quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Só - Oswaldo Montenegro



“Vontade de ser sozinho
Sem grilo do que passou
A taça do mesmo vinho
Sem brinde mas por favor
Não é que eu não tenha amigos, não
Não é que eu não dê valor
Mas hoje é preciso a solidão
Em nome do que acabou

Vontade de ser sozinho
Mas por uma causa sã
Trocar o calor do ninho
Pelo frio da manhã
Valeu a orquestra se valeu
Agora é flauta de Pã
Hojé é preciso a solidão
Com a benção do Deus Tupã, ô menina

E a quem perguntar quando o vento sopra
Responda que já soprou
Mas o vento não traz resposta
Acabou 

A flecha que passa rente
Cantor implorando um bis
O cara que sempre mente
A feia que quer ser miss
Gaivota voando sob o céu
A letra que eu nunca fiz
Tudo é a mesma solidão
Mas dá pra se ser feliz, ô menina

E a quem perguntar quando o vento sopra
Responda que já soprou
Acabou 

E todo mundo é sozinho
E ai de quem pensar que não
A moça com seu vizinho
Soldado com capitão
E resta a quem tá sem seu amor
Amar sua solidão
Hoje é preciso um uivo
De lobo na escuridão, ô menina

E a quem perguntar quando o vento sopra
Responda que já soprou
O vento não traz resposta
Acabou”


Fiquei comovida como o meu texto “Sozinha...” deu Ibope. Recebi muitos e-mails e ligações a respeito, pessoas mostrando solidariedade à minha solidão momentânea e outros até me desejando força. A esse último, disse que se me desejasse força, eu batia. (risos)

Como é bom ter amigos! (Acho que nunca vou me cansar de repetir isso.) E como amo tanto todos os meus amigos!!!

Mas o tema hoje, mais uma vez sobre solidão é sobre essa solidão estranha que nos acompanha, muitas vezes sem que queiramos ou que saibamos, mas que se faz imensamente necessária a todos.

Oswaldo Montenegro retrata isso muito bem na letra de sua música Só. Hoje vou falar um pouquinho sobre essa música, em particular, na forma que ele descreve tão bem, nos fazendo suspirar, respeitar e amar esse momento ímpar e tão particular de nossa vida.

Às vezes sentimos vontade de estar só, sem que seja preciso nenhum acontecimento que cause trauma ou sentimento de abandono. Simplesmente queremos estar em companhia de nós mesmos, saborear um bom vinho, aquele que temos costume de tomar, seja nas horas tristes ou felizes. Quem sabe olhar o céu e pensar na vida, refletir sobre tudo (ou sobre nada)... ficar ali, nesse momento tão íntimo conosco, bebericando o companheiro que nos faz elevar cada vez mais o pensamento.

Não é pela falta de amigos, mas naquela hora, tudo o que se quer é estar ali, se amar daquele jeito, se descobrir, se inventar. Talvez um brinde silencioso a uma situação desgastante que finalmente acabou. Essa situação que te acompanhou durante tanto tempo, te pesou a vida, te preocupou, te colocou pra agir, te estressou e que agora, não está mais ali. Se foi. Só restou o seu suspiro aliviado e sua taça do vinho companheiro.

Vontade de ser sozinho, não por algum tipo de depressão ou por se sentir abandonado pelo mundo, mas poder escolher o que se quer da vida, podendo trocar aquele momento em família tão aconchegante para sozinho respirar o ar puro da manhã, ver o orvalho da noite dando boas vindas a um novo tempo que começa agora.

Estar só e saber que tudo que foi vivido, em qualquer “batuque”, mesmo que não tenha sido o seu predileto, valeu a pena. Porque tudo sempre vale a pena! Enfim, agradecer ao universo, aos deuses, ao céu, à natureza por tudo estar mais calmo, mais leve, mais ameno.

Nesse momento, se te perguntarem o que houve, o que aconteceu... não importa mais, afinal, o que tinha que ser já foi e não se faz necessário nem mais relembrar, muito menos comentar. Que refrão!

Então ele retrata as diversas, porém singelas, formas de solidão... Aquela flecha que estava pronta para acertar e errou, se sente sozinha, jogada ao léu. E como a flecha, tantos objetivos que tentamos alcançar ou pessoas que tentamos atingir, em vão.

Aquele cantor que passa anos ensaiando para o seu público à espera de aplausos e, na hora H, só resta o silêncio. Assim como nós estamos sempre esperando algum tipo de reconhecimento e nem sempre conseguimos.

O cara que sempre mente e a feia que quer ser miss, sempre tentando se mostrar o que não é, sempre buscando aceitação dos outros, sendo que nem eles se aceitam tal como são. Quantos de nós nos enquadramos nesse homem e nessa mulher, mesmo que momentaneamente?

Gaivota voando sobre o céu... é lindo. Mas o que será que ela procura? O que te falta para que ela se sinta bem, completa, que possa pousar em porto seguro e sentir o alento? E nós? Onde vai parar essa busca incansável, muitas vezes sem saber nem o que estamos buscando?

A letra que eu nunca fiz. Creio que aqui ele fala do vazio que sentimos, como se faltasse algo pra ficar bonito, emocionante, contagiante. Falta aquele ritmo essencial à vida. Mas ele termina, sabiamente... mesmo com tanta solidão, com tanta interrogações, com tantos percalços que encontramos pela vida, é possível sim ser feliz. Tudo é uma questão de escolha. Mais do que possível, ser feliz é essencial.

Oswaldo termina sua canção lindamente, constatando que todo mundo é sozinho. E somos! Seja por um momento, uma situação, por falta de alguém, por estar no lugar certo na hora errada ou na hora certa e lugar errado, percebido ou não, desejado ou não.

Estar só tem sua magia, seu encantamento e, às vezes, se faz necessário. Basta entendermos que tudo tem a sua razão de ser e, ser feliz, sozinho ou não, é tudo que se quer.

Um comentário:

  1. Vem à tona a solidão que faz bem.A natureza da existência em estado de reflexão.Parabèns Taiza por encontrar felicidade em si mesma,afinal não há mais o que se fazer nesta vida.

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