quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O que valeu a pena hoje?



Paulo Mendes Campos, em uma de sua crônicas reunidas no livro “O Amor Acaba”, diz que devemos nos empenhar em não deixar o dia partir inutilmente.
Eu tenho há anos isso como lema.
Antes de dormir, quando a noite chega e o sono ainda não veio, eu penso: “O que valeu a pena hoje?”
Sempre tem alguma coisa.
Um telefonema, um filme, um corte de cabelo que deu certo, um e-mail inspirado...
Já para algumas pessoas, ganhar o dia é ganhar mesmo: ganhar um aumento, ganhar na loteria, ganhar um pedido de casamento, ganhar uma partida ou até um presente.
Mas pra quem valoriza apenas as "mega vitórias", sobram centenas de outros dias em que aparentemente nada acontece e geralmente são essas pessoas que vivem dizendo que a vida não é boa, mesmo já tendo seu super apartamento, sua bela esposa, seu carro do ano e um salário aditivado.
Nas últimas semanas, meus dias foram salvos por detalhes. Uma segunda-feira valeu por uma música que eu não conhecia e alguém me mandou por e-mail... Linda... Que me arrepiou, me transportou para uma época legal da minha vida, me fez querer dividir aquele momento com pessoas que são importantes pra mim.
E, assim correm os dias... presenteando a gente com uma música, um crepúsculo, um instante especial, que acabam compensando 24 horas banais.
Claro que tem dias que ninguém nos surpreende, o trabalho não rende e as horas se arrastam melancólicas, sem falar naqueles dias em que dá tudo errado: batemos o carro... somos multados, e pra melhorar, depois perdemos a chave do carro no cinema.
Pois estou pra dizer que até a tristeza pode tornar um dia especial, só que não ficaremos sabendo disto na hora, e sim lá adiante, naquele lugar chamado futuro, onde tudo se justifica.

(Desconheço a autoria)


Acho que esse texto é perfeito para uma passagem de ano, para que possamos nos propor a fazer esse exercício diário no ano que se inicia.

Todos os dias valem a pena, todos eles são especiais, pois não voltarão mais e, com certeza, deixaram uma boa bagagem nessa viagem que chamamos de Vida.

Em 2010, que possamos ser mais gratos por apenas podermos respirar, levantarmos de nossas camas e ter um trabalho ou uma atividade, seja ela qual for. E nas horas difíceis, que possamos ter a coragem de também agradecer, pois, com certeza, esses sofrimentos vieram para engrandecer nosso espírito.

Logo, você vai perceber que todos os dias valem muito a pena. Ah, se valem!!!

Feliz Ano Novo e beijo grande no seu coração!
Taiza Renata

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Retratos e Canções - Michael Sullivan e Paulo Massadas



Hoje eu me peguei
Pensando em você...
Te amo e nem sei como eu amo!
Coisas do amor...

Quero não lembrar
Que, às vezes, sem querer
Me apanho falando em você.

Lembranças de nós dois...
Retratos e canções...
Um filme de amor
Que nunca chega ao fim.
Quem sabe se você ainda pensa em mim?!

Te amo e nem sei como eu amo!

Dói no coração, às vezes que eu lembrar...
Te amo e não quero te amar.

Essa música que eu adoro, a qual ouço tanto na voz de Sandra de Sá e que tanto tenho ouvido, me faz ficar apaixonada. Ela me motiva a estar no meu estado de bobeira constante, no qual escolhi viver, na certeza que esses momentos de paixões, que aliviam suspiros, são os que mais valem a pena e se, não forem, é o sonhar com esses momentos, sejam eles passados ou futuros.

Quantas vezes, no meio do dia, no trabalho corrido do dia-a-dia nos vem à mente aquela pessoa e que você não sabe nem de onde ela surgiu e o porquê? Mas ela está ali, pertinho de você, dentro dos seus pensamentos, muitas vezes com uma insistência incontrolável.

Geralmente ela não está sozinha. Chega de mansinho, sem que se perceba, te coloca na cabeças idéias peraltas, você começa a viajar no tempo, seja ele passado ou futuro e você entende que essa pessoa nunca esteve longe. Em seu coração instala sua morada sem pedir licença. É quando você se pergunta: será que te amo? Ou será que amo o que você representa na minha vida? Ou ainda, será que amo a ilusão da pessoa que fiz para você? E como posso amar uma pessoa como você se eu nem sei como e onde tudo começou?

É... são coisas do amor mesmo! Aquela coisa boba, inexplicável, mas que chega na vida da gente como um furacão que quer tirar toda a ordem existente do lugar. É como se você anseasse por essa gostosa desordem que te queima por dentro e bagunça a cabeça. Será que vale a pena?

Não. Afinal, está tudo tão bem, tudo em paz. E você começa a negar essa pessoa, arrumar defesas mentais para se safar. Porém, como “artimanhas do diabo”, essa pessoa está ali, impregnada em seu ser, e você sem saber como se livrar dela. Você não sabe nem se quer se livrar dela. Quando percebe, já está falando da pessoa pra qualquer outra pessoa, tentando usar de uma normalidade tão incomum que revela algo, seja pelo brilho no olhar, seja pela animação das palavras e gestos.

