazem perder o foco, seja o pipoqueiro que atravessa na frente, seja a criança do lado que solta bolinhas de sabão, ou ainda o balão cintilante que se perdeu lá do outro lado da arquibancada. O triste é que por causa desses momentos, eles perdem o grande fetiche, detalhes fundamentais que o levariam a ocupar um lugar lá no centro.

Enquanto todos fazem suas escolhas de assento na platéia, aqueles que prepararam o grande show fizeram suas escolhas primeiro, na certeza que valeria a pena. Então, eles se comprometem de corpo e alma muitos dias, muitas vezes anos antes daquela data e se esforçam ao máximo para que tudo corra da melhor maneira possível. Afinal, a escolha de arriscar, contracenar, divertir, dar sentido à vida daquelas pessoas que ali estão para assistir foi tomada conscientemente há tempos. Instintivamente eles sabem que são os grandes responsáveis pela alegria e motivação de tantos.

E o espetáculo começa!!! Contorcionistas, trapezistas, bailarinas, palhaços, motoqueiros do Globo da Morte e animais, todos com seus instintos selvagens (tigres, leões, elefantes, cavalos, macacos, cachorros, cobras...) Todos eles tiram dos expectadores algum sentimento que, para eles, funciona como um tipo de resposta que tanto esperavam. As pessoas choram, se assustam, vibram, sorriem... e, ao final, constata-se que tudo deu certo, até mesmo o tombo do palhaço que não estava no script ou a queda do equilibrista na rede de proteção. O que vale mesmo é voltar, tentar de novo e terminar o espetáculo.

Registros sonoros fazem a alma das pessoas se envolverem ainda mais, seja por músicas em alto e bom som, seja pelo barulho do chicote, pelo rugido dos leões... todos eles ajudando a marcar cada momento do show, como o complemento perfeito, vindo sempre na hora certa com a função de registrar na memória das pessoas aquela imagem.

Quando tudo se finda, é hora de todos voltarem para o lugar de onde vieram. Tudo que viveram ou assistiram ficarão gravados para sempre em seus DNA’s e suas almas, até que chegue outro circo na cidade e que se possa fazer novas escolhas. Ou quem sabe a mesma escolha de antes? Não importa. Afinal, independentemente das escolhas de cada um, todas elas são certas porque nada na vida é por acaso e o que tem que ser, sempre é.



Só para concluir, apesar das inúmeras escolhas feitas, quem viveu intensamente, quem contou histórias, quem se reinventou e se redescobriu, quem se comprometeu, de fato, foram os “anormais” atores do circo, essas pessoas que não se contentam com o morno da vida, que anseiam por mais, mesmo que seja preciso sofrer para amar, mas sabem que, se não for desta forma, esse circo chamado Vida, perderia totalmente sua graça e seu sentido.

Um comentário:

  1. Ufa!! Agora vou poder falar e cantar aos quatro ventos que : SOU SIM, COM MUITO ORGULHO UMA ANORMAL!!
    Se cada vida é uma peça em cartaz, o meu teatro amiga, é bem diversificado!(risos).Dramas, comédias, melodramas, suspense...terror acho que ainda não! Nem quero!!Mas, que graça teria se não fosse assim?! Vida morna?!...hummm...quero não!!"Grandes amores e grandes experiências envolvem grandes riscos" e eu sou a própria camicase!(risos)
    Um beijo!

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