domingo, 31 de janeiro de 2010

O circo da vida


Neste fim de semana conheci uma pessoa que há muito tempo tenho ouvido falar por uma amiga. Jornalista formado e atuante que, para a minha surpresa, é um leitor assíduo do meu blog e me lisonjeou quando disse que gosta do que eu escrevo, porque ele disse que eu chego, toco no sentimento das pessoas.

Entre tantas conversas que tivemos, uma delas me chamou a atenção: ele disse que a vida se divide em dois grupos de pessoas – normais e anormais. Claro que ele e eu nos enquadramos no segundo grupo. (Risos!) Ele disse ainda que quem faz acontecer são os ditos normais, quando, lógico, mais que rapidamente, discordei.

Na hora de nossa conversa, até usei uma metáfora: do palco e da platéia. No palco só sobem, só se atrevem os “anormais”, enquanto a platéia é composta apenas por “normais”.

Então, o texto de hoje vai para esse novo amigo. Quem sabe tentar convencê-lo do que, para mim, é tão transparente e óbvio. Se não conseguir, espero que ele apenas observe, mas que jamais abra mão de continuar sendo “anormal”.



A vida é um verdadeiro circo com toda sua beleza, infinidade de cores, acontecimentos, mistura de emoções, composto de personagens e ações dos mais diversos tipos. É desses programas gostosos que a gente vai pra se divertir num fim de tarde de Domingo e daí acabamos por nos encantar, nos envolver e registrar na memória tantos momentos, pra nunca mais esquecer. É como se tudo que ali assistimos (ou vivemos) ficasse gravado eternamente em nosso ser, durante um tempo ilimitado e desconhecido, na certeza de que cada história ali contada, nos transformam eternamente.

Vamos então ao passeio! Primeiro precisamos escolher o que vamos fazer: o que vamos vestir, que grupo de pessoas levar para nos fazer companhia e, logo, nos sentar naquela enorme arquibancada circular. Coincidência, né? O mundo também tem essa forma! E, quando se vê, as pessoas vão chegando, cada qual escolhendo seus lugares, e logo a platéia fica lotada.

Existem pessoas de todas as idades, sexo, nível social e cultural e variam também a atenção de cada um ao espetáculo. Algunss assistem tudo em total silêncio, só observando o mar de detalhes que se mostra à sua frente. Outros interagem o tempo todo, gritando, sorrindo, deixando escorrer lágrimas em sua face e, outros ainda, ficam assistindo e sonhando com o dia que poderão fazer parte do rol de artistas.

Muitas vezes, para esse último grupo, acontecem algumas coisas que lhe fazem perder o foco, seja o pipoqueiro que atravessa na frente, seja a criança do lado que solta bolinhas de sabão, ou ainda o balão cintilante que se perdeu lá do outro lado da arquibancada. O triste é que por causa desses momentos, eles perdem o grande fetiche, detalhes fundamentais que o levariam a ocupar um lugar lá no centro.

Enquanto todos fazem suas escolhas de assento na platéia, aqueles que prepararam o grande show fizeram suas escolhas primeiro, na certeza que valeria a pena. Então, eles se comprometem de corpo e alma muitos dias, muitas vezes anos antes daquela data e se esforçam ao máximo para que tudo corra da melhor maneira possível. Afinal, a escolha de arriscar, contracenar, divertir, dar sentido à vida daquelas pessoas que ali estão para assistir foi tomada conscientemente há tempos. Instintivamente eles sabem que são os grandes responsáveis pela alegria e motivação de tantos.

E o espetáculo começa!!! Contorcionistas, trapezistas, bailarinas, palhaços, motoqueiros do Globo da Morte e animais, todos com seus instintos selvagens (tigres, leões, elefantes, cavalos, macacos, cachorros, cobras...) Todos eles tiram dos expectadores algum sentimento que, para eles, funciona como um tipo de resposta que tanto esperavam. As pessoas choram, se assustam, vibram, sorriem... e, ao final, constata-se que tudo deu certo, até mesmo o tombo do palhaço que não estava no script ou a queda do equilibrista na rede de proteção. O que vale mesmo é voltar, tentar de novo e terminar o espetáculo.

Registros sonoros fazem a alma das pessoas se envolverem ainda mais, seja por músicas em alto e bom som, seja pelo barulho do chicote, pelo rugido dos leões... todos eles ajudando a marcar cada momento do show, como o complemento perfeito, vindo sempre na hora certa com a função de registrar na memória das pessoas aquela imagem.

Quando tudo se finda, é hora de todos voltarem para o lugar de onde vieram. Tudo que viveram ou assistiram ficarão gravados para sempre em seus DNA’s e suas almas, até que chegue outro circo na cidade e que se possa fazer novas escolhas. Ou quem sabe a mesma escolha de antes? Não importa. Afinal, independentemente das escolhas de cada um, todas elas são certas porque nada na vida é por acaso e o que tem que ser, sempre é.



Só para concluir, apesar das inúmeras escolhas feitas, quem viveu intensamente, quem contou histórias, quem se reinventou e se redescobriu, quem se comprometeu, de fato, foram os “anormais” atores do circo, essas pessoas que não se contentam com o morno da vida, que anseiam por mais, mesmo que seja preciso sofrer para amar, mas sabem que, se não for desta forma, esse circo chamado Vida, perderia totalmente sua graça e seu sentido.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Um dia por vez - 28/01/10 - Agonia


O dia não passa, as horas se arrastam e nem o corre-corre do trabalho e a vida agitada do cotidiano são capazes de me envolver completamente. A sensação que tenho é que posso explodir a qualquer momento, sem aviso prévio, e sabe-se lá que tipo de “substância” sairá de dentro de mim nesse momento. Eu ainda não sei dizer...