Mas como viver sem as lembranças de um passado feliz? Sabe aquela coisa de “eu era feliz e não sabia”? Muitas vezes elas estão registradas em fotos de algumas passagens da vida, ou mesmo em forma de canção, que têm o dom de marcar uma pessoa ou uma ocasião. Não importa! O que se sente é que as lembranças estão (sempre estiveram) ali, dentro de você, são partes da sua história, pedaços de você.

É como um filme que tem início, meio, mas não tem fim. Talvez nada mais exista de fato, consumadamente, mas dentro de você não acabou e nunca vai acabar. Porque aquilo te pertence eternamente e está muito bem guardado, protegido de todo mal do mundo, porque é só seu e de mais ninguém.

Filmes de amor, recheados de carinho mútuo, cenas românticas, até “calientes”, quem sabe. Você sabe! Ah, sabe. E você se pergunta se a outra pessoa também revê essas cenas. Se não revê, ao menos, sonha com elas. Fica o questionamento: será que é assim pra outra parte também? Será que ela também tem esses pensamentos e esses sentimentos?

No fundo, tenho a certeza que sim, afinal, pensamento é energia. É uma estrela que você solta no universo com um brilho especial, sabendo que ela é cadente e tem o seu lugar certo de chegar. E chega! Vai ver você começou a pensar em tudo isso, porque o pensamento já veio de longe, diretamente para você.

Infelizmente, (ou felizmente, quem sabe) as lembranças, os retratos e as canções é tudo que você tem hoje. Essa contestação dói fundo no coração e, para manter acesa essa chama, tudo que te resta é sonhar.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Você não sabe - Roberto Carlos



Você não sabe quanta coisa eu faria além do que já fiz,
Você não sabe até onde eu chegaria pra te fazer feliz.
Eu chegaria onde só chegam os pensamentos,
Encontraria uma palavra que não existe
Pra te dizer nesse meu verso quase triste
Como é grande o meu amor...

Você não sabe que os anseios do seu coração são muito mais pra mim
Do que as razões que eu tenha pra dizer que não e eu sempre digo sim.
E ainda que a realidade me limite,
A fantasia dos meus sonhos me permite
Que eu faça mais do que as loucuras que já fiz pra te fazer feliz.

Você só sabe que eu te amo tanto,
Mas na verdade, meu amor, não sabe o quanto.
E se soubesse iria compreender
Razões que, só quem ama assim, pode entender.

Você não sabe quanta coisa eu faria por um sorriso seu,
Você não sabe até onde chegaria, amor igual ao meu.
Mas se preciso for, eu faço muito mais...
Mesmo que eu sofra, ainda assim, eu sou capaz
De muito mais do que as loucuras que já fiz pra te fazer feliz.

Sou uma pessoa interessante! A música tem o poder absoluto de me transformar, por isso, estou sempre escolhendo o estilo a ouvir conforme o momento, o local ou a companhia. Porque elas falam por mim, pra mim e me tocam profundamente, promovendo mudanças em todo o meu ser. Acho que eu sofro de “transtorno musipolar”. (Risos) São as músicas que ouço que definem o humor do momento.

Ouvindo hoje esta música, eu fiquei assim, meio boba, sentindo a amor que nela transborda, o amor pelo viver. O mesmo amor que transborda também em mim. Ela me traduziu, de certa forma, porque sou uma pessoa que ama e ama muito, várias pessoas com uma intensidade bastante incomum. Depende da época, do momento, da pessoa... mas permaneço sempre amando.

Em seus “versos quase tristes” senti um desejo de poder viver mais, amar mais, dar mais me mim, de ter a coragem de fazer coisas que ainda não fiz. O amor que sinto é tão grande, que não cabe em meu peito, e por me sentir inundada por esse sentimento que eu mesma não sei lidar, devido à sua grandeza, fico buscando formas de me sentir sempre feliz, alimentando fantasias e esperança que, de uma forma ou de outra, amansam esse leão que dentro de mim existe e o mantem adormecido.

Às vezes penso que é melhor mesmo que ele permaneça nessas condições, porque a coragem nos promove uma liberdade única e completa de ser você mesmo e assumir quem, de fato, você é e, de repente, fazer tudo o que se tem vontade, sem se importat muito com nada nem ninguém. Desnudar-se dos véus que diariamente vestimos para não sermos julgados, criticados por outrem, nessa sociedade tão hipócrita e cruel.

Quantas coisas ainda anseio dentro do meu coração e da minha alma! Porém, minhas condições de vida muitas vezes me impedem de fazer o que quero, porque posso faltar com pessoas que amo e de grande importância na minha vida. Talvez, a aceitação dos que amo ainda seja mais importante do que me aceitar como realmente sou.

Imagino que, para isso, existem as fantasias, a válvula de escape dos covardes que, como eu, não têm coragem ou arrumas as condições necessárias de realizar seus desejos mais secretos e profundos. Nesses momentos, podemos sonhar e intensamente viver. Mas onde ficam os cinco sentidos – aqueles que nos fazem constatar, comprovar e marcar todos esses devaneios? Ficam aqui, no mundo real, nas ondas béticas de nosso cérebro, escondidas em meu ser.

Ainda bem que temos outras ondas cerebrais, que também nos permitem “chegar lá”, sentir e realizar os sonhos que temos. A boa notícia é que o pensamento é energia pura e chega a qualquer lugar, sem limitação de tempo ou espaço. Ela chega, nos toca, mexe conosco e o sexto sentido, o da intuição, nos dá a certeza que o sentimento de amor é recíproco e verdadeiro, abrindo espaço para um futuro promissor, de muitas ações e amor.

