quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Gostava tanto de você - E. Trindade



Não sei porque você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar...

Você marcou em minha vida
Viveu, morreu na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão que em minha porta bate...

E eu!
Gostava tanto de você...
Gostava tanto de você...

Eu corro, fujo desta sombra
Em sonho vejo este passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato

Não quero ver pra não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você...

E eu!
Gostava tanto de você...
Gostava tanto de você...


Essa música tão conhecida na voz de tantos cantores renovados, já tantas vezes regravada, tem uma linda história. Edson Trindade, o compositor da mesma, fez essa música para sua filha que faleceu em um acidente.

Pra mim, ela também lembra uma pessoa muito querida que também morreu em um acidente e marcou profundamente minha vida. Seu nome era Marco André Naves, minha primeira “paixonite” de adolescente. Ele era filho de amigos dos meus pais, estudávamos na mesma escola e era lindo, divertido e estávamos sempre juntos. Durante semana na escola e nos finais de semana na fazenda, já que nossos pais eram também vizinhos de fazenda.

Ele se foi com apenas 17 anos de idade. Foi separar a briga de um amigo numa festa e acabou sendo baleado, por engano. Engano, modo de dizer, pois acredito que todos temos nossa hora de partir.

De qualquer forma, foi tudo muito traumático. Primeiro, pelo que ele representava pra mim, depois pela forma como tudo aconteceu: uma bala que “não era pra ele”, sua pouca idade, por ser o primeiro velório que fui e até hoje aquela imagem dele no caixão não me sai da cabeça.

Nessa época, estudava num colégio católico e eu tinha 12 anos de idade, a hora certa de fazer a Primeira Comunhão. Mas acabei não fazendo, pois a partir do ocorrido resolvi que queria ser espírita, pois esse foi o meio que encontrei de me manter próxima ao Marquin. Nessa fase, inclusive, me aproximei muito da família dele que também são especiais pra mim.

Então, a vida passou, eles se mudaram pra longe, eu cresci e não ligava mais para o espiritismo. Só sobrou uma doce saudade no peito, não aquela dolorida e triste, mas uma saudade gostosa, de lembrar nossos bons momentos, lembrar seu rosto e relembrar aqueles bons tempos. Eu sentia saudade dele e da família dele.

E essa música marcou profundamente minha vida porque é impossível ouvi-la sem lembrar dele. Sua letra encaixa perfeitamente em nossa história, essa que nem começou, mas que eu criei e vivi na flor da idade.

Mas o mundo é redondinho e ganhei da vida o grande presente de reencontrar essa família tão querida, de uma forma ainda mais especial, pois agora é madura a relação, é embasada em sentimentos que foram muito bem plantados em nossos corações. Sou grata por isso, pois reencontrá-los é reviver um pouco de tudo, é amar, é ser feliz, é sentir um suspiro de felicidade no coração.

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