Tento escrever para ver se coloco um pouco disso pra fora, mas não consigo. Procuro assuntos interessantes, busco em todos os meios de comunicação acontecimentos da atualidade pra ver se me dá um “click”, tento achar as músicas que mais me tocam para desenvolver algo em cima delas, mas tudo em vão, pois nada me vem. A inspiração me falta e isso me causa uma enorme ansiedade e, de repente, percebo-me totalmente envolta pela agonia.

Agonia por não ter controle sobre mim mesma, de saber e conhecer as armadilhas da minha mente e nada poder fazer. Fico observando, vendo isso nitidamente acontecer comigo e reconheço todo e qualquer movimento do meu pensamento e, então, sinto-me totalmente aprisionada. Quanto mais quero não pensar, mais meu pensamento me atormenta, foge ao meu controle. E eu penso, penso, penso... constante e insistentemente.

Sou um ser aspirante de liberdade em todos os campos da vida. Meu lema é ser livre e procuro viver sempre desta forma. Mas nunca imaginei que meu poder de aprisionar, amarrar, envolver fosse tão grande, pois posso senti-lo neste momento em minha própria pele. O feitiço vira contra o próprio feiticeiro. Quando a coisa é você com você mesmo, não há escapatórias, pois tudo se torna muito grande, ao mesmo tempo que delicado e verdadeiro.

De repente, bate um medo, aquele que te paralisa. Medo de se permitir vivenciar o novo há tanto esperado. Sou agora um estranho no ninho, sentindo a toda força minha impotência e fraqueza interior tamanha, que toma conta de tudo que eu sou. Ao mesmo tempo que tudo pára, a agitação interna é constante, incansável e eloqüente. Estou presa por algemas que têm suas chaves perdidas. Onde encontrá-las?

Qual será a saída para a total libertação dessa agonia? Concretizar o que berra o pensamento? Sofrer, sentir a fundo essa agonia para, enfim, curá-la? Ou ainda tentar esquecer o pensamento? Esquecer... Como? Onde estão as respostas que tanto procuro?

Hoje, num mural, li aquela tão conhecida frase que diz mais ou menos assim: “quando a gente pensa que encontrou todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas”. Realmente, o universo está sempre ali pra te trazer algo. Na verdade, não era exatamente essa frase que eu gostaria de ter lido hoje, mas... Ele sempre sabe o que faz e o que nos diz.

Talvez, o início da cura (porque é doentio pra mim esse processo!) seja interiorizar de vez que algumas coisas fogem ao nosso controle e também à nossa razão. As emoções falam sempre mais alto em mim, de mim, pra mim. Seres dominadores como eu, sofrem quando se sentem envolvidos dessa forma, inesperada, intensa, mesmo sabendo que já está na dança.

Suspiros, suspiros e mais suspiros! Nenhum deles traz o ar que supra por inteiro o meu corpo, que alivie finalmente a minha alma, que traga alento ao meu coração e controla minha mente, meus pensamentos.

Agonia! Confusão mental! Negação do óbvio que toma conta do meu ser, cada pedacinho dele. Um sentimento que devasta todos os meus conceitos há tanto tão bem elaborados, definidos e construídos e que, sorrateiramente, faz tudo isso ir desmoronando, lento e tortuosamente.

A mim só resta assistir a esse desmoronamento (ou seria nova construção?), observar de camarote o meu movimento, este que a vida insiste em me impor a todo momento. Ter serenidade, paciência e discernimento para não me deixar levar pelo mar de emoções confusas e efusivas que tomam conta de mim. E essa maré sobe, quase imperceptivelmente, e vai tomando conta de tudo que ainda é desconhecido.

Agonia! Sentimento que anseia minha observação permanente para que minha tão comum impulsividade não estrague o que há de belo. Quem saber poderia ser ainda mais belo se eu me permitisse ousar mais?...

“A vida é cheia de surpresas!” – não me canso de repetir. Mas algumas delas são tão eloqüentes que nos tiram de centro e abalam nossas estruturas definitivamente. Só posso, então, respirar longa e profundamente, repetidas vezes e tentar buscar dentro de mim a força maior que me trará as respostas que tanto preciso e, conseqüentemente, a paz de coração que tanto anseio nesse dia.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Rotina



Minha frase do Messenger há dias é uma de Cecília Meireles que diz: “O que me mata é o cotidiano. Eu queria só exceções.” Vivo mudando minha frase, mas não estou conseguindo mudá-la nos últimos dias, talvez porque seja isso que grita dentro de mim o tempo todo, todos os dias.

Não há nada mais cansativo que a rotina. Esses dias, ouvi na televisão um frase que me marcou: “a rotina acaba com o romantismo de qualquer relacionamento”. Pura verdade! Eu vou mais além: acho que a rotina acaba com todo e qualquer tesão de qualquer área da vida. Por isso, meu lema é “menos rotina e mais vida”.

Nos relacionamentos amorosos, quando há rotina, você tem a nítida sensação de estar na casa de seus pais, ainda criança. Sabe aquela coisa previsível, sem graça, comum, sem fulgor? O nome disso é rotina. Você se dá conta que a vida está te levando, e o que é pior: de barriga. Nada novo, tudo igual sempre. O abraço pela manhã, as conversas antes de sair de casa, os troca-trocas da hora do almoço, o horário de chegar em casa (sempre de mãos e corações vazios), os programas de fim de semana e o sexo.

Até o sexo odeia rotina. Sexo tem que ser inovado sempre, sentido em cada cantinho do corpo de cada um. Aquelas preliminares repetidas são o fim! Tem que mudar: o jeito de seduzir, o lugar, o dia, a hora, a posição... é isso que vai fazendo do momento cada vez melhor. A única coisa que tem que ser um ritual, pra mim, é o cheiro gostoso. Isso é indispensável!