Ah, você não sabe quantas coisas eu faria...

domingo, 27 de dezembro de 2009

Saudade - Mário Palmério


Hoje, conversando com minha afilhada mais velha sobre assuntos polêmicos da vida, citei uma pessoa muita querida que tive o grande prazer de conhecer há cerca de15 anos atrás e que me ensinou coisas muito importantes e que, na época, muito me chocaram, pois era um homem de 75 anos de idade com uma visão de vida invejável, uma bagagem que lhe trouxe muita sabedoria. Eu, com meus 22 anos de idade, ficava ali encantada, ouvindo aquela espécie de mestre falar-me com um carinho todo especial.

Seu nome era Mário Palmério e era uma celebridade, mas nossas constantes e diárias conversas durante 28 dias nos aproximaram muito e nos tornamos amigos. O nosso maior vínculo foi a música, pois eu tocava piano, assim como ele, e ele ficava cantando, me ensinando a tirar as canções dele... passamos muitas horas divertidas juntos.

Para quem nunca ouviu falar desse meu inusitado "amigo", vou falar um pouco dele. Mário Palmério era mineiro, tinha uma aparência parecida com Vinícius de Morais e, também como Vinícius, era poeta, compositor, escritor, foi membro da Academia Brasileira de Letras (ocupando a vaga de Guimarães Rosa), educador, fundador de escolas e faculdades no Triângulo Mineiro, político, Embaixador do Brasil no Paraguai e também Reitor da Uniube. Seu livro mais conhecido é Grandes Sertões: Veredas.

Deixou sua vida política e foi viver no Rio Amazonas com uma índia num barco que ele construiu e por lá ficou 10 anos de sua vida. Segundo me contou, em uma de nossas conversas, apesar de já ter sido casado e com filhos, essa foi a época mais feliz de sua vida, porque descobriu a intensidade do amor, aquela que nos anestesia, e a importância da atração física entre duas pessoas.

Então, com o coração cheio de saudade, hoje o texto é sobre ele, ou melhor, sobre a música dele. Acredito que o Universo nos dá sinais ou que Deus conversa comigo de diversas maneiras. E, depois de tê-lo citado mais cedo, ao chegar no restaurante para almoçar, estava tocando essa música que é tão linda e que tanto me marcou. Seu nome é Saudade. É uma música pequena, singela, mas que traduz um sentimento que tanto nos acompanha pela vida. A versão original é em espanhol, mas estou colocando a tradução em português para que ela possa ser entendida ou reconhecida aqui.

"Se queres compreender o que é saudade
Terás que, antes que tudo, conhecer.
Sentir o que é querer, o que é ternura...
E ter, por bem, um grande amor. Viver!

Então, compreenderás o que é saudade...
Depois de ter vivido um grande amor.
Saudade é solidão, melancolia...
É nostalgia... É recordar... Sofrer!"

Ninguém pode falar de saudade, se não a sentir na pele e dentro do coração. Esse sentimento nos acompanha em vários momentos de nossa vida. Sempre sentimos saudade, em intensidades diferentes, seja de uma pessoa, uma época, um fato, um lugar... mas ela sempre se faz presente.

É imprescindível passar pela vida sem conhecê-la porque através dela, junto com ela, entendemos o que é querer verdadeiramente, saber o real significado da ternura e, se podemos optar, viver um grande amor. Mas vivê-lo na forma de Vinícius, sendo “eterno enquanto dure”. Entendendo que, na vida, tudo é transitório, portanto, é importante viver o momento e fazer com que ele dure para sempre dentro de você. Poder reviver tudo em cada lembrança, em cada sentimento de saudade.

Quando tiveres a oportunidade de viver esse amor, de comungar dessa dádiva, você, impreterivelmente, conhecerá a forma mais pura da saudade, aquela que nos acompanha, mas nos deixa numa solidão profunda de alma. A solidão que nos faz chorar ou apenas suspirar, que nos faz relembrar momentos de um passado feliz, que nos faz doer o coração. Mas sempre com a sensação feliz de ter valido a pena, de ser vivido profundamente.

E nessa hora, de tantas recordações, pode ser que seu semblante se alegre e você comece a sorrir, pois sentir saudade é, acima de tudo, trazer aquele momento eternizado de volta para sua vida, na certeza que, por mais que tenha havido algum sofrimento, mesmo que seja o da separação, valeu a pena viver, estar, sentir e, claro, muito amar.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Poema de Natal - Vinícius de Moraes



Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Sentar-se à janela do avião



Era criança quado pela primeira vez, entrei em um avião.
Eu queria sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar o vôo desde o primeiro momento e sentir o avião correndo na pista cada vez mais rápido até a decolagem.
Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens, chegando ao céu azul. Tudo era novidade e fantasia!
Cresci, me formei e comecei a trabalhar. No meu trabalho, desde o início, voar era uma necessidade constante. As reuniões em outras cidades e a correria me obrigavam, às vezes, a estar em dois lugares num mesmo dia.
No início pedia sempre poltrona ao lado da janela e, ainda com olhos de menino, fitava as nuvens, curtia a viagem, e nem me incomodava de esperar um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa e tal.
O tempo foi passando, a correria aumentando, e já não fazia questão de me sentar à janela, nem mesmo ver as nuvens, o sol, as cidades abaixo, o mar ou qualquer paisagem que fosse. Perdi o encanto. Pensava somente em chegar e sair, me acomodar rápido e sair rápido.
As poltronas do corredor agora eram exigência. Mais fáceis para sair sem ter que esperar ninguém, sempre e sempre preocupado com a hora, com o compromisso, com tudo, menos com a viagem, com a paisagem, comigo mesmo.
Por um desses maravilhosos "acasos" do destino, estava eu louco para voltar de São Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar em Curitiba o mais rápido possível.
O vôo estava lotado e o único lugar disponível era uma janela, na última poltrona.
Sem pensar, concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui para o embarque. Embarquei no avião e sentei na poltrona indicada: a janela. Janela que há muito eu não via, ou melhor, pela qual eu já não me preocupava em olhar.
E, num rompante, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vez que voara. Senti novamente e estranhamente aquela ansiedade, aquele frio na barriga.
Olhava o avião rompendo as nuvens escuras até que, tendo passado pela chuva, apareceu o céu.
Era um azul tão lindo como jamais tinha visto. E também o sol, que brilhava como se estivesse acabado de nascer.
Naquele instante em que voltei a ser criança, percebi que estava deixando de viver um pouco a cada viagem que desprezava aquela vista.
Pensei comigo mesmo: será que em relação a outras coisas da minha vida, eu também não havia deixado de me sentar na janela, como por exemplo, olhar pela  janela das minhas amizades, do meu casamento, do meu trabalho e convívio pessoal?
Creio que aos poucos e, mesmo sem perceber, deixamos de olhar pela janela da nossa vida.
A vida também é uma viagem e se não nos sentarmos à janela, perdemos o que há de melhor: as paisagens - que são nossos amores, alegrias, tristezas, enfim, tudo o que nos mantém vivos.
Se viajarmos somente na poltrona do corredor, com pressa de chegar, sabe-se lá onde, perderemos a oportunidade de apreciar as belezas que a viagem nos oferece.
Se você também está num ritmo acelerado, pedindo sempre poltronas do corredor, para embarcar e desembarcar rápido e "ganhar tempo", pare um pouco e reflita aonde você quer chegar.
A aeronave da nossa existência voa célebre e a duração da viagem não é anunciada pelo comandante. Não sabemos quanto tempo nos resta.
Por esta razão, vale a pena sentar próximo da janela para não perder nenhum detalhe.
Afinal, "a vida, a felicidade e a paz são caminhos e não destinos".

Texto de Alexandre Garcia

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Um dia por vez - 22/12/09 - Lar Doce Lar




Hoje vivi, ao vivo e a cores, uma situação como aquela do quadro do Caldeirão do Huck – Lar Doce Lar. Com algumas pequenas diferenças: o Huck era minha mãe, as pessoas presenteadas eram minha tia e minha prima que acabaram de se mudar para Goiânia, a casa não foi reformada e sim mobiliada e a história não foi para a Rede Globo. Plim Plim!

Vou dar uma clareada no assunto. Minha tia materna caçula vivia em Itararé com sua família. Itararé é uma cidade pequena, no interior de São Paulo que faz divisa com o Paraná, cidade natal de todos os irmãos da minha mãe, inclusive dela. Apesar de ser uma cidade gostosa, não sei se pelas lembranças das férias de infância, é uma cidade que parou no tempo e aos moradores não oferece muitas oportunidades de crescimento.

Minha tia, que sempre quis mais da vida, que sabe que a vida existe para ser vivida em sua íntegra, desprendida de medos e cheia de querer mais, planejou e veio com sua filha do meio tentar a vida numa cidade maior, onde tivesse algum alento familiar. Até porque conhece o potencial de sua cria, a qual sempre esteve de mãos dadas com ela em toda e qualquer dificuldade, apoiando-a e cuidando para que tudo desse certo.

Vieram com outro primo que foi passar uns dias por lá e, como era carro pequeno, se propuseram a trazer o estritamente necessário. Alugaram um apartamento e os planos eram de ir mobiliando aos poucos e, assim que pudessem, mandar a mudança, que já ficara encaixotada, a ponto de envio.

Acontece que Deus, por Suas mãos divinas, manda anjos na vida da gente, pra ir abrindo os caminhos, organizando tudo, para que possamos ter a certeza de Sua presença constante. Nesse caso, Deus mandou três anjos: meu pai e meu irmão mais velho (que organizaram o dinheiro) e minha mãe que foi a “obreira” de tudo.

Antes que minha tia chegasse arrumou todo o apartamento: limpou, comprou móveis, roupas de cama e banho, eletrodomésticos, utensílios de cozinha... tudo que se possa imaginar para montar uma casa. Não satisfeita, comprou também produtos de higiene pessoal, de limpeza, mantimentos que encheram o armário e a geladeira e, pra completar, frutas.

Montou, arrumou tudo, perfumou a casa, se atentando aos mínimos detalhes, colocando ali todo o amor possível, com o coração cheio de saudade e desejos de uma nova vida para sua irmã e sobrinha - bem próspera e vindoura. Detalhe: não contou nadinha. Era tudo surpresa!

Elas chegaram de viagem ontem, mas só hoje, depois do café da manhã, ela foi apresentar a nova morada. E eu, claro, fui bedelhar. Acompanhei tudo tão de perto que não agüentava de curiosidade, queria ver a cara das duas. Imaginem apartamento de recém casados?! Estava desse nível pra cima.