No rol das amizades também. Não há nada mais chato que conversar e encontrar sempre com as mesmas pessoas, sempre nos mesmos lugares, trocar sempre os mesmos assuntos. O mais gostoso da amizade é ter coisa nova acontecendo e trocar as abobrinhas necessárias (e desnecessárias também, é claro!), dar tempo para que as pedras rolem e as coisas aconteçam. Sentir saudade é bom demais e, claro, existe para que possamos matá-la, de quando em quando. Tem uma música do Peninha que diz: “saudade até que é bom, melhor que caminhar vazio”.

No trabalho, aquelas planilhas diárias, relações, ligações e visitas esperadas fazem parte do processo. Mas a agente só cresce e só se testa quando temos a oportunidade de nos deparar com algo que parece intransponível. Esse é o grande desafio e que, mesmo sobre pressão algumas vezes, mostra-nos o quanto somos mais capazes do que imaginamos. Venhamos e convenhamos, o desafio no mundo comercial é um verdadeiro charme.

Acho que a única coisa que precisa de rotina é a vida de um bebê ou uma criança pequena. Essas sim estão em plena descoberta e precisam afirmar seus novos conhecimentos nas vivências repetidas.

Como não sou mais criança, apenas adolescente (risos!), sigo pela vida procurando o novo, o inesperado, vivendo a vida com emoções que me fazem ter a sensação da vida correndo em minhas veias com toda a sua intensidade. Do que valeria a pena viver se não sentíssemos o coração bater mais forte, sentir as borboletas no estômago, acrescentar novas experiências, descobrindo os meus limites nas bordas da vida que me permeia?!

“Quando nos acomodamos à rotina da vida, perdemos, pouco a pouco, o pulso de nós mesmos, deixando o nosso processo de crescimento à mercê das influências e das circunstâncias externas”, já disseram. E se não houver vida sem rotina, então declaro a todos que a minha rotina é não ter rotina e nesta, quero viver até o fim dos meus dias.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Pena que se descobre tarde demais



Amor não se implora, não se pede, não se espera... Amor se vive, ou não.
Ciúmes é um sentimento inútil. Não torna ninguém fiel a você.
Animais são anjos disfarçados, mandados à terra por Deus para mostrar ao homem o que é fidelidade.
Crianças aprendem com aquilo que você faz, não com o que você diz.
As pessoas que falam dos outros pra você, vão falar de você para os outros.
Perdoar e esquecer nos torna mais jovens.
Água é um santo remédio.
Deus inventou o choro para o homem não explodir.
Ausência de regras é uma regra que depende do bom senso.
Não existe comida ruim, existe comida mal temperada.
A criatividade caminha junto com a falta de grana.
Ser autêntico é a melhor e única forma de agradar.
Amigos de verdade nunca te abandonam.
O carinho é a melhor arma contra o ódio.
As diferenças tornam a vida mais bonita e colorida.
Há poesia em toda a criação divina.
Deus é o maior poeta de todos os tempos.
A música é a sobremesa da vida.
Acreditar, não faz de ninguém um tolo. Tolo é quem mente.
Filhos são presentes raros.
De tudo, o que fica é o seu nome e as lembranças acerca de suas ações.
Obrigado, desculpa, por favor, são palavras mágicas, chaves que abrem portas para uma vida melhor.
O amor... Ah, o amor...
O amor quebra barreiras, une facções, destrói preconceitos, cura doenças...
Não há vida decente sem amor!
E é certo, quem ama, é muito amado.
E vive a vida mais alegremente...

Texto de Artur da Távola

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O segredo de um olhar



Já disseram por aí que os olhos são a janela da alma. É um dos ditos populares mais verdadeiros, por ser o olhar tão transparente e facil de se traduzir nos mais diversos tipos de olhares que observamos por todos os lados. Os olhos podem ser castanhos, azuis, verdes, grandes, pequenos, amendoados, puxados... mas cada um deles, carrega em si a verdade de cada ser, a verdade da alma que muitas vezes insiste em se esconder, mas que inconscientemente se entrega em um simples olhar.

Na ausência de palavras, na falta de um gesto, só nos resta a magnitude de um olhar, um declarar abertamente o que muitas vezes nos falta coragem de dizer. É pelo olhar que podemos observar claramente no outro o sentir de seu coração naquele momento. E por mais que as palavras possam contradizer o que diz o olhar, de nada vai adiantar se o olhar carrega a verdade nua e crua em si.

Disfarçar é impossível, porque a força do disfarce será desvendado. Tudo que se pode fazer então é optar por, simplesmente, desviar o olhar e tentar não olhar. Não olhando, você não corre o risco de ser descoberto intimamente, principalmente se for uma troca de olhares. É possível “dialogar” quando olhamos no fundo dos olhos de uma pessoa.

Muitas vezes fazemos elogios que, de acordo com a entonação da voz e o gesticular do corpo parecem mostrar algum tipo de admiração sim, mas só é possível conhecer de fato a verdade, se olharmos diretamente dentro dos olhos do outro e, então, fazermos a leitura certa do que, de fato, as palavras e os gestos tentam dizer.

Um amigo me disse a poucos dias: “Cuidado com os olhares!”. Isso ficou martelando na minha mente. Pude, então, entender que eles falam mais do que gostaríamos, eles nos despem de alma e acabamos por sermos descobertos. E ele, ao me olhar, devido à minha “nova roupagem”, me mostrou um descontrole (nítido e só percebido em seu olhar), o qual eu jamais esperava de ninguém, muito menos dele, que me conhece em total profundidade de alma.

No outro dia, novo encontro, ele me disse que eu estava "desejável", desta vez com mais serenidade. Pude então denominar o que foi exatamente o olhar dele pra mim no dia anterior, um impulso inesperado por ele, muito menos por mim, mas que fez um bem enorme ao meu ego (se é que ego é uma coisa boa), principalmente por vindo desse homem que tanto admiro e tenho um carinho muito especial. É dessas pessoas que você gostaria de ter sempre a um olhar, bem pertinho, a qualquer momento a seu alcance, porque tudo o que vem dele eu aproveito de alguma forma e gosto.

O olhar... esse que julga, que revela, que nos despe, que seduz, que nos entrega... a verdadeira janela da alma, ao mesmo tempo que te surpreende, te consola, te abrange e te enaltece.

Me faz lembrar uma música de Tom Jobim que eu adoro e que conta um pouco do que acontece quando olhares se encontram, se envolvem, se entendem e se definem.

“Esse seu olhar,
Quando encontra o meu,
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar.
Doce é sonhar... é pensar que você
Gosta de mim como eu de você...
Mas a ilusão,
Quando se desfaz,
Dói no coração
De quem sonhou, sonhou demais...
Ah, se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos...!!!”



Espero que a transparência dos olhares sejam marcantes e enaltecedores em nossas vidas, trazendo sempre uma boa nova, um alento e muitas verdades incontidas.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Leonardo da Vinci e a Astrologia



Recebi esse texto e achei interessante a analogia, afinal as linhas de pensamentos existem para serem manifestadas e discutidas. Desconheço quem escreveu (ou pesquisou de fato), mesmo assim resolvi compartilhar com os amigos.

Você sabia que os doze apóstolos correspondem aos doze signos do zodíaco?

Leonardo nasceu na cidade de Vinci, na Itália (perto de Florença) em 14 de abril de 1452. Sua formação literária e científica é menos conhecida do que seu talento artístico que o imortalizou para o grande público através de quadros famosos como a Mona Lisa. Mas Leonardo não foi só um pintor, ele tinha um temperamento de cientista, era eclético e como tal um grande observador e, sobretudo, experimentador. Leonardo da Vinci foi um gênio no sentido mais amplo da palavra, tendo procurado ampliar seus conhecimentos em todas as áreas: na pintura, escultura, na música e na poesia, nas artes bélicas. Foi também um grande estudioso de astronomia e astrologia. Não existiam mistérios que ele não quisesse desvendar!

Por volta de 1495 Leonardo foi chamado a decorar com afrescos o Convento de Santa Maria delle Grazie (Santa Maria das Graças) em Milão, onde deveria pintar uma Última Ceia no refeitório do convento. Ele buscou no conhecimento dos antigos astrônomos, como Ptolomeu, a inspiração para seu trabalho. Na Ceia, Leonardo procurou interpretar a comunhão entre o divino e o humano, entre o céu e a terra, representando o Sol e os 12 signos do zodíaco.

Leonardo estava convencido de que o homem era composto dos quatro elementos básicos (ou seja: Fogo, Ar, Água e Terra) e poderia ser analisado também a partir dos quatro temperamentos básicos (bilioso, sangüíneo, linfático e nervoso respectivamente), que iriam caracterizar sua personalidade. Assim, ele dividiu os 12 apóstolos da mesma maneira que são divididos os doze signos do zodíaco.

Primeiramente em quatro grupos, subdividindo cada um deles em três. Assim, o grupo de 12 pertenceria aos quatro elementos, cada elemento de um grupo básico, subdividido em 3 partes menores, da mesma forma que nós fazemos com o ano solar na mandala do zodíaco, onde dividimos o ano nas quatro estações, cada uma delas com três meses, representando início, meio e fim de cada estação. Dessa forma podemos considerar os apóstolos em quatro grupos de três, ou mesmo individualmente, com suas características pessoais. Notemos ainda que, observando o afresco da direita para a esquerda temos o Sol no posto central sendo representado pelo próprio Jesus Cristo, sentado no centro da mesa e tendo ao lado, 6 apóstolos à direita e 6 apóstolos à esquerda.

A esquerda temos:
Bartolomeu = Peixes
Thiago Maior = Aquário - os três meses de inverno no Hemisfério NorteAndré = Capricórnio
Pedro = Sagitário
Judas = Escorpião - os três meses de outono
João = Libra

O SOL – Cristo

A direita temos:
Tomé = Virgem
Thiago Menor = Leão - os três meses de verão
Felipe = Câncer
Mateus = Gêmeos
Tadeu = Touro - os três meses da primavera
Simão = Áries

Em astrologia, consideramos que os signos opostos se completam entre si, pois possuem o mesmo eixo vibratório manifestado em dois extremos. Assim, o eixo Peixes/Virgem é a expressão de uma energia oposta mas reconciliável (vejam Os Princípios Herméticos), como Áries/Libra, etc. etc.

Então podemos analisar os apóstolos dessa forma:

Simão = Áries / João = Libra
Simão tem o perfil bem destacado, simbolizando a cabeça ou o espírito de iniciativa, e a mão se destaca também, numa atitude impulsiva e enérgica causada pela ação, mostrando ser ele sempre pronto a pegar a espada e brigar pelos seus princípios. Por outro lado, João, seu oposto, aparece inclinado, disposto a ouvir a todos, é manso, ponderado e procura conciliar os pareceres opostos, suavizando a ação belicosa de Simão. Áries precisa aprender com Libra a controlar seus impulsos, buscando a harmonia, e Libra deve procurar a energia da ação ariana para não cair na inação e na falta de decisão. Esse é o eixo do relacionamento do EU/TU.

Judas Tadeu = Touro / Judas Escariotes = Escorpião
Tadeu representa o signo de Touro que em astrologia tem como órgão representativo a garganta. Esta aparece claramente no afresco. Com suas mãos ele procura ‘recolher’ e conservar aquilo que foi gerado por Áries/Simão. Touro é a Terra que conserva a semente para que ela dê seus frutos. Escorpião governa os órgãos genitais que ‘estão escondidos pelo vestuário’. Assim Judas aparece mais obscuro, mas em atitude rebelde, quase que se afastando em atitude de defesa. Touro é o signo do dinheiro e Leonardo pintou Tadeu fazendo o gesto de ‘receber dinheiro’, enquanto que o signo oposto transforma seu dinheiro administrando-o, assim Judas segura o saquinho de moedas na mão.
Touro precisa aprender de Escorpião não somente a acumular valores, mas a fugir da mesquinharia e procurar novas soluções para resolver as coisas já superadas. Escorpião precisa aprender com Touro a valorizar as coisas materiais, aproveitando o ‘aqui agora’ e não o que virá depois. Esse é o eixo do EU VALORIZO/EU TRANSFORMO.