Nem preciso dizer que foi aquela choradeira! Minha tia disse que era um misto de “entramos no apartamento errado” com “não acredito que minha casa está toda pronta”. A coitadinha ficou numa tremedeira e com as pernas bambas de fazer dó. Mas não era pra menos. Ficou lindo!

É claro que o lado material foi muito importante, isso conta bastante. Mas o que mais vale é o carinho, a dedicação, a atenção... isso não tem preço. Então, a gente percebe que quando a gente dá, quem mais ganha somos nós mesmos. Não há nada que se compare com a sensação de fazer bem a alguém. É indescritível!

Minha prima disse: “Agora sei como se sentem aquelas pessoas do programa do Luciano Huck. A gente se emociona, mas nunca imagina como realmente é”. E por isso escolhi esse título para o texto de hoje.

Tudo que eu quero é que esse seja apenas um bom começo. Torço para que elas tenham aqui uma vida promissora e possam ser realmente felizes, encontrando o que Deus guardou para elas com tanto cuidado e carinho.

Hoje posso dizer que sou mais feliz, por saber que terei as duas por perto, pessoas tão especiais na minha vida e que adoro tanto. Saber que o sentido de ser família se fortalece, na certeza de que juntos somos mais. E que esse possa ser, verdadeiramente, um Lar Doce Lar.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Eu - Modo de Usar - Martha Medeiros



Pode invadir ou chegar com delicadeza,
mas não tão devagar que me faça dormir.
Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar.
Acordo pela manhã com ótimo humor mas ...
permita que eu escove os dentes primeiro.
Toque muito em mim, principalmente nos cabelos
e minta sobre minha nocauteante beleza.

Tenho vida própria, me faça sentir saudades,
conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas
e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando
este tipo de herança de seus pais.
Viaje antes de me conhecer,
sofra antes de mim para reconhecer-me um porto,
um albergue da juventude.

Eu saio em conta, você não gastará muito comigo.
Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras,
elas serão raras e sempre por uma boa causa.
Respeite meu choro, me deixe sózinha, só volte quando eu chamar e,
não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. 
(Então fique comigo quando eu chorar, combinado?).

Seja mais forte que eu e menos altruísta!
Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça,
gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço.
Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto:
boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado,
você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade.

Leia, escolha seus próprios livros, releia-os.
Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos.
Seja um pouco caseiro e um pouco da vida,
não de boate que isto é coisa de gente triste.
Não seja escravo da televisão, nem xiita contra.
Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai.
Escolha um papel para você que ainda não
tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.

Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa,
uma louca que ache graça em tudo que rime com louca:
loba, boba, rouca, boca ...
Goste de música e de sexo. Goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa,
apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ...
Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora.

Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres,
tenha amigos e digam muitas bobagens juntos.
Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas.
Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções.
Me rapte!
Se nada disso funcionar ... experimente me amar !!!

Crise dos anos



Você começa a se dar conta de que seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos. Se dá conta de que é cada vez mais difícil vê-los e organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorado(a) etc..

E cada vez desfruta mais dessa cervejinha que serve como desculpa para conversar um pouco. As multidões já não são 'tão divertidas'… as vezes até lhe incomodam. E você estranha o bem-bom da escola, dos grupos, de socializar com as mesmas pessoas de forma constante.

E começa a se dar conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo.

Você começa a perceber que algumas pessoas são egoístas e que, talvez, esses amigos que você acreditava serem próximos não são exatamente as melhores pessoas que conheceu e que o pessoal com quem perdeu contato são os amigos mais importantes para você.

Ri com mais vontade, mas chora com menos lágrima e mais dor.

Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto pôde lhe fazer tanto mal. Ou, talvez, a noite você se lembre e se pergunte por que não pode conhecer alguém o suficiente interessante para querer conhecê-lo melhor. Parece que todos que você conhece já estão namorando há anos e alguns começam a se casar.

Talvez você também, realmente, ame alguém, mas, simplesmente, não tem certeza se está preparado (a) para se comprometer pelo resto da vida.

Os rolês e encontros de uma noite começam a parecer baratos e ficar bêbado(a) e agir como um(a) idiota começa a parecer, realmente, estúpido.

Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgotado(a) e significa muito dinheiro para seu pequeno salário. Olha para o seu trabalho e, talvez, não esteja nem perto do que pensava que estaria fazendo. Ou, talvez, esteja procurando algum trabalho e pensa que tem que começar de baixo e isso lhe dá um pouco de medo.

Dia a dia, você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que não quer. Suas opiniões se tornam mais fortes.

Vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando um pouco mais do que o normal, porque, de repente, você tem certos laços em sua vida e adiciona coisas a sua lista do que é aceitável e do que não é. Às vezes, você se sente genial e invencível, outras… Apenas com medo e confuso (a).

De repente, você trata de se obstinar ao passado, mas se dá conta de que o passado se distancia mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando.

Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro… E com construir uma vida para você. E enquanto ganhar a carreira seria grandioso, você não queria estar competindo nela. O que, talvez, você não se dê conta, é que todos que estamos lendo esse textos nos identificamos com ele. Todos nós que temos 'vinte e tantos' e gostaríamos de voltar aos 15-16 algumas vezes.

Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça… Mas TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos… Dizem que esses tempos são o cimento do nosso futuro. Parece que foi ontem que tínhamos 16…

Então, amanha teremos 30?!?! Assim tão rápido?!?!

FAÇAMOS VALER NOSSO TEMPO… QUE ELE NÃO PASSE!

"A vida não se mede pelas vezes que você respira, mas sim por aqueles momentos que lhe deixam sem fôlego…"

(Desconheço a autoria.)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Pensamentos sobre o Amor



Sofrer por amor é aceitar a dor por algo que não partiu, pois o amor não morre, porque nunca nasceu, ele sempre existiu.

O verdadeiro amor é energia sutil que nasce no coração, diferente do amor posse, que só existe se estiver ao alcance da mão.

Nem sempre a prova de amor é matéria, mas sim pensamento, que viaja no tempo, via fone ou energia a qualquer momento.

Quando cedemos por amor, sem medo ou ódio no coração, essas pedras servirão de degraus para facilitar a nossa ascensão.

Julgamentos e cobranças destroem o amor, fruto da emoção, que é uma energia sutil como pluma, navegando na imensidão.

O amor puro não tem hora, lugar marcado ou posições; já que é energia, pode estar em todos os momentos nos corações.

Amor é sentimento que brota da alma, livre de julgamento, diferente da escolha do antídoto que irá nos servir de lenimento.

Beijos não eternizam o verdadeiro amor em forma de contrato, eles representam momentos felizes como presentes abstratos.

Na matemática nem sempre é perfeito o resultado da divisão, assim como o amor verdadeiro existe, independente da perfeição.

O amor sincero é unido por laços do coração e não com alianças, que simbolizam algemas, aprisionamento e falta de confiança.

Um grande amor podado pelas duras imposições da vida, é como árvore que não frutifica, porém o chá das folhas cura feridas.

Quando há várias provas de amor, a alma fica dolorida diante das dúvidas sobre as boas ações e a gratidão pela mão estendida.

Somos a imagem e semelhança de Deus, o eterno criador, que nos doou inteligência para decidirmos entre o ódio e o amor.

A caridade representa amor sutil que brota dos corações, diferente das amarras que são impostas, acorrentando as emoções.

Ditados como "quem não ama, não vive" ou "amar é viver", contrariam pessoas egoístas, que fazem do amor o verdadeiro sofrer.

Amor é energia, sem provas materiais como obra de arte, exigências que geram desconfianças  e distanciam ambas as partes.

O amor não é posse, seus laços representam delicados elos que se deteriorizam com a língua humana ao agir como um martelo.

A obsessão em busca de detalhes insignificantes gera muita dor e esmaece a energia sutil que alimenta o puro e verdadeiro amor.

A ação que apaga um sorriso é a mesma que arranca uma flor, deixando resquícios de amargura contra o verdadeiro amor.

Às vezes, somos vítimas de demasiado apego à matéria, afastando aos poucos a energia do amor alquímico, sutil e etérea.

(Texto de Alcides Pelancani, retirado de seu livro "Essências da Vida")

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Meus universos - masculino e feminino



Costumo dizer que sou uma espécie de homem. Falo porque eu tenho alguns pensamentos e comportamentos que muito mais se encaixam no universo masculino que no feminino. Algumas pessoas brigam comigo, não enxergam isso em mim, mas vou tentar me explicar.

Eu sou o tipo de mulher que não suporta shopping, feiras, supermercados... essas coisinhas tão corriqueiras e necessárias à vida de qualquer mulher. Se tenho que ir ao shopping ou à feira, é pra comprar algo. Já paro o carro perto da loja ou da banca que eu vou. De lá, volto correndo pro carro. Essa coisa de ficar entrando de lugar em lugar, andando tudo, fuçando em tudo e não levando nada, não combina comigo.

Supermercado então, só vou se é pra comprar algo tipo tábua de passar roupa ou qualquer outra coisa que a gente compra com “os olhos da ponta dos dedos”, aquelas que a gente tem que pegar, testar pra levar. Minhas compras são mensais e são feitas via internet ou telefone. Acho a taxa de entrega a mais bem paga do mercado. Ninguém merece aquele tira da prateleira e põe no carrinho, tira do carrinho e põe caixa, tira do caixa e põe no carrinho, tira do carrinho e põe no carro pra levar pra casa, tira do carro e põe no carrinho de compras do prédio (como é o meu caso), tira do carrinho do prédio e põe enfim em casa. Ufa! Cansa só de pensar.

Outra coisa que me pareço mais com os homens é que enfrento as coisas de frente, não fujo e sou agressiva sempre que preciso. Não tenho em mim, pelo menos no mundo dos negócios, aquela docilidade tão própria da mulher, a menos que seja necessário, claro. Afinal, armas foram feitas para serem usadas. (Risos.)

Meu pai fica irritadíssimo comigo quando digo a ele que sou mais homem do que os outros dois filhos homens que ele tem. Abusada, né? Então! Coisa de homem.

Adoro um happy hour com as amigas ou amigos no fim do dia. Os grandes amigos que tenho são homens. Sempre confiei mais nos homens do que nas mulheres, até pelo fato de ser uma, então sei bem como é o funcionamento. São meus amigos homens que sabem das minhas maiores intimidades, é pra eles que me sinto mais à vontade de “despir-me”, porque sei que eles me entendem. As mulheres não. Elas sempre olham essas minhas atitudes com um olhar de reprovação, pra não dizer de inveja.