Mateus = Gêmeos/ Pedro = Sagitário
Mateus é o terceiro da direita para a esquerda, e Leonardo o representou gesticulando, se comunicando com as mãos e braços, bem típico do falador geminiano! Gêmeos é o signo da comunicação e tem capacidade de explicar e ensinar. O nono é Pedro = Sagitário, que se inclina sobre os companheiros para falar ao ouvido de João. Sagitário é o político, que confabula e escolhe candidatos, organiza as sociedades tanto fisicamente quanto filosoficamente, faz as leis, e apresenta conceitos religiosos. Sua natureza é de compreender o ser humano e se identificar com a sua cultura.
Gêmeos precisa aprender com Sagitário a manter uma meta determinada para não passar superficialmente sobre o que aprende. Sagitário se entusiasma defendendo leis e valores morais, religiosos, filosóficos ou científicos, mas precisa estar sempre se atualizando para acompanhar a evolução da humanidade. Esse é o eixo do EU PENSO/EU FILOSOFO.

Felipe = Câncer/André = Capricórnio
Leonardo pintou Felipe com as mãos sobre o peito, numa atitude tipicamente canceriana. É a representação própria do signo de Câncer, sentimental, maternal, acolhedor e sempre pronto a abrir seu peito para acolher a todos. Câncer abriga as lembranças do passado, enquanto Capricórnio pensa no seu dever material. André coloca as mãos à sua frente, num sinal de decisão, mostrando sua capacidade de administrar e concretizar as coisas de forma durável e estável. Ele é um administrador frio, mas precisa aprender com o Câncer a ser mais emocional para não esquecer o lado humano e sentimental da vida. Afinal as pessoas não são números e as boas coisas da vida podem ser encontradas também nos pequenos sentimentos. Mas Câncer, por outro lado, precisa aprender a objetividade e firmeza do Capricórnio, para não ficar se lamentando das coisas do passado sem poder agir no futuro. O excesso de sentimentalismo e a instabilidade podem tolher a ação e a conquista.... Esse é o eixo do EU SINTO/EU UTILIZO.

Tiago Menor = Leão / Tiago Maior = Aquário
Tiago Menor é o quinto da direita para a esquerda: ele abre seus braços, mostrando seu peito e seu coração. Esse gesto mostra a analogia com o coração, órgão ligado ao signo de Leão. É a própria demonstração do poder central que rege e sustenta os órgãos do corpo e a própria vida, da mesma forma que o Leão é um líder natural, intuitivo e dominador, demonstrando autoconfiança. Tiago Menor, seu complemento oposto, estende o braço sobre André e sobre Pedro num sinal de amizade. É um gesto típico do aquariano, sempre pronto a atos de fraternidade, sem preconceitos ou limitações. A originalidade de atos e pensamentos e a capacidade de doação universalizam e distribuem os benesses gerados pelo Rei Leão.
Assim Leão precisa aprender a estender os braços aos amigos calorosamente, mas sem tentar dominá-los e sem cobranças, e Aquário precisa aprender a confiar mais em si mesmo, superando o pessimismo e a frieza gerada pelo antigo regente do signo, Saturno, sendo mais generoso e caloroso. Esse é o eixo do EU SOU/EU SEI.

Tomé = Virgem / Bartolomeu = Peixes
Tomé está sentado ao lado esquerdo do Cristo, com o dedo em riste. Ele é aquele que indica o erro e mostra a preocupação com os mínimos detalhes (do assunto discutido). Virgem é analítico, exigente e muitas vezes céptico (como São Tomé!). Tudo passa pela análise e pela razão. Muito diferente de Peixes que, sem olhar os detalhes, mostra a sensibilidade psíquica e a abnegação. Bartolomeu está de pé (e seus pés estão iluminados), e esse é o símbolo ligado ao signo e seu ponto frágil. Bartolomeu escuta e procura ouvir a todos, não procura criticar, somente compreender com uma enorme compaixão. Ele não indica, não aponta, não discrimina. O signo de Peixes é relacionado com a cerimônia do ‘Lava-pés’ da Igreja Católica, onde o perdão às faltas passadas é simbolicamente lavado. Em Peixes temos o “macro” em Virgem temos o “micro”. Peixes precisa aprender com Virgem a ser mais detalhista e pé no chão em suas análises, menos sonhador e romântico. Virgem precisa aprender com Peixes a ‘ter compaixão’, para não apontar os erros das outras pessoas de maneira crítica e insensível. Esse é o eixo do EU ANALISO/EU CREIO.
Devemos salientar que em algumas reproduções (mal feitas) todos os apóstolos, e até o Cristo, aparecem com os pés iluminados. Mas é um erro. No afresco original, somente Bartolomeu tem seus pés iluminados.

Como vocês vêem, mesmo o grande Leonardo não deixou de fazer apelo à astrologia para se inspirar na criação dessa obra prima. Essa análise é muito útil para mostrar que os doze signos do zodíaco não foram determinados por uma escolha aleatória ou insensata. Tudo é relacionado entre si para gerar uma compreensão abrangente da natureza humana. Quanto mais estudamos as ciências ocultas tanto mais compreendemos sobre a natureza humana, manifestada ou não.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Hoje resolvi!



Hoje, como chuva que corre mansa
E lava a alma dos muitos dissabores,
Colorindo a vida, amenizando as dores,
Escorro do corpo molhado, entro na dança ...