Canso de repetir a frase para meus amigos: “Quero ter uma conversa com você, de homem pra homem”. Porque é assim que é. Nos sentamos e conversamos abertamente, sem pudores, sem preconceitos. Acho que acontece aquela coisa da fidelidade masculina.

Há poucos dias saí com duas amigas que acabaram de se separar. Elas estavam sofridas, sem entender que parte elas perderam, ficam tentando se culpar... sei lá. Por que a culpa tem que ser delas? Passam a vida toda servindo, abrindo mão de si mesmas para seus parceiros, se anulando muitas vezes, seguem direitinho aquela cartilha dos deveres da esposa, à risca e depois dizem: “Eu fiz tudo por ele!”

Então, quando percebi estava eu lá, dizendo como deveria ser daqui pra frente, com toda aquela praticidade típica de homem, descrevendo os pensamentos dos ex-maridos em relação a elas. Entre um comentário e outro meu, uma dizia a outra: “Presta atenção! Isso é cabeça de homem!”

Quando é que homem se anula por causa de mulher? Olha, com raríssimas exceções, posso dizer que quase nunca vi. Homem tem um egoísmo próprio que lhe é nato. Eu tenho esse lado homem. Não estou dizendo que eles também não sirvam, não se dediquem. A diferença é que a hora são eles que fazem. Por isso, muito pouco têm a lamentar. Até porque, reclamar é coisa de mulher. Como diz um compadre meu, “mulher nasce com crise existencial”.

Mas não posso negar que valorizo muito o meu universo feminino. Acho que pouquíssimas mulheres são tão fiéis a um salão como eu. É minha terapia da semana. Adoro pintar as unhas, arrumar o cabelo, conversar fiado, aquele ti-ti-ti mesmo, bem típico das mulheres. Sabe fofoquinha? É o único momento da semana que me permito esse tipo de futilidade.

Adoro ser cuidada, paparicada, mimada. Ser tratada como um tipo raro e delicado de vaso de cristal. Lógico que só quando eu quero, porque esse tratamento em excesso torna-se forçado e me enjoa. Acaba me sufocando.

O tempo que eu tiro pra mim é totalmente feminino. É a hora da minha academia, do meu banho, de passar creme no meu corpo, de me arrumar em frente ao espelho, com direito a muitos cheiros, cores e sabores.

A docilidade de mãe também me encanta. Adoro o cuidar dos meus filhos, organizar a vida deles, me inteirar por completo de suas atividades, comportamentos, sentimentos. Lógico que nesse papel, o autoritarismo masculino também aparece, mas a parte boa é a da doçura mesmo, do amor incondicional.

Amo estar em família, sair com amigas, ajudar o próximo... coisas bem do universo feminino. Coisas estas que não abro mão.

E dentro desses universos, vou oscilando. Algumas vezes mais em um, outras vezes mais em outro, de acordo com o dia, com a necessidade do momento e, claro, observando cada gesto, cada ímpeto, cada novidade. Amando muito tudo isso!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

BRASIL CACAU - CHOCOLATES DE QUALIDADE



Preciso compartilhar algo com meus amigos leitores. Acho que, o que é bom, não pode ficar guardado, escondido. Tem que ser disseminado, para que o bem seja feito também para outros e outros e outros.

Ouvi dizer sobre uma nova loja, até de uma amiga que gosto muito. A propaganda não podia ser melhor! Feita por alguém que adoro, respeito e que é um formador de opinião pra mim. Mas eu não sou muito influenciável e sou a própria “Santa Tomé” – preciso ver pra crer.

A loja chama-se Brasil Cacau. E por eu ser também uma chocólatra assumida, claro, tinha que ir lá, pra ver se aquela coisa toda (que já era tão deliciosa), valia mesmo a pena.

Hummm... Hummm... Hummm... Se eu fosse uma Ana Maria Braga, eu não passaria debaixo da mesa por aqueles chocolates. Eu faria ali a minha eterna morada. Porque não são bons. São D – I – V – I – N – O – S !!!

Eu sempre gostei muito das coisas da Kopenhagen, mas ia vez ou outra só, afinal, o preço não me apetecia muito. Só ia mesmo porque acho que não tem ninguém que saiba fazer nada igual. E... chocólatra como eu... já viu, né? Além do mais, tem aquela coisa de ter que ir no shopping pra comer. É muita necessidade! Mesmo assim, vez ou outra, eu necessitava e ia.

Ainda bem que “Deus é Pai e não padastro”! A Kopenhagen fez 80 anos esse ano, em janeiro, e com louvor. Lançou para nós, pobre humanos tão necessitados de uma boa dose diária de chocolate, a Brasil Cacau. É o próprio chocolate Kopenhagen, feito em sua própria fábrica, mas com novo nome e com um preço totalmente acessível. Como se chama isso? Segunda linha, né?

Agora a Kopenhagen é segunda linha para mim, afinal, tenho acesso a todos os seus produtos, por um preço pra lá de especial, numa loja que fica no meio da rua (o que facilita bastante, pois não tenho que me arrumar pra ir ao shopping) que se chama Brasil Cacau. A amiga que já era querida, agora tem ainda a minha total admiração, por ter a competência de trazer algo com tamanha qualidade, satisfação atestada há anos. E chocolate??? Tudo de bom.

A loja em Goiânia fica na Rua 09, número 1606, Loja 02, Setor Marista (claro que tinha que ser em um bairro nobre!). Pra quem sobe, fica no terceiro quarteirão à direita, acima da Avenida D. Pra quem desce, fica dois quarteirões abaixo do Shopping Bougainville, no sentido contrário. E ficou linda! De um bom gosto de quem sabe o que faz.

Se você não mora em Goiânia, não se desespere. Foram abertas 18 lojas pelo país. Com certeza há alguma bem pertinho de você. E se na sua cidade não tem, corre atrás de uma franquia, porque é certo que você vai bombar.

Caso esteja duvidando, entre no site que é www.brasilcacau.com.br e veja os produtos. Eles só mudaram o nome e a roupagem. Se continuar duvidando, minha dica é dar uma passadinha por lá, assim... como quem não quer nada... tomar um capuccino, comer frutas com chocolate, algumas trufas, quem sabe!

Mas prepare-se! Saiba que a partir de então, se você não é, pode se tornar um chocólatra como eu e estar aprisionado ao doce sabor do chocolate pro resto dos seus dias.

Já que vai se aprisionar mesmo, que seja por um bom motivo. Compre para você de dê de Natal o Panetone Trufado deles. Tenho absoluta certeza que você ainda não comeu nada igual. Como presente, ficará muito mais barato que qualquer roupinha, agendinha, sapatinho que fosse dar de presente, além de fazer mais vista e deixar o presenteado muito mais satifeito.

Se você gosta de coisa boa, barata e ser bem atendido, lá é o seu lugar. Pode chegar lá e dizer à Fernanda que fui eu que indiquei. Pode falar de boca cheia, eu garanto! Vá! Prove! Experimente! Depois me conte. Você vai se apaixonar de verdade, em todos os sentidos.

Não. Melhor! Pode me ligar que eu te levo até a loja, assim, podemos desfrutar desses doces momentos juntos. Hummm... Deu até água na boca!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Pense antes de falar



Sempre fui uma pessoa que se metia em confusões por causa da minha "boca grande". Possuída daquele sentimento nato de ajudar os outros, estava sempre pronta a falar o que pensava, acabava me metendo na vida alheia e quem se saia mal nas histórias era sempre eu. Várias vezes me vi metida em fofocas ou situações que não tinham nada a ver comigo, mas como eu falava demais, sempre sobrava algo pra mim.

Com o tempo comecei a trabalhar isso, observando meus comentários e para quem os fazia e, principalmente a entender que o que pra mim é uma verdade ou o ponto de vista que defendo, não necessariamente tem que ser assim para o outro. Pelo contrário, na maioria das vezes não é, porque cada um vive o que tem que viver e, inconscientemente ou não, sabe o que é melhor para  si.

Ainda adolescente, li uma vez o texto das Três Peneiras de Sócrates, que caiu como uma luva na minha vida e que levo comigo dentro do coração há muitos anos. Baseada nele, comecei a controlar meus impulsos, que sempre quer falar mais do que precisa. Não é uma tarefa fácil, confesso, mas é constante pra mim esse exercício, pois já senti a maldade das palavras várias vezes na vida. Não só palavras alheias na minha vida, como também palavras minhas na vida alheia.

Passei a observar o perfil das pessoas que têm esse hábito de falar mais que a boca e, embora aparente que a pessoa tem o intuito de nos ajudar, na verdade, são sempre citações com um "quê" de maldade ou inveja. Sempre é! Observe. E os "comentários bobos" vêm sempre acompanhados de um: "Não falei por maldade" ou "Estou falando para o seu próprio bem".

Sempre é muito mais fácil falar da vida dos outros do que ter que nos deparar com a nossa. Temos a solução pronta para todos os problemas das pessoas. Esta é sempre tão fácil e tão óbvia que é inacreditável que a pessoa não enxergue um palmo na frente do nariz. Parece que é confortante a gente pensar que nossa vida é sempre bela e a do outro está estragada. Dá até um sentimento de pena, né? Então, vamos dar um conselho, afinal não custa nada. Esquecemos então que "conselho, se fosse bom, não era dado de graça".

Algumas pessoas então, são mesmo cruéis. Usam a palavra pra fazer o mal, distorcer, inventar, manipular, atrapalhar de alguma forma a vida do outro. Sabe aquela pitadinha de pimenta? Vejo como pessoas que não têm assunto ou são extremamente infelizes. Então, falar mal da vida alheia se torna menos dolorido para si. E dá-lhe língua! Pena que eles esquecem que a vida é um eco e nos devolve exatamente aquilo que damos a ela.

E aquelas pessoas que se mostram tão dignas de confiança a ponto de você abrir os seus segredos? Você, na inocência, conta suas maiores particularidades. Quando percebe, o outro contou da sua vida, da sua história só pra torcida do Flamengo. Mas não se preocupe! Ela teve o cuidado de dizer: "Não conta que eu te contei, viu? Ninguém sabe disso. Só eu!"

É feio, né? É podre. É injustificável. Se não tem nada a acrescentar, prefira ficar de boca fehcada. Acho que a gente tem sempre que pensar antes de falar. Principalmente se for sobre a vida de outrem. Se for para falar, que seja para a pessoa interessada, a pessoa envolvida e não pelas costas ou para terceiros. Mesmo assim, só abra a boca quando tiver certeza e só se a pessoa te perguntou antes ou pediu sua ajuda. E, depois de todos esses pequenos cuidados, não se esqueça do primordial: passe pelas três peneiras.