Esfrio a mente das mágoas e tristezas,
Sigo entretendo meu pensamento,
Alcanço os píncaros do entendimento,
Chego a ter propositais delicadezas ...

Talvez, não sei, chegue a lugar algum
Até conseguir entender os porquês
Agarro firmemente a tentativa incomum...
Não importa qual seja a resposta a dar.

As perguntas muito mais me intrigam
Porque percebo onde querem chegar ...
Hoje, nesse pedalar constante, resolvi aquiescer.
Apascentar-me com a Vida,
Para ter a tão sonhada Paz em meu Coração!

Autoria de Nídia Vargas Potsch

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Um dia por vez - 20/01/10 - De pés e mãos atados



Não consigo ficar indiferente à situação do Haiti, após o terremoto devastador. Eu acompanho todas as notícias em diversos meios de comunicação e, ver as cenas pela televisão, me comove completamente. Imagino que muitas pessoas se sentem assim: comovidas, repletas de piedade diante da catástrofe.

Mas o grande sentimento que tenho é de impotência, porque ter dó, ficar triste com todo o cenário, de nada adianta. As pessoas de lá vão continuar doentes, morrendo soterradas, com fome e sede... e eu assistindo tudo isso em cima de uma cama confortável e quentinha, com toda a minha família ao redor, inteiramente protegida.

Fico pensando no que fazer e como ajudar. Porque é isso que as pessoas precisam no momento, de solidariedade e não piedade. Será que eu deixaria tudo aqui (trabalho, família...) e ia ajudar as pessoas? Como? Levantando concretos com minha força? Cavando com minhas próprias mãos, envolta num eterno desespero, como tantos haitianos? Levando alimentos e água que daria para, no máximo, 100 pessoas? Acalentando no colo, no máximo, duas, três crianças?

Vejo o mundo se mobilizando para ajudar, mas tudo que existe é uma enorme desorganização, a começar pelo espaço aéreo, dificultando que as pessoas possam chegar até o local. Mandar dinheiro, o pouco que posso, correria o risco de enviar para mãos erradas, entre as muitas que estão se beneficiando com a tragédia. Ainda tem isso! Nem sei qual é a maior tragédia!

Sinto-me de pés e mãos atados e me pergunto se esse não é um sentimento de fuga, falta de coragem minha, quando penso que há tantos que realmente largaram tudo e foram atrás do desejo real de ajudar o próximo, que de próximo não tem nada. Pelo contrário, é um completo desconhecido, o que não diminui a vontade de ser herói de verdade para quem quer que seja.

Só posso concluir que essa minha vontade que me consome de poder fazer algo mais por alguém ainda é minúscula, perto da necessidade que se mostra no cenário mundial. Então, tudo que faço parece pouco e é nada. O que me faz concluir que eu ainda tenho muito a trilhar no meu caminho que querer ser, de fato, gente.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Talvez...



Talvez eu venha a envelhecer rápido demais,
Mas lutarei para que cada dia tenha valido a pena.
Talvez eu sofra inúmeras desilusões no decorrer de minha vida,
Mas farei que elas percam a importância
diante dos gestos de amor que encontrei.
Talvez eu não tenha forças para realizar todos os meus ideais,
Mas jamais irei me considerar um derrotado.
Talvez, em algum instante, eu sofra uma terrível queda,
Mas não ficarei por muito tempo olhando para o chão.
Talvez um dia o sol deixe de brilhar,
Mas então irei me banhar na chuva.
Talvez um dia eu sofra alguma injustiça,
Mas jamais irei assumir o papel de vítima.
Talvez eu tenha que enfrentar alguns inimigos,
Mas terei humildade para aceitar as mãos
que se estenderão em minha direção.
Talvez, numa dessas noites frias, eu derrame muitas lágrimas,
Mas não terei vergonha por esse gesto.
Talvez eu seja enganado inúmeras vezes,
Mas não deixarei de acreditar
que em algum lugar alguém merece a minha confiança.
Talvez, com o tempo, eu perceba que cometi grandes erros,
Mas não desistirei de continuar trilhando meu caminho.
Talvez, com o decorrer dos anos, eu perca grandes amizades,
Mas irei aprender que aqueles que realmente
são meus verdadeiros amigos nunca estarão perdidos.
Talvez algumas pessoas queiram o meu mal,
Mas irei continuar plantando a semente do amor por onde passar.
Talvez eu fique triste ao concluir
que não consigo seguir o ritmo da música,
Mas, então, farei que a música siga o compasso dos meus passos.
Talvez eu nunca consiga enxergar um arco-íris,
Mas aprenderei a desenhar um, nem que seja dentro do meu coração.
Talvez hoje eu me sinta fraco,
Mas amanhã irei recomeçar, nem que seja de uma maneira diferente.
Talvez eu não aprenda todas as lições necessárias,
Mas terei a consciência que os verdadeiros ensinamentos
já estão gravados em minha alma.
Talvez eu me deprima por não ser capaz
de saber a letra daquela música,
Mas ficarei feliz com as outras capacidades que possuo.
Talvez eu não tenha motivos para grandes comemorações,
Mas não deixarei de me alegrar com as pequenas conquistas.
Talvez a vontade de abandonar tudo
torne-se a minha companheira,
Mas, ao invés de fugir, irei correr atrás do que almejo.
Talvez eu não seja exatamente quem gostaria de ser,
Mas passarei a admirar quem sou.
Porque no final saberei que,
mesmo com incontáveis dúvidas,
eu sou capaz de construir uma vida melhor.
E se ainda não me convenci disso,
é porque como diz aquele ditado: "ainda não chegou o fim",
Porque no final não haverá nenhum "talvez"
e sim a certeza de que a minha vida
valeu a pena e eu fiz o melhor que podia.


Autoria de Aristóteles Onassis

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

BBB 10



Não posso negar que sempre gostei de assistir ao Big Brother Brasil, confesso. Nos primeiros, chegava a assinar o canal para ter acesso à casa 24 horas por dia. Assisto porque gosto de observar o comportamento das pessoas e, estando em cativeiro, as máscaras caem e as pessoas se mostram tal como são. Gosto de ver o jogo de inteligência, atração, sedução e acabamos por conhecer intimamente aquelas pessoas.

Porém, de alguns anos para cá, não assino mais o canal, porque o meu tempo de trabalho não me permite assistir e quem acaba fazendo isso são meus filhos. E, venhamos e convenhamos, aquilo não tem nada que presta para criança. Nada mesmo!

O último Big Brother Brasil então, se superou na seleção de seus candidatos. A começar pelos ex-BBB que puderam ter uma nova chance. Por que, heim? O legal é você ter sido um escolhido entre tantos. Quando se tem a segunda chance, já não tem mais a mesma graça, até porque aquelas pessoas já se revelaram, já são conhecidas e, mesmo não ganhando o prêmio maior, já tiveram as “excelentes” oportunidades de serem famosos, pousarem nus, ganharem alguns eletrodomésticos e carros como mimos.

De tão poucos candidatos, era mesmo necessário quatro participantes homossexuais? Não que eu seja preconceituosa, porque tenho amigos que optaram por serem gays e os respeito muito pela pessoa que são. A opção sexual deles é um problema totalmente deles, contanto que não queiram me convencer que essa é a melhor escolha para todos. É claro que eles podem até dar maior audiência, afinal sempre são mais espalhafatosos e escandalosos. Porém, trazer essa realidade para dentro de nossos lares, como se fosse algo comum... não dá. Normal, nos últimos tempos tem sido sim. Agora comum??? Longe disso.

Se eles queria mudar a roupagem do programa que fosse para um nível melhor. Gente bonita sim, mas os feios e inteligentes também. Quem sabe um obeso ou um deficiente físico? Será que isso não tornaria o programa interessante também? Acho que teríamos, no mínimo, algumas lições de vida e abriríamos nossos olhos para o que é menos fútil, como o culto pelo corpo e a vaidade exacerbada.

Estava anciosa pela estréia do novo Big Brother, mas os comentários que ouvi antes mesmo que eu pudesse assistir pela primeira vez, já me desestimularam completamente. Só tive a oportunidade de tirar minhas próprias conclusões no último sábado e tamanha foi a minha decepção ao ter que atestar que os comentários ouvidos tinham toda a razão de ser.

Ainda vou me arriscar a assistir mais alguns episódios, só espero que melhorem a qualidade e que não percamos tanto nosso tempo ao assisti-los, afinal, acredito que até nos nossos momentos de ócio, faz-se necessário um mínimo de cultura e aprendizado do que é bom.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Pensamento é energia



Quem nunca ouviu a frase “o universo conspira a seu favor”? Isso é uma verdade absoluta. De fato, aquilo que pensamos ou acreditamos tem uma grande força em nossa vida e acaba acontecendo, porque pensamento é energia e somos aquilo que acreditamos ser.

Depois de entrar para uma escola de filosofia, tenho ficado bem mais atenta aos “sinais” que, para mim, são mais respostas aos meus pensamentos e às minhas buscas. A cada dia me relaciono com mais pessoas com a sensibilidade de perceber essa “conspiração” do universo a nosso favor. Os nomes podem ser diferentes: Universo, Deus, Cosmos, Eu Maior, Jesus Cristo, Maria, Espírito Santo, Consciência... mas no frigir dos ovos, é sempre a mesma coisa.

Tudo isso é meio maluco aos olhos de muitos, mas a cada dia minha interação com o “Todo Poderoso” (mais um nome) aumenta a ponto de me surpreender. Quando estou mais aberta a receber essa energia, as coisas fluem de uma maneira melhor e mais tranqüila, sem muitos questionamentos ou dúvidas.

Vou tentar me explicar melhor! Muitas vezes, eu penso em alguém, sem ter nenhum motivo aparente, no meio de um dia corrido, daqueles que você pensa que não tem tempo pra nada, nem mesmo tempo para pensar em outra coisa a não ser aquilo que você tem a fazer. Mas você pensa com uma insistência que você não sabe de onde vem.

E nesse constante pensar, sem controle, se estiver pensando em alguém, algumas coisas “estranhas” acontecem: o telefone toca e é a pessoa, alguém comenta sobre ela com você, ela fica online no computador, te manda um e-mail ou uma mensagem pelo celular, toca uma música que te lembra aquela pessoa, passa uma cena de novela que encena a vida real... qualquer coisa, como uma resposta que diz: ela também está pensando em você.

Isso também acontece quando você tem um projeto em mente e começa a imaginar, visualizar a coisa acontecendo, as pessoas envolvidas, o local, a forma como tudo se dará. De repente, a coisa está lá, materializada na sua frente como num passe de mágica. Nesse meio tempo, você não tem como negar que era pra dar certo, porque tudo favorecia e era sempre no momento exato e da melhor maneira.

Papo de maluco, né? É mesmo, concordo plenamente. Mas neguei essa sensibilidade durante muitos anos, porém me encontro num estágio da vida na qual não me permito mais negar o óbvio. Fugi enquanto pude, de todas as maneiras possíveis e imagináveis, mas agora, quanto mais faço de conta que não acredito, mais respostas evidentes recebo. É o universo me testando o tempo todo e me dizendo: “E agora? Ainda tem como duvidar?”

Como poderíamos nomear isso? Loucura? Sensibilidade? Intuição? Não sei. Pra mim, essa resposta não importa. Tudo que posso dizer é que dá certo, que acontece, que existe. Basta que estejamos abertos para receber e perceber a grande magia que a vida é.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Se puder sem medo - Oswaldo Montenegro



Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava
Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo...
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
Pra que eu fotografe, assim, o meu verdadeiro abrigo.
Deixa a luz do quarto acesa, a porta entreaberta,
O lençol amarrotado, mesmo que vazio,
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta...
Só na minha voz não mexa. Eu mesmo silencio!
Deixa o coração falar o que eu calei um dia...
Deixa a casa sem barulho, achando que ainda é cedo,
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia,
Deixa tudo como está. E, se puder, sem medo.
Deixa tudo que lembrar... Eu finjo que esqueço.
Deixa... e quando não voltar, eu finjo que não importa.
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito
Pra dizer te vendo ir fechando, atrás, a porta.
Deixa o que não for urgente, que eu ainda preciso...
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa.
Deixa ali teu endereço... qualquer coisa, aviso.
Deixa o que fingiu levar, mas deixou, de surpresa!
Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo...
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande...
Deixa, ao menos uma vez, eu fingir que consigo.
Se o adeus demora, a dor no coração se expande!
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa,
Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência...
Deixa a minha insanidade... é tudo que me resta...
Deixa eu por à prova toda minha resistência!
Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro,
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila...
Deixa pendurada a calça de brim desbotado
Que, como esse nosso amor, ao menor vento... oscila.
Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa...
Deixa um último recado na casa vizinha.
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa!
Deixa a dor que eu lhe causei... Agora é toda minha!
Deixa tudo que eu não disse, mas você sabia...
Deixa o que você calou e eu tanto precisava...
Deixa o que era inexistente, mas eu pensei que havia...
Deixa tudo o que eu pedia, mas pensei que dava.


As músicas tocam passagens da vida ou a forma como a interpretamos, e então canta os nossos sentimentos. Essa música de melodia perfeitamente melancólica, me soa como uma confissão. Geralmente, aqueles sentimentos que mais lutamos para esconder, são os que mais mostram a nossa essência e acabam por serem os mais aparentes, tornando nosso esforço em vão.

Passamos a vida traçando metas, movidos pela mente coletiva, aquela que insiste em nos impor que, só seremos verdadeiramente felizes um dia, se namorarmos, casarmos, tivermos o primeiro filho, depois o segundo... caminhando mecanicamente pela vida, obedecendo os costumes da nossa sociedade.

Nessa constante, acabamos por buscarmos ansiosamente por uma pessoa que seja a ideal, a mais perfeita e que preencha todos os requisitos necessários para nos fazer feliz. Quando imaginamos ter encontrado enfim, depositamos ali todo o nosso amor e as nossas expectativas de vida, na certeza de que a felicidade chegará em breve ou que mora exatamente ali.

Envolvidos por essa crença, nos dedicamos muito, amamos realmente, intensamente, imaginamos um futuro promissor, nos despimos de corpo (certamente) e de alma (aparentemente) e, sem dúvida, vivemos momentos que se eternizam em nós, mesmo que o relacionamento se acabe.

Quando acaba, é triste... porque queríamos mais, muito mais, ir mais longe, pra lá do arco-íris. O que fazer agora com todos os planos, todas as nossas carências? Teria sido tudo uma grande ilusão, nascida da minha vontade de ser feliz com alguém? Se aquela não era a pessoa, onde estará a “minha”? É... quem saberá as respostas?

De repente, a vida leva essa pessoa de nós. Pior! Muitas vezes temos a grande parcela de culpa por não ter dado certo. A vida leva essa pessoa sim, mas não consegue tirá-la do nosso passado, muito menos do nosso coração. De repente, podíamos ter lutado mais pela pessoa amada, podíamos ter nos despido de alma verdadeira e profundamente, sem medo do julgamento alheio, abrindo mão do orgulho, esse sentimento que parece preservar nossa dignidade, mas que, na verdade, só causa dores e revela nossa soberba e falta de humildade.

Se puder, sem medo. A letra dessa música me vêm como uma foto em sépia, de alguém que, de tão conformado ou preso em seus “pré-conceitos” ficou sozinho e tem o seu olhar triste, cansado e desiludido. Quem sabe debruçado sobre a mesa da cozinha vazia, na penumbra, segurando um copo de qualquer bebida que ele possa, ali, afogar suas mágoas ou apenas tê-la como única companheira. Alguém que acreditou tanto num relacionamento, mas que foi caindo numa rotina implacável, a qual pode ter sido a grande responsável pelo fim, porque graças a ela, tudo perdeu a cor, a graça e a poesia.

Ele olha à sua volta e tudo que lhe resta são as lembranças de um passado aparentemente feliz e a necessidade de preservar o que ainda tem valor, a sua integridade e a sua esperança de poder viver melhor na ausência dessa pessoa.

Ele parece não querer seguir. Apenas ficar ali, vivendo esses momentos eternizados, buscando forças para conseguir reagir diante de um sentimento tão grande como o amor – um gigante que, nesse momento, assombra alguém que se sente tão pequeno, quase invisível. E sem medo, ele confessa, mesmo sendo tarde, que aquela pessoa representava o abrigo tão esperado.

É quando lhe bate uma tristeza profunda, ele atesta que deixá-la partir sem nem ao menos pedir pra que ela ficasse, foi um grande erro e agora é o seu martírio. Agora, tudo que ele quer é reunir as forças que ainda lhe restam e tentar buscar novos caminhos, tentando disfarçar para si mesmo a importância que essa pessoa tem na sua vida. Ele sabe que, por mais que os anos passem e ele encontre um outro alguém, aquela pessoa vai estar sempre ali, bem guardada lá no fundinho do seu coração, mesmo que ninguém saiba.

Deixa... deixa a vida passar. Por mais que a dor insista em seu peito, ele sabe que o sol vai brilhar amanhã. E quando isso acontecer, quem sabe ele possa reconhecer que a magia da vida está nas verdades que não dizemos, no silêncio que não fazemos e nas loucuras que cometemos.